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CRÍTICA – Marvel 1602 (2017, Panini Comics)

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Marvel 1602

E se os heróis e os vilões viessem a existir cerca de 300 anos antes da hora? Em Marvel 1602, somos apresentados pela incrível mente de Neil Gaiman a uma época em que a Inquisição Espanhola estava em seu auge, e assim como a era Elisabetana chegava o fim, a era Jacobina tinha início na Inglaterra.

O roteirista dos icônicos Sandman, Good Omens, The Books of Magic e Deuses Americanos lançou a HQ originalmente entre 2003 e 2004 nos Estados Unidos e foi enfim lançada em uma versão única aqui no Brasil pela Panini em Setembro de 2007. O arco ganhou uma incrível edição em capa dura com verniz, com cada “tomo” ou capítulo, sendo dividido pela incrível arte das capas criadas por Scott McKowen, em 2017.

A Rainha Elizabeth I da Inglaterra teve um reinado estável por quase 44 anos. Mas tudo mudou quando as preocupações acerca de estranhas anomalias surgiram ao redor do mundo, tendo início na costa da Ilha de Roanoke, e incumbiu Stephen Strange de resolver esse mistério. Com a ajuda de seu Espião-Mestre, Sir Nicholas Fury, a Rainha Elizabeth pediu que um antigo poderoso artefato Templário fosse trazido para seus domínios, a fim de evitar que a poderosa arma caísse nas mãos de outras facções que pudessem fazer mal uso da mesma.

Nicholas Fury acredita que suas habilidades deviam ser passadas adiante, e seu jovem aprendiz — ou garoto de recados — era Peter Parquagh. As habilidades passadas de Sir Fury para o jovem órfão não foram passadas em vão.

Com uma possibilidade de um futuro violento, uma perturbação e o possível colapso da realidade segundo o “médico” Stephen Strange acredita, somos apresentados aos mais diversos personagens do já estabelecido Universo Marvel, entre ele Petros (Mercúrio), Wanda (Feiticeira Escarlate) e Enrique (Magneto), o Alto Inquisidor. Os três são responsáveis por grande parte dos conflitos e intrigas entre os reinos da Inglaterra e da Escócia, com Petros servindo como uma espécie de “leva e traz”.

Todos os acontecimentos daquele universo são testemunhados por Uatu, o já conhecido Vigia que é responsável por testemunhar os acontecimentos daqueles que habitam e protegem a Terra, sem poder interferir neles. Ao nos apresentar também um personagem vindo do futuro – se olharmos do ponto de vista daqueles personagens que habitam o século XVII —, somos surpreendidos com cada curva que o roteiro de Gaiman faz.

As artes de miolo de Andy Kubert nos deixam de boca aberta, por serem elaboradas, bem diagramadas e de tirar o fôlego, em que as capas facilmente poderiam se passar por artes do fim da Era Elisabetana.

Marvel 1602

Ao levar os personagens com poderes e habilidades conhecidas para o século XVII, o roteiro de Neil Gaiman dá espaço para arcos que acabam por estabelecer os heróis – e vilões – que não tiveram tanto holofote no one-shot. 1602: Os Quatro do Fantásticko, Homem-Aranha 1602 e 1602: Novo Mundo nos apresentou com ainda mais profundidade as relações iniciadas em Marvel 1602.

Ao nos apresentar o não-fim da colônia de Roanoke, como o nascimento e morte da jovem Virginia Dare, a primeira criança inglesa nascida nas Américas, e as lendas acerca do fim da recém-criada colônia de Roanoke em 1580, Gaiman acerta ao acrescentar seus tons brilhantes às cores cinzas da morte prematura daqueles colonos recém-chegados no inverno. Sem saber como sobreviver àquele clima, e o problemático embate com os nativos, Neil Gaiman dá algumas camadas a mais, ao nos apresentar elementos fantásticos que apenas as lendas contadas naquela época eram capazes de criar.

Gaiman, Kubert e McKowen se destacam ao nos fazer entender de forma clara e nos maravilhar ao ambientar o panorama repleto de conflitos de uma Inglaterra do Século XVII, assim como a história de um Rei da Escócia a fim de conquistar novos territórios.

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