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CRÍTICA – Um Pedaço de Madeira e Aço (2018, Pipoca e Nanquim)

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Imagine se um dia o programa A Praça é Nossa não fosse contado sobre o ponto de vista do Carlos Alberto de Nobrega e sim pela perspectiva que o banco da praça tem de cada personagem icônico que passa por ele. Então caro leitor, a HQ Um Pedaço de Madeira e Aço realiza com maestria ao conta a história de um banco de praça.

Um descanso, um momento, uma pausa.

Um abrigo, um refúgio, um lar…

Uma cena… uma encruzilhada…

Apenas um pedaço de madeira e aço.

Um Pedaço de Madeira e Aço é uma graphic novel do quadrinista francês Christophe Chabouté, publicada originalmente em 2012 pela editora francesa Éditions Glénat e publicada no Brasil em Maio de 2018 pela editora Pipoca e Nanquim. Editora que vem revolucionando o mercado de quadrinhos brasileiro e que a cada ano vem trazendo quadrinhos de diversos países sempre com uma edição caprichada e excepcional para nossas terras tupiniquins.

Em Um Pedaço de Madeira e Aço acompanhamos o cotidiano de diversas pessoas pela perspectiva de um banco de praça e completamente narrado visualmente ele; sem nenhum diálogo, apenas com as expressões de cada pessoa que passa por aquele banco.

Seja uma pessoa que esteja apenas sentada lendo um livro, um casal de namorados, um cachorrinho tentando escapa da chuva ou um morador de rua tentando dormir no banco da praça, mas que sempre acaba sendo expulso pela guarda municipal por estar dormindo ali (Como diz a canção de Bruno & Marrone).

Esse quadrinho é maravilhoso para quem está à procura de algo fora do arroz com feijão Marvel, DC e mangás, ele narra com maestria as 334 páginas sem nenhum diálogo ou onomatopeias, e sim apenas com a passagem de pessoas seguindo suas atividades rotineiras. Contudo esse quadrinho pode ser chato para o leitor que anseia por alguma trama dentro de qualquer um dos subgêneros dos quadrinhos.

Agora quem já acompanha autores como Jiro Taniguchi (O Homem Que Passeia) e Moebius (Arzach) vai amar o quadrinho, não só pelo fato ser narrado sem diálogo, mas também pela arte magnifica que expressa com perfeição a movimentação de cada pessoa que aparece em quadro.

A sutileza que esse quadrinho tem com a passagem de tempo é incomparável, cada folha que caí de uma arvore que fica atrás do banco ajuda bastante a situar o leitor com as estações do ano. Sem falar das pessoas que cruzam o caminho do banco; o leitor certamente ficará curioso com a história de vida de cada pessoa segue viagem após sua passagem inusitada por esse pedaço de madeira e aço.

Editora: Pipoca e Nanquim

Autor: Christophe Chabouté

Página: 334

Nossa nota

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