Início SÉRIE Crítica CRÍTICA – Como Vender Drogas Online (Rápido) (1ª temporada, 2019, Netflix)

CRÍTICA – Como Vender Drogas Online (Rápido) (1ª temporada, 2019, Netflix)

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CRÍTICA - Como Vender Drogas Online (Rápido) (1ª temporada, 2019, Netflix)

A nossa querida Netflix e suas séries com adolescentes não param de me surpreender. Antes de começar, preciso confessar: eu não levava fé quando me recomendavam Como Vender Drogas Online (Rápido). Não é por mal, mas o trailer meio que não se vendia. Parecia só mais do mesmo pra entreter o público teen. Mas, como já está virando costume, o streaming vermelho estava pronto pra me dar um tapa na cara (não literalmente, fiquem tranquilos).

Vamos ao que interessa. Como Vender Drogas Online (Rápido) (ou How To Sell Drugs Online (Fast) no original) é basicamente uma série sobre adolescentes alemães, com relacionamentos adolescentes e alguns nerdismos. Sim! Caso tenha achado estranho, apesar do nome, a série é totalmente alemã, assim como Dark – que atualmente caiu nas graças do público e está bombando na internet. A primeira temporada tem apenas 6 episódios com uma duração de aproximadamente 30 minutos, sendo mais uma série fácil de maratonar (não só por não demandar tanto tempo, mas por ser bem divertida).

O início

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Na fictícia Rinseln, Alemanha, uma pequena cidade interiorana, Moritz Zimmermann (Maximilian Mundt) é um típico nerd que tem um choque quando sua namorada, Lisa Kovak (Anna Lena Klenke), após retornar de um intercâmbio de um ano nos Estados Unidos, pede um tempo no relacionamento, em razão de sentir que não é a mesma de antes. Porém, nosso protagonista descobre que ela mudou um pouco mais do que ele esperava: em seu intercâmbio, Lisa conheceu não só a cultura yankee mas também o MDMA (popular ecstasy).

O enredo (bem enredado)

Moritz desenvolveu, junto com seu melhor amigo, Lenny (Danilo Kamperidis), um projeto de loja online para comercializar itens de games. Em meio à um surto para retomar seu relacionamento com sua namorada, a qual começou a se dar muito bem com o bonitão (e traficante da escola) Dan (Damian Hardung), Moritz compra todo o estoque de drogas de Buba (Bjarne Mädel) – fornecedor de Dan – usando o dinheiro arrecadado para o financiamento de seu projeto de loja online (além de um pouco de suborno, já que o dinheiro só era suficiente para uma parte do que ele queria).

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E é aí que as coisas começam a dar errado pra valer (já era de se esperar, né?). Pra não perder também seu melhor amigo, ele tenta recuperar o dinheiro do financiamento. A ideia pra conseguir recuperar? Reprogramar o que antes era um site para venda de itens de jogos, transformando-o em um site para venda de drogas online. Já temos quase todo o nome da série aí. O “rápido” é porque o fornecedor de drogas local descobre onde ele mora e os ameaça de morte. Uma boa motivação, não é mesmo?

Interação com o público

Se esta trama totalmente louca e pouco real não é suficiente para te prender, eu te conto um segredo: é baseada em fatos reais. E eles fazem questão de deixar isso claro na série.

Não é raro o protagonista quebrar a 4ª parede e conversar com o espectador. E certamente estas interações são um ponto alto da série. Nelas, Moritz normalmente traz sacadas inteligentes se comparando à grandes nomes do empreendedorismo tecnológico como Mark Zuckerberg ou Steve Jobs (seu grande ídolo), o que ajuda no lado cômico da série.

Reaquecendo o debate?

Além do que já apresentado, outros pontos positivos são os aspectos sociais que a série aborda, trazendo o debate sobre o uso e legalização de drogas, os danos que algumas drogas podem causar, as chamadas “fases” da adolescência, a dificuldade que algumas pessoas tem de se encaixar em estereótipos, questionando inclusive essa necessidade.

A tecnologia tem papel principal na série, já que a trama gira em torno de criptografia para fugir das autoridades, uso da darknet, o uso constante das redes sociais e todas as informações que por lá circulam, entre outros elementos que ajudam a temperar esta interessante obra alemã.

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Durante a abertura dos capítulos, a série apresenta também vários tipos de pessoas (homens, mulheres, jovens, idosos, etc) fazendo o uso de drogas e as várias formas como elas reagem a isto.

Se a série não faz apologia, ela certamente incentiva ao debate, já que traz argumentos pró e contra. No entanto, a maneira como ela provoca o debate é muito inteligente, já que ao usar como nome justamente “Como vender drogas online”, ela incentiva pessoas curiosas com a série a jogarem esta frase nos buscadores online, e com isto, confundir ou ao menos dificultar o trabalho das autoridades em identificar quem está pesquisando sobre mais um entretenimento da Netflix e quem está buscando outros tipos de entretenimento.

VEREDITO

A minha avaliação é extremamente positiva. Os poucos arcos foram muito bem construídos, não deixando muitas pontas soltas e, por não ser tão extensa, ela dura exatamente o que tem que durar pra instigar a querer assistir mais. Não consigo encontrar pontos negativos, já que todo o drama do nerd sofrendo por amor é muito fácil de comprar e não me pareceu em nenhum momento exagerado. E ainda que fosse, é baseado em uma história real, gente. Por mais louco que pareça, aconteceu.

E sabe o que é melhor? A segunda temporada estará disponível a partir do dia 21 de Julho na Netflix.

Nossa nota

Assista ao trailer da primeira temporada:

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