CRÍTICA – Como Vender Drogas Online (Rápido) (3ª temporada, 2021, Netflix)

    Se você chegou aqui sem ter assistido nenhuma temporada de Como Vender Drogas Online (Rápido), considere ler nossas críticas sobre a primeira e a segunda temporadas, e até mesmo assisti-las. A terceira temporada, assim como as anteriores, tem episódios com uma duração média de 30 minutos, sendo facilmente maratonável. Não só por sua duração como também por sua qualidade.

    Todo mundo tem uma segunda chance

    Ao final da última temporada, tudo levava a crer que os perigos por se envolver com pessoas acostumadas ao mundo do crime estavam finalmente controlados graças à sagacidade de Mortiz (Maximilian Mundt). No entanto, nada foi consertado; no máximo, novos obstáculos surgiram e peças conhecidas se revelaram com novos papéis. A polícia, que parecia ter sido despistada, volta ao rastro do MyDrugs.

    Se antes as dificuldades já eram pesadas, agora, Mortiz, sem o apoio de Lenny (Danilo Kamperidis) e Dan (Damian Hardung), graças ao seu ego e sua ambição descontrolada, tem que se virar sozinho e contornar todos os novos reveses.

    É justamente por se ver tão sozinho e sem conseguir vislumbrar soluções que a série convida tanto personagem quanto espectador a relembrar o que o fez chegar até onde está hoje, trazendo a pergunta: ainda vale a pena?

    “A gente vende drogas. Mas o nosso trabalho tem ética”

    A megalomania de Mortiz, que antes o motivava a fazer besteiras, amparado por frases de grandes CEOs, finalmente é contrariada e posta à prova. Ele é realmente o chefe ou apenas uma peça no jogo das holandesas?

    O MyDrugs, que surgiu para que eles conseguissem financiar o tratamento de Lenny, agora se tornou um meganegócio. E um negócio tem clientes. Sozinho, Mortiz consegue manter a fidelidade e satisfação de todos? Estas perguntas são um grande fio condutor desta temporada.

    A geração Z no seu auge

    A proposta da série em misturar o comércio de drogas com as tecnologias atualmente dominadas pelos jovens, traçando grandes questionamentos acerca da cultura não apenas dessa geração, mas da sociedade em geral. A capacidade de se manter atualizada às tendências, inserindo elementos como TikTok e OnlyFans, as vulnerabilidades em decorrência de tudo estar na nuvem, as vantagens e desvantagens do Instagram e similares.

    Além disso, os temas que são trazidos para o debate são muito atuais, pontuais e sabem bem conduzir reflexões de grande proveito, tanto para jovens quanto para aqueles jovens há mais tempo. Além de toda tecnologia e modernidade, de maneira sagaz (como de costume), a série traça paralelos com a literatura antiga e as exigências do vestibular.

    Um excelente exemplo é quando eles inserem a obra Fausto, de Goethe, sendo interpretada por alguns dos personagens, contrastando a cultura atual, permitindo leituras interessantes desta relação.

    VEREDITO

    CRÍTICA – Como Vender Drogas Online (Rápido) (3ª temporada, 2021, Netflix)Como Vender Drogas Online (Rápido) chega em sua terceira temporada com o mesmo conceito que a fez ser um grande sucesso da Netflix. Tecnologia, risco, inconsequência, jovens, perigo, humor, relacionamentos. A receita segue a mesma, mas os ingredientes são sempre frescos. Confesso que temia que a nova temporada caísse em mesmice ou então precisasse recorrer a outros elementos para conseguir se manter atrativa.

    Parece que a história de Maximilian Schmidt, o jovem de Leipzig que ficou conhecido como o mais notório traficante da deep web, ainda tinha gás para mais uma temporada. Por ter a característica de possuir poucos episódios e de pouca duração, infelizmente não é possível uma vasta exploração de todos os arcos. Mas, o que é apresentado satisfaz, não deixando muito a desejar.

    Ao fim da temporada, uma cena deixa um gancho para o que, aparentemente, pode ser o enredo para uma quarta temporada. A história verdadeira já se esgotou: o “verdadeiro Moritz”, Max, segue preso, desde 2015 e não teve nenhum amigo para resgatá-lo. Até porque, na história real, o jovem alemão fez tudo sozinho.

    Se a Netflix conseguirá um fôlego para manter a trama ano que vem: não sabemos. Mas o que sim, já é sabido, é que nunca devemos duvidar da grande locadora vermelha e suas centenas de produções de boa qualidade (apesar de algumas deixarem a desejar, mesmo).

    Nossa nota

    4,5 / 5,0

    Assista ao trailer legendado:

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