Início SÉRIE Crítica CRÍTICA – Sombra e Ossos (1ª temporada, 2021, Netflix)

CRÍTICA – Sombra e Ossos (1ª temporada, 2021, Netflix)

CRÍTICA - Sombra e Ossos (1ª temporada, 2021, Netflix)

A nova produção de fantasia da Netflix chega ao streaming no dia 23 de abril. A série Sombra e Ossos é uma adaptação da trilogia Grisha, da autora Leigh Barbugo, com os livros:

  • Sombra e Ossos;
  • Luz e Tormenta;
  • Ruína e Ascensão.

Porém, a obra televisiva que conta com Eric Heisserer (A Chegada, Bird Box) como showrunner também adapta outros livros do universo, como a duologia Ketterdam, formada pelos livros:

  • Six of Crows: Sangue e Mentiras;
  • Crooked Kingdom: Vingança e Redenção.

No elenco estão Jessie Mei Li, Archie Renaux e Ben Barnes (Westworld).

SINOPSE

Sombra e Ossos conta a história do Reino de Ravka, que há milênios se encontra dividido em dois por uma tenebrosa barreira chamada de A Dobra. Nesse mundo vive Alina Starkov (Jessie Mei Li), uma órfã que foi recrutada pelo Primeiro Exército do Rei para acompanhar os Grishas. Esses são figuras com poderes responsáveis por combater as forças malignas dentro da Dobra e também os inimigos do reino. Para vencer a guerra contra o mal e unir seu país, a jovem vai aprender a controlar seus poderes e a confiar em si mesma.

ANÁLISE

A série pode ter a típica jornada do herói e o velho drama do triângulo amoroso, mas sua trama é extremamente fascinante e se destaca em meio aos personagens. Isso porque, esse universo fantástico tem como pano de fundo uma trama política e social que, inspirado por fatos históricos reais, servem para familiarizar o espectador e imergi-lo em um mundo atraente.

Dessa maneira, a nova produção de fantasia da gigante do streaming se prova à altura das mais recentes, como The Witcher (2019), por exemplo. Até mesmo, existe uma semelhança com Game of Thrones (2010). Visto que, ambas as tramas tratam de confrontos políticos por trás dos agradáveis e interessantes personagens.

Contudo, apesar dos esforços da Netflix em emplacar a nova série de fantasia e ficção do momento, Sombra e Ossos ainda precisa mostrar forças e fugir do convencional. Por isso, seu grande marco está na criação de um mundo que ao mesmo tempo que é mítico, também é pautado na ciência e tecnologia.

Mas, de fato, a história da série se mostra bastante complexa nos primeiros episódios, tal como GoT são diversos nomes de lugares, eventos e nações para gravar. Além disso, Sombra e Ossos conta mais de uma história ao mesmo tempo.

Enquanto a brava Alina traça sua jornada a fim de controlar seus poderes como a Conjuradora do Sol ao lado do General Kirigan (Ben Barnes), a trama também foca na história do trio de ladrões chamados de The Crow. Formado pelo calculista Kaz Brekker (Freddy Carter), o pistoleiro Jesper Fahrey (Kit Young) e a habilidosa Inej Ghafa (Amita Suman).

O grupo, que é bastante conhecido e adorado dos fãs do universo, funcionam como uma espécie de “segunda trama” na série. Logo, por vezes, a trama heroica de Alina Starkov e o mundo sarcástico dos Crow não parecem fazer sentido e nem se relacionarem. E mesmo em certos momentos, onde ambas as histórias se cruzam ainda há a sensação de estranheza.

O mesmo acontece com a terceira trama que Sombras e Ossos acompanha, Nina Zenik (Danielle Galligan) e Matthias Helvar (Calahan Skogman) são de povos diferentes e se encontram em meio a uma situação. Apesar da química entre o casal e dos momentos divertidos entre troca verbais, sua trama fica muito distante do foco principal.

O que torna evidente que o showrunner, Eric Heisserer, optou por mostrar diferentes perspectivas do mesmo mundo. O intuito é apresentar um universo vasto com personagens complexos. Essas narrativas são amplamente melhor aproveitadas nos livros, onde contar histórias em diferentes espaços e tempos se torna fundamental. Porém, em uma série, no qual o visual é o essencial se torna por vezes desconexo.

Entenda o mundo de Sombra e Ossos

CRÍTICA - Sombra e Ossos (1ª temporada, 2021, Netflix)

Um dos pontos que chama atenção em Sombra e Ossos é que a série não se interessa em explicar de imediato seu mundo complexo. Aos poucos os espectadores entendem como a trama funciona e quais as suas regras. Por isso, vale a pena comentar a história desse universo fantástico.

Aqui, a nação de Ravka foi dividida por uma enorme barreira de sombra chamada de A Dobra, o local que abriga criaturas terríveis e outros mistérios. Com a nação dividida, Ravka começa a lutar contra outros povos ao redor como Fjerda e Shu Han. Vale ainda ressaltar que a nação de Ravka foi baseada e inspirada pela Rússia czarista do início do século XIX. Enquanto, Fjerda é baseado na Escandinávia e Shu Han é baseado na Mongólia e na China.

Consequentemente, a nação de Ravka é o lar dos Grisha que são pessoas que nascem com habilidades de manipular o fogo, metal, ar e até mesmo, o sangue. Os Grisha são motivo de perseguição por outras nações, já que seus poderes podem ser considerados extremamente perigosos. Eles são chamados de bruxos e demônios, mas seus dons advêm da arte de manipular matéria chamada de Pequena Ciência.

Sendo assim, em guerra, a nação de Ravka treina seus Grisha para o chamado Segundo Exército, já os jovens que não detém os poderes são soldados do Primeiro Exército. É nesse contexto que surge Alina Starkov, uma órfã que junto com o melhor amigo, Maylen Osetven (Archie Renaux), cresceu em um orfanato após a guerra matar seus pais. Ambos vão para o Primeiro Exército, Alina se torna cartógrafa e Maylen um soldado.

A trama avança quando Alina revela ter poderes raros, ela é a Conjuradora do Sol. Logo, ela se junta ao General Kirigan que é um Grisha. Juntos, eles almejam destruir A Dobra e unir a nação de Ravka novamente. É claro que ao longo dos oito episódios de Sombra e Ossos muitas reviravoltas acontecem o que torna a série mais interessante à medida que os perigos e desafios são revelados.

Personagens e Ambientações

CRÍTICA - Sombra e Ossos (1ª temporada, 2021, Netflix)

Como dito antes, a narrativa de jornada do herói está presente em Sombra e Ossos na trajetória da protagonista. De uma órfã a salvadora do mundo, Alina Satarkov começa a traçar um caminho difícil que lhe dá poucas opções de escolha. Além disso, na série, a jovem é metade Shu e metade Ravka, sendo constantemente alvo de xenofobia pelas suas características asiáticas.

Apesar da personagem ser praticamente arrastada de um lado para o outro ao longo da série com poucos momentos de tomadas de decisões independentes, a atriz Jessie Mai Li consegue se sair muito bem. Salve lá alguns clichês, onde as protagonistas femininas precisam se mover apenas por seus interesses românticos, Alina é uma boa protagonista.

Ainda assim, um dos grandes destaques da série é Ben Barnes como General Kirigan, apesar de ser um personagem bastante sério evoca simpatia e medo em todos os momentos certos. Já Archie Renaux como Maylen traz o equilíbrio a série e torna a relação com a Alina uma mistura de amizade e ternura.

Quanto aos The Crow, Kaz e Inej, embora não tenham tanto tempo de tela, são personagens atraentes. O destaque com certeza é Jasper que além de ser o alívio cômico é esperto e encantador.

Por último, a ambientação de Sombras e Ossos é hipnotizante, desde dos trajes militarizados ao uso de cenários diversos, a série de Heisserer mostra que teve uma boa quantia para gastar. Até mesmo os efeitos são bem utilizados e mostram que a Netflix não pretende poupar esforços para dar o devido reconhecimento a essa maravilhosa série.

VEREDITO

Sombra e Ossos evoca fantasia atrelado a questões políticas, sociais e jogos de poderes. Uma narrativa que chama atenção e desperta curiosidade. A produção que tem um grande investimento também conta com personagens carismáticos e um enredo extremamente interessante. Uma grande aposta da Netflix que com certeza dará bons frutos.

Nossa nota

4,0 / 5,0

Assista ao trailer legendado:

A primeira temporada de Sombra e Ossos chega à Netflix no dia 23 de abril.

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