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CRÍTICA | We Are Who We Are: Episodio 1 – Right Here, Right Now

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CRÍTICA - We Are Who We Are: Episodio 1 - Right Here, Right Now

We Are Who We Are é a nova minissérie da HBO que estreou dia 14 de Setembro e irá ao ar nas segunda-feiras às 23h. A série é o primeiro trabalho original do cineasta italiano Luca Guadagnino (Me Chame pelo Seu Nome e Suspiria) para a TV. 

Além de dirigir, Guadagnino também escreve com os roteiristas Paolo Giordano, Francesca Manieri e Sean Conway. We Are Who We Are é protagonizada por Jack Dylan Grazer (It: A Coisa) e a estreante Jordan Kristin Seamon.

O elenco ainda traz Chloë Sevigny (Os Mortos Não Morrem), a brasileira Alice Braga (Os Novos Mutantes), o rapper Scott “Kid Cudi” Mescudi (Westworld) e Francesca Scorsese, a filha caçula do cineasta Martin Scorsese.

SINOPSE

Fraser (Grazer) é um jovem nova iorquino de 14 anos que se muda com sua mãe (Sevigny) e madrasta, Maggie (Braga) para uma base militar em Vêneto, Itália. Obrigado a deixar tudo que reconhece e ama para trás, Fraser começa a explorar esse novo mundo e ao longo do caminho encontra Caitlin (Seamon), que já mora no local a anos.  

ANÁLISE

Luca Guadagnino.

We Are Who We Are carrega o espírito de Me Chame Pelo Seu Nome (2017) e aposta em um tom mais sensitivo e lento. Não à toa, a produção tem a assinatura de Luca Guadagnino; aqui, o cineasta explora mais uma vez as descobertas e contradições da adolescência.

Apesar das impressões do filme que levou o diretor ao Oscar serem totalmente visíveis neste novo trabalho, a minissérie busca outros conflitos e vai além com personagens interessantes. Ao longo do episódio acompanhamos Fraser desbravando a base militar. O adolescente meio hiperativo e introvertido busca tentar se encaixar naquele meio sem abrir mão de sua identidade.

Dessa forma, a trama segue mostrando o quanto Fraser está deslocado. O que se a semelha a sensação de chegar em uma nova escola no meio do ano, quando todos parecem reparar em você e o quanto isso pode ser perverso. Mas para Fraser há coisas mais importantes do que os comentários maldosos dos outros adolescentes ou os olhares tortos dos soldados. 

Sua relação com sua mãe é extremamente controversa e intensa. Entre abraços e tapas (literalmente), Fraser expressa seu descontentamento e Sarah sua ambição. Já que, foi por causa da promoção de Sarah para comandante que Maggie e Fraser se mudaram para esse pequeno pedaço da América na Europa. 

Logo, Maggie parece meio submetida aos desejos de Sarah, enquanto ambas buscam atender as vontades de Fraser. Dessas forma, fica nítida a relação de poder entre os personagens. Vide as cenas em que Sarah dá bebida para o filho se acalmar ou quando Maggie prepara um banho para a companheira.

Dessa forma, We Are Who We Are estende um espaço para falar de relações e conflitos parentais. Mas também, dividindo a trama entre os adultos introspectivos da base e os adolescentes arrastados pelos pais. 

Afinal, quem somos

Muito longe da montagem dinâmica e do roteiro perspicaz de Euphoria (2019 – atualmente), a nova série sobre adolescentes da HBO apresenta uma construção mais espaçosa com um roteiro simples. Sem grandes momentos ou conclusões dos personagens, We Are Who We Are aposta no tangível e no perceptível. 

Nesse sentido, fica claro a orientação sexual fluida de Fraser e de Caitlin, que provavelmente serão maior explorada nos próximos episódios. A série busca deixar em aberto esses aspectos para brincar com o seu título. Se somos o que somos, o que afinal, somos? É uma pergunta difícil que não pretende ser respondida logo de cara.

Sendo assim, a ambientação também ajuda nessa concepção. Visto o clima quente do verão italiano e a base militar que emula completamente o subúrbio americano. A sensação que fica é de constante vigilância em um lugar propício para o florescimento da adolescência. 

A direção de Guadagnino atrelado a fotografia mais opaca é certeira e combina totalmente com a trama. Ao mostrar cenas mais longas, focar nas reações e olhares tímidos de Fraser ou usar uma mão livre; We Are Who Are carrega um tom mais realístico sem grandes esforços para também ser profundo.  

VEREDITO 

We Are Who We Are tem uma estreia de sucesso e encanta qualquer um que goste de uma boa trama com adolescentes. Já no primeiro episódio a série constrói muito bem os personagens e deixa algumas pistas do que está por vir.

Apesar da criação de Luca Guadagnino ser original, o cineasta precisa ir além de seus filmes e garantir um estrelado próprio para sua série.

Nossa nota

Assista ao trailer.

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