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CRÍTICA | We Are Who We Are: Episodio 2 – Right Here, Right Now II

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CRÍTICA - We Are Who We Are: Episodio 2 - Right Here, Right Now II

Na última segunda-feira (21/09) foi ao ar o segundo episódio da série We Are Who We Are da HBO. Com direção de Luca Guadagnino, o novo episódio contou sobre Caitlin (Jordan Kristine Seamón) e sua família.

SINOPSE

O segundo episódio da minissérie aborda a vida de Caitlin na base militar. Após Fraser (Jack Dylan Grazer) descobrir o seu segredo, ela tenta ignorar todas as suas tentativas de aproximação. Enquanto isso, a adolescente também precisa lidar com a sua primeira menstruação.

ANÁLISE 

O segundo episódio de We Are Who We Are comprova a sensibilidade e a essência da série. Se na estreia acompanhamos Fraser em seu primeiro dia na base militar, em Right Here, Right Now II a história segue Caitlin mostrando a dinâmica dela com o lugar e principalmente, com as pessoas. 

A relação entre pai e filha é explorada já no primeiro episódio. Richard Poythress (Scott Mescudi) é um dos soldados da base que também entrega água aos moradores do local junto com a filha. Os dois são bastantes próximos e Richard parece não se importar com Caitlin vestir roupas ditas masculinas para o trabalho. Já Caitlin, mesmo ouvindo alguns comentários dos locais se sente confortável com as roupas.

Logo, fica nítido que Caitlin se espelha muito na figura do pai; a jovem busca imitar os jeitos de Richard ao vestir suas roupas ou brincar de luta com ele. O ato é mal visto pela mãe, Jenny Poythress (Faith Alabi) e pelo irmão, Danny (Spence Moore II). Ao longo do episódio, é visto que Caitlin e Jenny têm uma relação distante; a mãe é um tanto alheia e quando tenta se aproximar da filha, Caitlin deixa bem claro que não tem interesse. 

Já com Danny, a relação é totalmente conturbada. O irmão desaprova o comportamento da irmã e se mostra muito ligado a religião. Na cena em que Cailin está dançando, ele a culpa por chamar a atenção de outros rapazes. Contudo, o estudo de Danny sobre religião revela o quanto ele está perdido e sem propósito, precisando de alguma coisa para acreditar.

Ao explorar o âmbito familiar dos Poythress, a série apresenta a típica família afro americana. No entanto, o episódio mostra que Caitlin está em uma fase de descobertas, ao se vestir com roupas masculinas e adotar o nome de Harper, a adolescente busca uma outra identidade. Logo, se no primeiro momento, temos Caitlin sendo feminina com o cabelo solto e de biquíni, agora, a vemos assumindo sua personalidade masculina.

Caitlin e Harper

O que não fica claro, pelo menos não neste episódio é se Caitlin tem o gênero fluido ou se está descobrindo ser uma pessoa trans. Ainda que a jovem namore Sam (Ben Taylor), tudo indica que nos próximos episódios ela irá se tornar aos poucos Harper.

Através do roteiro é sutilmente apresentado os ideais e conceitos de Caitlyn. Na festa, um rapaz pergunta seu nome, ao que ela responde Harper, o garoto logo fala que é nome de homem e ela rebate com: “É nome de qualquer coisa“. Sendo assim, a vontade de experimentar outro gênero não lhe incomoda. 

Porém, ao ser confrontada por Fraser, ela muda o tom e diz que só estava brincando. As palavras de Fraser sobre não brincar com algo assim, provocam Caitlin. Portanto, a jovem decidida e agitada dá lugar a uma Caitlin muito mais pensativa sobre quem ela realmente é. 

O arco de sua primeira menstruação também ressalta que Caitlin está mudando; não só seu corpo como sua mente. Na praia, ela opta por não transar com Sam por não se sentir preparada, porém, com a mudança de seu corpo é como se ela precisasse apressar as coisas. Caitlin leva o acontecimento com muita naturalidade decidindo contar ao pai e não a mãe.

A primeira menstruação é sempre um tabu na sociedade e muitas vezes os corpos femininos passam a ser vistos como objetos ou frágeis. O que fica claro na cena em que Richard escolhe não levar mais a filha para o trabalho, ele sente que lá não é mais o lugar de Caitlin já que agora ela pode ser considerada mulher. Logo, o padrão de feminino é imposto a Caitlin sem ela ao menos saber.

Por último, temos uma cena bastante significa e importante para We Are Who We Are. Após ver uma propaganda sobre o governo de Donald Trump, Richard compra para filha um boné com o slogan de campanha “Make america great again“. Porém, o boné não se encaixa na cabeça de Caitlin, deixando claro que o padrão Trump não é o que ela busca. 

VEREDITO 

O segundo episódio de We Are Who We Are é mais ativo, visto que, Caitlin já tem toda uma vida na base. A direção de Luca Guadagnino apresenta um tom mais rápido do que no primeiro episódio para combinar com o roteiro.

Além disso, o interessante é que Fraser é basicamente um espectador aqui, vemos ele sempre ao fundo da cena observando Caitlin. Outra ressalva é os comentários feitos pelos locais e soldados da base sempre sobre algo que está em tela ou não. Em certo momento, sabemos que a base não está feliz com o comando de Sarah (Chloë Sevigny) relevando algum tipo de conflito para os próximos episódios.

Nossa nota

Assista ao trailer:

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Leia também a crítica do episódio anterior de We Are Who We Are:

Episódio 1 – Right Here, Right Now



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