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Lovecraft Country: Episódio 2 – Whitey’s on the Moon | Análise e referências

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O segundo episódio de Lovecraft Country, intitulado Whitey’s on the Moon, já está entre nós. Lançado no último domingo (23/8), o novo capítulo do seriado inspirado na obra de Matt Ruff tem repercutido bastante na internet e causado opiniões mistas entre público e crítica.

Confira nossa análise COM SPOILERS e todas as referências encontradas nesse novo episódio de Lovecraft Country.

SINOPSE

Após os acontecimentos do primeiro episódio, o grupo liderado por Tic (Jonathan Majors) está milagrosamente recuperado do embate terrível contra as criaturas obscuras que encontraram na floresta de Ardham.

Recebidos na hospedaria da família Braithwhite, o grupo começa a perceber que toda a educação dos anfitriões esconde segundas intenções assustadoras.

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ANÁLISE

Com um tom completamente diferente do seu episódio piloto, Whitey’s on the Moon traz uma trama bem mais fabulosa e obscura, deixando o espectador tenso ao longo das inúmeras cenas sobrenaturais (e macabras).

Utilizando um arco aparentemente fechado – só confirmaremos a informação no próximo episódio -, o segundo capítulo de Lovecraft Country tenta apresentar muitas situações ao mesmo tempo, tornando o desenrolar acelerado demais.

Lovecraft Country: Episódio 2 – Whitey's on the Moon | Análise e referências

Iniciamos a jornada logo após os acontecimentos do episódio anterior, na hospedaria (que mais parece uma mansão) no meio do nada, cercada por um vilarejo de pessoas comuns e pobres. Tio George (Courtney B. Vance) e Lit (Jurnee Smollett) não lembram de nada que aconteceu na noite anterior: nem dos monstros, nem do carro destruído na cabana.

Tic é a única pessoa que percebe o quanto aquele lugar é estranho. No quarto de Tio George, por exemplo, estão disponíveis todos os seus livros preferidos: O Morro dos Ventos Uivantes, Jane Eyre, O Lobo do Mar, The House on the Borderland e tantos outros. No quarto de Lit, roupas belíssimas e feitas milagrosamente sob medida para ela. Não poderia ser tudo coincidência.

Lovecraft Country: Episódio 2 – Whitey's on the Moon | Análise e referências

Ao confrontar o grupo, Tic percebe que ele é o único que entende o que está acontecendo e já sabe que não vai ser fácil reencontrar Montrose (Michael Kenneth Williams), seu pai. É perceptível como os anfitriões querem mantê-los perto e evitar que cometam qualquer besteira, chegando ao ponto de mentirem para Tic que Montrose está “viajando” com Christina Braithwhite (Abbey Lee).

Em um ato de desespero, o grupo começa a andar pelo vilarejo próximo à hospedaria, percebendo uma única torre de pedra em meio aos casebres de madeira. Tio George logo entende que aquela deve ser a prisão onde Montrose está escondido, pois ela é muito bem guardada pela “xerife” da aldeia (com dois cães de caça na entrada).

Antes de esbarrarem novamente com os cães de vários olhos dos Braithwhite, obrigando Christina a aparecer antes da hora, Tio George se recorda de uma história contada pela mãe de Tic (Dora, interpretada por Erica Tazel), sobre uma antepassada chamada Hanna que fugiu (grávida) pela floresta durante um incêndio na casa do senhor de escravos.

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A partir daqui, a trama se torna cada vez mais frenética, criando subtramas ao longo de seu desenvolvimento. Tic é apresentado ao chefe da Ordem do Antigo Amanhecer: Samuel, um homem que acredita que pode para abrir um portal para o Jardim do Éden e se tornar imortal.

Paralelamente, George descobre uma passagem secreta onde encontra o código da Ordem do Antigo Amanhecer, criando um plano B para que eles possam encontrar Montrose e escapar. Ainda antes do desfecho, o grupo tem que lidar com algumas personificações de seus medos, deixando o episódio ainda mais apavorante.

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Com todos os acontecimentos que envolvem os 59 minutos de Whitey’s on the Moon, a trama fica um pouco atropelada, tentando condensar tudo em um único episódio. Como ele é semanal, nós não sabemos se esse desfecho é realmente o final ou se teremos reviravoltas na semana seguinte.

Entretanto, se não houver uma explicação maior dos pontos levantados neste episódio, as escolhas se tornarão um pouco frustrantes, pois toda a criação da seita, os antepassados de Tic e o que a sua linhagem representa são pontos que precisam ser melhor trabalhados antes das próximas aventuras sobrenaturais.

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Mesmo sendo muito mais fantástico do que o piloto, Lovecraft Country não deixa em nenhum momento de abordar o preconceito racial sofrido pelo grupo, seja por frases pejorativas ou ações segregacionistas – contra negros e contra mulheres.

As referências bíblicas abordadas nesse episódio trazem ainda mais peso para o debate, criando uma valorização ainda maior que os “homens puros” descendentes de Adão possuem de outras pessoas (eles até consideram o Klan uma organização pobre demais para eles fazerem parte).

As atuações seguem impecáveis, com um destaque merecido para Jurnee Smollett que protagoniza os momentos mais apavorantes da história. Seja em seu pesadelo criado para entretenimento dos brancos, ou em seu confronto com Samuel, Jurnee entrega uma atuação impecável, sendo uma ótima co-protagonista para o talentosíssimo Jonathan Majors.

REFERÊNCIAS

Uma das primeiras referências desse episódio é o livro The House on The Borderlands and other Works do autor William Hope Hodgson. O livro é utilizado por George para abrir uma passagem secreta em seu quarto.

A publicação de 1908 era uma das favoritas de H.P. Lovecraft e usada como inspiração em diversos de seus contos. Na história – contada por George no episódio – duas pessoas encontram o diário de um homem que vivia recluso em uma casa no meio do nada. Nessa casa ele narra os horrores que passou enfrentando criaturas bestiais.

O Recluso conta em seu diário que, inclusive, lutou contra monstros que lembravam porcos. Animais estranhos e muito parecidos com os enfrentados por Tic e sua turma. Em determinado momento, ele é levado a um local chamado “Mar do Sono”, onde ele reencontra seu amor verdadeiro.

Durante o episódio vemos George reencontrar Dora, mãe de Tic. A casa no meio do vilarejo e repleta de criaturas místicas contada em The House on The Borderlands and other Works se assemelha muito à história do episódio – e seu destino (a destruição) também.

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Outros livros que aparecem na estante de George são O Morro dos Ventos Uivantes, que conta a história de um homem atormentado por não ter vivido o amor de sua vida; o romance biográfico Jane Eyre; e O Lobo do Mar de Jack London, que traz no papel principal o personagem Humphrey Van Weyden, um homem das letras (assim como George).

Também referenciada nesse episódio é a obra O Conde de Monte Cristo, citada quando Montrose foge de seu cativeiro e aparece do lado de fora da torre do vilarejo. O enquadramento dos atores olhando o túnel criado por Montrose remete também ao filme Um Sonho de Liberdade.

O nome do episódio é uma referência à música de mesmo nome criada por Gil Scott-Heron. A faixa, além de ser uma crítica direta à discrepância que os Estados Unidos tratava os brancos e os negros, também referencia Eldridge Cleaver, escritor e ativista que foi líder do Partido dos Panteras Negras.

A letra da canção foi inspirada diretamente pela chegada do homem à lua, um projeto que custou 25.4 bilhões de dólares em um momento que o povo sofria com a guerra do Vietnã e lutava por melhores condições de vida. A ligação é direta com a cena em que os brancos utilizam o corpo e a vida de Tic para alcançarem seu sonho de “viagem” a uma outra dimensão.

E, para finalizar, A Ordem do Antigo Amanhecer é baseada em algumas sociedades secretas que realmente existiram. Os Adamitas era uma seita religiosa cristã que existiu no Século II e acreditava que poderiam “voltar” às origens de Adão antes do pecado ser cometido por Eva. Essa ideia ressurgiu séculos depois na Europa durante a Idade Média.

Há também quem acredite que a Ordem possa ser uma referência a Ordem Hermética da Aurora Dourada, uma sociedade secreta britânica que existiu no século XIX e que unia diversas frentes do ocultismo em suas celebrações.

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VEREDITO

Whitey’s on the Moon possui uma grande qualidade técnica e ótimas atuações. Porém, o roteiro um pouco apressado torna as situações muito fáceis de resolver e deixa muitos dos acontecimentos como entendimento do público.

Mesmo com esse ponto negativo, Lovecraft Country mantém seu foco em abordar os preconceitos que o grupo enfrenta ao longo de cada aventura, sem deixar de lado o terror místico e sobrenatural de H.P. Lovecraft.

Nossa nota

Assista também nossa análise do 1º episódio:

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