CRÍTICA – I May Destroy You (1ª temporada, 2020, HBO)

    I May Destroy You é uma série autobiográfica escrita, dirigida e estrelada por Michaela Coel (Chewing Gum). A série é uma co-produção entre a BBC e HBO.

    SINOPSE

    Arabella (Coel) é uma escritora londrina de ascendência ganesa que ficou famosa no Twitter. Após seu primeiro livro ser um sucesso, Arabella enfrenta os problemas de fazer um segundo sucesso e para aliviar um pouco a tensão decide ir a um bar com os amigos. No local, ela é drogada e abusada sexualmente. Logo, a medida que a escritora vai rememorando os fatos daquela noite, Bella também precisa lidar com o trauma.

    ANÁLISE 

    Da esquerda pra direita, os atores: Paapa Essiedu, Michaela Coel e Weruche Opia.

    Histórias autobiográficas tendem a serem mais intensas e complexas que algumas obras ficcionais. Isso porque, na medida que nos colocamos na pele dos personagens percebemos o quanto algumas situações só conseguem ser frustrantes. I May Destroy You é esse tipo de história, um total de acontecimentos mostram que a vida tenta por muitas vezes nos quebrar.

    Nesse sentido, Michaela Coel é a alma por trás de I May Destroy You. A série se baseia em uma experiência pessoal de Coel na época que protagonizava a sitcom Chewing Gum na Netflix entre 2015 e 2017. No Festival de TV de Edimburgo em 2018, a atriz revelou que após virar a noite escrevendo um episódio de sua sitcom, ela decidiu fazer uma pausa para beber com alguns amigos.

    No dia seguinte, Coel contou que se viu finalizando o roteiro do episódio com lapsos de memória da madrugada, ela havia sido drogada e violentada. O primeiro episódio de I May Destroy You segue essa linha; por trás da personagem Arabella, Michaela Coel viu a chance de contar sua história com total liberdade criativa. 

    Logo, ao mesmo tempo que I May Destroy You consegue uma narrativa totalmente autoral e única, a série também tem seus tons de ficção misturado com um humor ácido. Sendo assim, Coel cria um roteiro dinâmico, inteligente e extremamente profundo à medida que conhecemos mais sobre Arabella e seus amigos. 

    E aqui, é preciso ressaltar o trio: Michaela Coel, Weruche Opia que interpreta Terry e Paapa Essiedu que atua como Kwame. Os dois melhores amigos de Bella estão tentando ajudá-la a passar pelo trauma, porém, eles próprios acabam se questionando sobre os abusos que sofreram ao longo de suas vidas. É através dessas subtramas que os atores crescem em cena. 

    São nos olhares meio tímido de Kwame; no jeito extrovertido, mas inseguro de Terry; e no choro escondido de Bella seguido do uso excessivo das redes sociais que o espectador percebe o quanto a série é crua. No sentido de: não existe tamanhas alegorias para expressar os sentimentos reais das pessoas. Cada personagem foi de certa forma destruído, mas ao invés da profunda tristeza, há um “que” de conformismo e superação.

    Acima de tudo, I May Destroy You fala sobre um processo de cura. Sem grandes plots ou finais mirabolantes, é sobre como sobreviver em um mundo que continua a te ferir de todas as formas e como fazer comédia sobre isso. Coel como sendo uma das artistas mais completas da nossa geração teve o tato para tratar de assuntos considerados tabu de forma crítica e sem filtros.

    VEREDITO

    I May Destroy You consegue abordar com franqueza o tabu que são os abusos sexuais. Ao longo da jornada de Arabella pelo seu trauma, vemos uma mulher que se reafirma e interioriza suas dores.

    Em 12 episódios, I May Destroy You se consagra como uma das melhores séries de 2020 e certamente é uma forte concorrente para as premiações de 2021.

    Nossa nota

    Assista ao trailer legendado:

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