CRÍTICA: Yakuza Kiwami 3 + Dark Ties entre um remake e uma reimaginação, vale ser jogado em 2026?

    Eu conheci a franquia Yakuza (de verdade mesmo) em 2025 e virou uma franquia do coração; me apaixonei pelo combate, pelos momentos impossíveis e pelos sentimentos que carregam em cada jogo que pude jogar. Yakuza Kiwami 1 e 2 foram experiências incríveis que pude jogar no final do ano passado e começo deste ano. Quando comprei o Yakuza 0 Director’s Cut (que agora tem legendas em PT-BR também), ele me surpreendeu em janeiro e fevereiro a cada segundo.

    Então, eu já gostaria de deixar claro que, quanto mais Yakuza Kiwami 3 + Dark Ties se aproximava de seu lançamento, mais “hypada” eu ficava. Mas eu acho difícil falar sobre esses jogos; eu não tenho aquela base nostálgica de quem jogou eles há muitos anos, então eu não sei tão bem o sentimento do fã de longa data.

    E eu genuinamente fico surpresa com a repercussão da série. Yakuza é aquela franquia que passa a sensação de “eterno” ou “que perdura” quando penso sobre o mercado gamer, pois seus assuntos são relevantes, seu combate é divertido, você se apega às estranhezas da série e também abraça os momentos mais dramáticos dos personagens, personagens que é possível admirar, se apegar ou até mesmo julgar.

    Por mais que você ache um pouco “bizarras” certas coisas da franquia, como ser possível resolver tudo no “soco”, o humor japonês, os minigames improváveis, como karaokê ou personalizar o seu celular, ao mesmo tempo têm um peso dramático tão forte e significativo. Lembro de zerar Yakuza Kiwami 2 e pensar: “Ok, essa é a melhor novela mexicana que eu joguei”. E eu nem sei se existem jogos que são definidos assim, mas eu atribuo essa classificação carinhosamente para esse jogo.

    Agradecemos à Sega pelo envio de uma chave do game para Nintendo Switch 2; assim pude voltar a Kamurocho mais uma vez e contar para vocês o que tem acontecido por lá. Vamos ao Yakuza Kiwami 3 + Dark Ties.

    Quando o dia do lançamento finalmente chegou

    Yakuza Kiwami 3

    Lançado no dia 12 de fevereiro de 2026 para Steam, Nintendo Switch 2, Playstation 5 e Xbox Series X/S, o Yakuza Kiwami 3 chegou com melhorias visuais, com legendas em PT-BR e outros idiomas pela primeira vez. Mas, além dele, podemos jogar o conteúdo adicional chamado de Dark Ties, que faz jus ao nome e falarei dele mais para a frente no texto.

    Inclusive, o Yakuza Kiwami 2 também chegou com conteúdo adicional, com uma história que podemos jogar com o Majima e também no menu podemos jogar games clássicos da franquia (Virtua Fighter 2 e outros jogos dentro do próprio jogo). Sei que o texto é sobre o terceiro título, mas amo quando relançamentos acontecem com adições como essas.

    A história me conquistou nas primeiras horas

    Yakuza Kiwami 3

    As primeiras duas horas de Yakuza Kiwami 3 são incríveis para mim. Nos primeiros 15 minutos teremos uma revelação chocante sobre a série e o que nos aguarda.

    Daigo assumiu o título de sexto presidente do clã Tojo, como vimos ao final de Yakuza Kiwami 2, mas um dos personagens mais importantes da série, que acreditávamos ter partido em nossos braços (ou melhor, nos braços do nosso protagonista Kazuma Kiryu), está de volta. Não esperava ver seu rosto novamente e isso me chocou, assim como chocou Kiryu ao ver um “retrato falado” do homem que atacou o chefe da região em que mora agora.

    Okinawa é o novo cenário do jogo, mas fiquem tranquilos: Kamurocho não será esquecida e estará presente também. No momento em que temos essa revelação chocante, voltamos um pouco no tempo. Antes de Kiryu sair de Kamurocho após os eventos difíceis do jogo anterior, iremos conversar com os personagens que nos acompanharam, prestar homenagens aos que nos deixaram e poderemos relembrar tudo o que aconteceu. Esse momento serve muito bem para você relembrar do jogo anterior ou começar a partir desse sem se sentir perdido na história.

    Temos um momento bem calmo andando com a filha adotiva de Kiryu por Kamurocho. A Haruka foi adotada por ele no final do primeiro jogo e esse momento virou uma “chave” na vida de Kiryu, que agora desejava apenas ter uma vida simples, finalmente cortar laços com a máfia e poder criar sua filha tranquilamente.

    Então, vemos que Kiryu e Haruka decidiram sair de Kamurocho e ir para Okinawa morar no orfanato Glória da Manhã, para cuidar de outras crianças que também são órfãs, um orfanato que tem ligação com o mesmo onde Kiryu e Haruka cresceram. Nesse orfanato vemos o Kiryu pai de família, quase aquele meme “simulador de pai triste”, mas brincadeiras à parte, é interessante o quanto ele se dedica ao local e às crianças, cuidando delas, e a Haruka age como irmã mais velha para os demais.

    Hoje em dia é um assunto meio delicado, pois sabemos que irmãos mais velhos geralmente têm um peso enorme ao cuidar dos menores, às vezes até mais do que deveriam; então, às vezes sinto que a Haruka também é uma “adulta da casa”. Ainda é uma adolescente, mas acabam recaindo pesos demais em seus ombros. Tópico sensível para irmãos mais velhos!

    Yakuza Kiwami 3

    Quando todos se sentam para jantarem juntos pela primeira vez no jogo, uma criança está faltando. Kiryu e Haruka vão procurar ela e temos uma cena onde foi impossível não chorar; ela conta sobre as crianças da escola estarem incomodando ela, já que a menina não tem “pais”, e essa é só a primeira conversa delicada que teremos nesse jogo.

    Esses momentos de Yakuza me pegam bastante. Em boa parte do game, teremos muita ação, muitas lutas, momentos intensos da máfia, escolhas difíceis e duvidosas, tramas “políticas” e, em outros momentos, teremos vários diálogos dramáticos. Eu entendo que para alguns jogadores de hoje em dia, passou de duas linhas de diálogo já não conseguem prestar atenção, e isso até me preocupa: podem estar perdendo tantos momentos nos jogos que querem te envolver com mais história.

    Esses momentos significativos em jogos te fazem pensar. Claro que subir um prédio inteiro com Kiryu “descendo a porrada” em todo mundo é divertido, ainda mais se encontrar um boss final importante ao final do seu objetivo, mas às vezes os jogos trazem momentos reflexivos importantes para o dia a dia. Lembro de algumas vezes durante os jogos da série, não só esse terceiro, ir pegar um café e parar um pouco para refletir o que eu acabei de ler e ver no jogo.

    E não falo isso concordando com todas as ações e atitudes de todos os personagens. Na real, penso que eles são bem “humanos”: eles têm falhas, escolhas erradas, falas que na realidade hoje não se encaixam, entende? E tudo isso é o que torna Yakuza especial também, trazendo momentos que podemos refletir e até pensarmos mais sobre. Nem todo jogo é arte, mas com certeza muitos jogos são, e esses são alguns exemplos disso.

    Se você consegue ler um texto inteiro, sem o vício da dopamina infinita do TikTok, você consegue aproveitar as nuances dos personagens de Yakuza Kiwami 3 + Dark Ties e, acredite em mim, vai valer a pena.

    Chega de lágrimas. E o combate?

    Yakuza Kiwami 3

    Vamos ao gameplay. Finalmente Yakuza Kiwami 3 corrige um problema do jogo em suas versões antigas: o combate.

    O combate continua divertido e funcionando ainda como um beat’em up misturado com hack’n’slash. Aqui não temos mais as armas separadas para pegar por aí, mas introduzidas nos combos do protagonista. Esse estilo é o tradicional da cidade de Okinawa e é focado no uso de armas tradicionais; usaremos comandos para alternar entre esse estilo de luta e o padrão de Kiryu.

    Yakuza Kiwami 3

    Nas versões antigas, o combate não funcionava bem e eles tentaram simplificar tudo com um ou dois botões, e isso frustrou muitas pessoas. Primeiro pela dificuldade desbalanceada, que às vezes só funcionava no fácil; mas resumir um hack’n’slash em um botão ou dois botões, retirando combos estratégicos e etc., aí a coisa fica complicada.

    Aqui você pode ativar o combate simplificado, para quem prefere. Acho ótimo isso pela acessibilidade, mas você pode manter o estilo de combate mais “padrão”, onde tem combos diferentes com e sem armas. Eu prefiro assim, e dessa forma acompanha melhor os combates apresentados nos jogos lançados anteriormente.

    Uma coisa diferente é que podemos personalizar as roupas de Kiryu e ele aparece com as roupas que você selecionou nas cutscenes também. Isso é uma surpresa legal, pois nos jogos anteriores só poderíamos trocar o visual do protagonista depois de zerar o game ao menos uma vez. E sim, podemos usar o terno padrão do Kiryu também; imagino que seja até um pouco estranho ver ele em outras roupas, apesar de achar que combina demais ele andando de bermuda e chinelo por aí.

    No mais, poderemos explorar as cidades disponíveis, fazer minigames (adoro jogar karaokê com Kiryu ou personalizar seu celular, como já mencionei), mas têm outros minigames que possam te interessar e que agregam em fazer Yakuza ir além do conteúdo base do jogo para quem gosta de um humor diferente, uma pausa dentro do jogo para respirar e side quests que vão desde “porradaria franca” a momentos de história com outros personagens.

    E falando em histórias, nem todas as missões secundárias vieram para este jogo. Uma boa parte ficou de fora, seja por não se encaixarem bem na atualidade ou por outra decisão interna da empresa. De toda forma, são muitas quests disponíveis ainda e, como eu não sou uma fã das antigas, isso não me afetou, mas pode ser que incomode os mais saudosistas.

    Um “tapa” no visual do jogo

    Yakuza Kiwami 3

    Visualmente dá para ver o quanto melhoraram o gráfico desse jogo se comparado às suas versões anteriores. Devo citar que, no primeiro dia, teve algum bug na iluminação geral em Okinawa retirando sombras e deixando o jogo um pouco “chapado” demais; porém, no dia seguinte, já tinha uma atualização leve e rápida a ser feita no jogo. Isso corrigiu esse problema e, acredito, outros pequenos bugs encontrados.

    Então sim, Yakuza Kiwami 3 é lindo demais, com detalhes bem interessantes. Eu particularmente acho o gráfico bem bonito, mas não é um jogo com visual de “nova geração” como gostam de descrever os mais realistas. Então eu recomendo que você vá jogar para se divertir, em vez de jogar para ver quantos FPS alcança ou quantos poros você consegue ver no rosto do Kiryu. Porém… vai de você, né?

    Aproveitando para falar da performance: esse jogo usa a Dragon Engine, que foi sim criticada, mas o jogo roda bem e tem o desempenho como o do Kiwami 2, rodando em 30 FPS no modo portátil e no modo TV na dock. Entendo que para alguns o “rodar bem” deveria ser apenas em 60 FPS; aí, nesse caso, recomendo ver sua performance em outra plataforma que você possa ter e daí você adquire o jogo na que for da sua preferência.

    Eu amo o meu PC Gamer, mas a portabilidade do Switch 2 tem salvado meus dias de gameplay. Às vezes até os dias que não poderia jogar, mas que aconteceu uma pausa milagrosa e posso simplesmente ligar o Switch 2 pausado na minha última gameplay e retomar de onde parei por uns 30 minutos ou 1 hora.

    Conteúdos adicionados?

    Yakuza Kiwami 3

    Apesar de alguns conteúdos removidos, tivemos adições. Claro que a questão do combate e dos visuais que já mencionei são algumas dessas adições e que notamos em primeiro lugar; mas, além disso, as seções no orfanato foram expandidas, as crianças têm seus próprios minigames e acredito que isso foi um acerto. Agora faz mais sentido o peso da decisão de ser “um paizão” para elas. Não sinto que é uma desculpa ou uma tentativa de humanizar um personagem, mas que no fundo nem vão citar muito sobre, sabe? Acho que essa foi uma boa decisão.

    É um conteúdo opcional ou obrigatório? Opcional. Se você prefere apenas os momentos de “porradaria sincera”, você pode ignorar isso sim, mas eu gosto de conhecer os personagens e falar com eles quando possível. Bom, eu sou uma fã de RPG e JRPG, não é à toa que conheci a franquia pelo Like a Dragon (sétimo jogo) e que muda o estilo para um RPG por turnos bem diferente. Citei isso em outro texto, mas deixo para me aprofundar no meu apego com os jogos de Ichiban no futuro. Vamos focar em Kiryu, que está em seu momento e com visuais melhorados.

    Voltando ao Kiwami 3, acredito que ele é um remake, mas que também é uma reimaginação, com liberdade criativa e poética, onde algumas mudanças e cortes foram feitos. Isso pode agradar e desagradar vários fãs, por isso eu acho delicado falar sobre essa franquia, mas gosto do resultado geral desse título. Realmente acredito que deva ser jogado e que vale o seu tempo.

    Uma pequena curiosidade: podemos jogar Virtua Fighter 2 dentro de Yakuza Kiwami 3!

    Dark Ties

    Vamos falar sobre a história extra que você pode selecionar para jogar no menu, caso queira começar por ela ou se jogou recentemente o Yakuza 3 e já quiser ir direto para o que é novidade.

    Dark Ties é um jogo à parte, porém ele é mais sombrio, como o seu nome indica. Jogaremos com um personagem que se torna um Yakuza e aqui não temos um personagem que é um pouco mais “humanizado” como um herói, como é o caso de Kiryu (falando bem por cima, fica até estranho resumir ele a só isso depois de jogar quatro de seus jogos).

    Aqui controlamos Yoshitaka Mine, que é o vilão de Yakuza 3. Curioso, né? Ele tem um estilo de luta diferente, para não o compararmos com Kiryu, e nem seria legal apenas jogarmos com outro personagem, mas que é uma skin e o Kiryu é a base; então eu gostei dessa decisão.

    Esse arco se passa em Kamurocho, que a essa altura é quase um personagem à parte para mim. Kamurocho é como um antigo lar; visitar a cidade atualmente é como retornar a um local familiar. Não acho que seja um sentimento singular; acho que muitos fãs sentem isso também, e se você começar pelo 0 ou pelo 1 provavelmente terá esse apego por Kamurocho ao longo dos jogos também.

    Quando citam a cidade, você já ouve na mente a música, os barulhos dos NPCs, já lembra dos letreiros brilhantes e provavelmente deve ter um flash de lembranças de locais visitados. Em resumo, a coisa toda aqui é mais sombria, mas soma com a história base do jogo, dá uma nova visão do mundo de Yakuza, um pouco menos amigável e com um tom Dark.

    Polêmica

    Yakuza Kiwami 3

    Eu pensei muito se eu escreveria sobre isso. Como sou uma pessoa nova na franquia, eu não sabia sobre, mas procurando para conhecer mais da série e o que eu poderia agregar em meu texto sobre Yakuza Kiwami 3, eu não consegui ignorar e simplesmente não comentar.

    Yakuza tem diversos rostos em seus personagens, mas a escolha de manter o rosto de Teruyuki Kagawa me embrulha o estômago; esse homem está envolvido em um caso de assédio sexual de 2019. Eu não o conhecia, pois não é uma pessoa famosa deste lado do mundo, mas buscando sobre a série foi um assunto impossível de se esquecer.

    Quando vi sobre, pensei nisso por muito tempo, pausei um pouco o jogo e só depois de decidir que não deixaria isso de fora, voltei a jogar e aí sim poderia escrever sobre o jogo. Acredito que a substituição desse personagem por outro ator deveria ter acontecido. Em uma série em que o protagonista Kiryu se diz tão respeitador das mulheres e que cria a filha de sua falecida amada, é difícil entender o motivo de terem mantido o rosto dessa pessoa.

    Não dava para mudar nos jogos já lançados, mas no relançamento, sério? Então deixo minha frustração aqui.

    Conclusão

    Yakuza Kiwami 3 + Dark Ties são ótimos conteúdos, com diversos pontos positivos, com muitas adições e melhorias, que têm PT-BR e que podem ser encontrados em diversas plataformas por um valor de AAA no lançamento (quase R$ 300,00), mas que com certeza entrarão em promoções bem interessantes em algum momento.

    Apesar da polêmica citada e do descontentamento com a decisão, acredito que é um bom jogo e que vale a pena ser jogado. Se você está descobrindo a franquia agora, dê uma chance para Yakuza.

    Você pode até jogar um por ano, ou um a cada seis meses. Assim, você pode aproveitar descontos que possam ocorrer e também para jogar no seu tempo, dando uma folga entre cada título para dar tempo de sentir saudades de Kamurocho e seus personagens; assim como vai evitar que você enjoe da jogabilidade, que é bem parecida entre os jogos. Dessa forma, você não sente qualquer coisa de “mais do mesmo” com a franquia.

    Este é um novo relançamento, com uma nova visão e muito bem-vinda da saga de Kazuma Kiryu. Se o encontrar a um preço mais justo, joguem Yakuza Kiwami 3 e aproveitem o seu jogo extra com outra vertente dessa série: Dark Ties.

    Nossa nota

    Confira o trailer do lançamento:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

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