CRÍTICA | GTO(2026) você é ótimo!

    Imagine que Great Teacher Onizuka (GTO) é para o Japão o que Chaves é para toda a América Latina: uma obra que confortou gerações, onde personagens carismáticos enfrentam as questões da realidade, criando uma enorme identificação com o público.

    A adaptação da obra de Tōru Fujisawa em live action foi lançada em 1998, com 12 episódios, um episódio especial em 2024. Atualmente foi lançada outra leva de episódios com o título GTO 2026.

    Com o retorno do roteirista Kazuhiko Yukawa e dos diretores Satoru Nakajima e Kento Matsuda. A produção foi exibida nas emissoras Kansai TV e Fuji TV em julho e, no mês seguinte, no serviço de streaming Netflix.

    Do elenco original, retornam Takashi Sorimachi como Eikichi Onizuka e Nanaku Matsushima como Azusa Fuyutsuki. Além do casal protagonista, também retornam Shun Oguri, Yosuke Kubozuka, Hiroyuki Ikeuchi, Yuta Yamazaki e Naohito Fujiki como Ryuji Saejima, o melhor amigo de Onizuka.

    O enredo da nova temporada segue o próximo desafio de Eikichi Onizuka, agora aos 52 anos, em outra turma de escola onde a tecnologia é a base do método de ensino. Além disso, precisa manter este emprego porque seu casamento está em risco, sendo necessário conquistar o coração e a atenção desta turma.

    Um grande professor na escola e para a vida

    GTO (2026) é uma experiência emocionante porque não se apoia na pura nostalgia. Colocando o protagonista em um novo desafio onde a sua forma de pensar, em muitos momentos, não consegue entender este tempo moderno.

    A direção e o roteiro adaptaram a obra original perfeitamente porque escolheram atentamente os arcos essenciais da história. A equipe consegue entregar outra leva de episódios emocionantes tendo mais liberdade criativa, porque nunca houve, no mangá, uma história onde Onizuka é mais velho.

    Como se espera de qualquer adaptação de GTO, a trilha sonora sempre se destaca, trazendo músicas marcantes como Driver’s High (L’Arc~en~Ciel) e Hitori no Yoru (Porno Graffitti). Nesta temporada, a música Poison, cantada pelo próprio Sorimachi na abertura da temporada de 98, recebe uma nova versão, e isso coloca nostalgia e modernidade igualmente na mesma trilha.

    Takashi Sorimachi retorna como Onizuka Sensei, mantendo a qualidade que o tornou famoso pelo papel. O que se destaca em sua atuação é a perfeita harmonia entre abordar a personalidade do mangá e o gestual do anime, transformando esta versão do personagem em algo ideal, divertido e impactante para o espectador.

    GTO é uma ponte entre gerações

    O J-Drama como um todo entrega temas importantes para o momento atual, como o consumo excessivo de telas, isolamento digital, consumo abusivo de redes sociais e disseminação de fake news. Eikichi precisa lidar com tudo isso, conectando a turma entre si em um vínculo genuíno. Da mesma forma que na primeira temporada, cada aluno tem uma questão individual em cada episódio, abordando situações como trauma geracional, luto, projeção e pressão familiar, bullying e abandono escolar. Isso, vindo de um professor ex-membro de gangue educando uma outra geração muito mais jovem, altamente conectada virtualmente, torna-se um diálogo importante entre gerações.

    Além disso, as série conversa com faixas etárias diversas, pois existe esse dilema pessoal do protagonista. Onizuka já passou da quinta década de vida e, mesmo sendo uma presença marcante para seus alunos, nunca se considerou um profissional de sucesso. Este se torna o grande questionamento interno sobre o que define ser um grande professor.

    Também podemos compreender que a série fala não apenas sobre estes temas, como também sobre etarismo. Em sua trajetória nesta escola, o Great Teacher é constantemente subestimado porque enxerga seus alunos de forma humanizada e compreender suas questões individuais.

    Particularmente, é muito emocionante que esta série reflita sobre a importância de conexões pessoais entre as pessoas e a educação. Obviamente, a série usa a comédia e as intervenções imprevisíveis de Onizuka como um convite para reflexão sobre olhar um adolescente como um indivíduo que futuramente vai retornar isso para a sociedade com seu conhecimento e experiência de vida.

    Por fim, GTO (2026) é celebrar a nostalgia de uma série clássica para dialogar com questões modernas. Como resultado, este J-Drama é uma das melhores produções deste ano.

    Nossa nota

    Assista o Trailer de GTO (2026):

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