Início FILMES Crítica #52filmsbywomen 7 – Daughters of the Dust (1991, Julie Dash)

#52filmsbywomen 7 – Daughters of the Dust (1991, Julie Dash)

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pôster filhas do pó

Daughters of the Dust (Filhas do Pó, no título nacional) é um longa de 1991, da diretora Julie Dash que acompanha a família Peazant, da cultura Gullah, na decisão de abandonar a ilha de Santa Helena e possivelmente suas raízes e cultura, e partir rumo ao continente e ao desconhecido. No elenco, Cora Lee Day, Alva Rogers, Barbara O. Jones e Adisa Anderson. O longa foi a inspiração da cantora Beyoncé para seu premiado álbum Lemonade, e assim a curiosidade e interesse acerca do filme foram restaurados.

Levem-me por onde forem, sou sua força” diz Nana Peazant (Cora Lee Day) enquanto realiza um ritual para sua família, que está prestes a abandonar a ilha e se arriscar no continente. A fala de Nana, assim como sua presença, remetem a um ponto crucial de Daughters of the Dust: Tradição x Modernidade para as populações negras, após a diáspora forçada que os levou para a América. Com a modernidade se encontram inúmeros desafios, e na tradição se fortalecem as certezas de uma cultura rica, um povo forte que não se deixa definir por suas dores, que em contato com suas raízes, floresce e desabrocha.

personagens filhas do pó

Julie Dash realiza um trabalho brilhante em Daughters of the Dust, ao combinar uma narrativa não linear com toques de sonho e ilusão, uma interpretação teatral de seu elenco, figurinos e design de produção de época, e um roteiro capaz de sintetizar uma diversidade de sentimentos, oferecendo espaço para que todos sejam explorados. As suas protagonistas trocam confissões, amores, preocupações, exibindo em suas falas, suas imagens, uma feminilidade negra que atravessa os espaços da ilha e se conecta com suas antepassadas e com suas futuras gerações. Para isso, as interferências utópicas e a trilha sonora colaboram nessa ambientação.

O uso de longos planos abertos, confere uma atmosfera de paz e serenidade, mas também de isolamento, de uma terra cercada por água e sem contato exterior, assemelha a ilha de Santa Helena a uma realidade paralela, um local que existe por conta de seus habitantes. A ambientação contrasta com os dramas de seus personagens, que decididos ou não a abandonar a ilha, se questionam e se debruçam eu sua cultura. É interessante analisar a personagem Yellow Mary (Barbara O. Jones), que engloba aspectos de afro futurismo e de tradição, em uma personagem vivaz e decidida. Sua trajetória, seguindo na contramão de sua família na decisão de deixar a ilha, demonstra a complexidade dos temas tratados em Daughters of the Dust.

Daughters of the Dust foi remasterizado e se encontra disponível no catálogo da Netflix. O filme é obrigatório para interessados no cinema negro e afro futurismo. As mulheres Peazant são espelhos para um olhar sobre a diáspora africana e a busca pela liberdade real e o que ela significa.

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