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CRÍTICA – Cemitério Maldito (2019, Kevin Kölsch e Dennis Widmyer)

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Cemitério Maldito: Trailer 2 é divulgado e Stephen King dá um aviso sobre o remake

Os gêneros cinematográficos tendem sempre a se renovar – até mesmo quando fazem remakes de clássicos de décadas passadas, quando a fórmula para o estilo vigente era outra. Cemitério Maldito (Pet Semetary) chegou às salas escuras neste ano trazendo uma releitura do romance de terror O Cemitério, de Stephen King, escrito em 1983 e adaptado pela primeira vez ao cinema em 1989.

Veja também nossa crítica em vídeo:

Dirigido por Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, a história começa com a chegada da família Creed a sua nova casa numa pequena cidade interiorana. Em um passeio de descoberta pelo bosque, a filha mais velha do casal, Ellie Creed (Jeté Laurence), encontra um pequeno cemitério para enterrar animais de estimação. É ali que a criança conhece o vizinho maltrapilho Jud Crandall (John Lithgow), que a adverte para não ir além do enorme muro de galhos existente no local.

O “vale da morte” é onde encontra-se, de fato, o antigo cemitério amaldiçoado. Quando o gato da família morre na beira da estrada, Louis Creed (Jason Clarke) é convencido por Jud a enterrar o animal neste local. A partir daí, fatalidades e acontecimentos bizarros começam a acontecer, transformando a vida daqueles que habitam as redondezas do local num verdadeiro inferno.

Diferentemente do longa de 1989, Cemitério Maldito carrega um terror mais psicológico e com menos jump scares. Atualmente, acompanhamos esta mudança dentro do gênero do terror, com o exemplo dos filmes de Jordan Peele, Nós (2019) e Corra! (2017) – salvo a exceção dos filmes da franquia Invocação do Mal (2013) que ainda investem nessa fórmula.

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A icônica frase do livro “às vezes, morto é melhor” dá o tom a nova adaptação que trata de rituais, luto, culpa – e, claro, morte. Durante o primeiro ato do filme, vemos a constante discussão entre Louis e sua esposa, Rachel Creed (Amy Seimetz), sobre como explicar à filha pequena o que é e o que significa a morte.

Atormentada pelo seu passado, Rachel quer evitar tocar no assunto e prefere omitir, ou, quando inevitável, fabulizar através de crenças religiosas o assunto às crianças. Já o pai, com sua visão cética de homem racional, não acredita naquilo que está além dos limites da razão.



Ambos atores conduzem suas atuações num bom tom: Jason Clarke abraça totalmente a transição do seu personagem à loucura e Amy Seimetz permanece com a culpa e o desespero de uma infância atormentada pela irmã que sofria de meningite espinhal.

Mesmo que Miko Hughes, o pequeno Gage Creed do longa original, tenha ficado um tanto “mórbico” (uma mistura de mórbido com cômico), Ellie Creed não abstrai tanto impacto quanto o irmão pequeno. Ainda assim, pode ser que, para a releitura, essa fosse mesmo a melhor alternativa: uma vez que repetiria a narrativa visual de um pequeno ser (aqui, uma criança de 3 anos) matando gente, o que se aproxima muito de Chucky, o icônico Brinquedo Assassino (1988).

A cena da procissão das crianças mascaradas levando um bichinho morto é tanto atormentante quanto curiosa – aliás, o fato dos rostos dos outros personagens infantis não aparecerem durante o filme é bizarro. Nesse sentido, não apenas a cerimônia de enterro faz parte de um ritual, mas a vinda da família cosmopolita em si também era parte de algo maior por vir.

Na nova adaptação, optou-se por apresentar a criatura denominada Wendigo (demônio nativo americano), como a responsável pela ressurreição daqueles que já faleceram. Diferente do primeiro longa, que não menciona o ser, mas deixa implícita a sua presença, Kölsch e Widmyer optam por utilizar esse personagem como a entidade para a qual os “sacrifícios de sangue” serão destinados. Neste ponto, tanto as crianças mascaradas quanto a criatura na floresta são referências claras ao clássico O Homem de Palha (1973).

O Cemitério Maldito de 1989 manteve-se fiel ao livro, garantia que Stephen King exigiu da diretora, Mary Lambert, após a frustração de ver sua história original ser praticamente reinventada com Stanley Kubrick em O Iluminado (1980). Assim sendo, o próprio autor assumiu a adaptação do roteiro para as telonas. Mesmo que o longa de 2019 tenha feito algumas adaptações de personagem, sua história principal permaneceu intacta.

Não obstante, a trilha-sonora da versão clássica ficou por conta dos Ramones, uma das bandas preferidas de King. O hit “Pet Sematary“, que foi gravado para o filme, se tornou uma das músicas de maior sucesso do grupo – e aparece novamente neste novo longa, desta vez interpretado pela moderna banda de punk-rock, Starcrawler.

Nossa nota


Confira o trailer legendado:

Em suma, Cemitério Maldito continua sendo um filme que vale a pena ser conferido. Talvez não seja tão marcante quanto a sua versão de 1989, mas esta releitura valoriza muito as questões mais sutis referentes ao luto, traumas e a própria morte.

Cemitério Maldito chega aos cinemas na próxima quinta-feira, 09 de maio. Deixe seu comentário e lembre-se de deixar, também, sua avaliação após assistir ao filme.

Nota do publico
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