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CRÍTICA – Ford vs Ferrari (2019, James Mangold)

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CRÍTICA - Ford vs Ferrari (2019, James Mangold)

O diretor nova-iorquino James Mangold tende a se destacar cada vez mais com projetos certeiros, responsável por filmes viscerais como Logan e Johnny & June, a sua última obra é chamativa e empolgante, escalando os titãs Christian Bale e Matt Damon para complementarem essa história automobilística no filme Ford vs Ferrari.

Baseado em uma história real, em meados dos anos 60, tudo muda quando Henry Ford II (Tracy Letts), CEO da Ford Motor Company, decide entrar com tudo no mundo da alta velocidade, especialmente depois de ser usado e insultado por Enzo Ferrari (Remo Girone). Carroll Shelby (Matt Damon) é encarregado de montar um carro para vencer a imbatível Ferrari nas 24 Horas de Le Mans e escolhe Ken Miles (Christian Bale) para ser seu piloto.

O roteiro é assinado pelos irmãos Butterworth em parceria com Jason Keller que juntos, constroem uma narrativa verossímil e autêntica, focando mais no ponto onde a Ford começa a se interessar em entrar no ramo da velocidade esportiva, com o relacionamento de Shelby e Miles já estabelecidos, e optando em iniciar a história apresentando personagens com ideais distintos mas em busca do mesmo propósito: a vitória.

Sem dúvidas o grande chamariz do filme é a parceria Bale e Damon. Se Ken Miles é um impulsivo piloto de meia idade que está passando por problemas financeiros, Carroll Shelby é um ex-piloto que encontrou a solução vendendo carros esportivos. A genialidade bruta e inconsequente do primeiro é compensada pela calma estratégica e diplomática do segundo. Eles não apenas se entendem, mas se complementam em muitos aspectos.



A narrativa se trata de um conflito de objetivos e prioridades diferentes do ponto de vista de cada personagem. Enquanto a Ford está mais interessada no marketing positivo pensando em uma vitória, Shelby e Miles estão mais interessados em superar a si próprios e em escrever seus nomes na História cruzando a linha de chegada juntos.

Nas cenas de ação, os protagonistas são os carros. A dinâmica da movimentação da câmera com os cortes nos dá uma sensação de velocidade, de medo, de apreensão pelo o que pode acontecer, mas sem deixar a cena clichê. O som também é um recurso bem aplicado pelo filme e acrescenta na experiência do espectador com a corrida.

A trilha sonora de Marco Beltrami dita bem o ritmo do filme, conversando com os personagens no momento certo. Ressaltando novamente a qualidade dos fatores técnicos relacionado aos movimentos das corridas, que possivelmente ganhará uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Mixagem/Edição de Som.

A direção de arte comandada por Gustaf Aspegren é cuidada para reproduzir os anos 60 com os mínimos detalhes, utilizando as propagandas da época e as clássicas logomarcas dos patrocinadores que também foram recriadas para cooperar através de uma ambientação digna. Complementando a fotografia aos olhos de Phedon Papamichael, que recria uma climatização fazendo jus à época. O seu trabalho é reconhecido por elementos similares no qual já executou em Nebraska e Caçadores de Obras Primas.



Com atuações memoráveis e uma incrível reconstrução de época, Ford vs Ferrari tem uma direção precisa graças à James Mangold com um roteiro notável, garantindo uma trama cativante que consegue conquistar o público e afirmando mais uma indicação ao Globo de Ouro para Christian Bale, e talvez um forte concorrente nas categorias técnicas para o Oscar 2020.

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