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CRÍTICA – A Grande Jogada (2017, Aaron Sorkin)

A Grande Jogada (Molly’s Game, no original) é o primeiro longa dirigido pelo aclamado roteirista Aaron Sorkin. Baseado nas memórias de Molly Bloom, skatista olímpica que se tornou gerente de um dos jogos de pôquer mais famosos e caros do mundo, o longa é estrelado por Jessica Chastain, Idris Elba, Kevin Costner e Michael Cera.

A história de Molly Bloom se tornou uma grande lenda em Hollywood. Astros como Tobby McGuire, Leonardo DiCaprio, Ben Affleck e Alex Rodriguez passaram pelas mesas de pôquer organizadas por Molly, e muitas fofocas sobre famosos envolveram seu nome. Após ser indiciada e perder sua fortuna, Molly tomou o controle dessas histórias com suas memórias lançadas em 2014. Cercada por homens que tentaram subjugá-la, aqui vemos uma mulher que buscou sua afirmação. Bloom é uma personagem ambiciosa, vaidosa, complexa que deve lidar também com questões muito específicas com a experiência feminina em Hollywood e circuitos de celebridades. A protagonista se aproxima de figuras como Jordan Belford e Steve Jobs na forma como é retratada em A Grande Jogada.

A Grande Jogada tem um roteiro ritmado e verborrágico, como é de costume no trabalho de Aaron Sorkin. Seus personagens falam muito e falam rápido, logo o trabalho dos atores é louvável com uma capacidade de exprimir sentimentos mesmo quando devem entregar diálogos contrários ao que sentem. Aqui, Molly Bloom (Chastain) domina a arte. Sua personagem é inteligente e sagaz, utilizando dessas capacidades como uma armadura contra a vulnerabilidade que sente. É muito perceptível em suas trocas com o advogado Charlie Jeffey (Elba), que ela utiliza de perspicácia e muita informação para não expor sua intimidade frente as adversidades que passa.

Apesar de competente, Sorkin não é muito inovador como diretor. Como roteirista é onde realmente brilha. O longa é atravessado por uma narração em off quase contínua de Molly, ficando assim, claro que é a sua perspectiva pela qual assistimos os fatos, e o filme é claramente favorável a sua causa. A Grande Jogada comete alguns tropeços no terceiro ato, em especial com a relação entre a personagem de Jessica Chastain e sua família. Seu ponto forte são as atuações de Chastain e Elba, que informam o comentário geral do filme sobre lealdade em um ambiente competitivo e decadente.

A Grande Jogada oferece um olhar interessante a uma história controversa repleta de drama e fofocas. Jessica Chastain é uma excelente Molly Bloom, carregando a trama com segurança e se relacionando muito bem com seu elenco de apoio. Aaron Sorkin apresenta mais um ótimo trabalho de roteiro, e se aventura de forma segura porém pouco fértil na direção. Um filme divertido e inteligente.

Avaliação: Bom

Confira o trailer:

A Grande Jogada chega nesta quinta-feira (22) aos cinemas de todo o país. E aí, já garantiu seu ingresso? Deixe seu comentário e lembre-se de nos acompanhar nas principais redes sociais.