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CRÍTICA – Trama Fantasma (2017, Paul Thomas Anderson)

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Trama Fantasma é escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson. Indicado a 6 Oscars, o filme traz a possível última atuação de Daniel Day-Lewis, que anunciou aposentadoria em junho de 2017. No elenco também temos Vicky Krieps e Lesley Manville, contando a história do costureiro Reynald Woodcock e seu relacionamento com a jovem Alma.

Em todo filme estrelado por Daniel Day-Lewis, o ator costuma ser o destaque e o assunto mais comentado. Aqui não será diferente. A atuação de Day-Lewis é contida e explosiva, irritável e charmosa, oferecendo um personagem que transita entre um artista inseguro e com orgulho ferido e um homem controlador e meticuloso. Woodcock é um personagem detestável, mas graças ao talento do ator britânico, você não consegue tirar os olhos dele. Exceto quando a jovem Alma (Krieps) demanda seu olhar. A estreante Vicky Krieps não se acanha ao atuar ao lado de um dos maiores nomes do cinema atual, exibindo uma presença misteriosa na trama, construída por sua atuação excelente, com diversos momentos de trocas de olhares bem explorados, e uma fisicalidade que se modifica a medida que a personagem cresce em importância na casa. Terminando a trinca do elenco principal, Lesley Manville como a irmã de Woodcock possui algumas das melhores falas e olhares do longa.

Outro destaque aqui é a trilha sonora. Anderson trabalha novamente com Jonny Greenwood, compositor de Sangue Negro, O Mestre e Vício Inerente. Em Trama Fantasma a trilha adiciona uma dimensão obsessiva e perplexa que casa com a ambientação fechada e específica da casa. Ambos constroem o terreno onde temas como masculinidade tóxica, superstição e método artístico são trabalhadas no personagem de Reynalds e sua relação com Alma. O filme poderia explorar de forma mais direta também as duas presenças femininas na casa, Cyril (Manville) e Alma, que infelizmente se relacionam apenas vinculadas e a respeito de Woodcock.

O trabalho competente de direção realizado por Anderson trabalha tons de um humor irônico dentro de uma história intimista que não busca oferecer respostas fáceis, deixando aberto o espaço para interpretações. Abusando de longos planos detalhe e close-ups em expressões mudas de seus personagens, Paul Thomas Anderson está interessado no processo de seus personagens muito mais do que em seu ponto de chegada. O design de produção e figurino são um espetáculo a parte.

Vicky Krieps como Alma.

Trama Fantasma oferece muito daquilo que mais adoramos em Paul Thomas Anderson: intrigas, mistério, belos panos, complexidade narrativa e personagens interessantes. Não é o melhor trabalho do diretor, mas chega bem perto, e garante lugar nos melhores filmes dessa temporada de premiações, merecendo todas as indicações recebidas.

Avaliação: Ótimo

Confira o trailer legendado:

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E você, quais são suas apostas para o Oscar? Deixe seu comentário e confira nossas outras críticas dos filmes concorrentes ao prêmio mais importante do cinema! Trama Fantasma chega aos cinemas nesta quinta-feira (22).

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