CRÍTICA – Jurassic World Domínio (2022, Colin Trevorrow)

    Em junho, infelizmente, os fãs da franquia Jurassic Park e Jurassic World vivenciarão o final da “Era Jurássica Cinematográfica”, com duas gerações se unindo pela primeira vez em Jurassic World Domínio. E nada mais justo que fechar a franquia unindo esses personagens que nós acompanhamos por muito tempo.

    No elenco temos o retorno dos personagens da trilogia Jurassic World vividos por Chris Pratt, Bryce Dallas Howard, Omar Sy (Lupin), Isabella Sermon, Daniella Pineda e Justice Smith, bem como o aguardado encontro dos personagens da trilogia original vividos por Laura Dern, Jeff Goldblum e Sam Neill; além dos recém chegados à franquia DeWanda Wise (Ela Quer Tudo), Mamoudou Athie (Arquivo 81), Campbell Scott (O Espetacular Homem-Aranha 2 – A Ameaça de Electro) e Dichen Lachman (Agentes da S.H.I.E.L.D.). E, claro, o único veterano presente em ambas as trilogias: BD Wong.

    Jurassic World Domínio estreia dia 2 de junho.

    SINOPSE

    Quatro anos após a destruição da Ilha Nublar, os dinossauros agora vivem – e caçam – ao lado de humanos em todo o mundo. Contudo, nem todos répteis consegue viver em harmonia com a espécie humana, trazendo problemas graves. Esse frágil equilíbrio remodelará o futuro e determinará, de uma vez por todas, se os seres humanos continuarão sendo os principais predadores em um planeta que agora compartilham com as criaturas mais temíveis da história em uma nova era. Os ex-funcionários do parque dos dinossauros, Claire (Bryce Dallas Howard) e Owen (Chris Pratt) se envolvem nessa problemática e buscam uma solução, contando com a ajuda dos experientes cientistas em dinossauros: Drª. Ellie Sattler (Laura Dern), Dr. Alan Grant (Sam Neill) e o Dr. Ian Malcom (Jeff Goldblum).

    ANÁLISE

    Em Jurassic World Domínio a Universal Pictures e Amblin Entertainment buscam impulsionar a franquia de mais de US$ 5 bilhões para um território ousado e inexplorado, apresentando espécimes nunca vistos e uma nova dinâmica entre humanos e dinossauros.

    O novo longa, dirigido por Colin Trevorrow – que levou Jurassic World (2015) a uma bilheteria global recorde de US$ 1,7 bilhão -, apresenta a situação do planeta após as muitas tentativas de contrabandear espécimes do pequeno arquipélago do litoral da Costa Rica onde os dinossauros viviam desde os eventos que impediram a inauguração do Jurassic Park e anos mais tarde vieram a fechar o Jurassic World. Agora, com os animais soltos ao redor do globo, humanos e dinossauros precisam coexistir enquanto grandes corporações buscam lucrar com a situação.

    Após os eventos de Jurassic World: Reino Ameaçado (2018), Claire e Owen ainda estão em um relacionamento – e agora pais adotivos de Maise (Isabella Sermon) -, mas parece que Bryce Dallas Howard e Chris Pratt perderam a química desde o primeiro longa da nova franquia. Mesmo que seus personagens convençam ao defenderem suas causas; como casal, o sentimento transmitido é de estranheza.

    Jurassic World Domínio com suas 2h e 26min é um filme longo e cansativo; com um primeiro ato enfadonho, o longa perde um tempo precioso apresentando o mercado negro de dinossauros, uma contrabandista femme fatale sem relevância, perseguições a beira do Mediterrâneo no melhor estilo 007 e uma contrabandista boa praça que ajuda desconhecidos – e embarca em uma missão de resgate quase impossível – de bom grado. É de revirar os olhos o desperdício de talento com Dichen Lachman e DeWanda Wise, respectivamente.

    O ponto importante do primeiro ato do longa é todo o panorama geral do mundo e essa nova dinâmica, porém com duas tramas que convergem no segundo ato, o caminho utilizado pelo roteiro para esse encontro é extremamente conveniente e preguiçoso.

    Do meio para o fim, o que Jurassic World Domínio tem de novas espécies de dinossauros tem de conveniência. É interessante ver personagens da franquia original e da atual trabalhando juntos, mas o percurso percorrido até esse encontro é cheio de situações convenientes e/ou “resumidas”. Explico: um grupo precisa ir do ponto A ao ponto B, outro grupo precisa ir do ponto C ao ponto D, mas graças à força milagrosa do roteiro conveniente todos se encontram no ponto E. Pode ter certeza: não tem Pyroraptor, Tiranossauro Rex, Therizinossauro, Giganotossauro ou qualquer outro super predador que impeça esse encontro.

    Diferente dos protagonistas da franquia atual, Laura Dern, Sam Neill e Jeff Golblum – com seus 55, 74 e 69 anos, respectivamente – parecem nunca ter saído de seus papéis. Ellie, Alan e Ian mostram que enfrentar dinossauros é como andar de bicicleta: nunca se esquece. Com o trio de veteranos da franquia vemos um exemplo crível de elo de amizade, mesmo que esse elo tenha sido forjado em uma experiência traumática.

    Por falar em traumas, alguns dos efeitos práticos são terríveis. Com a evolução do CGI parece que estamos regredindo no que diz respeito a efeitos visuais. Há momentos em que dinossauros mecatrônicos, mesmo que sob o disfarce da pouca luz e sombras são assustadoramente mal apresentados.

    De tudo que é mostrado, o mais interessante são as referências; temos desde as já de praxe menções a John Hammond (Richard Attenborough) até duas diretamente ligadas à Dennis Nedry (Wayne Knight) o famigerado sabotador do primeiro parque. E o ponto alto, certamente foi ver um ato romântico que levou quase trinta anos para acontecer.

    VEREDITO

    “Filme de dinossauros” tem que ter dinossauros, mas não só com dinossauros um “filme de dinossauros” faz sucesso. 

    Com uma grande variedade de espécies da Era Mesozóica, a franquia segue encantando ao recriar digitalmente esses animais incríveis que no passado há muito distante caminharam em nosso planeta. É realmente mágico vê-los digitalmente em cenas tão reais.

    Por outro lado, a variedade de personagens novos não ajuda quando se tem personagens já consolidados; e ao buscar apresentar um número tão grande de indivíduos (animais e/ou humanos), o risco de não conseguir aprofundá-los é muito grande.

    Jurassic World Domínio fecha a franquia com uma mensagem bonita e importante, mas, diferente de Avatar (2009) de James Cameron – que com quase 20min a mais conseguiu passar a mesma mensagem nos fazendo perder o fôlego -, aqui a sensação final é que essa mensagem demorou muito para ser entregue.

    Nossa nota

    2,0 / 5,0

    Assista ao trailer legendado:

    Jurassic World Domínio estreia nesta quinta-feira, 2 de junho.


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