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CRÍTICA – Luta por Justiça (2020, Destin Daniel Cretton)

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CRÍTICA - Luta por Justiça (2020, Destin Daniel Cretton)

Luta por Justiça é mais um das centenas de filmes que temos sobre o sistema penitenciário injusto dos EUA com a população negra.

Dados alarmantes demonstram que a cada nove pessoas no corredor da morte, uma é inocentada antes de ser executada, fato que é assombroso de se pensar.

A TRAMA

Johnny D./Walter McMillian (Jamie Foxx) é um homem negro no Estado do Alabama nos anos 80, um dos locais no qual o racismo enraizado perdura até os dias de hoje.

Ao ser acusado por um assassinato que não cometeu, tenta provar sua inocência sem sucesso até que Bryan Stevenson (Michael B. Jordan) e Eva Ansley (Brie Larson) entram nesta longa batalha judicial.

O filme se baseia em fatos reais, então, para os roteiristas a questão da trama já possui um caminho andado; algo que pode ser uma faca de dois gumes para escrever o roteiro. E isso acaba pesando para os personagens.

ANÁLISE

O papel de Jamie Foxx é mais vantajoso em questão de atuação, pois o seu personagem passa por diversos estágios psicológicos de uma espécie de ”luto judicial”, pois ao perceber que cada vez mais a sua palavra está contra a polícia, vai passando do desespero à aceitação.

O ator consegue entregar uma excelente atuação, algo que já é natural pelo já conhecido talento de Foxx.

Entretanto, o protagonista, vivido por Michael B. Jordan sofre justamente com essa questão. Por mais que Bryan Stevenson tenha várias camadas, Jordan não consegue chegar ao seu ápice.

Vemos ali um homem formado em Harvard que quer salvar a todos com seu caráter forte e idôneo, contudo, seu texto é piegas e motivacional demais, tornando o personagem um pouco irritante em alguns momentos.

Stevenson é o homem canonizado, justo e empático, algo que dificilmente atrai o público quando um protagonista é bonzinho demais.

Contudo, nos momentos de dificuldade do personagem, Jordan tem seus méritos ao nos mostrar todo seu talento quando seu personagem demonstra sua indignação com o racismo enraizado nas veias do Alabama e todas as injustiças nas quais ele luta ativamente.

Brie Larson tem um papel de coadjuvante de luxo. Por mais que a atriz brilhe nos seus momentos, são poucas as boas oportunidades para que a renomada artista consiga mostrar todo seu talento.

Eva Ansley teve um papel muito importante nos anos seguinte do julgamento de Johnny D., contudo, no período do longa ela era apenas uma diretora idealista, consequentemente Larson acaba sendo ofuscada por Michael B. Jordan e Jamie Foxx.

Da esquerda pra direita: Tim Blake Nelson como Ralph Myers, Rob Morgan como Herbert Richardson e O’Shea Jackson Jr como Anthony Ray Hinton.

Sobre o elenco de apoio, Tim Blake Nelson, Rob MorganO’Shea Jackson Jr. são outros destaques positivos.

DIREÇÃO

Destin Daniel Cretton buscou dar ao público um formato parecido com uma peça de teatro, dando blocos longos de texto para seu elenco e focando em suas feições para tentar tirar o máximo de cada um.

Nas cenas de júri, os planos mais abertos para captar um pouco das expressões do público daquele local foram um acerto.

CONCLUSÃO

A trama forte e pesada com uma questão racial envolvida não é um fato novo, fazendo Luta por justiça não ser um filme que se destaque.

Embora o longa tenha cenas excelentes, uma trama que chama muito a atenção e de extrema relevância, sendo atemporal, podemos dizer que o filme tem suas qualidades, no entanto, nada que seja diferenciado nos tempos contemporâneos.

Nossa nota

Assista ao trailer legendado:

Luta por Justiça chega hoje aos cinemas. Não deixe de assistir para ter sua própria opinião e voltar aqui para deixar seus comentários e sua avaliação!

Nota do público
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