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CRÍTICA – O Poço (2020, Galder Gaztelu-Urrutia)

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CRÍTICA - O Poço (2020, Galder Gaztelu-Urrutia)

O Poço, novo filme espanhol do catálogo da Netflix, vem chocando muitas pessoas no mundo todo. Com uma trama densa, nos faz refletir sobre muitas questões sociais e, ao mesmo tempo, nos faz ter uma imensa agonia com sua escatologia e violência exacerbada.

NO TOPO DO POÇO – História

Goreng (Ivan Massagué) acorda numa prisão peculiar, na qual os detentos dos níveis superiores comem melhor dos que o dos inferiores. A cada mês, os prisioneiros acordam em um andar diferente, vivendo todas as situações possíveis até concluir sua sentença.

NO MEIO DO POÇO – Análise

O filme de Galder Gaztelu-Urrutia aborda uma temática social forte: a dos privilégios e as responsabilidades que temos quando alcançamos uma posição melhor.

Com uma forma mais sombria de demonstrar isso, O Poço nos mostra como nossa sociedade é corrompida pelas castas sociais que existem de forma invisível, mas que estão lá e fazem a diferença no dia a dia de todos.

No primeiro andar estão os mais abastados que recebem o melhor, ao invés de racionar seus alimentos e dar a oportunidade de outros poderem se alimentar e sobreviver, preferem comer tudo que os olhos enxergam, deixando apenas migalhas aos menos afortunados.

A ganância é o prato principal d’O Poço, e muito disso se deve ao medo de perder tudo e viver nas mazelas daquele lugar sombrio.

Personagens

Temos quatro destaques na obra: Goseng (Ivan Massagué), Baharat (Emilio Buale), Imoguiri (Antonia San Juan) e Trimagasi (Zorion Eguileor).

Goseng é o que mais cresce. Tem uma jornada incrível de entender as pessoas que tem contato ao longo do filme. Ao passar por sérias dificuldades, aprende que a única forma de conscientizar os outros encarcerados é na base da força, uma vez que quem tem privilégio não se importa com quem apenas quer sobreviver.

Trimagasi já é um personagem que começa completo. Com um ar nojento e arrogante, está ali para nos mostrar a realidade de como as coisas funcionam. Todavia, ele tem a missão de nos puxar para o realismo que não queremos enxergar, aquilo que deixamos no fundo de nosso poço interno: nosso desprezo pelos menos afortunados e a ganância de sermos como quem é superior.

Baharat e Imoguri são complementares. São personagens que tem suas crenças fortes e que são estritamente fiéis a elas. O primeiro a Deus e sua fé, a segunda na Administração, um ser onipresente que está acima de todas as castas de dentro do poço.

O interessante desses dois personagens é que suas crenças não os deixam mais fracos, e sim, mais suscetíveis a pensar, já que estão confinados. Mesmo com menos tempo de tela que Goseng, tem um crescimento exponencial.



NO FUNDO DO POÇO – Veredito

O Poço é uma obra que nos faz pensar e nos choca. Com um texto pesado e cenas que reviram nosso estômago, demonstra que nossa sociedade está na ruína, mas que com perseverança e muita luta, podemos deixar uma mensagem de esperança para todos, emergindo do lugar sombrio no qual estamos.

Nossa nota

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Confira o trailer de O Poço:



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