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CRÍTICA – X-Men: Fênix Negra (2019, Simon Kinberg)

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CRÍTICA - X-Men: Fênix Negra (2019, Simon Kinberg)

X-Men: Fênix Negra é o último filme do universo mutante que está estabelecido nos cinemas há quase 20 anos. A partir de agora, com a compra da Fox pela Disney, nós veremos esses personagens sob a tutela da Marvel Studios e seu universo compartilhado.

A conclusão do legado dos X-Men nos cinemas se dá com a mesma temática vista em X-Men 3: O Confronto Final (2006), coincidentemente um longa que também finalizou os arcos da equipe antiga liderada por Sir Patrick Stewart. Ambas produções também possuem o mesmo roteirista: Simon Kinberg.

É difícil julgarmos um diretor/roteirista pelos erros cometidos em filmes feitos no passado. Afinal, adaptar personagens tão complexos e diversos como os X-Men não é tarefa fácil. Porém, mesmo após 20 anos de universo mutante, as produções desses longas caem sempre na mesma vala comum: personagens descaracterizados de suas origens, mal aproveitados por estarem atrelados a grandes cachês de atores renomados de Hollywood e com roteiros que não fazem jus às histórias retratadas nos quadrinhos e nas animações.



X-Men: Fênix Negra adapta os quadrinhos da Saga da Fênix Negra, desenvolvida por Chris Claremont e John Byrne. A história se passa em 1992, nove anos depois de X-Men: Apocalipse. Neste cenário encontramos a equipe de Charles Xavier (James McAvoy) em sua melhor fase: bem estabelecidos, confiantes e com aprovação da população e do próprio presidente. Finalmente são percebidos como os super-heróis que eles merecem – e usam os uniformes que nós queremos.

Durante uma missão espacial, a equipe de astronautas fica presa em um fenômeno “natural” não identificado, e cabe aos X-Men colocarem a sua existência em risco para salvar a raça humana – mais uma vez. Ao longo da missão, algo sai errado, e Jean Grey (Sophie Turner) retorna do espaço diferente, com um poder inimaginável. É a partir disso que se desenrolam os acontecimentos que transformam Jean na Fênix Negra.

É importante ressaltar que esse filme sofreu grandes mudanças devido à compra da Fox pela Disney. Com refilmagens e troca de cenas que eram muito similares com um dos lançamentos da Marvel, X-Men: Fênix Negra chega envolvido em polêmicas e desconfiança.

Se existe um ponto forte que pode – e deve – ser destacado em todos os filmes dos X-Men, é o que diz respeito às cenas de ação. Desde X-Men: Primeira Classe, há uma preocupação com a parte técnica. Em sua maioria, as cenas são primorosas, principalmente as desempenhadas por Mercúrio (Evan Peters) e Noturno (Kodi Smit-McPhee). A sequência protagonizada por Jean no trem – disponível nos trailers da produção – é fantástica, sendo potencializada pela qualidade do IMAX.

Infelizmente, não podemos falar o mesmo sobre o desenrolar do longa. Com enquadramentos que mais parecem um híbrido de Bryan Singer e Simon Kinberg, X-Men: Fênix Negra, em muitos momentos, se arrasta até a sua conclusão. O peso de seus diálogos e situações seriam ótimos se já não tivéssemos visto os mesmos problemas e dramas em outros longas dessa mesma saga. Aparentemente, nem quase uma década entre um arco e outro fez com que os problemas dentro da equipe se resolvessem.

Mais uma vez, os conflitos entre Charles e Mística (Jennifer Lawrence), tomam boa parte do tempo, mantendo um cabo de guerra desnecessário para justificar a presença da personagem – e da atriz – no longa. O mesmo podemos falar do Magneto de Michael Fassbender, que se tornou tão caricato que parece uma imitação do próprio personagem a cada novo filme.

Sophie Turner consegue desenvolver uma boa Fênix Negra dentro das limitações impostas pelo roteiro. A química entre ela e Jessica Chastain é ótima, bem como suas interações com Ciclope (Tye Sheridan), que possui mais tempo de tela nesse filme – mas, longe de interpretar o líder dos mutantes que tanto esperamos ver no cinema. Vale ressaltar também a boa contribuição de Nicholas Hoult como o Fera, e Alexandra Shipp como Tempestade. Infelizmente, nada disso salva o roteiro pouco inspirado do longa.

A escolha de adaptar o arco da Fênix Negra novamente no cinema parece muito mais sentimental do que, de fato, uma decisão planejada. Ao longo desses anos, vimos um apego por alguns personagens diante de um espectro enorme de possibilidades providas pelos quadrinhos. Mutantes que poderiam ser trazidos para as telonas foram vistos, muitas vezes, como um cameo ou referência, nunca ganhando a luz do dia. É o caso da mutante cantora Cristal, utilizada em mais de um longa apenas para despertar o lado sentimental do telespectador.

A possibilidade de projetos diferenciados – como Deadpool, a adaptação de Logan, a série Legion e o vindouro (e incerto) Os Novos Mutantes – são um alento para os fãs que aguardam, ansiosamente, pela oxigenação da saga X-Men. É uma pena que, pelas mãos da Fox, não foi possível ver essa inovação na equipe principal – e nem em seu ato de conclusão. X-Men: Fênix Negra tem seus méritos, mas uma equipe tão rica, com personagens tão complexos e fascinantes merecia muito, muito mais.

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