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CRÍTICA – Mudbound: Lágrimas sob o Mississipi (2017, Dee Rees)

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Mudbound: Lágrimas sob o Mississipi é escrito e dirigito por Dee Ree e em seu elenco, temos Garret Hedlund, Carrie Mulligan, Jonathan Banks, Mary J. Blidge e Jason Mitchell, o longa conta a história de duas famílias em uma fazenda no Mississipi no período da Segunda Guerra. Enquanto uma família luta contra o preconceito e tenta conseguir sua independência adquirindo terras, a outra, vinda da cidade e que é dona das terras, busca se estabelecer na fazenda. O longa é adaptado do drama homônimo de Hillary Jordan.

Mudbound entra nessa temporada de premiações fazendo história. Rachael Morrison é a primeira mulher na história a competir na categoria de Melhor Fotografia no Oscar. E a indicação é mais que merecida. O trabalho de câmera realizado por ela é essencial na criação de uma ambientação e atmosfera centrais em Mudbound, que expressam a solidão, o tédio e a desesperança dos personagens. Especial destaque para o arco envolvendo Jamie (Hedlund) e Ronsel ( Mitchell).

Também fazendo história como primeira mulher negra com indicação na categoria de Melhor Roteiro Adaptado, roteirista e diretora Dee Rees demonstra domínio das trajetórias de seus personagens, entregando informações e desfechos sem pressa e sem muita exposição. Por conta dessa paciência, o primeiro ato é lento, fazendo com que a metragem relativamente curta seja sentida e o filme perca ritmo em alguns momentos.

Perpassado por narrações em off de diversos personagens, Mudbound: Lágrimas sob o Mississipi se destaca com as transições entre momentos narrativos, que se desenvolvem como expressões de vozes interiores de personagens e colabora para dar profundidade às histórias e às relações, aproximando desiguais num comentário social sobre preconceitos, tradição e posse de terra em um local marcado por racismo e pobreza. As atuações do elenco são sólidas, apresentando mais um excelente trabalho de Jason Mitchel, que já se destacava em Straight Outta Compton: A História do N.W.A. de 2016, e Mary J. Blidge, que se encontra indicada como Melhor Atriz Coadjuvante.

Mudbound apresenta uma belíssima construção de uma época americana marcada pelo racismo latente. Mas Dee Rees é capaz de modernizar o drama histórico a fim de dialogar com o momento presente, mostrando como representatividade e visibilidade de histórias e pessoas que outrora foram apagadas é importante na construção de um cinema inclusivo nas telas e por trás delas. Com personagens bem definidos e histórias que se entrelaçam pela lama, pela terra e pelos sentimentos. Com uma das fotografias de maior destaque da temporada, Mudbound pode ser uma produção da Netflix, mas merece ser contemplada nas grandes telas de cinema.

Avaliação: Ótimo

Confira o trailer:

O drama chegou aos cinemas brasileiros no dia 15 de fevereiro de 2018E aí, você está animado? Deixe seu comentário e lembre-se de compartilhar essa crítica com seus amigos 😉

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