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CRÍTICA – Mayhem in Single Valley (2021, Fluxscopic)

Mayhem in Single Valley

Pegando o dicionário inglês-português, brevemente identificamos que mayhem significa caos. É exatamente isso que podemos esperar de Mayhem in Single Valley, desenvolvido pelo estúdio canadense Fluxscopic Ltd. e distribuído pela editora de jogos independentes tinyBuild (também responsável por grandes títulos como Hello Neighbor, Graveyard Keeper, SpeedRunners, etc.).

Mayhem in Single Valley é exatamente o que o nome remete: uma aventura caótica, com personagens -no mínimo- peculiares, uma história bastante louca e uma proposta muito divertida. Só pela descrição (dos próprios desenvolvedores), podemos ter uma noção do que o jogo reserva:

Mayhem in a Single Valley é uma aventura de ação de cima para baixo em uma escala épica. Uma história distorcida cheia de personagens estranhos, pixel art deslumbrante e dezenas de quebra-cabeças exclusivos, baseados em física, luz e muito mais. Oh, já mencionamos esquilos radioativos?

TEMÁTICA E HISTÓRIA

Desde o início da gameplay, já é possível observar que Mayhem in Single Valley traz uma carga densa de humor non-sense, com um herói improvável e desafios “atípicos”.

A história do jogo se desenrola a medida que Jack, um jovem com uma família disfuncional começa seu grande dia, em que finalmente deixará Single Valley (ou não). Assim que se despede de seus familiares, ele avista o derramamento de algum líquido radioativo no rio, o que começa a enlouquecer e dar poderes especiais para os animais, transformando os cidadãos em zumbis.

A partir daí, Jack parte em sua aventura para salvar Single Valley. Como eu gosto de dizer, daí pra frente, é só pra trás. O que já parecia absurdo se torna ainda mais a medida que novos personagens são apresentados e histórias paralelas são contadas. A insanidade de alguns piadas do jogo lembram muito alguns desenhos tipo Simpsons (principalmente South Park, pelo cunho +18 delas).

JOGABILIDADE

O jogo possui controles bastante intuitivos, e pode ser melhor aproveitado utilizando um joystick. Eu rodei ele pelo computador, através da Steam, e tive toda a minha experiência utilizando o teclado e mouse. Alguns comandos, principalmente de alterar o item a ser arremessado e a mira, se tornam pouco práticos sem o uso de um joystick, mas nada que prejudique muito a jogatina.

Mayhem in Single Valley possui puzzles e alguns desafios ao longo da jornada de Jack, mas nenhum deles é exageradamente complexo. O nível de dificuldade do jogo é balanceado, tendo apenas alguns trechos em que eu fiquei aborrecido por não conseguir passar (problema do jogo ou limitação minha?).

Mas mesmo em trechos mais difíceis, onde acabamos morrendo de várias formas, o jogo se prova divertido, pelas mais diversas animações de morte do personagem. Existem tantas formas divertidas de morrer (isso soou estranho) em Mayhem in Single Valley que às vezes podemos esquecer o objetivo e explorar quais novas animações o jogo pode oferecer.

Por não perdermos itens ao morrer, já que o jogo salva automaticamente e podemos reiniciar do último check-point, muitas vezes se tornar até mais vantajoso curtir uma animação e recuperar algum item gasto errado, do que insistir em uma jogada que nem começou bem.

GRÁFICOS E ÁUDIO

A Fluxscopic se dedicou realmente neste projeto. Mesmo que Mayhem in Single Valley tenha extrapolado as expectativas de seus criadores, vemos que houve muito empenho para que esta fosse uma grande obra de arte.

A pixel art é excelente e bastante detalhada, colaborando para a diversão e fomentando a exploração, instigando o jogador a descobrir que outros cenários foram criados desta maneira.

Apesar da câmera isométrica, temos uma animação em 3D muito bem feita, também, com alguns easter-eggs deixados ao fundo, apenas para a diversão do jogador, já que não são acessíveis. Alguns podem achar inútil, mas me soou como uma preocupação do estúdio em fornecer entretenimento em cada detalhe.

A trilha sonora de Mayhem in Single Valley é também um ponto muito alto, e a forma como a consumimos é bastante inovadora. A medida que exploramos o cenário, encontramos não só itens úteis para a aventura como vários colecionáveis. Dentre estes colecionáveis, encontramos alguns objetos da lore do jogo, que não afetam em nada no jogo em si, mas também encontramos fitas.

Com o toca-fitas que coletamos em nosso quarto, no início do jogo, podemos escolher qual fita escutar e desta forma escolher qual a trilha sonora queremos para cada trecho do jogo. Obviamente, cada cenário possui uma fita, o que indica que aquela é a “mais recomendada”. Mas ainda assim, podemos fazer nossas próprias escolhas e jogar com a música que quisermos (ou até sem música).

VEREDITO

Aqui temos um clássico indie com muito potencial. Mayhem in Single Valley explora com excelência cada um dos conceitos que se propõe, não saturando sua temática e trazendo uma história simples, divertida e bastante honesta.

A Fluxscopic faz o que muitas grandes empresas dessa indústria ainda pecam: entrega diversão, utiliza bem seus elementos e sabe dar liga em tudo o que oferece. É um jogo perfeito e sem falhas? Não. Existem alguns (poucos) lugares em que podemos pular e ficar trancados ou até mesmo erros de hitbox.

Mas vamos lá: o primeiro jogo completo, de um estúdio independente, custando R$ 28,99 ($14,99 dólares), dedicadamente animado e com grandes doses de diversão; temos aqui um ótimo game. Buscando mais sobre o estúdio, li ainda que os desenvolvedores frequentemente leem e assistem críticas da comunidade para assim otimizar o game e oferecer o melhor aos jogadores (aqui vocês podem conferir todos os patches de aprimoramento).

Entendem o que eu falo? Um jogo originalmente muito bom, com preço bacana, e com uma empresa preocupada com a diversão dos seus consumidores. Isto é uma aula para muita empresa desta vasta indústria de videogames.

Explanadas minhas considerações, justifico minha nota pela qualidade deste ótimo indie e por sua capacidade de divertir até nas falhas.

Nossa nota

4,5 / 5,0

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Vindo do interior do interior do RS, fã de Cornwell, Zelda e do Fernandão, (péssimo) piadista, dá pitaco sobre quase tudo. Amante da cerveja, gosta de estudar diferentes culturas, leciona FIFA nas horas vagas e tem um cachorro chamado Salomão.