Início QUADRINHOS Crítica CRÍTICA – GYO (2021, Devir)

CRÍTICA – GYO (2021, Devir)

Lançada originalmente em 2001, GYO trata de bizarrices e temas que 20 anos depois seguem incrivelmente atuais

Agora em fevereiro a editora Devir dá continuidade à sua excelente coleção de mangás do selo Tsuru, que reúne os maiores mangakás do Japão. Com isso em mente, a estreia desse mês veio com pé direito: trata-se de nada mais, nada menos que GYO, do fantástico Junji Ito.

SINOPSE

Todashi e Kaori vão passar férias em Okinawa, uma ilha ao sul do Japão. Depois de um mergulho no mar, eles começam a sentir um cheiro estranho.

O forte cheiro de morte vai aos poucos tomando conta da ilha e antes que o casal possa identificar sua origem eles avistam um peixe em terra firme… um peixe apodrecido com pernas mecânicas. Segure a respiração até que tudo seja revelado.

ANÁLISE

Em GYO, Junji Ito segue a mesma fórmula que fez sucesso em Uzumaki, ao pegar algo que é do nosso cotidiano e transformar em uma trama insana repleta de horror e bizarrice.

Contudo, essa repetição de recurso narrativo não torna a obra cansativa. Pelo contrário, esse método dá liberdade criativa ao talentoso mangaká para surpreender o leitor com algo extremante absurdo.

A trama de GYO se inicia com algo simples e que parece que terá uma solução rápida ao fim do capítulo. No entanto, o enredo vai criando um escopo de bizarrice que deixa qualquer leitor apreensivo.

A obra de Junji Ito me causa um enorme desconforto quando ele apresenta algo que é grotesco. O autor tem um traço limpo e sem muitos detalhes dentro do cotidiano “normal” de seus personagens, mas quando é para chocar com suas insanidades ele não mede esforços para realizar algo surreal. Certamente te deixará com repugnância de toda situação.

Lançada originalmente em 2001, GYO trata de bizarrices e temas que 20 anos depois seguem incrivelmente atuais

Além disso, a obra em determinado capítulo traça um paralelo com os tempos sombrios que estamos vivendo atualmente. Por mais que GYO tenha sido publicado originalmente em 2001, vai ser inevitável o leitor não relacionar com pandemia.

O destaque da obra vai para a forma que Ito trabalha o terror, tendo fortes influências em H.P. Lovecraft, deixando o leitor instigado pela contínua leitura, em estado de horror e aflição. O roteiro é bem simples, mas apresenta uma fluidez na leitura que vai te deixar completamente envolvido até a última página do mangá.

VEREDITO

Definitivamente, GYO já entrou em minha lista de melhores mangás de terror do ano. Sem dúvidas, a obra irá agradar a todos os fãs do gênero.

Nossa nota

5,0 / 5,0

GYO: INFORMAÇÕES E ONDE COMPRAR

A Devir irá lançar sua edição de GYO em 25 de fevereiro de 2021, que reúne os dois volumes originais em capa mole e sobrecapa.

Título original: Gyo Ugomeku Bukimi (ギョ うごめく不気味) Volumes 1 e 2
Editora Original: Shogakukan
Roteiro e desenhos: Junji Ito
Tradução: Arnaldo Oka
Formato: 17 x 24 cm
Lombada: 2,4 cm
Estrutura: 408 páginas PB
Acabamento: Brochura com sobrecapa
Peso: 610g

Clique aqui para comprar.

A edição da Devir faz parte da Coleção Tsuru, que reúne os maiores mangakás do Japão. Entre eles:

Clique nos links acima para ler nossas resenhas de cada obra.

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