Início MANGÁ Crítica RESENHA – Ataque dos Titãs #30 (Capítulo 122, 2019, Kodansha)

RESENHA – Ataque dos Titãs #30 (Capítulo 122, 2019, Kodansha)

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RESENHA - Ataque dos Titãs #30 (Capítulo 122, 2019, Kodansha)

Desde o seu lançamento aqui no Brasil, em 2009, Ataque dos Titãs (Shingeki no Kyojin, título original) vem conquistando a graça do público. A obra criada por Hajime Isayama não foge muito do que já estamos familiarizados; enredo pós-apocalíptico, uma trama política bastante desenvolvida e amarrada, com muitas reviravoltas, recheada de muita violência e ação. Mas a beleza em si de Ataque dos Titãs não está apenas em sua qualidade, mas em sua capacidade de conseguir prender o leitor/telespectador, nos deixando sempre com aquele “gostinho” de querer saber o que vem pela frente.

O anime de Ataque dos Titãs está indo para a sua quarta e última temporada, prevista para Outubro de 2020. Já no mangá, publicado no Japão pela editora Kodansha, as coisas se encaminham para a sua reta final, e como prometido por Isayama todas as pontas soltas estão sendo muito bem amarradas. Um exemplo disso é o capitulo mais recente publicado do mangá.

No Brasil o mangá é distribuído pela Panini Comics mas ainda encontra-se na edição #27, que engloba os capítulos 107 ao 110.

No Japão a última edição é a #29 que conta com os capítulos 115 a 118.

Nota explicativa: O texto desta publicação é sobre o lançamento do capítulo mais recente: 122 – Ni Sen Nen Mae no Kimi Kara (“De Você, Dois Mil Anos Atrás”, em tradução direta). Que junto com os capítulos 119, 120 e 121 formam a edição #30, mas ainda encontra-se em aberto.

Antes de nos aprofundarmos no capitulo é preciso resumir alguns pontos da obra, ou seja, o texto conterá alguns spoilers a partir daqui, leia por sua conta em risco!

Sobre o que fala Ataque dos Titãs?

A história de Ataque dos Titãs gira em torno de Eren Yeager, um garoto refém de um mundo onde seres humanos vivem em uma ilha – Ilha de Paradis – rodeados por uma enorme muralha que serve como proteção contra criaturas humanoides gigantescas; os Titãs.

A obra entrega para o leitor a luta incessante dos humanos em reaver seus territórios, mas ao mesmo tempo nos entrega mistérios que precisam ser solucionados, um deles é o surgimento dos Titãs. Inicialmente, por meio de lendas passadas de geração em geração, é dito que a origem dos Titãs foi há dois mil anos atrás, a responsável por esse fenômeno foi uma garota chamada Ymir Fritz. De acordo com a história os Titãs se originaram dela, Ymir – que era capaz de se transformar em Titã e transformar outras pessoas também.

Ymit Fritz descobriu “a fonte de todas as matérias orgânicas” e graças a isso ela adquiriu a habilidade de se transformar em Titã, conhecido como Titã Primordial. Ela governou como rainha por 13 anos, mas em um dado momento Ymir morreu, misteriosamente. Antes disso acontecer ela foi capaz de coisas grandiosas, como construir pontes através de montanhas, ajudou no cultivo de terra e travando inúmeras batalhas, ajudando assim no crescimento do seu povo. Quando Ymir morreu seu poder foi dividido em outros Titãs, que logo foram chamados de Súditos de Ymir:

  • Titã de Ataque;
  • Titã Encouraçado;
  • Titã Mandíbula;
  • Titã Bestial;
  • Titã Fêmea;
  • Titã Colossal;
  • Titã Quadrupede e
  • Titã Martelo de Guerra.

O poder de Ymir, de Titã Primordial, era basicamente o ponto de ligação dos “Caminhos Invisíveis” – uma espécie de laço que uniam as mentes dos detentores dos Titãs. Uma das peculiaridades do Titã Primordial era de poder transformar outras pessoas em Titã, como já dito, mas também em controlar os outros de sua espécie, que com exceção dos Súditos de Ymir, são irracionais, tendo como único propósito alimentar-se de carne humana. Outra habilidade é a de poder apagar as memórias quando em contato com os descendentes de Ymir Fritz.

Após a morte de Ymir, seus Súditos entraram em uma guerra contra o Povo de Marley – os marleyanos – onde graças a ajuda dos Titãs conseguiram tomar posse de suas terras e, logo em seguida, fundar o Império de Eldia. Com o surgimento de Eldia, e graças a força dos Titãs, os eldianos conseguiram conquistar diversos povos de outras nações.

As coisas saem dos eixos quando um conflito interno entre os Súditos de Ymir surgem. Por conta da raiva que os marleyanos tinham dos eldianos eles usaram essa oportunidade para haver sete dos nove Titãs que estavam em posse dos eldianos, organizando, por fim, um golpe de Estado. Nesse período os embates receberam o nome de A Grande Guerra dos Titãs. Esse período turbulento e sangrento perdurou até o momento em que o Rei Karl Fritz, que naquela época possuía o Titã Primordial, se cansou dos conflitos entre marleyanos e eldianos, que por sua vez se retirou para a Ilha de Paradis. Antes disso ocorrer Karl Fritz deixou um aviso de que se fosse perseguido usaria a habilidade do Titã Colossal – que estava com ele quando foi para ilha – e destruiria o mundo. Ao chegar na Ilha de Paradis, Karl Fritz utilizou todos os seus recursos, e habilidades como Titã, para proteger o pouco do povo de Eldia que havia fugido com ele – lembrando que existiam outros eldianos que não tiveram a mesma sorte e que foram subjugados pelos marleyanos – construindo assim as muralhas que cercam a Ilha de Paradis em tempos atuais. Ao fazer isso Karl Fritz utilizou o poder do Titã Primordial e apagou a memoria de todos os eldianos com ele e por fim trocando seu nome de Frizt para Reiss – para evitar que a posse do Titã Primordial e Colossal caísse nas mãos dos marleyanos.

Uma coisa que também é dita nas lendas é que após a morte de Ymir a sua alma foi dividida entre seus Súditos, porém o que poucos sabiam é que suas memórias viveriam nos “Caminhos Invisíveis” graças a habilidade do Titã Primordial. Outro detalhe importante é que todos que herdassem os poderes de algum Titã morreriam após 13 anos, por conta disso surgiu o mito da Maldição de Ymir. Outro aspecto importante que caminha nessa linha tênue de rivalidade entre marleyanos e eldianos é que após a morte de Ymir ela foi cultuada como uma garota que recebeu um dom divino – para os eldianos – fazendo dela algo próxima de uma Deusa. Obviamente os marleyanos não enxergavam dessa maneira, tanto que após vencerem A Grande Guerra dos Titãs espalharam a lenda de que os eldianos eram na verdade Demônios da Terra.



De volta ao capitulo #122

A desconstrução em Ataque dos Titãs #122 foi genial, Hajime Isayama nos transporta para dois mil anos antes da história principal que gira em torno de Eren Yeager. E já de cara podemos ver que as coisas não eram exatamente como as lendas contavam, um elemento chave dessa narrativa desconstruída é o fato de que Ymir Fritz não era uma Deusa, tão pouco um Demônio. Ymir era na verdade uma garota que ao ter sua vila invadida por um governante de uma tribo eldiana, teve a língua cortada e consequentemente foi escravizada.

Em um determinado momento, alguns porcos são soltos sem o consentimento do governante da tribo, como castigo ele exige que o culpado se identifique sob ameaça de que se não o fizer todos os escravos terão um olho arrancado. Sem pensar muito, todos jogam a culpa em Ymir, que por sua vez não faz nada, aceitando a culpa. Como castigo Ymir é liberta, apenas por capricho e divertimento do governador que logo em seguida inicia uma caçada a Ymir apenas por diversão.

Ferida, Ymir busca abrigo em uma arvore, que ela julgou ser oca, mas ao entrar não percebe que ela possui um fundo poço com água. De baixo d’água e a beira da morte uma espécie de alga, ou parasita – não é descrito ao certo o que seria – se liga a sua espinha e consequentemente Ymir torna-se Titã pela primeira vez.

Importante lembrar que o ponto fraco de todo o Titã é localizado na região da espinha, logo a baixo da nuca.

Voltando a Ymir. Com o recém poder descoberto a atitude correta da garota deveria ser por um fim na tirania do governante, que no decorrer do capitulo é dito que ele é um Fritz. Após retornar para a vila e ajudar na construção de pontes, cultivo de terra e auxilio nas batalhas contra os marleyanos, o gorvernante Fritz decide “recompensar” Ymir como alguém que daria filhos a ele. Por anos Ymir, agora com o sobrenome Fritz, ajudou a tribo, mas obviamente ela não era feliz. É mostrado durante o capitulo que Ymir sempre teve a postura de uma garota submissa, até porque era a sua condição sacramental de pessoa escravizada.

No geral Ymir Fritz teve três filhas, que receberam os nomes das muralhas da Ilha de Paradis – Maria, Rose e Shina.

Treze anos após receber seu poder como Titã, Ymir, em uma tentativa frustrada dos inimigos do governante Fritz, é assassinada. Ymir morre, porém vai parar em outro lugar – uma espécie de mundo espiritual – que é daí onde surgiu a “lenda” dos “Caminhos Invisíveis”. Por mais que ela ainda estivesse viva nos caminhos, no mundo real Ymir havia morrido. Antes de seguir é muito importante deixar claro que para um indivíduo conseguir as habilidades dos Titãs é necessário que a pessoa coma a outra, no caso a portadora do Titã, e com o caso de Ymir não foi diferente. Fritz para manter a linhagem e as habilidades dos Titãs esquarteja o corpo de Ymir e dá para suas três filhas comer.

No leito de morte Fritz deixa claro que para manter o poder com o povo eldiano é preciso que a linhagem de Ymir seja passada adiante, e assim surgiram os Súditos de Ymir. Antes de encerrar o capitulo, Eren Yeager – que também está nos “Caminhos Invisíveis” por conta de uma invasão de Marley à Ilha de Paradis que resultou em sua “quase morte” – ao entrar em contato com Ymir, e fatalmente descobrir toda a verdade que foi escondida por dois mil anos fica totalmente descontrolado e pede para que Ymir empreste seu poder a ele para que possa destruir o mundo e por um fim na guerra (?).

Eren explica para Ymir que ela não é uma Deusa, tão pouco um Demônio ou escrava, ela é um ser humano, e que para que a guerra entre eldianos e marleyanos tenha um fim é preciso que ela escolha entre ficar ali ou emprestar o seu poder para Eren, para que assim os conflitos sejam cessados. Durante todo o capitulo não é mostrado a expressão de Ymir, apenas no final, uma mistura de raiva e tristeza.



O capitulo #122 encerra com Eren saindo do seu estado de “quase morte” – já que havia sido acertado por uma marleyana no pescoço e tendo sua cabeça arrancada – e iniciando assim uma transformação em Titã.

Nossa nota

O próximo capítulo sai mês que vem, agora nos resta aguardar o desfecho dessa história que, infelizmente, chegará ao fim em breve. E vocês, o que acharam desse plot twist?

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Nota do público
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