Início Site Página 2

    CRÍTICA – Assassin’s Creed Shadows: As Garras de Awaji é DLC rica, porém, repetitiva

    Ao finalizar a história principal de Assassin’s Creed Shadows, achei que a jornada de Naoe e Yasuke já tinha me mostrado tudo a Ubisoft tinha a me oferecer. As Garras de Awaji foi lançado em 16 de setembro de 2025 e chega exatamente para quebrar essa expectativa e mostrar que ainda havia muito sangue a derramar além do game base. As Garras de Awaji é um enorme acerto, enquanto nos apresenta um mapa inédito, ele não nos apresenta um mapa inédito apenas para inflar o tempo de jogo.

    A Ilha de Awaji é viva, mas acima de tudo, é hostil. A presença de inimigos liderados por Kimura Yukari, muda muito a dinâmica da exploração. De modo que é quase impossível vagar apenas pela ilha sem esbarrar em armadilhas e emboscadas constantes. Na DLC, depois de muitas horas (após fechar o game base), somos forçados a voltar a valorizar a furtividade de verdade, como quando jogamos com Naoe.

    As Garras de Awaji é um respiro narrativo e mostra a que veio logo em seus primeiros minutos. Com uma gameplay 2.5D, somos lançados à uma dinâmica rica que homenageia não apenas os teatros de fantoches japoneses, como o Prince of Persia original, sendo uma carta de amor aos games de plataforma clássicos.

    Para quem consome e analisa títulos da franquia há mais de 10 anos, ouso dizer que aqui, a Ubisoft quebrou a expectativa de maneira fantástica.

    Combate, progressão, e o uso do Bō

    Garras de Awaji

    O personagem de maior destaque na DLC é Naoe. Pois mesmo que diante todos os desafios, fazendo uso do Bō, Naoe ganha vantagem e torna o combate ainda mais fluído. Como uma personagem que era o extremo oposto de Yasuke no game base, cuja dinâmica se debruçava em grande partes em esquiva e ataques rápidos, o Bō dá à personagem um incrível controle. Com um ótimo alcance, o Bō nos permite realizar combos rítmicos, mantendo inimigos sempre à uma distância segura, se tornando esta, a opção mais ágil e “segura” de Naoe. Na expansão, Yasuke recebe também novas finalizações, mas de fato, a estrela da DLC é Naoe.

    A Ubisoft acertou em cheio ao não isolar o conteúdo do game. Sendo possível trazer para a mainquest as novas habilidades, trajes e vantagens passivas de cada árvore de talentos. Ou seja, se mesmo depois que você chegar ao fim você quiser voltar ao Continente para limpar o mapa, seus Yasuke e Naoe terão habilidades o suficiente para te permitir fazer a limpa.

    O Clã Sanzoku e Generais

    Garras de Awaji

    Em Awaji, a exploração ganha uma profunidade maior, sendo ainda mais estratégica. A ilha não é só visualmente bonita, mas ela também reage à presença dos líderes do Clã Sanzoku Ippa. Aqui, a grande antagonista é Kimura Yukari, que faz questão de governar a região com mãos de ferro.

    Lembra a parte do espetáculo dos fantoches japoneses? É a vilã da DLC quem narra esta história.

    O que dita o ritmo do mundo aberto, no entanto, são os três generais que respondem à Yukari. Temos um Samurai, um Shinobi e um Espião.

    Garras de Awaji nos dá uma vasta gama de possibilidades no que se refere à como lidaremos com eles. Podendo se manter como no game original, caçando um a um, ou até mesmo sendo estratégico. Ou seja: se derrotarmos o Espião primeiro, a rede de vigilância da ilha vai diminuir.

    Veredito

    Garras de Awaji

    As Garras de Awaji são um ponto de virada, mas a exploração – à parte das armadilhas – pode representar por vezes, mais do mesmo. Depois de ter ficado imerso por mais de 120 horas no game base, tudo que eu não queria era repetir as dinâmicas de “caçada”.

    Na DLC, o ponto de atenção e onde o game mostra a que veio, são os combates com os generais e a própria Yukari. Esses combates podem ser longos e as muitas fases do combate podem te surpreender de maneira negativa. Estes inimigos são no game esponjas de dano. Ou seja, é preciso concentração, esquiva e muito parry a fim de sobreviver aos combates.

    A DLC também nos apresenta um dos momentos mais íntimos da história de Naoe com um reencontro que faz com que a personagem se reconecte com as suas raízes e entenda de fato seu papel ali. Assassin’s Creed Shadows: As Garras de Awaji é por vezes repetitivo, mas coloca um molho ao nos apresentar dinâmicas às quais precisamos ficar atentos. Avançar indiscriminadamente na expansão pode não ser tão bom quanto era no jogo base. Portanto, preste atenção aos seus caminhos enquanto explora a ilha Awaji.

    Confira o trailer da DLC:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    CRITÍCA: GOAT fala sobre futebol de forma diferente

    A palavra GOAT (Greatest of All Time) tem seu significado muito conectado ao esporte quando um atleta tem um desempenho histórico. Neste filme vemos o termo se  conectar ao gênero de terror em uma proposta um pouco diferente. 

    GOAT (Him) é um filme lançado em 2025, disponível atualmente no serviço de streaming Prime Vídeo e tem como diretor Justin Tipping. O elenco é formado por Tyriq Withers, Marlon Wayans e Julia Fox com seu roteiro feito por Zack Akers e Skip Bronkie.

    A trama de GOAT é sobre Cameron Cade (Withers), um promissor quarterback que, após uma lesão, é convidado por um ídolo lendário (Wayans) para uma semana de treinos. Ao longo dos dias isso se  torna um pesadelo obsessivo na busca de sucesso. 

     GOAT é um filme que considero muito interessante pela sua proposta porque geralmente o tema esporte está mais conectado ao drama como, por exemplo, Duelo de Titãs do que para o terror. Essa história vai abordar de uma forma bem contundente não apenas a relação das pessoas que praticam esse esporte como as que o consomem.

    A direção apesar de exagerar bastante na psicodelia para conduzir a história é satisfatória e por muitas vezes criativa para as cenas de violência. Entretanto, o que realmente faz o longa ser uma boa experiência cinematográfica é a forma como usa o terror para uma crítica social.

    O roteiro chega a ser um tanto expositivo quando se trata sobre o tema do filme. Mas tem diálogos muito interessantes principalmente entre os dois elementos centrais da história. 

    Em termos de atuação quem mais tem destaque é Marlon Wayans que entrega um trabalho que não assusta ao modo clichê do gênero e usa da sua habilidade com o humor para tornar seu personagem o mais cruel a cada momento. Por outro lado Tyriq Whiters não acompanha tão bem o ritmo do seu colega de cena mais experiente, deixando a desejar em algumas cenas. 

    Futebol, Família e Deus

    Ao longo de uma hora e meia da trama existe uma reflexão sobre a relação tóxica com o esporte que consegue acrescentar uma camada assustadora. Isaiah White não encara o futebol como uma competição, mas a afirmação de sua masculinidade e essa obsessão se torna o dilema de Cade em seguir esse mesmo caminho ou não. 

    Essa crença faz o, até então, GOAT no momento só reconhecer outro como igual quando encontra essa mesma obsessão cujo o único objetivo é vencer, tentando aflorar isso no jovem jogador através da violência física e psicológica. 

    Esporte é um sonho do sucesso ou pesadelo?

    Em diversas cenas vemos essa relação entre os personagens com o futebol em uma faceta religiosa, o esporte sendo algo acima de qualquer consciência moral. Essa metáfora leva a uma reflexão para o consumo da nossa versão do futebol, onde vemos os males  sociais refletindo no comportamento de praticantes e torcedores. Mas acima de qualquer violência o esporte é intocável e tudo ser apenas um recurso para a vitória. 

    Ainda existe uma camada racial que vemos através da vivência de Cade ao pensar que sua única chance de dar o melhor para a sua família é ser um jogador famoso. Em contrapartida, vemos em White a representação dessa conquista e nos estereótipos sociais da branquitude como a esposa loira ou atirar em pessoas por diversão. 

     Obviamente a relação entre o futebol e pessoas ricas que lucram através disso também é outro ponto que me agradou muito. A razão disso é porque usa não só a metáfora direta com as máscaras de porcos como também algo sobrenatural resultando em um desfecho interessante. 

    GOAT foi um filme que me surpreendeu  positivamente sendo uma uma história de terror que mostra o lado tóxico do esporte, seus praticantes e entusiastas.

    Assista ao trailer de GOAT:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    CRITÍCA: A segunda temporada de The Pitt mantém sua excelência narrativa

    The Pitt foi uma série muito bem recebida em seu ano de estréia por causa dos personagens carismáticos, temas que atravessam questões individuais quanto críticas sociais e um formato narrativo que não é muito comum no produto de TV/Streaming atual. 

    A segunda temporada chegou em 8 de janeiro com 15 episódios semanais, encerrando-se no dia 16 de abril. O elenco é formado por Noah Wyle, Katherine LaNasa, Fiona Dourif, Isa Briones, Supriya Ganesh, Patrick Ball e tem como novidade a atriz Sepideh Moafi como a doutora Baran Al-Hashimi.

    Nesta segunda temporada veremos os eventos de tudo o que acontece durante um plantão no feriado de independência dez meses após a primeira temporada. Durante os episódios veremos a equipe no limite emocional e de recursos durante várias situações, entre elas um apagão digital. 

    Novos desafios mesmo formato

    Um dos elementos que fez The Pitt ganhar a minha atenção é a forma de contar sua história focando em tudo o que pode acontecer em um dia no hospital. Neste novo ano isso se repete com muito mais intensidade tornando essa temporada não apenas sobre a relação dos médicos e seus pacientes como suas questões individuais.  

    Outro ponto interessante que se repete e continua sendo formidável é como a série vai abordar temas diferentes em seus episódios. Neste plantão é sobre imigrantes, sua relação com o sistema social ruim e a violação de direitos como em um episódio envolvendo agentes do ICE.

    Acredito que mesmo não se aprofundando tanto em sua crítica é muito importante que uma série  sobre o mundo real também fale de questões reais. Também vemos o cerne da narrativa ser um tema sensível destacando capítulos falando sobre racismo e violência de gênero, vivências que são debates sociais de muito importantes atualmente. 

    Além disso, a série também vai abordar muito saúde mental seja nos profissionais das diferentes áreas do hospital como também de alguns pacientes. Em The Pitt vemos o esgotamento emocional das pessoas que trabalham na área da saúde diante de suas adversidades. 

    A exemplo do ano anterior também tivemos um grande desastre ocorrendo sendo o desta temporada um ataque cibernético impedindo o hospital de acessar sua tecnologia. Esse recurso narrativo retornar é interessante porque já estamos vendo o ambiente caótico e isso aumenta a tensão, no entanto para o futuro pode acabar se tornando algo previsível. 

    The Pitt e um alerta sobre saúde mental masculina

    O elenco de Pitt a nível de atuação é excelente, com ótimas construções de personagens, mas gostaria de destacar como aprofundaram o doutor Robbie interpretado por Noah Wyle.

    Na primeira temporada temos esse personagem não lidando com seu transtorno pós traumático.. Nestes novos episódios a consequência dessa ausência de cuidado resultando em um homem que não apenas deixou de expressar sentimentos como adoece mentalmente.

    Isso cria um contraste em comparação com o Abbot, alguém muito mais conectado às suas emoções vendo seu amigo de longa data seguir no caminho que outrora esteve. 

    Neste ponto vemos a série deixar uma mensagem enfática que a subjetividade masculina nesta era moderna precisa estar conectada ao que sente e  sua vulnerabilidade. Principalmente quando é necessário ter consciência de pedir ajuda quando as coisas não estão bem.

    O encerramento desta leva de episódios é um pouco diferente do ano anterior com a equipe vendo os fogos de artifício após tantos desafios. Trazendo uma reflexão sobre os dias que vencemos e como lidar quando nem tudo sai como o planejado. 

    A segunda temporada de The Pitt mantém a excelência narrativa que a fez se tornar tão querida. Conseguindo manter alta a expectativas para o que podemos ver no que seguirá com esses personagens e o hospital. 

    Confira o trailer de The Pitt:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    CRÍTICA: “Darwin’s Paradox” o jogo do polvo diverte, encanta e desafia

    Desde o anúncio de Darwin’s Paradox, durante a primeira State of Play de 2025, fui automaticamente atraído pelo carismático Darwin, o polvo azul que dá nome ao título. Ao longo de pouco mais de 8 horas de gameplay, me senti desafiado, motivado e, acima de tudo, entusiasmado com tudo o que via em tela.

    Deixo claro que este texto terá spoilers do enredo do game, mas não que isso vá mudar sua experiência como um todo. O que cativa aqui não é apenas a história, como também as dinâmicas de gameplay e seus puzzles.

    Darwin’s Paradox foi publicado pela Konami e desenvolvido pelo ZDT Studio. Este é o primeiro game desenvolvido pelo estúdio francês, que tem em sua equipe nomes como Cédric Lagarrigue, fundador e ex-presidente da Focus Home Interactive, e Romuald Capron, ex-diretor da Arkane.

    Agradeço à Konami pelo envio da chave para produção de conteúdo.

    História e Gameplay

    Darwin's Paradox

    A história de Darwin’s Paradox é bem singular. Um jovem polvo precisa aprender a usar suas habilidades para navegar por um complexo industrial da UFOOD. O game se debruça quase sempre sobre as habilidades de stealth de Darwin, e alguns dos puzzles do game fazem um incrível uso delas. Seja na habilidade de se camuflar ou de lançar uma nuvem de tinta preta embaixo d’água, mas também na habilidade de aderir a qualquer superfície, até mesmo ao teto.

    Preciso confessar que polvos sempre me cativaram por serem seres únicos, inteligentes e curiosos.

    Seguindo em frente, ouso dizer que as horas que passei encarando a tela me divertiram, me cativaram e me fizeram entender que jogos não precisam ser como a indústria tentou fazer ser uma “norma”: games megalomaníacos de mais de 100 horas.

    Darwin's Paradox

    Em Darwin’s Paradox, a história se fecha sobre si mesma, mas deixa espaço para uma continuação.

    Mas, voltando à história, para ser mais exato, ao começo dela. Logo após o tutorial, Darwin e seu amigo são abduzidos e levados para o complexo industrial que citei anteriormente. Daqui em diante, a história degringola de maneira absurda, e a trama acaba se transformando em uma invasão alienígena que precisa ser encerrada pelo pequeno polvo azul.

    Dinâmicas e Progresso

    A dinâmica de Darwin’s Paradox é facilmente compreensível. A fim de escapar das garras dos alienígenas e resgatar nosso amigo, precisamos avançar a todo custo. Desarmando armadilhas, sistemas de segurança complexos e até mesmo um intrincado sistema de minas marítimas, o pequeno Darwin dependerá de nossa destreza e inteligência para ultrapassar os desafios impostos pelos alienígenas.

    Nosso progresso aqui se dá por meio de atos e, a cada um deles, nos aproximamos do objetivo: resgatar nosso melhor amigo e, por consequência, acabar com um plano de dominação mundial.

    Lembra das habilidades que eu citei anteriormente? A habilidade de se camuflar de Darwin é perfeita para infiltração. Para avançar, é necessário paciência, pois os inimigos/alienígenas têm rotinas/rotas pelos níveis. Ou seja, se camuflar em meio às fases nos permite avançar sem problemas. E é aqui que ele brilha.

    Jogar ou não jogar?

    Darwin’s Paradox, no dia em que este texto está sendo postado, custa em todas as lojas o mesmo preço: R$ 142,50. O game foi lançado para Xbox Series X, Nintendo Switch 2, PlayStation 5 e PC (via Steam e Epic Games Store). Como o jogo de lançamento do estúdio, ele se faz muito feliz no que propõe, divertindo, desafiando, mas, acima de tudo, colocando nas nossas mãos o poder de impedir uma invasão alienígena.

    Como um charmoso game de plataforma 2.5D, Darwin’s Paradox é a pedida perfeita para quem só quer relaxar e se sentir um pouco desafiado.

    Confira o trailer do game:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    CRÍTICA – ‘Dosa Divas: One Last Meal’ é um RPG por turnos cheio de carisma e que vale ser jogado

    Eu amo RPGs por turnos e, se você também, esse ano já recebemos títulos incríveis como Monster Hunter Stories 3, do qual amei a demo, mas ainda não comprei. Porém, há pouco tempo, joguei e me apaixonei por People of Note, e hoje eu quero te contar da minha mais recente paixão: Dosa Divas: One Last Meal.

    Dosa Divas é um RPG de turnos com temática de comida; é super carismático, encantador e cheio de personalidade. Conta com um estilo artístico lindíssimo e músicas igualmente lindíssimas. Será lançado oficialmente no dia 14 de abril de 2026 e você o encontra no Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PC, PlayStation 5 e Xbox Series X/S.

    O jogo foi desenvolvido pela Outerloop Games, mesmo estúdio de Thirsty Suitors, e publicado pela Outersloth. Agradecemos pelo envio da chave de forma antecipada para o Switch 2.

    História

    Dosa Divas

    Acompanhamos a história de duas irmãs chamadas Amani e Samara. Ambas viajam juntas em uma mecha espiritual chamada Goddess, mas, ao longo da história, vamos conhecer outras personagens, como a Lina, que é mais uma integrante da família.

    A família tinha um restaurante bem querido por eles. Amani era a perfeccionista e muito presente na preparação das comidas, porém ela foi embora por 10 anos e muita coisa mudou desde a sua volta. As irmãs ainda não conseguiram conversar e resolver isso de fato no começo do jogo, então vamos acompanhar essa trama familiar ao longo da aventura, e é impossível não se apegar a elas.

    Amo quando as histórias dos jogos trazem sentimentos tão reais como mágoa, amor, saudade, dor e muitos outros presentes em nossos lares.

    Lina atualmente estampa o marketing de um fast food muito famoso e que é claramente corrupto. Vamos enfrentar todo tipo de capanga desse fast food para podermos continuar cozinhando de verdade, já que eles querem confiscar materiais de culinária e prender todos que continuam cozinhando.

    Recomendo que vocês joguem, pois a partir daqui é spoiler e vale conhecer cada personagem carismático desse jogo.

    Jogabilidade e Combate

    Dosa Divas

    Passaremos por diversos vilarejos durante o jogo, onde conheceremos personagens diferentes e outras culturas dentro do jogo. Nossa mecha-espírito anciã, que é nosso veículo de locomoção, também luta e pode ser totalmente personalizada.

    Com ela, podemos dar saltos duplos, escavar, lutar e coletar recursos; os locais podem conter caminhos ocultos, novas amizades ou até mesmo certas lembranças.

    Cozinhar é uma parte crucial do game, não é apenas uma temática. Precisamos reunir ingredientes para cozinhar pratos que podem servir para fortalecer nosso time, mas que também podem fazer parte da história em determinados momentos.

    Podemos utilizar petiscos para curas rápidas após os combates. Os ingredientes de cada comida fazem a diferença, pois eles adicionam efeitos novos, como de cura, dano, defesa ou para recarregar o poder espiritual das personagens.

    E, falando um pouco do seu combate, esse é o meu favorito desse ano até o momento. Os inimigos possuem forças e fraquezas. Embaixo dos personagens aparecem seus ícones de fraquezas, algo como Persona ou Octopath Traveler, mas o diferencial é que aqui esses status são baseados em comidas.

    Para prepararmos a comida, faremos alguns minijogos; as comidas podem ter status melhores se nós tivermos resultados bons ao acertarmos mais as pontuações pedidas por cada minijogo.

    E a comida preparada é exibida no final de cada cozimento e, dependendo da parte da história, nós a veremos exibida na narrativa, o que é bem legal e dá um quentinho no coração com certas interações entre personagens.

    Cada personagem possui poderes que podem estar ligados a cinco tipos de sabor: picante, doce, salgado, azedo e saboroso. Então, recomendo muito que utilize o tipo de ataque que possua o sabor que é a fraqueza do inimigo que você está enfrentando.

    O combate é bem dinâmico também, nada de apenas “bate e espera”: você pode apertar o botão de defesa para tentar bloquear completamente ou parcialmente um golpe; já no ataque, você pode adicionar um ataque a mais se acertar no tempo correto.

    É possível ativar um boost para você adicionar um ataque a mais ao final do seu primeiro ataque. Teremos um poder espiritual que causa bastante dano e, conforme upamos, podemos selecionar um status para aumentar, que pode ser Dano, Defesa ou HP.

    O game possui Hard Mode para os mais exigentes e que gostam de um bom desafio.

    Visuais e Músicas

    Dosa Divas

    Temos músicas maravilhosas no jogo; são 37 faixas listadas em sua trilha sonora oficial. Confesso que ainda não ouvi todas disponíveis dentro do jogo, mas, até onde cheguei, todas me impressionaram bastante.

    Recebi o jogo há menos de uma semana e, infelizmente, não consegui finalizá-lo ainda, porém joguei o suficiente para conhecer muito do que ele tem a oferecer e me encantar jogando.

    Visualmente, o jogo é lindo. Eu amo jogos com estilos artísticos diferentes, não sou a pessoa que gosta apenas do tal foco da indústria do ultrarrealismo. Eu entendo que é legal, tem muitos jogos que trazem isso, mas é tão bom ver outros estilos artísticos belíssimos, sabe?

    Bom, em Dosa Divas, o estilo de arte mistura cartoon, anime estilizado e cores extremamente vibrantes; me lembra desenhos como o do Steven Universo e outros próximos dessa ideia.

    Procurando sobre, vi que esse visual todo colorido e vibrante é inspirado na estética e culinária do sul da Ásia, segundo as páginas oficiais do jogo.

    Preço e Localização

    Ele está custando R$ 73 lá na eShop, tanto para Switch quanto para Switch 2, porém, na data em que escrevo isso, as demais plataformas não divulgaram o preço do jogo; deve ser próximo ou igual a esse valor. Sinceramente, não é um valor alto, ainda mais para um jogo bom como esse, mas, se estiver em dúvida sobre a compra, adicione na sua wishlist para ser avisado quando alguma promoção acontecer e, se puder, teste a demonstração gratuita disponível na Steam.

    Meu único ponto negativo sobre ele é que não temos legendas em PT-BR e seria muito bom ter. Temos vários diálogos no game, com personalidades para cada personagem, e seria muito legal poder jogar no nosso idioma, mas ele está apenas com legendas em inglês. Também temos dublagem em inglês em alguns momentos, geralmente em diálogos mais importantes durante o jogo.

    Eu já vi indies receberem localizações muito tempo após o lançamento. Torço para que Dosa Divas vá bem de popularidade e isso se torne realidade; não tem nada confirmado ou mencionado sobre isso, mas é meu novo sonho de agora. Um outro indie, que não é RPG, mas é um indie narrativo que fez toda a diferença ter localização, foi o 1000xRESIST, que recebeu legendas em PT-BR ano passado e foi o primeiro jogo que zerei esse ano.

    Vale a Pena?

    Dosa Divas: One Last Meal é um jogo incrível, a meu ver, e vale muito a pena. É muito bom vermos RPGs por turnos chegando e ainda entregando tanta coisa boa em 2026.

    É um jogo esteticamente lindo, mas que vai além do raso: tem uma história boa, personagens carismáticos, minigames legais, visuais marcantes, combate bem construído e divertido.

    Como fã de RPG por turnos, eu estou muito feliz de ver esse e outros jogos novos chegando para o gênero com tanta criatividade. O preço dele não está alto, mas em algum momento pode entrar em promoção, quem sabe?

    Se você não tiver uma barreira linguística com o inglês, não deixe passar Dosa Divas. Teste a demo do game lá na Steam e/ou vá direto para a aquisição na sua plataforma favorita, que ele vai ser uma excelente companhia durante muitos dias.

    Confira o trailer do game:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    OPINIÃO: Na era do feminicídio, “Silent Hill 2 Remake” optou por repetir seus erros e sua história

    Mergulhei tardiamente na franquia Silent Hill, talvez por não entender as dinâmicas do game quando ele foi lançado lá em 1999, época em que eu tinha apenas 6 anos. O lançamento do remake de Silent Hill 1 foi anunciado em junho de 2025, logo após a excelente recepção que o remake do segundo game da franquia teve em 2024.

    No Silent Hill 2 original e no remake, James Sunderland navega pela misteriosa e enevoada cidade de Silent Hill após receber uma carta de sua esposa, Mary. James chega à cidade acreditando que sua esposa morreu há 3 anos. Desde os primeiros momentos, fica claro que existe algo de muito errado ali. Enquanto ele caminha pelas ruas da cidade que parece vazia, estranhas criaturas começam a aparecer.

    Diferente do que foi feito em Yakuza Kiwami, um remake direto do game de PlayStation 2 que adicionou quase meia hora de cutscenes cinemáticas inéditas. Mas aqui, a Bloober Team optou por manter a dinâmica de Silent Hill 2 Remake quase intacta, revitalizando apenas os gráficos para as novas gerações e inserindo dois novos finais.

    Feminicídio e a mente quebrada de James

    Silent Hill 2 Remake

    Em dados consolidados pela ONU em 2024, 50 mil mulheres foram mortas em casos de feminicídio. De acordo com a organização, isso representa 60% de todos os homicídios intencionais de mulheres e meninas, o que equivale a cerca de 137 mortes por dia ao longo do ano de lançamento do game. Ao mesmo tempo em que relativiza os atos de James, a Bloober Team opta por colocá-lo no papel de vítima em um primeiro momento, para só depois revelar o que ele realmente é: o indivíduo que colhe o que plantou.

    Como Silent Hill reflete o subconsciente de James, o game tenta eximir a culpa do personagem durante toda a jornada, apenas para explicar o seu destino através da lore daquele universo. Após os acontecimentos de Silent Hill 1, em que um deus demoníaco é invocado às custas de algumas vidas, a cidade, que já possuía um véu fino entre os mundos, é corrompida completamente.

    Passando a refletir quase que inteiramente a mente dos indivíduos que habitam ou simplesmente passeiam pelo local, James começa a ver nas criaturas um reflexo do que ele viu e sentiu no mundo real, fora de Silent Hill. Como esse aspecto nasceu do trauma de James ao ver a saúde de sua esposa definhar aos poucos em uma cama de hospital, os monstros representam não apenas a forma como ele via Mary, mas como ele desumanizava toda aquela vivência.

    Silent Hill 2 Remake

    Isso partia da tendência do próprio personagem de invisibilizar quase completamente a humanidade das pessoas de seu convívio, importando-se apenas consigo mesmo. As lying figures (criaturas rastejantes) representam Mary; já as enfermeiras são a objetificação das profissionais do hospital, bem como a repressão de sua própria sexualidade na época em que a esposa estava doente.

    Outro ponto curioso e bem doentio são os manequins, que representam a objetificação feminina no mais alto grau, mas não param por aí: eles são os instintos carnais em seu estado mais cru possível. Como são compostos apenas por pernas e genitálias, eles parecem refletir puramente o desejo egoísta, algo reprimido em James que não requer um rosto ou uma identidade para ser validado. Isso sem falar nas outras muitas criaturas que acompanhamos ao longo da história.

    Outras presenças em Silent Hill, reflexo de James

    Assim que chega na cidade, James conhece Laura, uma jovem órfã que também está procurando por Mary. Porém, do ponto de vista da garota, Silent Hill é apenas uma cidade deserta, sem qualquer tipo de neblina ou sangue nas paredes. Como se trata de uma criança inocente e sem traumas mal resolvidos, a cidade não consegue extrair nada de negativo dela.

    A situação é bem diferente com os outros personagens (reais ou não), como Eddie, Angela e Maria. Como são adultos que sofreram no mundo real e também foram atraídos para a cidade, a história de fundo de cada um aprofunda a relação de James com a cidade, mas também a dinâmica desses personagens com o próprio protagonista.

    Maria é a torturadora e a personificação dos desejos carnais que James precisou reprimir ao longo dos anos em que Mary esteve doente. Ela é fisicamente idêntica à esposa, porém mais sedutora, provocante e totalmente dependente da proteção dele. No fim, ela se prova como o Id de James: seus desejos reprimidos, sua carência e a necessidade egoísta de ter uma versão de Mary que não estivesse doente.

    A versão “distorcida” de Mary também tem papéis importantes na progressão da história. Ao mesmo tempo em que funciona como um instrumento de tortura e uma armadilha emocional, Silent Hill a usa para punir James frequentemente. Assim como no mito de Sísifo, que é condenado a empurrar uma pedra montanha acima eternamente só para vê-la rolar de volta, a cidade entrega Maria a James apenas para continuar tirando-a dele de forma violenta e repetida, forçando o personagem a reviver a perda.

    Deixando de ser apenas um pano de fundo, a cidade ganha forma verdadeiramente a partir de seus NPCs. Silent Hill 2 Remake poderia muito bem nos apresentar um cenário de horror genérico, mas, graças à presença deles, o local deixa de ser apenas um ambiente perigoso para se tornar o juiz, o espelho e até mesmo o carrasco de cada um.

    Diferentes finais

    Por meio dos 8 finais diferentes, Silent Hill 2 Remake tenta explicitar que suas escolhas têm consequências. Mas isso não se limita às ações in-game: o que aconteceu antes de começarmos a controlar James pode mudar, consciente ou inconscientemente, qual desfecho teremos.

    Seja com o final bom ou ruim, algo aqui fica claro: pode ser necessário escolher entre abraçar uma ilusão, sucumbir à culpa do crime que cometeu ou simplesmente aceitar a consequência de seus atos e realizar o último pedido de Mary, que é que James viva sua própria vida. O “final feliz” do protagonista é este último.

    A verdade é que James não merecia ter um “final feliz”. Depois de tudo o que passou e viveu, ainda que possua sentimentos completamente humanos, suas atitudes ao longo de toda a história abrem brecha para que passemos a relativizar elementos como o feminicídio, a objetificação do corpo feminino e muito mais. O final Leave apresenta uma paz de espírito que o personagem não merecia. Até mesmo em finais “ruins” como Stillness, Bliss, Maria e In Water, o problema de James não é resolvido, pois ele continua tendo matado sua esposa quando ela mais precisava dele.

    Gameplay e ambientação

    A gameplay de Silent Hill 2 se assemelha ao original, com gráficos revitalizados. Sendo dinâmica, nosso progresso se baseia em obter itens a fim de sobreviver, derrotar inimigos e fazer muito backtracking antes de avançar. Ao passo em que a jornada de James vai se aprofundando, puzzles surgem e vão ficando cada vez mais difíceis de solucionar.

    A ambientação de Silent Hill 2 Remake é o que se espera da franquia. Opressor, agoniante e imersivo, jogar no Playstation 5 oferece uma imersão singular, graças ao que o DualSense propõe. Seja pelo feedback háptico ou pelo microfone do controle, o game aqui ganha uma nova profundidade, algo mais pessoal e até invasivo. Como se a realidade da tela fugisse para a nossa.

    Abandono e unilateralidade

    Silent Hill 2 Remake

    O que se acredita ter acontecido com Mary pode ocorrer com qualquer um: ser acometido por uma doença séria e terminal. A presença de quem está na sua vida pode ser o fator determinante para uma possível cura ou não. Deixando de lado qualquer eufemismo, doenças terminais podem não ter cura, mas estar ao lado da pessoa que você ama em todos os passos daquela jornada mostra quem você realmente é.

    Em relações heteroafetivas, é comum que, quando doentes, os homens sejam cuidados por suas respectivas esposas e companheiras; já quando o inverso acontece, em sua grande maioria, estas são abandonadas.

    Silent Hill 2 Remake mostra que essa última opção pode ser ainda pior. E, no caso de James, de fato foi: ele assassinou quem mais precisava dele. Tendo sido omissa em tentar atualizar a história para os dias atuais, a Bloober Team falhou em montar uma narrativa que se destacasse e diferisse da versão original do game, optando apenas por se “manter fiel” à obra.

    Conclusão

    Silent Hill 2 Remake

    Sendo infeliz ao manter escolhas narrativas já obsoletas (ainda que tematicamente atuais), o game opta por oferecer a um homem que mata sua própria esposa uma possível redenção. Talvez esse hot take seja menos humanista do que o desejado ou do que fosse ideal, mas relativizar a morte de uma mulher em sofrimento em virtude do bem-estar de um homem não deveria ser minimamente tolerável.

    Apesar de a história me causar asco do início ao fim, mergulhei em Silent Hill 2 Remake com um estranhamento peculiar. E, enquanto o novelo narrativo se desenrolava, eu conseguia entender mais claramente o que me causava esse distanciamento: atacar e agredir em grande parte corpos femininos indiscriminadamente.

    Isso me fez entender mais da história antes mesmo da grande revelação chegar.

    Com o brilhante Silent Hill f, a Konami acertou em cheio. Apresentando uma história tradicionalmente japonesa e traduzindo-a para a realidade do jogo, o título trouxe ligeiras mudanças na lore que são extremamente positivas, mas que foram deixadas de lado quase que inteiramente pela Konami no remake lançado apenas um ano antes.

    Seja por relativizar o que foi construído até aqui ou por considerar o game original um marco para a indústria, a verdade é que Silent Hill deveria e merecia ser muito mais do que nos foi entregue no remake do segundo jogo da franquia.

    Confira o trailer do game:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.