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CRÍTICA – A Liga Extraordinária: 1898 (2019, Devir)

CRÍTICA – A Liga Extraordinária: 1898 (2019, Devir)

Em A Liga Extraordinária 1898 acompanhamos a formação do icônico grupo composto por personagens já bem conhecidos por leitores do mundo todo. A obra, escrita por Alan Moore e ilustrada por Kevin O’Neill, traz a missão da Inteligência Inglesa responsável pela criação de uma nova Liga de pessoas fora do comum.

Na edição publicada pela Editora Devir, além dos dois primeiros volumes de histórias da Liga Extraordinária, há também uma série de materiais e contos inéditos ao longo da publicação. É um material de encher os olhos, feito com cuidado e que possui uma qualidade impecável!

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Personagens

Os personagens são o ponto mais interessante da publicação. Magistralmente adaptados por Alan Moore, cada membro do grupo proporciona ao leitor um misto de nostalgia e animação, tornando o aproveitamento da leitura ainda maior. A cada novo personagem que vemos inseridos na narrativa, temos a sensação de que a trama se torna cada vez mais interessante!

São membros da Liga Extraordinária:

  • Srta. Wilhelmina “Mina” Murray – criada por Bram Stoker em Drácula (1897)
  • Sr. Allan Quatermain – criado por Henry Rider Haggard em As Minas do Rei Salomão (1885)
  • Capitão Nemo – criado por Jules Verne em As 20.000 Léguas Submarinas (1870)
  • Dr. Henry Jekyll e Sr. Edward Hyde – criados por Robert Louis Stevenson em O Médico e o Monstro (1886)
  • Sr. Hawley Griffin – criado por Herbert George Wells em O Homem Invisível (1897)

E temos também os personagens secundários:

  • Sr. Sherlock Holmes: criado por Sir Arthur Conan Doyle em Um Estudo em Vermelho (1887);
  • Monsieur C. Auguste Dupin: criado por Edgar Allan Poe em Os Assassinatos da Rua Morgue (1841);
  • Sr. Mycroft Holmes: criado por Sir Arthur Conan Doyle em Memórias de Sherlock Holmes (1893, 1894);
  • Dr. Alphonse Moreau: criado por Herbert George Wells em A Ilha do Doutor Moreau (1896);
  • Ten. Gullivar Jones: criado por Edwin Lester Arnold em As Férias do Tenente Gullivar Jones (1905);
  • Cap. John Carter: criado por Edgar Rice Burroughs em Sob as Luas de Marte, na revista All Story (1912);
  • O Viajante do Tempo: criado por Herbert George Wells em A Máquina do Tempo (1895);
  • Sr. Randolph Carter: criado por H.P. Lovecraft em O depoimento de Randolph Carter, na revista The Vagrant (1920);
  • Orlando – criado(a) por Virginia Woolf em Orlando: Uma Biografia (1928).

ANÁLISE DE A LIGA EXTRAORDINÁRIA

Em A Liga Extraordinária 1898 testemunhamos a criação do novo grupo de pessoas “incomuns” recrutados pela coroa inglesa para defender Londres de possíveis ameaças. Digo primeiro grupo porque, ao longo das maravilhosas páginas, percebemos que outras iniciativas similares aconteceram em outras eras, tornando a prática de grupos secretos algo recorrente na estratégia do governo.

No primeiro volume constatamos que o elo de ligação de grupo é a Srta. Murray, membro responsável por levar as ordens de Bond aos outros indivíduos. É perceptível como Murray é uma peça-chave na narrativa de Alan Moore, sendo uma mulher forte, decidida e com grandes convicções, causando desconforto nos homens – e bestas – que passam a integrar o grupo gradativamente.

A intenção do roteiro, representada maravilhosamente por Kevin O’Neill, é além de apresentar uma ideia interessante de narrativa fantástica, testar o leitor a cada novo passo dado por um grupo claramente liderado por uma mulher – extremamente mais inteligente do que alguns deles. As sátiras ao governo inglês e à população também são um prato cheio entre uma aventura e outra.

A forma como Moore consegue desenvolver os diálogos e a narrativa do quadrinho é brilhante. Apesar de algumas escolhas que, na hora, parecem contestáveis, o roteiro é esplêndido e envolvente, mesmo em seus momentos mais absurdos. De marcianos a barcos voadores, da sátira à crítica, A Liga Extraordinária 1898 é uma obra completa.

As ilustrações chamam a atenção por seus traços precisos, trabalhando a todo momento com elementos ao redor dos personagens – e também ao fundo. É possível que o leitor gaste um grande tempo analisando e apreciando quadro a quadro, pois há informações espalhadas por todos os espaços, sem ser simplista. Essa construção é extremamente importante para o roteiro, pois auxilia o desenvolvimento da trama por meio de elementos narrativos em segundo plano. As cores são muito bem utilizadas, principalmente os tons de azul e vermelho que acompanham as cenas de fúria de Edward Hyde.

O passado e a fama de cada personagem da Liga Extraordinária, já amplamente conhecidos pelo público, facilita no bom andamento da história. Sem a necessidade de entrar tanto nos pormenores de cada personalidade – por já serem exploradas em outras obras de seus respectivos criadores – é mais fácil entender a forma com que cada um escolhe agir em determinada situação.

Todavia, Alan Moore encontra caminhos interessantes de aprofundar a história dos personagens, mostrando seus receios e inseguranças, pois não são mais jovens e passaram por diversas experiências ao longo do tempo.

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VEREDITO

A Liga Extraordinária 1898 é tudo o que se busca em uma produção literária de qualidade. Um trabalho bem conduzido, com apreço pelos diálogos, com ótimas aventuras e personagens carismáticos – mesmo sendo, muitas vezes, desprezíveis. O fato de cada membro do grupo possuir traços de personalidade facilmente relacionáveis a pessoas comuns – mesmo sendo criaturas incomuns – torna a leitura ainda mais fácil e prazerosa.

O trabalho de Moore e O’Neill na condução dessa obra serve – ou deveria servir – de inspiração para outros criativos que buscam aprender sobre desenvolvimento de histórias. Com um mundo extremamente diverso e rico, A Liga Extraordinária 1898 (e seus outros lançamentos), possuem um poder único de narrativa, mantendo o leitor entretido e satisfeito ao longo de suas páginas. É uma grande obra que merece a fama positiva que possui.

Nossa nota

CRÍTICA – A Liga Extraordinária: 1898 (2019, Devir)

Editora: Devir

Autor: Alan Moore

Arte: Kevin O’Neill

Páginas: 528

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