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CRÍTICA – Titãs (1ª temporada, 2019, Netflix)

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CRÍTICA - Titãs (1ª temporada, 2019, Netflix)

Os Jovens Titãs foi uma animação norte-americana que teve 5 temporadas e 65 episódios, foi transmitida aqui pelo Cartoon Network Brasil de 2003 a 2008 e também pelo SBT. Em seguida a DC Comics lançou uma série de histórias em quadrinhos inspiradas pelo desenho, publicadas no Brasil pela Panini Comics. Em 2013, o desenho ganhou um reboot chamado Os Jovens Titãs em Ação (Teen Titans Go!). No ano passado o longa metragem Os Jovens Titãs em Ação! Nos Cinemas levou esses heróis para as telonas. Agora é a vez de eles darem as caras em live-action.

Titãs é o primeiro produto original do DC Universe – serviço de streaming que ainda não está disponível no Brasil. Distribuído aqui pela Netflix, o programa acompanha a equipe homônima dos quadrinhos formada pelo Robin (Brenton Thwaites), Ravena (Teagan Crofit), Estelar (Anna Diop) e Mutano (Ryan Potter). A série é de autoria de Greg Berlanti, produtor de Arrow, The Flash, Supergirl e Legends of Tomorrow, e também conta com Akiva Goldsman (Star Trek: Discovery) e Geoff Johns na equipe de roteiristas.

Na trama, Dick Grayson (Robin) está trabalhando na polícia de Detroit, até que o caso da Rachel Roth (Ravena) – uma jovem com poderes sobre os quais não tem controle – cai em suas mãos. Eles se juntam à alienígena Kory Anders (Estelar) e ao amável Garfield Logan (Mutano) e acabam no meio de uma conspiração que envolve seres de outra dimensão.

Da esquerda para a direita: Mutano (Ryan Potte), Ravena (Teagan Crofit), Robin (Brenton Thwaites) e Estelar (Anna Diop).

Fica claro logo nos primeiros episódios que o foco dessa temporada está em Robin e a Ravena. Os motivos que levaram à ruptura da parceria de Dick com Bruce, assim como seu descontrole quando está combatendo o crime, e tudo que envolve o mistério em torno da Rachel irá impulsionar toda a narrativa da série.

O roteiro faz um ótimo trabalho, principalmente ao criar a relação entre esses dois personagens; sendo muito interessante acompanhar seus desenvolvimento.

Titãs acerta em cheio nas motivações de Robin, onde toda a subtrama envolvendo a morte da sua família e seus conflitos com Batman, seu antigo mentor, faz com que nós telespectadores, fiquemos instigados, para saber mais sobre os problemas entre eles e que acabou resultando em uma forte crise de identidade no Garoto Prodígio; influenciando assim, também na maneira como ele se relaciona com demais personagens.

Precisamos lembrar que antes mesmo de estrear, Titãs foi alvo de muitas críticas. Quando foram divulgadas as primeiras fotos de bastidores, os fãs ficaram enlouquecidos pelo fato dos personagens não estarem tão fieis ao material base, que são as HQs. E quando a DC soltou o primeiro trailer da série, os comentários ficaram ainda mais pesados principalmente por causa da escolha do elenco que apontaram supostas mudanças étnicas de personagens. Com isso, muita gente se dedicou a fazer discurso de ódio por conta da escolha de uma atriz negra para viver a Estelar – mesmo ela sendo uma alienígena laranja originalmente (saiba mais). Felizmente, a série provou que não é a escolha de um atriz não-branca que vai destoar do que a heroína é nos quadrinhos. Anna Diop se encaixou perfeitamente no papel de sua personagem, dando vida a uma heroína com um visual muito incrível, com personalidade e muito carisma.

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Mutano foi outro personagem duramente criticado. Alguns fãs queriam vê-lo na cor original, assim como na animação, mas isso não aconteceu (ainda) – o que é bom, pois cria uma sensação de evolução do garoto até ele virar mesmo um ser completamente verde.

Um dos principais problemas de Titãs é o CGI (imagens geradas por computador), muito provavelmente pelo curto orçamento, e um dos mais afetados por isso é o próprio Mutano. Nas cenas em que ele se transforma em um tigre os efeitos são bem problemáticos. No entanto, Ryan Potter injeta no jovem herói um carisma tão grande que nos faz esquecer momentaneamente os problemas da pós-produção.

Titãs acerta também em estabelecer a relação entre os heróis. A química entre os quatro é muito boa, e vai sendo construída gradativamente, não tentando forçar uma amizade; e quando finalmente eles estão todos juntos acreditamos que ali não é apenas um grupo de pessoas com habilidades e que querem salvar o mundo, existe também instinto de proteção entre eles.

Ponto alto é a maneira como o roteiro não evita fazer de Titãs uma série de super-heróis, e que não tem vergonha disso, o que coloca a série em um patamar acima das produções da CW como Arrow e The Flash que inicialmente sentiam a necessidade de fazer algo distante do que está nas páginas dos gibis.

O programa tem sim um ar mais “sombrio e realista”, uma semelhança gritante ao estilo estabelecido por Zack Snyder no cinema, mas isso não impede Titãs de ao mesmo tempo ser colorida e divertida, muito pelo contrário. Isso aliado às cenas de ação, que são bastante violentas – às vezes até demais –, cria uma experiência que os fãs muito provavelmente vão gostar.

Personagens secundários também ganham importância na trama de Titãs, como Rapina (Alan Ritchson) e Columba (Minka Kelly), que apesar de terem trajes bem questionáveis, é muito bom vê-los em ação. Além deles a Moça-Maravilha (Conor Leslie) também aparece. Teria sido legal se tivessem mostrado mais dela, mas infelizmente não aconteceu, com certeza ela terá mais espaço na próxima temporada.

Jason Todd (Curran Walters) faz uma participação e junto com o Dick  Grayson rendem cenas engraçadas e bem escritas.

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Essa primeira empreitada da DC no streaming pode começar a ditar uma nova formula a ser adotada pelo estúdio e também é um excelente começo para quem não tinha tanta familiaridade com os Titãs. Mesmo com um desfecho anti-climático que serve basicamente para ser um cliffhanger desnecessário para nos deixar ansiosos para a próxima temporada, vale muito a pena conferir os onze episódios. E aguarde o final dos créditos, pois tem uma cena adicional.

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Confira o trailer legendado:

Titãs está disponível na Netflix, corre lá para assistir e depois comenta aqui embaixo o que você achou.

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