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CRÍTICA | We Are Who We Are: Episódio 3 – Right Here, Right Now III

O terceiro episódio de We Are Who We Are intitulado Right Here, Right Now III foi ao ar na última segunda-feira (28/09). Desta vez, o criador Luca Guadagnino explora a relação entre Fraser (Jack Dylan Grazer) e Caitlin (Jordan Kristine Seamón).

SINOPSE

Fraser e Caitlin estão cada vez mais próximos e, após Sam (Ben Taylor) terminar com Caitlin, a dinâmica do grupo de amigos da base quebra. Enquanto isso, Sarah (Chloë Sevigny) e Maggie (Alice Braga) fazem novas amizades.

ANÁLISE 

CRÍTICA | We Are Who We Are: Episódio 3 - Right Here, Right Now IIIO novo episódio de We Are Who We Are desenvolveu as relações entre os personagens com momentos tocantes e tensos. No começo de Right Here, Right Now III vemos que houve um pulo temporal, pois Fraser e Caitlin já estão bem próximos com uma amizade que parece se fortalecer a cada dia mais. 

A relação dos dois adolescentes é explorada ao longo do episódio tanto nas visões de ambos, como nas observações das pessoas ao redor. Em um primeiro momento, quando Fraser e Caitlin estão no barco é mostrado suas diferenças, ela mais desorganizada e ele mais metódico. Porém, tais dessemelhanças contribuem para o principal foco dessa amizade.

Tanto Fraser, quanto Caitlin estão buscando novas experiências e descobrindo como se encaixar no mundo. Deste modo, Caitlin encontra em Fraser uma chance de ser ela mesma, já Fraser vê em Caitlin alguém com quem pode dividir suas características e pensamentos. É uma sincera relação de troca que ambos constroem dentro de um ambiente incomum.

Sendo assim, suas famílias e amigos acham que eles estão namorando, o que leva Sam a terminar com Caitlin rompendo de vez o grupo. Contudo, para Caitlin não existe uma necessidade de explicar a relação com Fraser, ela praticamente não se importa com a opinião alheia. Enquanto a série trabalha a relação dos dois adolescentes, também temos muitos outros encontros acontecendo em cena. 

Deste modo, durante um festival na cidade Jenny (Faith Alabi) e Maggie conversam enquanto caminham pelas ruas francesas. Como foi visto nos primeiros dois episódios, Jenny tem um certo receio quanto a sexualidade Maggie, algo que foi imposto pelos comentários homofóbicos de Richard (Scott Mescudi). No entanto, a relação delas é estreitada neste episódio com uma grande tensão sexual aparentemente.

Maggie conta para Jenny que quando conheceu Sarah, ela já estava grávida de Fraser, no que Jenny pergunta se ela nunca quis ter filhos só seus e recebe: “Você nunca quis ter algo que não seja do Richard?“. É um momento de bastante vulnerabilidade entre essas mulheres que são praticamente silenciadas em suas famílias. 

Visto que, apesar de Maggie ter criado Fraser junto com Sarah, a comandante faz questão de expor que o jovem é filho apenas dela. Já Jenny diz não saber mais até mesmo quem ela é e deixa no ar que Denny (Spence Moore II) pode não ser filho de Richard (Kid Cudi). Mais encontros acontecem e temos algumas cenas bastante fortes com Denny.

Primeiro vemos que o garoto sente um grande ciúmes da irmã com pai, logo, talvez Richard saiba que Denny não é seu filho.

No festival, Denny confronta mais uma vez Caitlin e a ameaça por ter separado o grupo de amigos.

O arco do jovem termina com ele comentando tendências suicidas a Craig (Corey Knight) e mostrando o quanto está quebrado por dentro. 

Ao explorar a dinâmica das famílias de Fraser e Caitlin, We Are Who We Are constrói perspectivas paralelas. Se por um lado, a família de Fraser é fora do convencional, por outro ela se assemelha em muito a família de Caitlin pela negação do outro indivíduo.

Cada um à sua maneira é invisibilizado dentro de sua estrutura familiar deixando uma sensação de solidão.

We Are Who We Are e a complexidade de Sarah

Uma discussão à parte neste episódio é a comandante Sarah. Ao longo do episódio temos vários momentos em que a comandante se mostra uma pessoa bastante abstrata.

Na melhor cena do episódio, quando Caitlin vai jantar com a família de Fraser, Sarah faz questão de debochar do filho em tom de brincadeira enquanto serve mais bebida alcoólica ao menino. É praticamente, como se Sarah quisesse silenciar e acalmar o filho com a bebida.  

Fraser não gosta nada do jeito da mãe e mais tarde, a agride de novo dizendo que a odeia. Já Sarah diz que Fraser tem ciúmes por Caitlin gostar dela, sendo mais um entre os momentos tensos da série.

Dessa forma, Sarah se põe praticamente como igual ao filho deixando ele a atracar com agressividade como se fosse algo natural. Por outro lado, a personagem parece estar sempre em competitividade, principalmente com Fraser

Na cena do jantar, vemos que Caitlin tem uma admiração por Sarah já que a comandante é um mulher sexualmente assumida. Deste modo, Caitlin reforça suas características tomboy buscando de espelhar em Sarah e deixando até Fraser a chamar de Harper.

No entanto, para Sarah é como se ela disputasse com o filho pela atenção de Caitlin e vemos a cena se repetir no festival, quando Sarah dança com Jonathan (Tom Mercier), um soldado no qual Fraser estava interessado. Sarah quer delimitar o filho esperando que ele sempre precise dos seus cuidados de mãe.  

VEREDITO

CRÍTICA | We Are Who We Are: Episódio 3 - Right Here, Right Now IIIUma coisa é certa, o terceiro episódio de We Are Who We Are foi o melhor até o momento. A direção de Luca Guadagnino precisa novamente ser referenciada, utilizando uma câmera lenta, o diretor cria cenas bastante sensoriais.

Consequente, o cineasta consegue mesclar entre momentos de tensão sexual, delicados e até desagradáveis sem perder o tom.

Com atuações impecáveis e uma direção honrosa, Right Here, Right Now III se consagrada como o melhor episódio da temporada. O roteiro opta por deixar as cenas mostrarem o essencial com aqueles toques sutis de quem quer dizer mais do que realmente diz.

Nossa nota

5,0 / 5,0

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