Início FILMES Crítica #52filmsbywomen 18 – Eu Não Sou Um Homem Fácil (2018, Éléonore Pourriat)

#52filmsbywomen 18 – Eu Não Sou Um Homem Fácil (2018, Éléonore Pourriat)

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Eu Não Sou Um Homem Fácil foi um lançamento Netflix no mês de maio, e já integra nosso projeto #52filmsbywomen. Éléonore Pourriat é a diretora, e no elenco temos Pierre Benezit, Moon Dailly, Vincent Elbaz e Marie-Shopie Ferdane. Na história, um chauvinista inveterado acorda em um mundo invertido, dominado por mulheres, e experimenta diversas situações desagradáveis em sua condição.

Pourriat é uma diretora e roteirista francesa, responsável pelo curta Maioria Oprimida, que se tornou viral na internet ao propor de forma cômica e sarcástica um universo onde os homens sofrem abusos e assédios pelas mulheres dominantes na sociedade. Eu Não Sou Um Homem Fácil expande a ideia do curta, mostrando uma sociedade onde os papéis são invertidos. Os universos masculino e feminino são trabalhados de formas peculiares, mulheres sem muita preocupação com aparência, ocupando posições de poder, e homens como seus secretários, atendentes e cuidadores domésticos. A premissa é generalizada para efeitos de comédia e para reforçar o argumento.

A perspectiva é do personagem Damien (Elbaz). Essa informação é importante para compreender a maneira como essa sociedade é organizada. Não vemos uma possibilidade de sociedade matriarcal, e sim uma sociedade onde as mulheres ocupam o universo dominante, outrora masculino, e tudo que ele inclui. Éléonore Pourriat não propõe alternativas ao modelo vigente, apenas uma inversão direta. O resultado é interessante e até didático ao desenhar como ridículas algumas opressões sofridas diariamente pelas mulheres, seja em relação a seus comportamentos, aspectos físicos ou capacidades. Algumas cenas são muito divertidas como uma montagem que envolve depilação, sobrancelha e tintura capilar. Porém, a inversão pura e simples torna a discussão rasa. As personagens não apresentam muitas características admiráveis, dificultando qualquer empatia com suas jornadas. O filme apresenta um desfecho sombrio, que parece não oferecer alternativas viáveis: Qualquer que seja o grupo dominante, a opressão ocorrerá da mesma forma e nos mesmos termos.

Eu Não Sou Um Homem Fácil é um filme leve, bom de assistir, mas com um final poderoso e uma mensagem complexa, porém pouco explorada. Pourriat não investiga como seria uma sociedade matriarcal, mas alerta para os absurdos e abusos do patriarcado como posto, e assim conduz uma narrativa relevante e que deve promover muitos debates e discussões.

Confira o trailer:

Já começou a campanha #52FilmsByWomen? Tem ideia de algum filme nos indicar? Deixe-nos seus comentários e lembre-se de compartilhar esse post com seus amigos em suas redes sociais! Até domingo que vem com uma nova seleção 😉

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