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CRÍTICA – Din e o Dragão Genial (2021, Chris Appelhans)

CRÍTICA - Din e o Dragão Genial (2021, Chris Appelhans)

Din e o Dragão Genial (ou Wish Dragon, no original) é uma animação adquirida pela Netflix feita em uma grande parceria entre produtoras da China e dos Estados Unidos. Dirigida por Chris Appelhans, conta ainda com a coprodução de Jackie Chan.

SINOPSE

Din é um garoto obstinado que quer retomar o contato com sua melhor amiga de infância. Quando ele conhece um dragão que realiza sonhos, vê que tudo é possível.

ANÁLISE

A Sony, em parceria com estúdios chineses, lançou seu mais recente longa primeiramente nos cinemas chineses, no dia 15/01/2021. Sua distribuição internacional foi no 11 de junho através da Netflix. A parceria contou com UglyDolls Pictures, Tencent Pictures e Beijing Sparkle Roll Media.

Parcerias da Sony Pictures Animation com o mercado criativo chinês tem se tornado mais frequentes, e as últimas animações produzidas pela gigante do cinema (como A Caminho da Lua de 2020 e a recente A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas, de 2021) tem sido bem avaliadas pela crítica.

Nesse sentido, Din e o Dragão Genial (que é um péssimo título, por sinal) é mais um exemplo do bom trabalho recente da produtora. Com uma proposta bastante leve, a animação conta a história da amizade de Din (dublado por Jimmy Wong) e Li Na (Constance Wu).

A amizade em foco

A construção da amizade dos dois é um dos principais focos do início do filme. Cenas que retratam as particularidades de uma infância simples na periferia de Xangai, com uma bela caracterização da vizinhança, conduzem o início da obra.

A progressão da história dá um salto quando ocorre o afastamento dos amigos em razão de necessidades do trabalho do pai de Li Na. Nesse meio tempo, passam-se 10 anos e vemos um jovem Din fazendo bicos de entregador para conseguir reencontrar sua amiga.

Aqui temos a introdução do dragão, na história. Em sua última entrega do dia, Din recebe um antigo bule, que ele vem a descobrir que é mágico e possui dentro dele um dragão que pode lhe conceder três desejos. Aqui, temos a introdução de LongZhu, um carismático dragão mágico.

O arco de Din e Long é bastante divertido e é fundamental para a condução de toda a trama, mas existem muitas críticas em torno das semelhanças com outra história bastante conhecida.

Breve parênteses – é uma cópia de Alladin da Disney?

É inegável: o bule mágico e o dragão que concede três desejos e, a lâmpada mágica e o gênio são realmente muito semelhantes.

A ideia é praticamente a mesma e não podemos ignorar a similaridade destes pontos na história. Mas daí a dizer que Din e o Dragão Genial (entenderam agora que genial não é pela inteligência, mas sim porque é como um gênio?) é uma cópia de Alladin: calma lá.

A história que inspirou a criação do ladrão mais querido das animações infantis é de origem chinesa (duvida? Confere aqui), e o ponto de convergência das histórias é somente este. Não podemos dizer que um é cópia do outro, já que ambas são baseadas em uma história muito mais antiga, sem falar que é muito injusto com uma animação tão bem feita, relegá-la a este rótulo.

Fecha parênteses, dá o veredito

Apesar de não ter grandes surpresas na história, a animação é de excelente qualidade e muito bonita, não perdendo em nada para as demais atuais. Existe, infelizmente, uma ocidentalização bastante significativa, a qual imaginei que não fosse existir, devido à criação em conjunto com estúdios orientais.

Assim como no live-action de Mulan, onde o divertido Mushu foi substituído devido ao desrespeito com a figura sagrada do dragão, ao menos eu esperava que esta representação fosse também levada mais a sério.

Ainda que haja este aspecto um pouco contraditório, a animação só ganha com a construção de Long como um dragão divertido, ranzinza e extremamente cansado do seu dever de servir à humanos.

As cenas de ação são muito bem produzidas, com dinamismo e diversão (um toque do mestre Jackie Chan, talvez?). Apesar da previsibilidade da história, em momento algum o longa se torna enfadonho.

Antes de encerrar, não posso deixar de mencionar o que mais me agradou e chamou a atenção no filme, apesar de um possível spoiler (de certa forma, esperado).

O trecho pode conter um spoiler, então, caso queira ler mesmo assim, clique aqui.

A história nunca deixa de ser sobre a amizade, e felizmente ao final, não existe a transformação deste relacionamento. Ao contrário de muitos filmes onde amigos se descobrem amantes e encerram como um casal, Din e o Dragão Genial ganha muito ao mostrar que amizades podem se manter amizades, e amigos não precisam se tornar um casal.

 

Considerando o dito até aqui, posso recomendar tranquilamente Din e o Dragão Genial (podemos chamar só de Wish Dragon e esquecer esse título ruim?) como um excelente entretenimento. Superou as minhas expectativas e entregou uma ótima animação, com uma bela mensagem ao final.

Nossa nota

4,0 / 5,0

Confira o trailer de Din e o Dragão Genial:

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Vindo do interior do interior do RS, fã de Cornwell, Zelda e do Fernandão, (péssimo) piadista, dá pitaco sobre quase tudo. Amante da cerveja, gosta de estudar diferentes culturas, leciona FIFA nas horas vagas e tem um cachorro chamado Salomão.