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CRÍTICA – Irmãos de Sangue: Muhammad Ali e Malcolm X (2021, Marcus Clarke)

Irmãos de Sangue

O documentário Irmãos de Sangue: Muhammad Ali e Malcolm X é uma produção da Netflix baseada no livro homogêneo escrito por Randy Roberts e Johnny Smith, que também estão na produção do filme.

Dirigido por Marcus Clarke, o documentário aborda a controvérsia amizade das duas entidades do movimento negro nos anos 60, o longa conta com entrevista de familiares e amigos de  Muhammad Ali e Malcolm X.

SINOPSE

Irmãos de Sangue: Muhammad Ali e Malcolm X  é um documentário sobre a amizade improvável e relação entre o boxeador Muhammad Ali e o ativista americano Malcom X.

ANÁLISE

Irmãos de Sangue

Quando o assunto é Muhammad Ali e Malcolm X muito se fala das diferenças entre ambos e como seria difícil surgir uma amizade dessa relação. Ainda assim, Muhammad Ali e Malcolm X eram homens negros em uma época extremamente difícil na América (por sinal ainda é uma época difícil) que encontraram um no outro a afirmação e a irmandade da comunidade negra.

Nesse sentido, o documentário de Marcus Clarke prova que  tanto crenças religiosas, como divergências políticas não estão acima da cor da pele.  Muhammad Ali e Malcolm X podiam ser de mundos completamente diferentes, o primeiro um boxeador de fala provocativa, o segundo um revolucionário cheio de afirmações. Porém, eram homens negros na América e isso significa serem irmãos de sangue.

Logo, Irmãos de Sangue: Muhammad Ali e Malcolm X leva o espectador em uma viagem nos poucos anos em que a dupla esteve próxima. O documentário constrói a narrativa apresentando desde as primeiras aproximações do boxeador e do revolucionário, abordando com intimidade o trágico momento de separação e chegando com respeito ao fim da vida de ambos. Para isso, são ouvidos historiadores, os próprios autores do livro que deram origem ao documentário, mas principalmente familiares e amigos de Muhammad Ali e Malcolm X.

E de fato, é essa singularidade que torna Irmãos de Sangue: Muhammad Ali e Malcolm X tão intimista e intenso. Não apenas é visto os momentos bons e ruins da amizade de Muhammad Ali e Malcolm X, como é relato pensamentos compartilhados de ambos sobre a separação da dupla.

O irmão mais novo de Muhammad Ali, Rahman Ali, e as filhas do boxeador lembram com veemência os arrependimentos do campeão dos pesos pesados após o rompimento de amizade com Malcolm X. Assim como, a filha de Malcolm, Ilyasah Shabazz, recita passagens da biografia do pai na qual ele dizia-se admirado com o jovem Muhammad Ali.

A amizade de Muhammad Ali e Malcolm X ameaçava politicamente e religiosamente e aos poucos foi minada. Quando Elijah Muhammad e Malcolm X cortaram relações,  Muhammad Ali precisou escolher entre seu líder religioso e seu fiel amigo. No final da vida, Ali afirmou que amava Malcolm X, enquanto a ativista no tempo que esteve presente sempre lembrou que Ali era seu amigo quando perguntado pela imprensa.

Sendo assim, o diretor Marcus Clarke é certeiro ao confrontar esses dois gigantes após suas mortes e mostrar que ambos sempre guardaram uma forte amizade. A escolha por arquivos em vídeo e fotos da dupla revela os olhares de cumplicidade, assim como, as pequenas cenas de animação e a edição mais criativa denotam que Clarke esteve muito à vontade dirigindo esse documentário.

Até mesmo as inserções sobre a história do movimento Nação do Islã estão ali de maneira a completar a história e possibilitar mais contexto. Por fim, assistir Irmãos de Sangue: Muhammad Ali e Malcolm X  para entender o que verdadeiramente foi a amizade de Muhammad Ali e Malcolm X é uma experiência intensa, informativa e admirável.

VEREDITO

Irmãos de Sangue

Irmãos de Sangue: Muhammad Ali e Malcolm X é um documentário que cria aprendizado e conhecimento da vida e em especial da amizade de dois ícones do movimento negro nos Estados Unidos e também do mundo. De forma atenta e rápida, o documentário encanta e traz reflexões sobre quem foram   Muhammad Ali e Malcolm X enquanto amigos e irmãos.

Nossa nota

3,5 / 5,0

Confira o trailer do documentário:

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Jornalista em formação e apaixonada pela sétima arte. Representatividade e movimentos sociais através do cinema é fundamental. Apreciadora de livros, animes e joguinhos de ps4 nas horas vagas. The final girl.