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CRÍTICA – O Farol (2019, Robert Eggers)

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CRÍTICA - O Farol (2019, Robert Eggers)

Assim como A Bruxa, o primeiro filme do diretor Robert Eggers, O Farol têm seu próprio tempo para desenvolver a história, seus arcos e seus personagens, e prova que muitas das vezes, o perigo pode tanto vir dos outros, como até mesmo das profundezas de sua própria mente. Tendo sido adiado algumas vezes, Eggers parece ter sido pontual no lançamento do filme, colocando-o na janela das premiações.

Da esquerda para a direita: Robert Pattinson, Robert Eggers e Willem Dafoe.

Se distanciando dos filmes que estão em quase todas as salas de cinema do Brasil e do mundo, O Farol se prova único no que se refere a forma como foi rodado, sendo inteiramente na proporção 1.33:11, ou seja, 4:3 – isso mesmo, como as películas em preto e branco –, assim como os filmes antigos do expressionismo alemão. Igualmente como em um dos filmes mais proeminentes do movimento do cinema alemão, Nosferatu de F.W. Murnau, Robert Eggers desenvolve um desespero e angústia nos espectadores, enquanto ambienta nossos personagens. De forma primorosa, Eggers em alguns momentos parece nos colocar dentro da própria obra com a trilha sonora crescente, despertando algo quase que primitivo dentro de quem assiste seu mais recente longa.



Caso você tenha ficado com o pé atrás de assistir O Farol após algumas polêmicas, tal como Robert Pattinson se masturbar no set de filmagem, isso faz muito sentido quando contemplamos toda a obra de Eggers e toda a tensão imposta sobre o personagem recém-chegado naquela ilha, vá em paz e aprecie.

O Farol

Com algumas das atuações mais brilhantes da década O Farol, deixa Robert Pattinson brilhar em sua atuação visceral e obscura, enquanto vemos a razão de Willem Dafoe ser uma das entidades mais adoradas do cinema nos últimos anos, entregando uma atuação única, diante de uma dinâmica e uma premissa simples, a convivência entre duas pessoas diante do isolamento. Se distanciando da inocência e pureza de quando viveu Vincent Van Gogh em O Portal da Eternidade, e o rendeu uma indicação ao Oscar de 2019, a importância de Dafoe no filme, é tão bem delineada quanto confusa.

Eggers tem a capacidade de entregar tantos takes e sensações diferentes se utilizando apenas de quatro ou cinco locações diferentes em um filme de 1 hora e 50 minutos, afinal, o filme é ambientado em um farol em alto-mar, longe do continente.

O Farol

Com ambientações e arcos bem amarrados, o filme se prova uma obra de arte. Acertando em pontos como sua trilha sonora – que nos joga em uma ilha enlameada, ou por vezes no ar, voando junto de gaivotas -, as histórias de “velhos lobos do mar” que nosso pseudo pescador/faroleiro conta ao “belo jovem, com traços de uma pintura”, atuações irretocáveis, e uma direção ainda mais excelente. Com takes que nos lembram tanto tragédias gregas, quanto nos remetem a pinturas do movimento realista, como “Hypnoses” do pintor Sascha Schneider – para ver o quadro, clique aqui -, e clássicos do cinema, vemos o trio Pattinson, Dafoe e Eggers se divertir nos sets de filmagem, entregando tanta liberdade, quanto brilhantismo por parte dos três.

Robert Eggers assim como em A Bruxa, acerta em cheio ao nos entregar a dose certa de suspense, sobrenatural, horror e atuações brilhantes. O Farol joga sua luz por sobre Robert Pattinson e Willem Dafoe e mostra que ambos são duas das coisas mais maravilhosas no cinema atual, se provando versáteis, comprometidos e vão muito além do espectro comum de atuações vistas nos atuais blockbusters.

Nossa nota

Assista ao trailer oficial:

O Farol estreia no Brasil no dia 2 de Janeiro de 2020. E conta com atuações brilhantes de Robert Pattinson e Willem Dafoe. O longa já foi exibido em diversos festivais de cinema, inclusive no recente Festival Internacional de Cinema de São Paulo. Se você já assistiu, deixe seus comentários e sua avaliação.

Nota do publico
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