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CRÍTICA – Moons of Madness (2020, Funcom)

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CRÍTICA - Moons of Madness (2020, Funcom)

Quando o medo vem de uma ameaça desconhecida, algumas das sensações mais primais despertam, nos colocando em modo de alerta e nos deixando prontos para lutar ou correr. Ao sermos colocados ante um ser desconhecido que tem como armas o que mal podemos imaginar e os com os limites da crueldade que vão além do que a mente humana é capaz de apenas mensurar, é onde a verdadeira tortura psicológica acontece.

Moons of Madness, é um game desenvolvido pela equipe norueguesa da Rock Pocket Games e publicado pela Funcom foi lançado para PlayStation 4 e Xbox One em 24 de Março de 2020, mas ganhou um lançamento prévio para PC via Steam em Outubro de 2019. Por não se tratar de um game AAA, ele pode ter passado despercebido até mesmo pelos mais antenados nos games mais atuais.

O horror psicológico, é um dos temas que mais têm sido abordados nas mais diversas mídias da cultura pop nos dias de hoje. Estando presentes em games como Call of Cthulhu, ou no cinema com a mais recente adaptação do conto “Color Out of Space” com A Cor que Caiu do Céu, o horror psicológico têm sido um dos gêneros mais difundidos e mais bem transportados para outra mídia, que não a sua original.

O ISOLAMENTO TE ENLOUQUECERÁ

Moons of Madness

No ano de 2065, a humanidade parece ter dado um passo maior na exploração espacial. A equipe Orochi parte até Marte após receber um sinal vindo do que parece ser vida inteligente no planeta vermelho.

A equipe composta por engenheiros, botânicos, soldados e médicos, enviada a princípio para descobrir mais da mensagem, parece ter planos que vão além do mostrado a princípio.

O game em primeira pessoa, te coloca no controle de Shane Newehart, engenheiro responsável por todo o funcionamento da base de pesquisa Invictus. Como resultado da longa estadia, Newehart tem tido pesadelos, e alucinações, e alguns problemas na Invictus vai tornar seus próximos dias ainda mais difíceis.



AS ROTINAS MARCIANAS

Moons of Madness

Como o engenheiro responsável pela manutenção da base Invictus, assim como de toda a operação em Marte, Newehart desperta após um terremoto mais forte do que o comum. O terremoto parece ter causado alguns estragos por toda a base, e nós precisamos reparar e assim, aprender um pouco mais sobre o dia a dia da base, bem como das mecânicas do game.

Diferente de games que tentam se afastar do realismo, mas que contam com mecânica e uma história de exploração espacial, assim como Outer Wilds, Moons of Madness brilha ao mostrar o cuidado que teve com elementos que normalmente passariam despercebidos, como uma simples válvula de um cilindro de reposição de oxigênio, ou uma textura de uma pedra em um canto de uma sala pelo qual você nunca precisará obrigatoriamente passar.

Durante uma conversa pelo rádio, Shane Newehart descobre que ele não é o único na base que vêm tendo pesadelos, ou agindo de uma forma incomum. 

Ao colocar como o mote do game a exploração e resolução de puzzles, a equipe da criativa do game tirou da jogabilidade botão de ações como saltar, bater, e focou em elementos que trariam ao jogador a sensação de uma exploração espacial real.

Dando a impressão de um game lento para os mais ansiosos, Moons of Madness se prova eficaz ao apresentar aos jogadores o seu próprio tempo, e nos fazer sentir tranquilos, ainda que no meio de uma fuga desesperada por uma sala sem qualquer sinal de luz, ou em meio ao enorme deserto vermelho que os rodeia.



INFLUÊNCIA DE H.P. LOVECRAFT

Moons of Madness

A influência de H.P. Lovecraft em Moons of Madness se faz presente desde o momento em que mergulhamos no game, por meio de um sonho.

Através de estranhos entalhes nas paredes do idioma dos Grandes Antigos, e referências aos Cthulhu Mythos se faz ao nos apresentar seres tentaculares, e um estranho lodo que num momento de sonho toma toda Invictus. Seria esse um futuro iminente, ou apenas uma possibilidade?

O universo onírico se faz tão presente no game, quanto nos contos de Howard Phillips Lovecraft, nos fazendo por vezes perder a sensação de tempo/espaço, nos levando a Terra com a mesma facilidade que nos faz abrir uma escotilha pressurizada no planeta vermelho.

As duas luas de Marte, Fobos e Deimos, respectivamente o medo e o pânico, se mostram tão eficazes quanto os nomes que lhes foram dados por Asaph Hall em 1877.

As luas se mostram como personagens efetivos em relação a narrativa. Suas escolhas te levarão mais longe do que a sua imaginação pode ir, e não ligue sempre a sua lanterna. O escuro pode ser mais seguro.

Nossa nota

Confira o trailer de lançamento do game:

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Moons of Madness está disponível para PlayStation 4, PC e Xbox One.

Nota do público
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