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    TBT #22 | Túmulo dos Vagalumes (1988, Isao Takahata)

    “Túmulo dos Vagalumes é belo, inocente e desolador na mesma medida.”

    Guerra é uma temática que sempre rendeu ótimos longas-metragens. Clássicos da sétima arte como Apocalypse Now (1979), A Lista de Schindler (1993), O Resgate do Soldado Ryan (1998), Dunkirk (2017) e outros, abordaram conflitos históricos de maneiras diferentes e através de perspectivas díspares. Por conta disso, nós, espectadores, temos hoje uma vasta lista de obras do gênero para prestigiar.

    No entanto, raramente encontramos animações que abordem esse tema, pelo menos não de uma maneira tão desoladora – alguns dos poucos títulos que me veem à mente são Quando o Vento Sopra (1986), Gen, Pés Descalços (1983) e, é claro, a nossa indicação do TBT do Feededigno dessa semana, O Túmulo dos Vagalumes, a segunda animação do Studio Ghibli, lançada em 1988.

    O longa foi muito elogiado por críticos e a sua popularidade perdura até hoje como um dos filmes de guerra mais comoventes de todos os tempos.

    Ambientada em 1945 no Japão, a história acompanha o jovem Seita e a pequena Setsuko, dois irmãos tendo que sobreviver aos horrores da Segunda Guerra Mundial. Com a cidade onde vivem sendo destruída por bombardeios incendiários, eles precisam lidar – sozinhos, pois o pai está no conflito e a mãe morreu por causa dos ataques –, com a destruição e a fome, já que recursos básicos como água e comida estão escassos.

    O QUE ORIGINOU O ANIME

    A animação foi inspirada no livro semi-autobiográfico do falecido autor Akiyuki Nosaka. Nascido em 1930, em Kamakura, cidade próxima a Tóquio, Nosaka perdeu grande parte da família no último ano da Segunda Guerra Mundial em ataques de bombardeios aéreos. Tal experiência originou em 1967 o livro Hotaru no Haka, traduzido como Túmulo dos Vagalumes, que conta a história de duas crianças órfãs durante o conflito.

    Com direção do também já falecido Isao Takahata, responsável por fundar o Studio Ghibli ao lado de Hayao Miyazaki e outros parceiros, o anime teve a participação do Miyazaki na direção e com alguns elementos de enredo, mas ele pediu para não ser incluso nos créditos.

    Takahata era conhecido como um dos maiores gênios da animação japonesa e foi responsável por títulos como Horus: O Tempo do Sol (1968) e O Conto da Princesa Kaguya (2014), sendo Túmulo dos Vagalumes a sua obra de maior destaque, e não é difícil entender o porquê.

    UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA

    “21 de Setembro de 1945. Essa foi a noite em que morri (Seita).

    O roteiro de Túmulo dos Vagalumes nos apresenta uma tragédia anunciada, e por isso inevitável, logo na cena de abertura do filme [selecione o texto caso queira ler o spoiler]: Seita agoniza até a morte em uma estação rodoviária enquanto é observado pelo seu próprio espírito, após morrer, ele reencontra a irmã, Setsuko, na ultravida e finalmente podem ficar juntos novamente.

    A partir daí passamos a acompanhar a jornada dos irmãos através de flashbacks  já sabendo qual será o desfecho, o que torna a experiência ainda mais angustiante. Há quem compare a narrativa de Túmulo dos Vagalumes com as narrativas das grandes tragédias gregas, pelo fato de apresentar logo no começo qual será o fatídico final de seus protagonistas. Sim, é uma escolha arriscada, porém quando bem trabalhada o resultado pode ser excelente.

    Tudo isso aliado à construção dos personagens, a profundidade da relação entre os irmãos, que é construída de maneira linda e convincente, torna o filme belo, inocente e desolador na mesma medida.

    Além disso, a música e os momentos de silêncio ajudam a criar uma atmosfera melancólica presente em boa parte da projeção.

    A MAGIA DO STUDIO GHIBLI

    O Studio Ghibli é um dos estúdios de animação mais importantes do mundo. Com certeza você já assistiu ou ouviu falar de clássicos como Meu Amigo Totoro (1988), A Viagem de Chihiro (2001), O Castelo Animado (2004), As Histórias de Marnie (2014) e outros, que são obras imprescindíveis para quem é fã de animações.

    Histórias cativantes e sensíveis, delicadeza, personagens carismáticos e enredos repletos de fantasia são algumas das principais características presentes em seus filmes e contribuem para a magia dessas produções. Túmulo dos Vagalumes não é diferente. Tirando apenas o teor mais fantasioso, os fãs conseguem encontrar muitos elementos já estabelecidos pelo estúdio. Porém, a película conta também com um forte teor gráfico.

    Outro ponto alto é a qualidade artística da animação, a estética é linda assim como as expressões dos personagens são muito bem feitas.

    PERSONAGENS

    Mesmo se tratando de um filme de guerra, o foco do roteiro não está no conflito em si, mas sim em seus protagonistas e na sobrevivência dos mesmos. Em muitos momentos, onde a projeção nos permite respirar um pouco com a leveza e a afabilidade presentes em outros trabalhos do estúdio, a ameaça dos ataques é esquecida e enxergamos o conflito como uma motivação inicial da narrativa; é o suficiente para termos um pouco de esperança, mesmo que ela seja destruída na cena seguinte.

    Falando um pouco dos personagens, a pequena Setsuko é a personificação da inocência de uma criança, e ver essa inocência sendo destruída ao longo do filme é um soco no estômago. O Seita representa o adolescente que é obrigado a assumir grandes responsabilidades mesmo sendo muito novo e o seu senso de proteção ajuda a trama avançar. Mesmo ele tomando algumas atitudes questionáveis para um contexto de guerra, conseguimos nos colocar imediatamente no lugar dele, até porque ele também é uma criança tendo que sobreviver e cuidar de sua pequena irmã.

    METÁFORAS

    Túmulo dos Vagalumes tem muitos simbolismos impressos nas entrelinhas. Um dos principais deles está presente em uma fala da Setsuko quando ela descobre que os vagalumes tem um curto período de vida:

    “Por que os vagalumes morrem tão cedo?.”

    Existem várias metáforas às quais os insetos luminosos estão relacionados. Com essa frase, por exemplo, podemos fazer uma analogia aos seres humanos e como a nossa estadia no mundo é efêmera ou como os momentos de felicidades podem durar tão pouco, assim como a vida desses insetos. Mas essa é apenas uma das interpretações possíveis, deixa nos comentários qual foi a sua.

    Mesmo com uma narrativa sem grandes reviravoltas, o anime nos prende do inicio ao fim, por mais que saibamos como o final da jornada será devastador. Sim, é triste e desumano, porém necessário para refletirmos.

    Em 2005 o longa ganhou uma versão em live-action que segue quase arrisca o argumento da versão original, mas com algumas diferenças.

     

    Confira abaixo o trailer do anime legendado em inglês:


    E aí, o que achou da indicação dessa semana? Se você ainda não viu Túmulo dos Vagalumes eu recomendo que veja, porém vá sabendo que não vai ser uma experiência fácil, mas posso garantir que valerá muito a pena! Já assistiu? então deixe seus comentários e sua avaliação e lembre-se também de conferir nossas indicações anteriores 😉

    The Witcher: Armaduras Nilfgaardianas não são o que esperávamos

    O mundo de The Witcher da Netflix é dividido em vários reinos diferentes, muitos dos quais serão familiares aos fãs da série de videogames. Os mais importantes são os Reinos do Norte, Redania e o sempre crescente Império Nilfgaardiano, cujo exército é conhecido por sua armadura negra enfeitada com o sol dourado. Os fãs provavelmente esperam ver na série algo próximo do apresentado em The Witcher 3: Wild Hunt, no qual os nilfgaardianos vestiam armaduras negras brilhantes que pareciam confiáveis ​​em batalha.

    A próxima adaptação da Netflix parece ter seguido uma direção diferente. Fotos e vídeos (muitos dos quais já foram removidos) vazaram online, as imagens mostrando extras do set de The Witcher usando o que parece ser uma armadura de couro enrugada e armados com lâminas serrilhadas. Os fãs parecem que não ficaram impressionados, e não demorou muito para vários memes começarem a circular, zombando do design da armadura da série.

    A diretora Lauren S. Hissrich prometeu que a série em si permanecerá fiel aos romances de Andrzej Sapkowski. No entanto, a aparência da armadura nilfgaardiana não reflete essa afirmação. Claro, é possível que esses vazamentos não representem com precisão o produto final da série The Witcher.

    The Witcher será estrelada por Henry Cavill como Geralt de Rivia, Anya Chalotra como Yennefer de Vengerberg, Freya Allan como Ciri e Joey Batey como Jaskier.

    A Netflix prometeu que a série estará disponível ainda este ano.

    CRÍTICA – Rocketman (2019, Dexter Fletcher)

    My gift is my song and this one’s for you (Your Song). Rocketman, a cinebiografia do músico Elton John é um presente ao público e, também, para o cantor. Embalado ao som de grandes sucessos do músico, o longa dirigido por Dexter Fletcher estabelece um encontro íntimo e fantástico entre espectador e artista – que apesar de todos adornos espalhafatosos, mostra-se extremamente humano.

    I have seen the spectre he has been here too” (Border Song). Rocketman se passa durante o confronto interno de Elton John na clínica de reabilitação, quando finalmente enfrenta todos os fantasmas do seu passado através de flashbacks. Taron Egerton deu vida – e voz – ao compositor e músico de maneira magistral: aqui, não se vê uma interpretação caricata da grande personalidade, mas sim uma atuação desinibida e cativante.

    Piano man he makes his stand in the auditorium” (Tiny Dancer). O longa triunfa ao apresentar o talento do pianista prodígio Reginald Dwight (nome original de Elton John) como algo natural, “que apenas acontece”. No filme, vemos a trajetória entre o cantor e o letrista Bernie Taupin (Jamie Bell) que, além de melhor amigo, era também grande parceiro de trabalho, sendo de Bernie a autoria de vários sucessos interpretados por Elton.

    It’s lonely out in space on such a timeless flight (Rocketman). A impressão inteira do filme é que tudo é natural – tanto as atuações quanto os cenários e vestimentas extravagantes. Durante o filme, Elton John vai se despindo de sua armadura de “demônio laranja fabuloso”. A história do longa não celebra o ícone, mas sim a pessoa, o ser humano que aprendeu a aceitar e perdoar a si mesmo e aos outros.

    A direção de arte e o figuro têm aqui a criatura perfeita a ser retratada: mesmo que Elton John seja excêntrico e cheio de excessos, o filme nunca se perde dentro da sua extravagância de musical. Os cenários, as roupas, a maquiagem e as artes, aliadas a um trabalho de fotografia primoroso, dão um ar fantástico e metafórico às canções do artista. Nada ali acontece por acaso e todas as cenas têm um significado profundo, mas funcional – que permite ao espectador captar a essência da emoção.

    Talvez um dos poucos momentos que saiu do ritmo que o filme vinha desenvolvendo foi o efeito especial desnecessário e redundante do Rocketman voando e explodindo no céu. A animação prática ficou visualmente feia e não combinou com o restante das artes e apresentações do filme. Apesar disso, a antítese existente no “astronauta” que se encontra sozinho no “fundo do poço” dos céus é maravilhosa – principalmente no ápice do filme, com a tentativa de suicídio do cantor.

    Definitivamente, é revigorante ver que não houve censura nas cenas de excessos com sexo, álcool e drogas. Podemos agradecer a Elton John que, ainda vivo, não permitiu que maquiassem a sua história, apesar do impacto visual que poderia causar. Ter a estrela retratada auxiliando na produção do longa e participando dos sets de gravação auxiliou muito na qualidade do produto final.

    O próprio Taron Egerton, em entrevista, revelou o nervosismo em representar o músico na frente dele mesmo. Apesar de tudo, a atuação do ator saiu completamente sincera e formidável. Mesmo que Egerton não tenha uma voz tão excepcional, o ator mostrou desenvoltura e talento ao interpretar as faixas do cantor. A dobradinha entre o ator e o diretor Dexter Fletcher já havia se repetido no bem avaliado longa Voando Alto (Eddie the Eagle), de 2016.

    É inevitável não fazer comparações entre Rocketman e Bohemian Rhapsody (2018), de Bryan Singer, que rendeu à Rami Malek o Oscar de Melhor Ator do ano passado. Enquanto a cinebiografia da icônica banda Queen ficou apenas na superfície daquilo que foi a sua história, Rocketman mergulha, ou melhor dizendo, dispara para os âmbitos mais chocantes e viscerais da vida de Elton John.

    Bohemian Rhapsody entregou um Freddie Mercury caricato e emblemático, sem contemplar quem realmente foi o cantor. Rocketman é bem sucedido ao não se basear na ilustração do gênio incompreendido, mas sim na simplicidade dos problemas humanos que contemplam também os grandes ícones da nossa sociedade – pois, antes de mais nada, Elton John só queria uma coisa: ser amado.

    When are you gonna come down? When are you going to land?” (Goodbye Yellow Brick Road). Rocketman é uma grande celebração a tudo aquilo que a pessoa de Elton John representa: é performático, divertido e verdadeiro. Impossível não se deixar levar pela história dessa cinebiografia musical – e sair do cinema cantarolando todas as músicas do artista.

    Confira abaixo o trailer legendado:

    Rocketman chega aos cinemas nesta quinta-feira (30). Não deixe de assistir e lembre-se de voltar aqui para deixar seu comentário e sua avaliação!

    Sea of Solitude: EA anuncia lançamento mundial

    Hoje, a Electronic Arts e o visionário estúdio alemão Jo-Mei Games, anunciam que o jogo de aventura repleto de história, Sea of Solitude, será lançado mundialmente em 5 de julho de 2019 via download digital no PlayStation 4, Xbox One e Origin para PC.

    Sea of Solitude é uma experiência emocional, que coloca os jogadores numa jornada pessoal para superar a solidão de uma jovem mulher. Os jogadores devem ajudar Kay a ver abaixo e além da superfície, guiando a moça pelo ambiente de uma cidade inundada, em um conto tocante de escuridão e luz. Enquanto as águas sobem e baixam, refletindo o estado mental dela, Kay irá conhecer criaturas e monstros fantásticos, aprender suas histórias e resolver desafios para livrar o mundo de memórias podres.

    Cornelia Geppert, CEO da Jo-Mei Games, comentou:

    “Sea of Solitude mostra a essência da solidão e irá tocar nas emoções dos próprios jogadores, pelo quanto reflete a realidade. É, de longe, o projeto mais pessoal e artístico que criei, pois escrevi durante uma fase muito emocional da minha vida. Criar personagens baseados em emoções foi uma conquista pessoal profunda para a nossa equipe e estamos muito ansiosos para que os jogadores experimentem a forte história de Kay sobre cura e autodescoberta.”

    Feito com um estilo visual impactante, Sea of Solitude é uma aventura íntima por um belo e envolvente mundo, onde nada parece ser o que é. A jornada de Kay se desenrola ao redor de ambientes dinâmicos, e a atmosfera de clima dinâmico do jogo ajudam a visualizar as emoções do personagem.

    Os jogadores desbloqueiam novas áreas ao superar desafios emocionais, continuamente revelando luz e cores a um mundo obscuro e tempestuoso. Através de encontros únicos com uma variedade de monstros belíssimos e aterrorizantes, Kay irá descobrir o motivo de sua solidão tê-la transformado em um monstro e o que será necessário para trazer sua humanidade de volta.

    Assista ao trailer oficial:

    O game é um jogo inovador da EA Originals, desenvolvido pelo talentoso time da Jo-Mei Games em Berlin, Alemanha. EA Originals ajuda a dar brilho às luzes de alguns dos mais apaixonados, independentes e talentosos estúdios de jogos pelo mundo. Estes jogos surgem de mentes altamente criativas, que adoram encantar e inspirar os jogadores.

    A forte narrativa faz do game uma experiência inesquecível e uma adição empolgante ao programa EA Originals.

    Sea of Solitude será lançado mundialmente em 5 de julho de 2019 por US $ 19,99 (preço em reais será divulgado em breve) para o sistema PlayStation 4, Xbox One e PC via Origin.

    Para mais informações sobre Sea of Solitude, visite www.seaofsolitude.com.

    CRÍTICA – Aladdin (2019, Guy Ritchie)

    Uma versão live action dos clássicos da Disney é bem sucedida quando consegue deixar o público aliviado ao trazer uma regravação emocionante, mesmo que sem superar a magia da animação original. Aladdin, dirigido por Guy Ritchie, reconta a história de origem do personagem, sem correr riscos ao fazer grandes alterações na trama – ainda assim, algumas adaptações ficaram medíocres comparadas a toda grandiosidade do filme.

    Aladdin (Mena Massoud) é um jovem que realiza pequenos roubos para poder viver em Agrabah. Certo dia, seu caminho cruza com o de Jasmine (Naomi Scott), a princesa do reino que, disfarçada, foge do palácio e entra em apuros na cidade. Ao ir atrás da jovem, Aladdin descobre sua origem real e logo é capturado por Jafar (Marwan Kenzari), o grão-vizir do sultanato. O homem convence Aladdin a buscar a lâmpada mágica onde habita o Gênio (Will Smith) capaz de conceder três desejos ao seu amo.

    Definitivamente, o grande apelo desta readaptação está na nostalgia do seu público. Diferente de Dumbo (2019), que alterou não apenas a história original, mas também a maneira como ela foi contada, o sucesso de Aladdin reside na entrega das cenas clássicas ao espectador – desde o show insano do Gênio na caverna, até a viagem magnífica de Aladdin e Jasmine no tapete voador.

    Mena Massoud e Naomi Scott entregam um Aladdin e uma Jasmine um pouco menos charmosos e sem tanta química quanto era de se esperar. Ainda assim, na história como um todo, ambos personagens funcionam e conseguem captar o público.

    Abu, Iago e o Tapete Mágico são os supra-sumos do filme. As animações desses personagens surpreendem e são extremamente cativantes – até mais que o próprio Gênio de Will Smith que, com o altíssimo hype em torno do ator na interpretação do personagem, gerou grandes expectativas.

    Dublado originalmente em 1992 por Robin Williams, o Gênio da Lâmpada de Will Smith consegue ter uma identidade própria, sem parecer uma imitação do desenho. Os efeitos especiais em CGI (Computer-Generated Imagery, do inglês, imagens geradas por computador) do gênio causam um estranhamento inicial, mas, no decorrer do longa, é possível se acostumar com o desconforto – é um feio que “dá certo” e até agrada.

    É possível pensar que o Gênio foi concebido pensando em Will Smith como interprete. Entretanto, apesar de aparentar estar se divertindo no papel, a impressão é que o ator já carrega um certo peso da idade – ou até mesmo da arrogância. Talvez o Gênio de Smith fosse muito mais divertido lá pelos anos 90/2000, quando o ator interpretava o Agente J em MIB – Homens de Preto.

    Aladdin: Gênio aparece na sua forma azul pela primeira vez em teaser

    Com certeza, o personagem mais insatisfatório do filme é Jafar, interpretado por Marwan Kenzari, que dá um tom mais grosseiro e pateta ao soberbo personagem. Faltou muito da arrogância e da aparência intimidadora do Jafar original da animação – bem como sua transformação em uma cobra gigante no embate final.

    A virada feminista de Jasmine funcionou mais como um “serviço” do que uma ação definitiva na história – o protagonismo ainda continuou com o rapaz sagaz que derrota o vilão. Ao menos, a música feita para o live-actionSpeechless funciona e tem tanto impacto quanto as canções originais.

    O visual do filme é ora saturado, ora insuficiente. A grandeza da cidade de Agrabah não consegue ser transposta nos momentos das canções “One Jump Ahead” e “Prince Ali“. A estrutura é visualmente pequena e toda a ação e pomposidade de respectivas cenas parece um tanto quanto apertadas.

    Em suma, a mistura despretensiosa de Disney, novela das nove e Broadway/Bollywood funciona e conquista o público com carisma e nostalgia. Tudo ok para o live-action de Aladdin, um filme prazeroso e digno de se assistir com a família. O sucesso do longa, assim como seus acertos e erros, devem servir de direção para os próximos remakes em live-action dos clássicos animados do estúdio.


    Confira o trailer legendado:

    Aladdin chegou aos cinemas brasileiros no dia 23 de maio. Em julho, é a vez do aguardado O Rei Leão (The Lion King) reinar nas salas escuras.

    CRÍTICA – Godzilla 2: Rei dos Monstros (2019, Michael Dougherty)

    Em 1954, nascia no Japão pelas mãos de Tomoyuki Tanaka, Ishiro Honda e Eiji Tsubaraya o nosso amigão, Godzilla.

    Figura emblemática na cultura popular japonesa, Godzilla é um dos monstros mais famosos e reconhecidos pelo o mundo, responsável por incorporar o termo “Kaiju”.

    Podem me chamar de leigo, mas fui conhecer a expressão “Kaiju” quando assisti pela primeira vez Círculo de Fogo (Pacific Rim). Na minha ignorância imaginei que se tratasse apenas de uma palavra diferente e “americanizada”. Foi pesquisando sobre que pude perceber que foi graças a Godzilla que o termo ganhou força.

    O termo “Kaiju” se refere a uma espécie de categoria no cinema, mais precisamente no nicho japonês, onde criaturas gigantescas surgem e causam destruição onde passam, por assim dizer.

    E em Godzilla 2: Reis dos Monstros podemos ver e sentir que esse termo é posto ao pé da letra.

    Em 2014 o nosso amigo lagartão não conseguiu agradar muito. O Godzilla que Gareth Edwards nos apresenta funciona bem em alguns pontos, mas não podemos negar que suas falhas falam por si só, o exemplo disso é a demora angustiante em Godzilla assumir seu papel de protagonista. Com um pouco mais de duas horas de filme Godzilla aparece de maneira solida a partir da metade para o fim do filme, transformando a nossa experiência em algo totalmente frustrante. O filme possuía seus acertos, mas ainda sim estava longe de ser algo que entregasse uma obra digna.

    Felizmente nesse segundo filme as nossas expectativas são correspondidas, digo, se você está saindo de casa para ir curtir um filme onde explosões, lutas colossais, laser, fogo e mais destruições, então esse filme é justamente o que você precisa.

    Godzilla 2: Rei dos Monstros é continuação direta da produção de 2014, dirigido pelo talentoso Michael Dougherty (Krampus: o Terror do Natal e Contos do Dia das Bruxas). Vale lembrar que o filme se passa no mesmo universo de Kong: A Ilha da Caveira, filme dirigido por Jordan Vogt-Roberts.

    Se no primeiro filme de 2014 Godzilla demora para emplacar, em Rei dos Monstros o caminho é totalmente o oposto, nos apresentando já de cara monstros que farão frente a GodzillaMothra, Rodan e por fim King Ghidorah. E é nesse ponto onde a experiência desagradável deixada pelo filme anterior desaparece.


    Quando assisti ao filme Homem de Aço, de Zack Snyder, fiquei impactado – não de uma maneira negativa – com o nível de destruição que ocorre durante a luta de Superman contra seu inimigo, Zod. Essa mesma sensação foi semelhante conforme o filme Rei dos Monstros avançava, pois, a quantidade de destruição é absurdamente espetacular. De longe podemos ver a evolução tanto dos efeitos visuais quanto os efeitos sonoros.

    O ritmo de Godzilla 2: Rei dos Monstros é sensacional, e Michael Dougherty nos entrega algo que deveria ter sido entregue no primeiro filme, mas acredito que é nesse ponto que o filme funciona bem, já que antes de sentar na poltrona e curtir o filme eu estava bastante desacreditado e receoso, pois a estigma do filme anterior ainda era presente.

    Ainda bem que me enganei.

    Godzilla 2: Rei dos Monstros parece que saiu de uma história em quadrinho violenta, pois as cenas de luta são lindas, são fortes e de longe conseguimos ver a cada momento de destruição a grandeza do filme.

    Tive a pequena impressão de que Rei dos Monstros trouxe o ar nostálgico da atmosfera do filme original de 1954, ao mesmo tempo o filme consegue fazer um excelente trabalho já que se apoia na premissa de introduzir um universo rico e cheio de possibilidades, já que está previsto para 2020 a sequência; Godzilla vs Kong.

    A produção de Godzilla 2: Rei dos Monstros é elevada a máxima potência e podemos ver isso desde seus efeitos até a parte de seu elenco de tirar o folego: Millie Bobby Brown (Stranger Things), Vera Farmiga (Invocação do Mal), Kyle Chandler (Lobo de Wall Street e O Primeiro Homem), Charles Dance (Game of Thrones), O’Shea Jackson Jr. (Straight Outta Compton), Sally Hawkins (A Forma da Água) e Ken Watanabe (Cartas de Iwo Jima e O Último Samurai).

    Por mais que o elenco seja de peso é inegável dizer que Godzilla rouba a cena, não desmerecendo o elenco, mas acredito que Rei dos Monstros não veio apenas para mostrar seu potencial, e sim para deixar uma marca de redenção referente ao seu filme anterior.

    Em resumo, Godzilla 2: Rei dos Monstros, é um ótimo entretenimento. A ação é extraordinariamente melhor e também corrige erros do seu antecessor, ao nos apresentar uma dinâmica fenomenal entre quatro criaturas onde elas travam uma batalha de proporções épicas ameaçando a existência da vida humana.

    É óbvio que assistirei novamente, por que sou desses.

    Abraços do tio Marlon.

    Confira o trailer legendado de Godzilla 2: Rei dos Monstros.

    O filme estreia no dia 30 de Maio! Lembre-se de voltar aqui na crítica após assistir ao filme e deixar seus comentários e sua avaliação.