CRÍTICA – Sentença (1ª temporada, 2022, Amazon Prime Video)

    Sentença é a nova série brasileira da Amazon Prime Video que estreia nesta sexta-feira (15/04). A produção é uma criação de Paula Knudsen com direção de Anahi Berneri e Marina Meliande. No elenco estão Camila Morgado, Fernando Alves Pinto, Lena Roque, Pedro Caetano, Samya Pascotto e outros atores.

    SINOPSE

    Heloísa (Camila Morgado) é uma advogada criminalista que acredita que todos têm direito a se defender, seja lá qual crime a pessoa possa ter cometido. Após anos de experiência, Heloísa conhece bem a complexidade do cárcere e do sistema penitenciário brasileiro. Quando um caso choca o país e a advogada fica responsável pela defesa da suposta assassina, ela se encontra no meio de uma situação delicada que envolve o líder da maior facção criminosa do país e as pessoas que o querem morto. 

    ANÁLISE

    Uma série cheia de nuances e que busca tratar de assuntos polêmicos para os brasileiros, Sentença é o tipo de produção ideal para construir importantes debates na sociedade. Porém, apesar do potencial e do grande elenco, Sentença perde força por uma trama confusa e falta de objetividade. 

    É comum que séries queiram focar em diferentes premissas para dar mais base e desenvolvimento a seus personagens e história. No entanto, quando os assuntos pouco conversam entre si ou não têm a devida atenção, tudo parece “jogado” na tela. A série criada por Paula Knudsen apresenta temas como adoção, comunidade LGBTQIA+, feminismo, maternidade, sistema judiciário e crime organizado. Sendo os dois últimos a verdadeira motivação da série que por si já são bastante complexos para serem explorados. 

    Na trama, Heloísa vivida por Camila Morgado é uma advogada criminalista que aceita defender Dinorá, interpretada por Lena Roque. A mulher foi filmada cometendo um assassinato cruel, mas suas intenções vão além do que Heloisa sabe e para descobrir a verdade, a advogada cria um impasse com o crime organizado. 

    Além disso, Heloísa também precisa lidar com o marido. Pedro (Fernando Alves Pinto) é um investigador e começa a perceber similaridades entre o caso que está investigando e o de Heloisa. O casal também têm um filho adotivo que por vezes não se sente pertencente a família.

    Só esses aspectos já criariam uma potente série de drama, mas Sentença têm ânsia de querer ser mais que seus seis episódios permitem. Para o público leigo, já é difícil entender termos técnicos da advocacia e sistema criminal, e a série também não faz tanta questão de explicar, o que deixa a trama ainda mais bagunçada. 

    Mas, de certa forma, há uma crítica sendo construída na série. O Brasil é extremamente injusto e precário quando o assunto é sistema carcerário, a justiça anda a passos lentos e é pior ainda para as pessoas pobres e negras. Heloísa não é nenhuma heroína, seus métodos se baseiam na justiça e no “inocente até que se prove o contrário”. Logo, Camila Morgado faz uma atuação sucinta e sóbria. 

    Por último, para uma produção com poucos episódios, é estranho que tenha seis roteiristas trabalhando na série. Isso também prova a falta de foco e as diferentes premissas apresentadas. Mas, ainda assim, é uma ótima produção para se ter uma base do sistema judiciário e carcerário brasileiro. Além do que, a ótica de acompanhar uma mulher que cometeu um crime, mas que pode ser inocente, e sua advogada traz uma inversão de narrativa que é muito bem-vinda. 

    VEREDITO

    Sentença traz diferentes assuntos e, ainda que não aborde todos de maneira satisfatória, consegue criar uma ótima história com seu tema principal: a justiça brasileira. O roteiro é por vezes confuso, mas o trabalho de direção cria boas perspectivas.

    Nossa nota

    3,5  / 5,0

    Assista ao trailer

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