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CRÍTICA – Casa Gucci (2021, Ridley Scott)

CRÍTICA - Casa Gucci (2021, Ridley Scott)

Casa Gucci (House of Gucci) é um cinebiografia da família Gucci e sua famosa marca de acessórios de grife. O longa é baseado no livro The House of Gucci: A Sensational Story of Murder, Madness, Glamour, and Greed, escrito por Sara Gay Forden.

O roteiro é de Becky Johnston com direção e produção de Ridley Scott.

No elenco estão Lady Gaga (Nasce Uma Estrela), Adam Driver (Star Wars), Al Pacino (Hunters), Jared Leto (Morbius) e Jeremy Irons (Watchmen).

O longa chega aos cinemas amanhã (25).

SINOPSE

Casa Gucci é baseado na história de Patrizia Reggiani, ex-mulher de Maurizio Gucci, membro da família fundadora da marca italiana Gucci. Patrizia conspirou para matar o marido em 1995, contratando um matador de aluguel. Quase 3 décadas de amor, traição, decadência, vingança e assassinato, o filme revela a importância e poder que o nome Gucci carrega.

ANÁLISE

Não há nada mais catártico do que uma família rica que vira motivo de escárnio. Afinal, existe um certo prazer quando é revelado que os poderosos não passam de pessoas mesquinhas e ambiciosas demais (Succession da HBO que o diga). Dessa forma, Ridley Scott entende que as audaciosas intrigas familiares é fio condutor de Casa Gucci, pelo menos na primeira metade do filme. 

Já nas primeiras cenas o espectador é apresentado a dinâmica do casal Patrizia Reggiani e Maurizio Gucci, interpretados respectivamente por Lady Gaga e Adam Driver. A dupla exala sintonia e Scott sabe que o melhor do seu filme está nessa relação. Por isso, a introdução do longa é praticamente envolta desse romance, a montagem dinâmica e embalada por um trilha sonora divertida dá o tom do que parece ser um casamento perfeito. 

Patrizia Reggiani (Lady Gaga) e Maurizio Gucci (Adam Driver).

Nem mesmo, as suspeitas do pai de Maurizio Gucci, Rodolfo Gucci interpretado impetuosamente por Jeremy Irons, de que Patrizia poderia estar apenas interessada no dinheiro da família dão um tom amargo a obra. A Patrizia de Gaga se configura como uma mulher fiel ao marido, mais especificamente fiel a Casa Gucci. E por ser uma mulher ambiciosa que Patrizia decide tomar decisões e arquitetar planos para que Maurizio seja o sócio majoritário da marca da família. 

Dessa forma, o filme apresenta um primeiro ato irretocável, onde o público fica interessado na vida do casal e nas relações conturbadas da família rica. Porém, é quando o filme percebe seu curto tempo de tela que tem-se uma ruptura na essência de Casa Gucci. Já no meio, Ridley Scott abandona por completo a estética camp que vinha trazendo até o momento, os aspectos exagerados e exacerbados, típicos dos ricos, para dar lugar a um melodrama que parece se perder do meio para o seu fim. 

Como a adaptação de um livro, a sensação que fica é que o longa tinha muito material para apresentar e na hora de concluir a história, faltou sutileza. Basta observar o desenvolvimento de personagens:

  • Patrizia pode não ser uma interesseira, mas sua pose de menina cai logo que ela se envolve nos negócios da família, dessa forma, há uma progressão da personagem;
  • Maurizio anda muito pouco na trama, a não ser pela caracterização de personagem, não há um momento significativo que vemos sua evolução. Este aparece em cena de forma abrupta e toma forma em roteiro, onde o personagem precisa verbalizar que está pedindo o divorcio para ser compreendido. Logo, com a separação do casal, Casa Gucci toma outros rumos que não são suficientes para convencer o espectador.

Família Gucci 

Além de Lady Gaga e Adam Driver, há em Casa Gucci outros astros do cinema que com algumas ressalvas cumprem seu papel. A começar por Al Pacino como Aldo Gucci, que entrega um personagem condizente com a trama. Dessa forma, os melhores momentos são quando o ator faz dupla com Jared Leto, interpretando seu filho Paolo Gucci. Leto está irreconhecível com tamanha maquiagem que junto do sotaque galhofa garante um bom alívio cômico. 

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Dessa forma, para apreciar o longa é preciso deixar de lado algumas semelhanças com a realidade. O sotaque dos atores, por exemplo, caem no vale da estranheza à medida que cada um reproduz algo diferente. Dessa forma, os acontecimentos ao longo do filme que levam ao assassinato de Maurizio parecem forçados demais, a medida que não tem uma construção equivalente ao inicio do filme.

Ridley Scott corre contra o tempo para contar o máximo de informações possíveis sobre o que parece ser três décadas da família Gucci. Isso também não está tão evidente, visto que, o filme não se esforça muito para datar seus acontecimentos. Logo, no meio para o final há uma sensação de perda de história, como se algo que mudasse o rumo do filme tivesse escapado ao espectador. Como por exemplo, a saída de Lady Gaga de cena; quando ela é quem deveria conduzir a trama. Desanimador. 

Da mesma maneira, o interesse por apresentar o significado da marca Gucci, seus por menores e o que ela representa de fato para o mundo cai por terra e fica reservado a poucas passagens, onde se vê falsificações de bolsa e ações sendo vendidas e compradas.

Casa Gucci se torna um filme apressado. Mas, ainda assim, muito potente e atraente a medida que se embarca nas tramas, dramas e traições dessa família rica.

VEREDITO

Por último, vale destacar, o design de produção de Casa Gucci e a caracterização dos personagens está incomparável. Ridley Scott aproveita muito bem os ambientes do longa, as grandes mansões, os acessórios Gucci e o estilo italiano para deixar o espectador vidrado e sem dúvida querendo mais. 

Nossa nota

4,0 / 5,0

Assista ao trailer legendado:

O longa chega aos cinemas amanhã (25).

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Jornalista em formação e apaixonada pela sétima arte. Representatividade e movimentos sociais através do cinema é fundamental. Apreciadora de livros, animes e joguinhos de ps4 nas horas vagas. The final girl.