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Martin Scorsese fala novamente sobre os filmes da Marvel

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Martin Scorese fala novamente sobre os filmes da Marvel

Se vocês haviam achado que a novela “Marvel não é cinema” havia chegado ao fim, estão completamente enganados. Em nova entrevista, agora para o portal EW, Martin Scorsese deu novas declarações sobre o caso.

Durante a entrevista, Scorsese foi questionado sobre o debate  sobre filmes de quadrinhos. Desta vez, o diretor fez um pequeno ajuste ao seu discurso, afirmando que os filmes de quadrinhos são uma “forma de cinema diferente ou uma nova forma de arte inteiramente”.

A alegação inicial de Martin Scorsese de que os filmes da Marvel “não são cinema” parece ter mudado, mas a sua maior reclamação permanece: de acordo com o diretor, os filmes de quadrinhos estão “colocando a arte de lado” e dificultando cada vez mais a realização de filmes que não sejam de entretenimento (neste caso, seu próximo O Irlandês).

Confira abaixo uma parte da entrevista:

[Um estúdio tradicional] é voltado para a maior quantidade de dinheiro que você pode ganhar – compreensivelmente. Há muito pouco espaço para esse tipo de filme [de arte]. Eles dizem: “Oh, você pode fazer filmes independentes”. Isso está colocando as pessoas nas margens. Colocando arte nas margens.

Os filmes de blockbuster, os grandes filmes de quadrinhos, são filmes de parques temáticos – tão bem-sucedidos quanto muitos deles, em todos os níveis. É uma forma de cinema diferente ou uma “nova forma de arte”.

Nós temos esperança que haja cinemas que mostrem os filmes que não são blockbuster. E se eles não mostrarem, que os cineastas ainda tenham uma oportunidade nos streamings – isso muda a experiência, mas caso contrário, daqui a dois a três anos, o cinema de arte terá acabado. Se um bom cineasta vem da Itália ou da França, o filme dele tem que ser uma [franquia] ou eles não o farão.

Assim como Francis Coppola, Fernando Meirelles, Kleber Mendonça Filho (e o participantes do UCM) Benedict Cumberbatch e Jon Favreau já comentaram, é perceptível que o problema não está no filme de quadrinho em si, mas na indústria que se forma por trás desses grandes lançamentos.

Cinema de nicho sempre existiu e eras de filmes também – western foi um gênero famoso que durou muitos anos. Entretanto, esse tipo de produção não tomava conta de quase 100% das salas de cinema durante todo o ano.

Desde que o modelo de filmes interligados da Disney/Marvel foi criado, há em média dois a três lançamentos por ano que ocupam todas as salas de cinema e conseguem escalonar a marca de 1 bilhão de arrecadação.

Se todos os estúdios focarem em filmes blockbuster e não abrirem espaço para outras produções, para onde caminhará o cinema? E se o streaming for a única forma de sobrevivência dessas produções, mas os grandes conglomerados de mídia também migrarem para essa área, o que resta para os diretores que não possuem tal financiamento?

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