Início Site

    CRÍTICA | “Resonance: A Plague Tale Legacy” é mergulho de cabeça em mitologia própria e do mundo

    A Asobo Studios parece ter em seu DNA algo único: a capacidade de nos oferecer em seus primeiros minutos uma alegria genuína, quase sempre traduzida na gameplay de uma criança feliz, apenas para rapidamente nos tirar o chão. Como foi com Hugo e Amicia, acontece agora com Sophia. Resonance: A Plague Tale Legacy nos leva pela história de origem de uma das personagens mais cativantes do segundo game da franquia.

    ​O jogo explora o passado da protagonista, bem como sua ligação singular com a jornada dos irmãos de jogos anteriores. Sophia talvez esteja mais ligada a Hugo e Amicia do que se pensava. Aqui, diferente da Mácula, surge uma nova e perigosa ameaça. Esta ganha vida na forma misteriosa de uma criatura mítica que habita o lendário labirinto.

    ​Mudando completamente a narrativa e a gameplay, vemos em Sophia uma personagem mais madura do que Hugo e Amicia foram no passado.

    ​Enquanto acompanhamos mais de sua trajetória, descobrimos sua origem e a de sua família: os Saqueadores. Trata-se de uma gangue que habita as cercanias de Veneza, mas que, graças aos dons proféticos de Sophia, parece estar eternamente à procura do lendário tesouro do Rei Minos.

    ​Algo que retorna em Resonance é a presença da Ordem. Um antigo grupo de alquimistas que, em A Plague Tale: Innocence e Requiem, é representado pelas figuras de Béatrice De Rune e Laurentius, que tentam a todo custo impedir o avanço da Mácula em Hugo.

    ​Em Resonance, a Ordem atua como o gatilho para a trama: os dons proféticos de Sophia se deram por meio de experimentos da instituição em uma época em que ela era ainda muito pequena, com menos de sete anos. Portanto, não são naturais como os tenebrosos poderes de Hugo. As habilidades de Sophia foram fabricadas, ou melhor, ativadas deliberadamente com este intuito.

    ​Desde a antiguidade, é dito que a Ordem existe para monitorar a ressurgência da Mácula e impedir seu avanço a qualquer custo. Mas, com o tempo, os hábitos do grupo se tornaram cada vez mais violentos, realizando experiências com crianças a fim de acionar o dom da profecia em indivíduos para descobrir quando a maldição surgiria novamente.

    Combate e pano de fundo

    Resonance

    ​No controle de Sophia, viajamos pela Grécia e lutamos contra soldados venezianos. Como protagonista, ela parece ser a única capaz de descobrir como adentrar o labirinto e resolver o mistério daqueles que, há gerações, tentam encontrar o lendário tesouro do Rei Minos.

    ​O combate em Resonance é completamente diferente dos confrontos vistos em Innocence e Requiem. Sophia possui armas de ataque, como uma espada e uma faca, o que oferece opções mais diretas. E não é só isso: ao longo da campanha, ela adquire os dons do lendário herói Teseu.

    ​Com uma gameplay que evolui com o tempo, o jogo vai adicionando cada vez mais profundidade à experiência, trazendo novas habilidades e uma árvore de talentos interessante e condizente com a proposta do título. Além da espada e da faca, Sophia conta com o gancho (que serve tanto para puxar inimigos distantes para o combate quanto para subir em áreas antes inacessíveis), parry e esquivas poderosas, que nos permitem até mesmo lançar os adversários a uma longa distância.

    Resonance

    ​A árvore de habilidades conta com seis vertentes base e duas maestrias em cada uma. Dentre elas, apenas uma maestria pode ser ativada por vez, o que torna a gameplay ainda mais estratégica.

    ​Em uma espécie de prólogo, somos ambientados à Ilha dos Saqueadores, lugar onde o povo de Sophia vive, apenas para rapidamente, conforme a progressão, sermos levados a uma Veneza em pleno carnaval.

    ​Pouco tempo depois, partimos até a Grécia a fim de dar início à história de verdade. Na ilha de Creta, somos apresentados à dinâmica de Sophia com aquele mundo. Ou melhor, somos confrontados com o legado sombrio da Ordem e com os danos que deliberadamente causaram a ela. Enquanto a frequência das visões aumenta, sua ligação com a ilha se mostra mais profunda do que imaginávamos.

    Gameplay e dinâmicas

    Resonance

    ​Ao mergulhar em Creta, poucas dinâmicas se assemelham às dos jogos originais. Porém, a que permanece em Resonance é o uso mais diverso da luz como fator de progressão. Seja usando-a para solucionar puzzles ou atacar inimigos, este título talvez possua a maior variedade de aplicações para a luz do que qualquer outro da franquia até aqui.

    ​Creta é um labirinto em constante movimento, mas cuja luz depende de nós para ser levada até o verdadeiro inimigo.

    ​Ao passo que as visões de Sophia se tornam cada vez mais intensas, ela cria um vínculo com um herói inesperado, cujas habilidades e história passam a ser compartilhadas com a protagonista. Apesar dos jumpscares frequentes, ouso dizer que Resonance possui uma das melhores fotografias da franquia, mas vai além. Ao misturar uma linguagem cinematográfica a uma trilha sonora primorosa, o game deixa claro seu objetivo: elevar a sensação de imersão e proporcionar uma conexão maior com os personagens e a narrativa.

    Resonance

    ​A dinâmica de Sophia com este mundo, em um primeiro momento, não se faz tão aparente. Mas conforme a trama progride e o luto dos demais envolvidos nesta jornada se torna cada vez mais evidente, as histórias se entrelaçam, especialmente a de Sophia com a de seus antigos companheiros de gangue.

    ​A narrativa faz com que Sophia esteja em uma guerra que já dura mais do que ela consegue se lembrar. Entre ela e o tesouro não está ninguém menos que sua própria família, os Saqueadores, como também o exército Veneziano. Este último foi trazido ao conflito graças a um traidor dos Saqueadores (e o jogo faz um ótimo trabalho escondendo quem é, diga-se de passagem).

    Veredito

    Resonance: A Plague Tale Legacy é uma excelente história de origem para uma carismática personagem. Avançar por essa jornada faz com que nos sintamos cada vez mais perto de Hugo e Amicia (pelo menos cronologicamente falando), e isso é maravilhoso. Enquanto mantém os acertos do passado, a Asobo Studios fez com que o mais novo game da franquia fincasse seus pés como uma das histórias originais de maior valor dos últimos anos.

    ​Sendo imersivo, desafiador e cativante, o jogo dá a Sophia o espaço para brilhar, sem tirar o que deu à franquia o seu melhor. Perseverar neste mundo vai além de lutar contra os males comuns dos homens. No universo de A Plague Tale, perseverar pode significar enfrentar um mal desconhecido que vem de onde menos se espera: seja nas pessoas ao seu redor, ou em uma terrível criatura que reside no centro de um labirinto antigo.

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    CRITÍCA | A Morte de Robin Hood e a jornada de um vilão

    A história do cinema já adaptou a história de Robin Hood em diversas oportunidades, explorando-a de formas diferentes desde a sua primeira citação, em 1377, no poema Piers Piowman.

    Em 2026, chegou aos cinemas A Morte de Robin Hood, adaptando a antiga balada medieval para a modernidade. O longa chegou aos cinemas brasileiros em 13 de agosto, com distribuição realizada pela Imagem Filmes.

    Hugh Jackman no papel principal, Bill Skarsgård, Jodie Comer, Murray Bartlett, Jade Croot e Faith Delaney formam o elenco.. Michael Sarnoski, conhecido pelos filmes Pig e Um Lugar Silencioso – Dia Um, realizou a direção e o roteiro.

    Um homem muito além de sua lenda

    Acredito que A Morte de Robin Hood é um filme interessante porque não tenta, ao longo do seu tempo de duração, justificar os atos do seu protagonista. Isso fica claro logo nos primeiros minutos, onde vemos um contraste bem impactante entre a lenda e o personagem que está sendo contado nessa história.

    É muito interessante que ele brinca de uma forma muito livre com o conceito de “não conheça seus heróis”, revelando que, por trás do “rouba dos ricos para dar aos pobres”, existe uma história muito mais obscura de um homem com muitas perturbações emocionais e o peso dos seus atos.

    Mesmo sendo um pouco exagerada no aspecto contemplativo, a direção é muito competente em estabelecer uma ambientação melancólica, niilista e intimista. Particularmente, me agrada quando se usa o silêncio para dar fluxo a uma história, porque sugere a introspecção de um momento. Porém, neste longa, poderia ter sido mesclado com alguns monólogos ou diálogos para uma melhor compreensão do protagonista.

    Robin Hood e a luta contra os seus próprios fantasmas

    O roteiro é bem criativo porque busca contar a vida de violência do Robin Hood através das pessoas que o confrontam ao longo do caminho. Assim não se limitando a isso ser visto apenas de sua perspectiva. Além disso, podemos ver Hugh Jackman explorar bem este conceito que, mesmo estando em um território muito semelhante à sua atuação em Logan, entrega um ótimo trabalho

    Os elementos estéticos do filme são muito bonitos, causando um desconforto pela sua melancolia, e isso torna a experiência cinematográfica muito interessante como um todo. É um mergulho em um lado sombrio do Robin Hood, e a paleta de cores mais fria, tons mais escuros, paisagens mais melancólicas são uma mensagem enfática sobre isso.

    Esse filme também é muito interessante por explorar esse homem além da lenda, a culpa de seus atos e até mesmo compreender uma questão relacionada às suas memórias: o que foi uma história contada ou o que foi uma vivência.

    Acredito que A Morte de Robin Hood oferece uma boa experiência cinematográfica porque traz uma perspectiva diferente para um personagem que o cinema adaptou tantas vezes em um tom mais aventuresco e até irreverente.

    Confira o trailer de A Morte de Robin Hood:

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    Quando lança o PS6? Crise de componentes faz com que nem a Sony saiba a resposta

    Se você já estava guardando dinheiro para a próxima geração de consoles, talvez seja melhor colocar esse projeto na poupança por mais um tempo. Embora rumores anteriores apontassem para um lançamento do PlayStation 6 no final de 2027, o cenário atual mudou drasticamente, e a situação é tão incerta que nem a própria fabricante sabe quando o hardware chegará às prateleiras.

    ​De acordo com uma reportagem do The Wall Street Journal, Hiroki Totoki, CEO da Sony, confirmou que não há nenhuma data definida internamente para a estreia do PS6.

    ​O “RAMageddon” e a crise de componentes

    ​O grande vilão desse atraso não é a concorrência, mas sim uma crise sem precedentes no mercado de tecnologia, apelidada de “RAMageddon”. Com o frenesi global em torno das Inteligências Artificiais, a demanda por memórias RAM explodiu.

    ​A escassez causou aumentos inéditos de preços até mesmo para o atual PS5, e a tendência é que isso continue pelo menos até 2027 ou 2028. Para se ter uma ideia da gravidade, relatórios indicam que toda a produção de memórias RAM prevista para o ano que vem já está completamente esgotada.

    ​Embora a Sony tenha tranquilizado os investidores afirmando que possui o estoque necessário para suprir as vendas do PS5 até março de 2027, o cenário para a produção inicial do PS6 permanece uma incógnita.

    O fim da mídia física e um preço assustador?

    ​O adiamento para 2028 traz outro ponto crucial: este é o ano em que, segundo rumores, a Sony planeja encerrar definitivamente o suporte a discos para novos jogos da marca.

    ​No entanto, o que mais assusta os jogadores é o impacto no bolso. Durante a pandemia, o PS5 chegou ao mercado custando US$ 500. A Sony já informou aos acionistas que não pretende vender o próximo hardware assumindo grandes prejuízos (prática comum em inícios de geração). Se os custos de produção não caírem, analistas temem que a promessa de uma geração acessível vá por água abaixo, com o PS6 podendo estrear na faixa dos assustadores US$ 1.000 ou mais.

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    A espera acabou! Marvel revela elenco oficial de ‘X-Men’ no MCU com Adam Driver, Sadie Sink e Kit Connor

    Após anos de especulações e teorias dos fãs, os mutantes finalmente têm rostos no Universo Cinematográfico da Marvel (MCU). Durante a D23 na noite desta sexta-feira, o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige, subiu ao palco para anunciar oficialmente o elenco principal do novo filme dos X-Men.

    ​A grande surpresa da noite ficou por conta da confirmação do vilão: Adam Driver (o Kylo Ren de Star Wars) assumirá o papel do brilhante e perigoso Senhor Sinistro (Mr. Sinister).

    ​O novo elenco mutante

    ​Feige, acompanhado pelo diretor do longa, Jake Schreier (Thunderbolts), trouxe ao palco os atores que darão vida à nova geração de heróis. Segundo Feige, o grupo havia acabado de se conhecer nos bastidores pela primeira vez.

    ​Confira quem é quem no novo filme:

    • Sadie Sink como Jean Grey (Vale lembrar que a atriz já fez sua estreia no MCU mês passado em “Spider-Man: Brand New Day”)
    • Kit Connor como Ciclope (Cyclops)
    • Christopher Abbott como Professor X
    • Samara Weaving como Emma Frost
    • Inde Navarrette como Vampira (Rogue)
    • Maya Boyd como Tempestade (Storm)

    ​Adam Driver, que não pôde estar presente fisicamente, enviou uma mensagem em vídeo para os fãs:

    “Kevin e eu conversamos por anos sobre minha entrada no MCU. Nós encontramos algo perfeito com personagens pelos quais tenho um sentimento muito profundo.”Adam Driver

    O que vem por aí?

    ​Embora o anúncio tenha levado o público ao delírio, Feige fez questão de avisar que esta ainda não é a formação completa da equipe. Mais nomes devem ser anunciados no futuro. O novo filme dos X-Men tem data de estreia cravada para 5 de maio de 2028.

    ​A chegada dos mutantes marca uma nova era para a Marvel, que adquiriu a 20th Century Fox em 2019. Enquanto os novos atores assumem o manto, a nostalgia continua viva: vários membros do elenco original dos anos 2000, incluindo Patrick Stewart, Ian McKellen e Rebecca Romijn, além de Channing Tatum como Gambit, retornarão no vindouro Avengers: Doomsday.

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    Assassin’s Creed Hexe: teaser oficial indica o retorno épico de Ezio Auditore

    ​A Ubisoft tem mantido Assassin’s Creed Hexe sob forte sigilo desde o seu anúncio, mas os rumores não param de crescer. O título, que promete ser uma experiência mais sombria e focada na narrativa durante os dias do Sacro Império Romano-Germânico e da Caça às Bruxas na Alemanha, acaba de receber um teaser que deixou os fãs em polvorosa: o lendário mestre assassino Ezio Auditore pode estar de volta.

    O teaser em AC Black Flag Resynced

    ​A pista mais recente (e mais forte) veio através do Final Rift em Assassin’s Creed Black Flag Resynced. A Ubisoft fez uma homenagem aos jogos anteriores apresentando um marco histórico de cada um.

    ​No final do Rift, os fãs puderam ver a Catedral de São Lourenço (localizada em Nuremberg, um dos palcos vazados de Hexe). No entanto, o detalhe mais arrepiante foi notado pelos fãs mais atentos à parte sonora: a música que toca ao fundo dessa revelação é “Ezio’s Family”, a icônica faixa de Jesper Kyd lançada no Assassin’s Creed 2 original.

    ​Embora a música já tenha sido usada como um tema geral da franquia antes, nenhum dos outros jogos provocados neste Rift tinha relação direta com o personagem, o que indica que a Ubisoft sabe exatamente que fogo está alimentando.

    A conexão com a família Auditore

    ​Mas como Ezio se encaixa em um jogo que se passa séculos depois? De acordo com vazamentos, os jogadores assumirão o papel de uma jovem chamada Annika, cujo intelecto a coloca em perigo durante a perseguição às bruxas.

    ​Os rumores apontam que Annika é uma descendente direta de Claudia Auditore, a irmã de Ezio, o que a torna parte da família. Aparentemente, a protagonista conseguirá se comunicar com Ezio através de um Artefato Isu ou de Selos de Memória (semelhantes aos usados por Ezio para ver as memórias de Altaïr em Assassin’s Creed Revelations).

    ​Também há relatos de que a narrativa abordará um conflito ideológico entre a interpretação do Credo feita por Ezio no passado e como ela se aplica a Annika no contexto da Irmandade Alemã liderada por um personagem chamado Wulfgang.

    ​Ainda não sabemos se o retorno de Ezio será uma aposta puramente baseada na nostalgia ou um acerto brilhante na narrativa, mas se a Ubisoft jogar as cartas certas, Assassin’s Creed Hexe tem tudo para ser um dos capítulos mais marcantes da saga.

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    CRÍTICA: Beast of Reincarnation é uma jornada de laços e sobrevivência que tropeça no próprio ritmo

    O fim do mundo já foi retratado de diversas formas nos videogames, mas poucas vezes de maneira tão melancólica e esperançosa quanto em Beast of Reincarnation. Afastando-se das fórmulas tradicionais, a Game Freak entrega uma obra que parece beber diretamente de fonte de clássicos do Studio Ghibli, como Princesa Mononoke, ao passo em que mistura suas dinâmicas com Sekiro. Tudo para nos apresentar um Japão no ano de 4026, devastado pela implacável Pestilência.

    O resultado é um dos títulos mais bonitos, trágicos e mecanicamente satisfatórios dos últimos anos e por mais que a jornada sofra com problemas de compasso que a impedem de alcançar a perfeição absoluta.

    A Game Freak aqui, se distancia de todas suas propriedades intelectuais anteriores e tenta criar algo verdadeiramente novo e diferente do que já fez incessantemente com sua franquia principal, Pokémon. E até mesmo outros games, como Little Town Hero e Giga Wrecker.

    Beast of Reincarnation fala do mundo de uma maneira profunda e intimista. Nos lança pelo mundo do game tendo como ponto de vista uma Seladora, uma pária de uma sociedade humana quase extinta, que pode controlar o mal que aflige aquela realidade, e pode ser sua única salvação.

    O fim do mundo e companheiros inesperados

    Beast of Reincarnation

    A força motriz da narrativa não está no mistério sobre a ruína de um mundo semelhante ao nosso e como ele ficou assim. Está na relação entre os dois protagonistas. De um lado, temos Emma, uma Seladora exilada pela sociedade, que carrega o peso de poderes ligados à manipulação de plantas e da Pestilência (este último, é o mal que assola este mundo). Do outro, temos Ko, um lobo gigante corrompido que se tornará nosso companheiro ao longo dessa jornada.

    A Fictions brilha ao não tratar Ko como um mero mascote na nossa jornada, ele faz com que este seja o parceiro essencial para a nossa jornada. As interações entre os dois, em meio a cenários onde florestas mutantes irrompem subitamente da terra morta, constroem uma atmosfera densa e amedrontadora.

    Personagens de apoio que se apresentam ao longo da jornada, como Mikoto e a enigmática Violet, adicionam camadas a um roteiro que sabe esconder seus segredos, revelando verdades perigosas nos momentos certos.

    Gameplay: a mistura perfeita entre ação e estratégia

    Beast of Reincarnation

    Se a arte e a história encantam, é no combate que Beast of Reincarnation crava sua identidade. O sistema híbrido é um triunfo de design.

    Controlando Emma, o jogo exige reflexos rápidos. A ação flui através de golpes de katana e, principalmente, do domínio do Parry, que ouso dizer, é uma das partes mais satisfatórias do game.

    Diferente de experiências punitivas extremas, o sistema aqui é convidativo, mas recompensador, não apenas pela forma como o combate pode se desenrolar se você souber tirar o melhor dele.

    Seja ao acertar defesas perfeitas, causando a quebra da postura inimiga e gerando Pontos de Florescência (o combustível do seu parceiro), ou mergulhando pelas profundezas de um Japão que se assemelha ao que conhecemos.

    É aqui que a genialidade tática entra: ao acionar Ko, a ação desacelera drasticamente, transformando a tela em um menu de RPG de turnos. Usando os FPs gerados por Emma, você comanda Ko para executar as Artes de Florescimento (habilidades que podem imobilizar, curar ou abrir brechas críticas).

    Essa sinergia atinge o ápice com o elementos de gameplay diretamente ligado à sinergia dos dois, criando um ciclo de dependência mútua (Emma defende e gera recursos, Ko auxilia no combate controlando o campo e Emma finaliza) que nunca deixa de ser satisfatório, especialmente contra os gigantes chefes Nushi.

    O elefante na sala: a queda de ritmo pós-ato 1

    Beast of Reincarnation

    Apesar de todas as suas qualidades brilhantes, Beast of Reincarnation sofre de um problema crônico de estrutura.

    O primeiro ato do jogo é magistral: a introdução do universo, o aprendizado das mecânicas, as memórias recém-descobertas, o encontro com Ko, o parry e as primeiras boss fights criam um senso de urgência e deslumbramento impecáveis.

    No entanto, assim que a cortina do primeiro ato se fecha e o mundo se abre de forma mais ampla, o jogo perde o ritmo de forma considerável. A urgência narrativa dá lugar a uma barriga de exploração que, por vezes, é repetitiva.

    Seja explorando a mesma área vezes e mais vezes antes de prosseguir para o ato seguinte, o jogo pode requerer muito grinding antes da primeira grande boss fight. Missões de purificação que antes pareciam eventos grandiosos começam a adotar um formato estrutural reciclado deixando pouca coisa nova pela frente.

    Beast of Reincarnation

    À parte da inclusão de novos personagens em nossa party, mesmo que sem nos auxiliar diretamente no combate, apenas à bordo do Caminhante Purificador (nosso meio de locomoção por essa Japão destruída), o game passa a exigir menos de nós como jogadores.

    E sim, após o grinding para enfrentar o primeiro boss, todo desafio pode parecer fácil demais se você estiver mais atento.

    O jogo leva algumas boas horas para reencontrar seu prumo e engatar a marcha novamente para o excelente clímax, mas essa quebra de compasso no meio do caminho é inegável e dilui o impacto de uma narrativa que merecia ser mais concisa.

    Veredito

    Beast of Reincarnation é uma prova do potencial criativo da Game Freak fora de suas zonas de conforto habituais. O sistema de combate que mescla a tensão da ação em tempo real com a pausa tática dos turnos é algo que ditará tendências, e a direção de arte entrega paisagens inesquecíveis.

    A queda abrupta de ritmo no segundo ato exige paciência do jogador, mas aqueles que persistirem através da lentidão mediana serão recompensados com uma conclusão marcante e um dos mundos mais cativantes da geração.

    Agradeço à assessoria o envio da chave do game para que pudéssemos produzir o conteúdo sobre ele.

    Acompanhe as lives do Feededigno no Youtube.

    Estamos na Youtube transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.