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    CRÍTICA – ‘Pokémon Legends: Z-A’ é o momento de jogar a DLC Mega Dimension?

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    A DLC de Pokémon Legends Z-A, chamada de Mega Dimension, foi oficialmente anunciada no dia 6 de novembro de 2025, antes do lançamento do jogo base, que saiu no dia 16 de outubro de 2025. Isso causou sentimentos bem mistos nos jogadores da saga. Anunciar a DLC nova antes mesmo de o jogo base ter sido lançado causou um descontentamento no público geral, e o seu preço de R$ 199,00 só corroborou a situação.

    Prefiro começar esse texto já tirando isso da frente, pois não é um assunto fácil, mas deve ser mencionado. E eu finalmente joguei a DLC, não só a campanha base, como diversas missões secundárias, para contar se valeu a pena depois de tudo isso e do hype. Sim, “hype”. Digam o que quiserem, mas Pokémon é uma franquia forte e todos os seus anúncios criam hype no público da série.

    A DLC chegou oficialmente em 10 de dezembro de 2025. Eu comecei a jogá-la em janeiro e, agora em fevereiro, a completei. Essa é uma expansão que será aberta apenas quando você zerar a campanha do jogo base. Então, atualmente, eu devo estar perto da casa das 90 horas de gameplay. Você não precisa de tudo isso para fazer o conteúdo da missão principal, mas é impossível passar por esse jogo e não fazer missões secundárias, evoluir mais do que só um time e explorar muitas outras coisas que te tiram da missão principal e te cativam tanto quanto.

    Agradecemos à Nintendo Brasil pelo envio de uma chave da DLC, para que pudéssemos jogar mais um pouco de Pokémon Legends Z-A com diversos pokémon, megas, batalhas, missões e muito mais.

    Minha Experiência com Pokémon Legends Z-A

    Mega Dimension

    Quando o game foi anunciado, ele já tinha minha total atenção e fiz a pré-compra dele físico mesmo. Como os lançamentos aqui no Brasil são complicados, recebi meu jogo cerca de duas semanas depois do lançamento. Apesar da ansiedade para jogar, fui terminando outros títulos que estava aproveitando na época, enquanto aguardava pela mais recente aventura da série, que prometia demais. Demais mesmo.

    O combate é a chave do game. E olha, eu gosto dos títulos anteriores, joguei muitos deles e ainda estou jogando; gosto do estilo RPG por turnos, é bem a minha vibe. Mas a franquia merecia uma novidade, um ar de coisa nova. Tentar mais abordagens em uma franquia tão feita numa forminha é algo que fica até difícil de acreditar. Nintendo, Game Freak e Pokémon Company saíram um pouco do conforto e tentaram algo novo? Eu não acreditaria se me falassem isso antes de ver o jogo anunciado, não. Mas o importante é que funcionou de verdade.

    Mega Dimension

    Teremos uma equipe de até 6 pokémon; isso continua como o clássico, e usaremos eles agora em um combate de ação. Assim que uma batalha se inicia, uma área é estabelecida para esse combate e você dá comandos de ataques para os seus pokémon, com controles simples de se aprender. Aqui, o interessante é que debuffs e buffs têm tempo de duração e podem ser aplicados de uma forma mais satisfatória. Você vê na sua frente acontecendo aquele status de veneno, sono, paralisia, queimadura, congelamento e outros. Você até pode se esquivar dos inimigos se conseguir explorar aberturas interessantes.

    E o melhor de tudo são os chefes. Aqui não teremos ginásios e ligas como nos clássicos, mas teremos os pokémon mega evoluídos que estão fora de controle. Assim que os enfrentamos, eles se acalmam e recebemos a sua pedra de mega evolução. Eles funcionam como bosses, cada um tem seu estilo de combate e são incríveis de se batalhar contra. Eu amei enfrentar cada um deles e fiquei muito feliz em encarar mais novos pokémon na DLC dessa forma.

    Eu ainda gosto do estilo de turnos, mas é inegável o quanto acertaram nesse combate divertido aqui. Ver o seu pokémon na batalha e os ataques acontecendo, as partículas se espalhando, quais pokémon o adversário vai usar e afins, é muito legal.

    Mega Dimension

    Falando em adversários, tem uns bem desafiadores, mas, infelizmente, geralmente você vai acabar com todos das missões secundárias facilmente. Na maioria das vezes, não vemos quais pokémon nosso adversário tem. E, se vemos, é apenas um ao lado dele que faz parte da missão. Então, acredito que poderiam ter uma seleção de pokémon em estágios e níveis diferentes, dependendo do nível do jogador, para tornar isso mais interessante.

    Por exemplo, se os seus pokémon estão entre os níveis 20 e 30 e no segundo estágio de evolução, quando você entrasse numa batalha de missão secundária, o adversário poderia estar com pokémon já nesse estágio e com nível próximo, tornando algo mais equilibrado. Mas aí pode ser uma escolha dos desenvolvedores de deixar a campanha base mais fácil e manter o desafio para os bosses, adversários da missão principal e, claro, o competitivo que mantém o jogo ativo.

    A história desse título é bem legal, é muito bem-feita. Gosto dos diálogos dos personagens e de como tudo vai tomando rumo e proporção à medida que avançamos. Os personagens são interessantes, todos têm seus jeitos e personalidades. Eu gosto muito disso, me peguei sorrindo em diversos momentos com eles e, em outros, extremamente focada nos acontecimentos mais preocupantes. O protagonista é naquele estilo “mudo” de sempre, sem muito background, então você precisa se sentir mais no game como se fosse ele, em vez de esperar que seja um personagem com passado e ambições.

    E a cidade de Luminália é quase como uma personagem à parte. Sim, o mapa é todo numa cidade só, já falo mais sobre isso, mas a cidade é bonita e importante para os nossos personagens. Estamos tentando salvá-la e desvendar seus mistérios ao mesmo tempo.

    Essa é a segunda vez que a vemos. A primeira vez foi em Pokémon X & Y, que são excelentes títulos de 3DS; ao menos, eu realmente gosto muito desses jogos também. Mas caso você não tenha jogado um deles, não tem problema. O Z-A, apesar de ter referências a eles, não te deixa perdido. Ele explica tudo para que você não se sinta confuso achando que falta algo do passado do jogo.

    E eu não quero ser repetitiva e voltar a bater na mesma tecla. A essa altura, vocês já sabem sobre a falta de legendas em PT-BR, a ausência de certas texturas, NPCs sem muita vida ou rotina pelo mapa e a falta de dublagem nos personagens, mesmo que fosse só em inglês ou japonês. Então não vou me estender tanto sobre isso, mas falarei meus “dois centavos de opinião” sobre o que penso.

    Mega Dimension

    Acredito que a questão de o mapa ser um pouco repetitivo, sem muitas texturas, elementos visuais e com poucos NPCs, se deve ao fato de ser um game de meia geração. Ele precisava rodar bem no Switch. A Nintendo já tinha uma preocupação grande depois do que aconteceu com Pokémon Scarlet & Violet, então fazer um jogo competente para o hardware anterior também seria um desafio. Acho que já sentimos na pele quando outras empresas prometem isso com jogos como Cyberpunk 2077, Assassin’s Creed Unity, Mass Effect Andromeda e muitos outros títulos que estão passando na sua mente por agora.

    Por isso, não achei essa parte algo problemático demais, pois o jogo compensa sendo bem divertido e com uma história interessante. O visual cartunesco eu, particularmente, acho bem legal, principalmente dos personagens e pokémon. Mas o que eu senti que faltou nessa parte foram as animações. Por exemplo, temos a animação de captura jogando uma Pokébola, mas há certos momentos na história em que, em vez de ela ser usada, corta para uma tela preta ou tela branca e o pokémon já aparece capturado. Eu acredito que mais cutscenes, não CGIs absurdas, mas cenas com o motor do jogo mesmo, mostrando animações mais elaboradas, fariam a diferença.

    A ausência de dublagem era compreensível no 3DS e em consoles anteriores, mas o Switch tem capacidade para suportar dublagens e até mundos mais pesados que Pokémon Legends Z-A. Se vocês virem Xenoblade Chronicles X Definitive Edition e outros rodando nesse portátil, vocês ficam de queixo caído. E a falta do PT-BR em 2025 é bem triste, mas temos uma vitória: pela primeira vez, o título recebeu Espanhol da América Latina. Sim, nós não falamos essa língua nativamente, mas foi a primeira vez que a saga recebeu isso, e foi dessa forma que joguei.

    As músicas são excelentes e elas precisam ser. Como não temos falas, as trilhas preenchem todas as cenas, e eles acertaram demais em todas elas.

    Mega Dimension

    Diferente de Pokémon Scarlet & Violet, a performance de Pokémon Legends Z-A está incrível no Switch. Eu testei nele, mas passei a maior parte do tempo jogando no Switch 2, onde recentemente o Scarlet & Violet recebeu pequenos updates necessários para rodar melhor. Por isso, se você curte o game e está no Switch 2, vale conferir ele também.

    Enfim, voltando ao Pokémon Z-A. O jogo base é realmente incrível. Se conseguir ele numa promoção interessante, apenas pegue e jogue. É um jogo bom e divertido. Se você curte a série e já viu tudo o que é pró e contra, já consegue decidir se esse jogo é ou não para você.

    Pokémon Legends Z-A – DLC Mega Dimension

    Mega Dimension

    E, finalmente indo para a sua DLC, ela vale mesmo a pena hoje? Apesar do seu anúncio complicado, ela empolga de verdade como no trailer? Adiciona muito mais conteúdo pelo seu valor?

    Se você passou aí suas 40 ou 50 horas na campanha base, gostou do jogo, se divertiu e quer mais um pouco de tudo que você já viu, então a DLC é, sim, para você. Teremos novas personagens por aqui. Uma vem lá do X & Y do 3DS, a Korrina, que é especialista nas mega evoluções. Mas o jogo também apresenta a Ansha e seu lendário Hoopa, que dão início à história, além de outros personagens da equipe MZ, novos pokémon, novas mega evoluções para pokémon do jogo base e da DLC, mais história, combates, missões, etc.

    Mega Dimension

    Pokémon iniciais de outras gerações também voltam aqui e, sim, eles geralmente marcam presença. Mas não só eles; teremos lendários. Ansha diz no começo da aventura que está buscando um Rayquaza. O motivo eu deixo para vocês descobrirem jogando. Mas não é só esse pokémon icônico, não; teremos outros lendários também e batalhas com eles. E foi isso que me fez ficar até o final da DLC e no pós-game também. Pois sim, você pode fazer mais um pouquinho após zerá-la, assim como é possível jogar mais do jogo base após o seu zeramento, momento em que você pode desafiar certos pokémon e até descobrir mais da história.

    Mega Dimension

    Então o jogo tem muito conteúdo para entregar, e é isso o que recheia a experiência. Porém, você pode se sentir cansado de fazer mais do mesmo em algum momento, pois, para avançar na DLC, você fará um pequeno loop de atividades que já viu acontecer no game base, e isso pode ser complicado. Como eu gostei muito desse novo sistema, achei um refresco para a série e uma preparação para um futuro próximo jogo de Pokémon que deve vir apenas para o Switch 2, creio eu. Enfim, eu gostei muito de receber mais do que já havia gostado.

    Na DLC, a Ansha fará donuts para alimentar o Hoopa, que pode abrir portais para o hiperespaço. Lá, podemos ver um outro lado de Luminália e, então, exploraremos diversos portais espalhados pelo mundo, resolvendo suas minimissões. O objetivo dentro deles pode ser coletar itens, destruir itens, capturar pokémon, batalhar com treinadores, cumprir uma missão secundária ou enfrentar pokémon mega evoluídos. No caso desse último, podemos capturá-los e receber suas pedras de mega evolução, o que aumenta o seu time e é muito divertido.

    Esses portais nos levam a uma Luminália Dimensional. Da DLC, essa é a parte que me quebrou um pouquinho, pois seria legal ver um outro cenário. Faz sentido com a história ser uma Luminália de outra realidade, mas vocês podem sentir também que o cenário fica mais vazio e se torna repetitivo. Infelizmente não tem como negar isso, já que a Luminália Dimensional é basicamente igual à cidade base, só que sem muita cor.

    O interessante é que a DLC é mais desafiadora. Os pokémon passam do nível 100, que era o nível máximo. Então, as batalhas são mais legais ao meu ver, e eu acabei até fazendo um time novo para a DLC. Afinal, seria superdivertido mudar todo o meu time para esse novo conteúdo. Explorar os portais geralmente te dá muita EXP e itens para seus pokémon ganharem experiência, ajudando a colocar todos no nível 100 rapidinho.

    Então, caso você esteja aí procurando formas de evoluir rapidamente, recomendo fazer as fendas dimensionais. Elas darão bastantes itens para evolução, até mais do que as batalhas do Z-A te entregam ao adquirir um cupom para desafiar o próximo treinador, que também é uma coisa legal de se fazer no game base.

    Recentemente tivemos uma atualização interessante. Até saiu vídeo lá no Feededigno, confiram nossos canais de vídeo também! Nele, citei a atualização 2.0.1, que permite carregar mais Mega Shards e comprar diversas Berries de uma vez só. Isso facilita bastante, já que pegamos muitas Mega Shards na DLC. Todos os portais têm muitas delas e, assim, você completa rapidinho a coleção de Mega Pedras. E comprar várias Berries de uma vez só foi um adianto e tanto!

    Nas fendas, você também vai encontrar Berries melhores para criar donuts melhores, com efeitos especiais diferentes e com mais tempo de duração. Assim, você pode usar as melhores opções nas fendas mais complicadas. Elas podem ir de dificuldade 1 estrela até 5 estrelas, assim como os donuts podem chegar até 5 estrelas de eficiência.

    Conclusão

    A DLC Mega Dimension te entrega uma história secundária nova e que é longa demais para ser considerada apenas uma historinha secundária simples. Conheceremos novos personagens, pokémon e megas.

    Ansha e Hoopa são personagens bem interessantes e divertidos, que fazem parte do enredo novo, entram para o time e têm funções dentro do jogo.

    Vale a pena se você gostou de tudo o que jogou no game base e se já o terminou também, pois a DLC só pode ser acessada após o término da campanha principal. Você vai explorar uma outra dimensão de Luminália, encontrará pokémon acima do nível máximo, verá uma nova história dentro desse mundo, terá batalhas novas com pokémon megaevoluídos, uma nova Pokédex para completar e mais. Porém, a DLC entrega muito do que você já viu.

    Apesar da nova história, dos personagens, dos pokémon novos e das megas novas, o cenário é o mesmo. As batalhas de megas têm movimentos diferentes, mas, no geral, funcionam como no jogo base. A mecânica de criar donuts e entrar em portais é diferente, mas isso, por si só, não garante uma novidade que mude tudo.

    Batalhar e capturar lendários icônicos é um dos pontos mais fortes, já que o combate do jogo é o que faz ele brilhar. É a famosa cereja do bolo e te mantém firme para avançar na DLC sem parar. Junto a isso, claro que todas as novidades que citei são legais. Meus pontos negativos da DLC ficam para o seu preço cheio de R$ 199,00. Sendo quase um jogo novo, poderia ter um preço mais acessível. Quem sabe em promoções? Com certeza!

    Concorda com tudo o que leu aqui? Se identifica com a experiência que tive? Jogou a campanha ano passado, bateu uma saudade de jogar mais, criar um time novo e, quem sabe, testar a DLC? Então, sim! Eu recomendo a DLC Mega Dimension para você.

    Confira o trailer da expansão:

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    CRÍTICA – ‘Animal Crossing: New Horizons’ vale ser conhecido ou redescoberto em 2026

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    A franquia Animal Crossing está fazendo 25 anos em 2026 e, apesar de muitos não acreditarem na força dos jogos de social sim, cozy game, life sim e/ou com elementos apelidados carinhosamente de “fazendinhas”, essa é uma das franquias que prova que esse nicho é forte e importante na indústria dos games.

    Esse não é o título precursor do gênero, acho que podemos atribuir isso ao Harvest Moon, com seus 30 anos e sendo pai do estilo “fazendinha”, mas com certeza Animal Crossing tem seu espaço mais do que muito bem estabelecido nos jogos do estilo, com seus diversos elementos únicos e que cativam seus fãs ano após ano.

    Animal Crossing New Horizons foi lançado em março de 2020 e foi um sucesso, um dos jogos mais vendidos da Nintendo e que veio em uma época difícil. Ninguém esperava por uma pandemia, algo que mudou e marcou todas as pessoas no mundo, não sendo possível ignorar esse fato.

    Esse jogo foi responsável por unir muitas pessoas. Pessoas que nem jogavam videogame, outras que nunca dariam chance para um jogo de Simulação Social ou Cozy Game. No final, fisgou tanto o público que vendeu mais de 47 milhões de unidades mundialmente até 2025, mas em 2026, com seu relançamento em uma versão para Nintendo Switch 2 e uma atualização gratuita que parece uma DLC recheada de conteúdo, isso deve aumentar ainda mais.

    Fora que, nesse meio-tempo, ele já recebeu diversas outras atualizações e uma DLC bem recebida, a Happy Home Paradise, que foi lançada em 5 de novembro de 2021. Essa DLC pode ser comprada à parte ou pode ser utilizada a partir da assinatura do Nintendo Switch Online + Pacote Adicional, junto com os upgrades de Zelda, pistas extras de Mario Kart 8, etc.

    Agradecemos à Nintendo Brasil pelo envio de uma chave do game para nós aqui do Feededigno.

    Minha Experiência: Esse jogo também é um pequeno lar

    Animal Crossing

    Comprei o meu Nintendo Switch OLED usado de um colega em 2023 e eu nem imaginava que iria me apaixonar tanto por esse videogame. Hoje não consigo mais viver sem essa portabilidade que ele entrega, e o meu primeiro jogo foi justamente o Animal Crossing New Horizons. Quase um ano depois, compramos um Switch Lite novo em uma promoção e sua edição vinha com uma cópia do Animal Crossing. Dessa forma, minha noiva conseguia jogar também e jogamos juntas até hoje.

    Um pouco antes da compra do Nintendo Switch 2, vendi o Lite e cometi o erro de não transferir a minha ilha antes de fazer isso. Então, aqui fica a minha dica: na eShop você encontra o “app” para transferir sua ilha de um console para outro. Faça isso antes e vai salvar todo o seu progresso.

    Então comecei uma nova ilha em dezembro de 2025, já me preparando para as novidades que chegariam em janeiro. Novidades que, no atual momento desse texto, já chegaram, né? Pois foi anunciada a sua atualização 3.0 e sua versão para Switch 2 no dia 15 de janeiro, mas no dia 14 já podíamos experimentar tudo da nova atualização.

    E se em 2023 eu fiz mais de 90 horas jogando esse game, tendo comprado ele no final daquele ano, eu joguei mais ainda em 2024 e 2025. E claro que em 2026, que só está começando, não será diferente, não. E isso que é legal em Animal Crossing: você vai acabar jogando bastante ele ao longo do tempo. Não é necessário que jogue horas e horas por dia, por exemplo, para se manter avançando e atualizado junto com todo mundo, como nos gêneros de MMORPG e similares que precisam disso.

    Animal Crossing New Horizons não te entrega aquela dopamina do TikTok e sua ansiedade de tabela, ou aquela dopamina dos itens raros caindo aos montes nos ARPGs e MMORPGs, com dezenas de números subindo dano constantemente. Não, esse é um jogo feito para relaxar e no qual você constrói uma relação com o tempo.

    Animal Crossing

    Todo dia você entra no game, joga por uns 20 ou 30 minutos e já plantou, pegou pedras, madeiras, chamou um novo visitante para a sua ilha, colheu as frutas, descobriu novos peixes, insetos e fósseis, talvez novas artes, etc. Ele te deixa aproveitar tudo num ritmo mais tranquilo e te ensina paciência. O apego com a sua ilha vem com o tempo. Novos jogadores levam seu tempo descobrindo como fazer novas ferramentas, como passar pelo rio pela primeira vez ou como é possível nadar e descobrir mais tipos de peixes, ou até um NPC, quem sabe.

    Essa rotina cuidando da sua ilha, conversando com seus moradores e os NPCs que te ajudam a progredir em cada coisinha é muito divertida e te tira um pouco daquela realidade corrida e cheia de estímulos sem parar com uma tela de celular. E foi o que me ajudou em diversos dias mais difíceis a simplesmente pausar um pouco a minha mente agitadíssima.

    O game funciona no mesmo tempo que na vida real. Eu já abri o jogo às 3 horas da manhã, sendo de madrugada na minha ilha também, e os NPCs tinham frases sobre isso. Achei até um fantasma que se assusta com “humanos” de verdade. E assim como essa situação, eu encontrei diversos outros eventos em outros horários e até em outros climas, já que o jogo também tem Outono, Inverno, Primavera e Verão. E, dependendo da região que escolhemos para nossa ilha, ela terá criaturinhas diferentes das de outras ilhas dos seus amigos!

    Edição Nintendo Switch 2

    Animal Crossing

    Comprei o meu Nintendo Switch 2 no final de 2025, estou com ele há cerca de 5 meses e foi incrível recomeçar essa ilha nova. As melhorias de resolução são muito bem-vindas e ótimas para aproveitar a tela do portátil mais recente e a possibilidade de jogar em 4K no modo dock, mas foi uma boa surpresa testar o modo mouse e achar ele excelente para decoração e desenhos.

    E preciso confessar: o modo mouse não me chamou muita atenção desde o lançamento. Eu não curti tanto no Metroid Prime 4 e apenas usei para testes e, sim, lá fazia tanto sentido sendo um FPS, né? Mas aqui, talvez por não ser algo frenético e você poder usar com paciência, a precisão que ele te dá é muito legal.

    Animal Crossing

    Outra coisa adicionada foi o megafone. Com ele, você usa o microfone do Switch 2 para chamar os moradores. Porém, essa adição eu não gostei muito. Às vezes funciona bem legal, às vezes o morador não vai vir, acredito que pela distância ou por ele não estar em casa, mas pode ser que você fale o nome de um e venha outro. Fico me perguntando se seria a pronúncia dos nomes ou se faltam alguns ajustes finais, sabe?

    Animal Crossing

    E podemos jogar online com até 12 jogadores, mas só se todos estiverem no Switch 2. No Switch 1 podíamos ir até 8, com 4 em cada Switch. E, continuando com o Switch 2, também podemos utilizar sua webcam (vendida à parte) para jogar com os amigos conectados.

    Se você já tem a versão do jogo do Switch 1 como eu, é só fazer o upgrade pelo valor de R$ 30,00, mas se você desejar comprar o jogo com o upgrade (sem a DLC 1), você pode comprar na eShop ou em mídia física e não é game key card, ainda bem, né?

    Então, esse upgrade vem mais para adicionar esses elementos com relação ao novo console da Nintendo, sendo um valor até bem interessante, de apenas R$ 30,00 para quem for adquirir apenas o upgrade. Mas se for comprar o jogo completo, vai sair por R$ 379,90 o jogo base com o upgrade do Switch 2. A mídia física depende, mas é interessante adquiri-la em promoções que você possa encontrar em lojas confiáveis, e a DLC se mantém por R$ 151,00 ou dentro do pacote do Switch Online + Pacote Adicional mesmo.

    Atualização 3.0 e suas novidades

    E o que realmente salta aos olhos são os conteúdos adicionados na atualização gratuita 3.0, que chegou para ambos os consoles Switch, tanto o 1 quanto o 2, não se preocupem.

    Com essa nova atualização, diversas coisas novas foram adicionadas, a começar com novos NPCs. Um deles traz o serviço de Reset do Resetti, personagem conhecido em títulos anteriores da franquia. Esse NPC te ajuda a limpar a sua ilha com mais eficiência. Assim, você não retira um item por vez, você solicita seu serviço no dia e pode retirar tudo de uma vez com ele.

    Lembrando que, a primeira vez que for usar o serviço, terá “amostra grátis”, mas a partir do segundo uso, você precisa pagar 60.000 Bells (ou Bayas se estiver jogando em espanhol), e todos os itens coletados vão para o seu inventário. Recomendo que já pense em tudo que você quer limpar, assim você paga o serviço de um dia e utiliza várias vezes nesse dia, deixando tudo do seu jeitinho de uma vez só.

    E uma família muito carismática de tartarugas, a família Kapp’n, chegou com um Resort Hotel na ilha que se instalará na ponta do seu deck, com quartos para você personalizar do seu jeitinho, e todo dia você pode fazer novos itens para ir decorando mais e mais ele.

    Essas duas novidades já deram uma carinha nova e um refresco para os jogadores, mas além disso, foram adicionadas mais coisas legais.

    Animal Crossing

    Uma colaboração com Mario já existia, mas agora temos colaborações com Zelda, Splatoon e LEGO. No mesmo local onde pegamos os itens de colaboração do Mario, lá no Tom Nook, podemos solicitar itens dessas outras franquias. As de LEGO carregam automaticamente como as de Mario, mas das outras franquias precisamos de amiibos para liberar seus itens e roupas temáticas e, dependendo de qual amiibo você usou, será possível chamar 1 dos 4 moradores temáticos novos.

    De Zelda podemos ter a Mineru do mais recente Hyrule Warriors, jogo do qual fizemos uma review e que é maravilhoso também, sendo minha adição favorita. Também temos o Tulin do Zelda Tears of the Kingdom, e de Splatoon, a Cece e a Viché.

    Outra colaboração interessante é meio que com a própria Nintendo: podemos adicionar os videogames clássicos nas nossas decorações e, caso você tenha o Switch Online, também é possível acessar alguns jogos direto pelo Animal Crossing. Poderemos ter em nossas mesas, então, o NES, Famicom, Famicom Disk System, Game Boy, Super Famicom e Super NES (SNES).

    No caso de precisar de Amiibos e de uma assinatura, acaba caindo fora da ideia de “gratuita” da atualização. Se você já tem um Amiibo, algum colega tem, ou se você já tem o Switch Online, tipo como eu que assino em família e tal, é uma adição legal para quem já faz parte disso, né?

    E além dessas grandes novidades, tivemos novidades menores que, acreditem, são muito aguardadas por jogadores antigos. E vão ajudar a receber muitos novos jogadores, com toda certeza!

    A primeira delas é que não precisamos carregar nossos materiais o tempo todo. Ao construir um novo item, podemos usar os materiais que guardamos no depósito da nossa casa, sem precisar ir lá retirar todas as vezes e guardar de novo. Só não conseguimos acessar isso estando em outras ilhas, aí usamos nosso inventário mesmo. E também não precisamos mais criar um item por vez. Podemos fazer agora até 10 itens de uma vez, e isso ajuda na criação de itens repetidos!

    O estoque expandiu para até 9000 itens; podemos guardar até grama e outras plantinhas que antes não podíamos. Só lembrando que, para ter esse estoque grandão, precisamos fazer os upgrades de casa, então é só ir lá no Tom Nook e adquirir uma nova dívidazinha com ele que a nossa casa aumenta.

    E o mundo dos sonhos agora também tem novidades. Antes era uma cópia da nossa ilha, agora são até 3 ilhas que você pode decorar como quiser direto. Para os que têm pressa e gostam daquele modo “criativo do Minecraft” com tudo já liberado, é tipo isso. É ótimo também pra você testar coisas que gostaria de ter na sua ilha de verdade, sendo mais certeiro nas buscas de itens e materiais para progredir na decoração dela. E você pode chamar seus amigos para ver essas suas ilhas e decorar com você.

    Meu novo sonho agora é juntar 12 pessoinhas decorando uma ilha dos sonhos, tá? Achei isso incrível demais e que seria uma boa tarde de domingo com amigos conversando. O difícil é todo mundo ter tempo, é aquele velho desafio de montar uma mesa de RPG com uma galera no mesmo dia, mesmo horário e afins, só que daí cada um tem um dia diferente da folga do CLT. Complicado, né? Um dia dá certo e realizamos essa façanha por aqui.

    Minha única tristeza foi não receber as legendas em PT-BR como os Zeldas receberam. Esse jogo é bem forte no Brasil e imaginei que viriam algum dia. Então, permaneço jogando em Espanhol. Por favor, Nintendo, faz a boa aí, Animal Crossing tem um público gigante aqui, lança essa legendinha por aqui também. “Amém”.

    Então, Animal Crossing New Horizons em 2026 ainda faz sentido?

    Animal Crossing

    Sim, Animal Crossing New Horizons é um jogo incrível, divertido, relaxante e atemporal. Deem uma chance para o game, tenham um pouquinho de paciência e façam as coisas do seu jeitinho. Se você for um jogador novo, por favor, fuja dos vídeos de 10, 20 e 30 dicas para o game. Não que sejam vídeos ruins, eu mesmo os amo, mas se está começando agora, jogue no seu ritmo e vai sentir uma pequena felicidade toda vez que descobrir uma coisinha nova por si mesmo.

    Até se você errar em algo, não tem problema, o jogo não é punitivo. Aquele item que você vendeu vai aparecer de novo; não tenha pressa, viva um pouquinho de cada vez e converse com os seus moradores. Permita-se divertir sem que tudo seja uma meta impossível de “chegar no End Game de forma rápida” ou “como ler X livros em uma semana”. É só entrar no jogo e jogar.

    É até interessante intercalar esse game com outros. Nesse mês de janeiro eu descobri um amor enorme por Fire Emblem: Path of Radiance, um game de GameCube liberado na assinatura do Switch Online + Pacote Adicional. Eu fui só testar e não parei de jogar até zerar, mas antes de começar minha gameplay cheia de estratégias, parava para dar uma olhadinha na minha ilha por alguns minutos no dia. E valeu muito a pena!

    No caso de vocês já serem players antigos, retomem Animal Crossing New Horizons. Se você já tem uma ilha, dá uma limpadinha nela, acerte as baratas que ficaram na sua casa, já que você não entra lá tem muito tempo, converse com seus moradores para explicar o sumiço, aproveite as novidades e curta bastante.

    Vale a pena o upgrade de R$ 30,00 para o Switch 2. Caso vocês estejam no Switch 1 e já tenham o jogo, é só atualizar e aproveitar. O complicado fica para quem vai comprar o jogo completo agora. Vale a pena? Vale, sim. Mas você se identifica e concorda com tudo o que está aqui no texto? Se sim, Animal Crossing vai ficar no seu coração, como está no meu desde 2023.

    Confira o trailer da expansão:

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    State of Play: Confira todos os trailers do evento de Fevereiro de 2026

    Desde setembro de 2025 não tínhamos um State of Play. O primeiro evento da Sony de 2026 chegou para não deixar sombra de dúvidas do que a desenvolvedora pretende lançar daqui pra frente. Com grandes, pequenos e médios anúncios, o evento chegou com o pé na porta, com retorno de God of War e muito mais!

    Confira os trailer que foram lançados durante o evento:

    Kena: Scars Of Kosmora

    Ghost of Yotei: Legends

    Death Stranding 2: On The Beach (PC)

    4:Loop

    Pragmata

    Resident Evil Requiem

    Legacy of Kain: Defiance Remastered

    Dead Or Alive

    Control Resonant

    Crimson Moon

    Beast of Reincarnation

    Rayman: 30th Anniversary Edition

    Mina The Hollower

    Neva: Prologue

    Yakoh: Shinobi Ops

    Project Windless

    Star Wars: Galactic Racer

    007 First Light

    Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2

    Darwin’s Paradox

    Castlevania: Belmont’s Curse

    Silent Hill: Townfall

    Rev.Noir

    John Wick

    Marathon

    Saros

    Marvel Tokon: Fighting Souls

    God Of War Trilogy Remake

    God Of War: Sons of Sparta

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    CRÍTICA: Yakuza Kiwami 1+2 é sobrevida à longeva franquia, agora no PS5

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    Desenvolvi um interesse singular pela franquia Yakuza bem mais velho do que deveria. Já falei isso aqui no Feededigno na primeira vez que escrevi sobre Yakuza 0, ou Kiwami, não tenho certeza. Mas, sem dúvida, um dos aspectos que mais me cativou foi ver que a franquia tem tudo que um homem bobo gosta. Ela une uma seriedade seletiva a muitos momentos de descontração. Aqui, retorno à franquia Yakuza com Kiwami 1+2.

    Agradeço a Sega pelo envio da chave para que esse conteúdo pudesse ser produzido.

    Yakuza Kiwami e Kiwami 2 chegaram primeiro ao Nintendo Switch, respectivamente em 2024 e 2025. Somente em dezembro de 2025, os games foram vendidos em um bundle para o PlayStation 5. Mesmo já tendo finalizado os dois games originalmente via Game Pass, eu não via a hora de adentrar de novo nessa história. Afinal, ela foi o meu ponto de entrada para uma das franquias que mais me divertiu até hoje.

    A diversão de Yakuza se faz presente a todo o momento. Isso fica evidente na profundidade narrativa de seus diálogos. Mas o destaque está na forma como o jogo nos conduz: com comédia, nonsense e tudo o que a franquia consolidou como seu DNA.

    Enredo, gameplay e dinâmicas

    Yakuza Kiwami 1+2

    Ouso dizer que Yakuza Kiwami tem um dos melhores arcos narrativos da franquia. Ele é claro: Kiryu é acusado de um crime que não cometeu. Passa 10 anos na cadeia e quando sai, Kamurocho, o lugar que era seu lar e o Clã Tojo já não são mais os mesmos. Enquanto precisa se readaptar à nova realidade, ele começa a explorar as possibilidades de viver em um mundo em que novos aliados hão de surgir, e aliados do passado, se tornam inimigos.

    Quando tudo se resolve ao final de Kiwami, cabe a nós lidar com uma nova ameaça que surge nas ruas da Kamurocho em Kiwami 2, o chamado Dragão Dourado, na figura de Ryuji Goda.

    Existe pouca diferença na gameplay de Yakuza Kiwami 1+2, em relação ao que foi lançado antes. Além dos gráficos melhorados, o game parece ter recebido apenas um remaster. O que eu diria que foi de fato o maior diferencial até aqui, é a inclusão de legendas em português do Brasil em ambos os games.

    Yakuza Kiwami 1+2

    A gameplay se mantém divertida, com os conflitos frequentes entre Goro e Kiryu sendo um dos pontos mais altos. Não pense que Goro aqui tem um papel irrelevante, ele acredita que Kiryu pode voltar a ser quem um dia já foi, o Dragão de Dojima. Grande parte da árvore de habilidades de Kiryu em Kiwami só podem ser liberadas após encontro aleatórios com Goro, o que torna a gameplay ainda mais divertida e nos força a ficar procurando-o por toda Kamurocho.

    Aqui, as dinâmicas presentes na narrativa nos levam por jornadas profundas de crescimento dos personagens e sidequests nonsense que podem tanto causar estranheza, quanto nos dar uma crise de riso, como a missão “Be My Baby” de Yakuza Kiwami 2.

    Yakuza Kiwami 1+2 é porta de entrada na nova geração

    Yakuza Kiwami 1+2

    Dizer mais uma vez que a franquia Yakuza rapidamente se tornou minha favorita nos últimos anos, é chover no molhado. Ver os dois títulos de entrada da franquia disponíveis para as novas gerações de console, nos dão certeza de que a Ryu Ga Gotoku Studios ainda tem muita lenha a queimar com jogos futuros.

    Nos últimos anos, cobrimos quase todos os lançamentos da franquia, o que me traz uma imensa satisfação pessoal. Para mim, Yakuza Kiwami 1+2 formam um dos arcos narrativos mais bem elaborados dos videogames, e Ryuji Goda talvez seja o vilão mais bem desenvolvido da série até hoje. Com motivações convincentes e uma presença marcante, Goda é a prova do que o estúdio faz de melhor: desenvolver um roteiro complexo sem nunca perder de vista a evolução de seus personagens.

    Obrigado à Sega mais uma vez por nos dar a oportunidade de cobrir esse game pela terceira vez por aqui no Feededigno.

    Confira o trailer de lançamento:

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    CRÍTICA – ‘Crisol: Theater of Idols’ é o horror religioso na sua mais pura forma

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    Um dos elementos que sempre me causaram mais terror foi imaginar coisas inanimadas ganhando vida. E o pior disso é vê-las avançando em sua direção. Mas eu nunca havia parado de fato para pensar nisso, pelo menos não até assistir ao primeiro episódio da primeira temporada moderna de Doctor Who, “Rose”, lançado em 2005. E, para minha surpresa, encontrei algo bem parecido em Crisol: Theater of Idols. Aqui, o horror vai além do físico e brinca com a culpa religiosa, algo equivalente à culpa cristã. Somos lançados em uma jornada que exige um sacrifício constante: doar o próprio sangue do protagonista para seguir em frente.

    Aqui, estes não são manequins, como em Doctor Who, mas sim Astillados, estátuas com visual barroco que avançam em sua direção sem pena.

    Crisol possui uma forte ligação com o que é divino e o profano. Por mais que os dois andem de mãos dadas, e a linha entre eles nunca pareça ser esclarecida, o game parece querer nos encaminhar para tirar nossas próprias conclusões ao final da história. Por mais que eu ainda não tenha chegado até lá, parei no início do capítulo 4 e acredito não estar muito longe do fim.

    O pessoal da Vermila Studios me enviou a chave para produção de conteúdo do game antecipadamente, o que me permitiu jogar cerca de 13 horas antes de fazer esse review.

    O sangue é o mais claro sinal de obediência

    Crisol

    Crisol parece explicitar a todo momento que adoração e penitência andam de mãos dadas. No controle de Gabriel, precisamos pagar com sangue as munições que utilizaremos a fim de avançar na missão divina do personagem. Em nome da Igreja do Sol, precisamos ir até Tormentosa caçar o líder do Culto do Mar.

    O Culto do Mar parece ser uma religião relativamente nova neste mundo e funciona como uma corruptela de tudo que a Igreja do Sol acredita e prega (pelo menos em partes).

    Ao longo de sua jornada, Gabriel entende que não possui força o suficiente para atravessar o que se coloca entre ele e seu objetivo. Enquanto descobre a verdade por trás do que acreditava ser real, seu mundo parece ruir aos poucos e ele compra com sangue as munições das armas que utilizará para avançar. Munido de armas de fogo, plasmarinas (a poção de vida do game) e um poder “divino” de absorver sangue, Gabriel precisa se manter vivo.

    Enquanto isso, nós, jogadores, precisamos escolher: preferimos uma arma carregada ou sangue o suficiente para avançar?

    Do lado dos Solari (aqueles que ainda acreditam no deus do Sol), Gabriel encontra abrigo no que parece ser um parque de diversões antigo, em Tormentosa. Alguns dos elementos mais divertidos do game vêm dali. Esses personagens representam os indivíduos que lutam contra a opressão do Culto do Mar, mas não se resumem a isso. Diferente de Gabriel, eles sabem o que o deus Sol fez no passado e, ainda assim, optam por segui-lo.

    Gameplay e enredo

    Crisol

    Com a gameplay em primeira pessoa, o jogo aproveita para nos aprofundar no terror. Crisol lança contra você estátuas barrocas, querubins, pinturas bizarras que ganham vida e monstros de mais de 3 metros de altura. Aqui, o jogo nos obriga o tempo todo a escolher como agir diante de um desafio. Seja diante de puzzles ou inimigos enormes, cabe a nós entender as dinâmicas do game e ver como tirar melhor proveito delas.

    Um dos aspectos mais interessantes e dinâmicos da gameplay é o gerenciamento de vida, que, ao mesmo tempo, é o gerenciamento de munição. Ou seja, caso você tenha vida o suficiente, bem como plasmarinas, você pode ter munições quase que infinitas. Ouso dizer que, aqui, o game parece pegar demais na sua mão. Em determinado momento, me vi com 6 plasmarinas no inventário prontas para serem usadas. Que, se misturadas à adição de animais e pessoas para absorver e “roubar” o sangue, são mais do que suficientes para progredir.

    Crisol

    Mesmo jogando no difícil, não senti grande dificuldade. Enfrentar inimigos, gerenciar grandes hordas quando chega a hora e manter uma quantidade de sangue razoável durante o combate não é um enorme desafio.

    Outro elemento positivo do game vem dos upgrades possíveis. Quase sempre, ao lado de um save point, está a Bruxa, uma personagem misteriosa que concede melhorias para Gabriel. Garantindo habilidades que vão além do combate e giram em torno da sobrevivência, ela nos permite realizar aprimoramentos a fim de cumprir nossa missão, melhorando não apenas as habilidades, como o arsenal do Guerreiro do Sol.

    Enquanto se distanciam do “Escolhido”, do Guerreiro do Sol na figura de Gabriel, os Solari entendem que o reinado do Culto do Mar precisa chegar ao fim em Tormentosa. E estes auxiliarão nosso “herói” em sua jornada. Auxiliado quase que inteiramente por Mediodia, uma jovem solari, Gabriel passa a descobrir que existe mais do mundo do que ele conhece. Quando uma amizade improvável surge, cabe a nós fazer uso dessa relação para progredir e descobrir cada vez mais sobre o mundo e sobre os segredos do Rei Sol.

    Lançamento e falhas

    O game chega no dia 10 de fevereiro para PlayStation 5, Xbox Series X/S e PC. A Vermila Studios, um estúdio indie espanhol, desenvolveu o jogo pensando na experiência completa em seu idioma nativo. Mas é claro, Crisol traz legendas em português do Brasil, o que torna a experiência muito mais profunda e rica.

    Com um brilhante trabalho de atuação de voz, ainda mais na versão em espanhol do que no inglês, a Vermila se juntou à Blumhouse na empreitada de apresentar essa história ao mundo, que parece saída de um pesadelo. Mergulhados em um mundo perverso, o preço cobrado na jornada parece por vezes alto demais. Mas Gabriel, como o bom soldado que é, está disposto a pagar.

    Apesar de tudo que existe de bom na história ou gameplay, Crisol: Theater of Idols possui alguns aspectos negativos que não podem ser negados. Joguei o game no PlayStation 5, mas constatei falhas de frames constantes em diversos momentos da gameplay. Mas não apenas isso: testemunhei dois ou três congelamentos de tela e quedas de frames que podem ou não ter beirado 10fps.

    Algo que vale apontar aqui é que, toda vez que fechei o game e precisei voltar ao meu save, ao retornar pelo menu inicial com a opção “continuar”, ele continuava sempre do último checkpoint. O salvamento do game parece ignorar completamente o salvamento manual, o que me forçou a carregar o game novamente, mas dessa vez, no save.

    Outro ponto negativo vem da gameplay e dos puzzles, alguns simples demais e outros sem qualquer tipo de explicação. Um deles tem a ver com um penitente cujo corpo precisamos encontrar. Passei quase 30 minutos para solucioná-lo da primeira vez. O fiz, mesmo sem saber como. Ao fazer o puzzle em outras duas vezes mais à frente (em dificuldades diferentes), consegui ver a lógica, ou a tentativa de se fazer lógico, por trás dele.

    Crisol: Theater of Idols é horror, e o fim pode ser só o início

    Crisol

    Avançar pela história de Crisol pode ser apenas um detalhe diante das poucas, mas profundas dinâmicas que precisamos gerenciar para um FPS. Enquanto se aprofunda no gênero, ele rapidamente deixa de ser um raso FPS para ser um profundo jogo de terror. O gore está presente em tudo, desde o sangue de Gabriel escorrendo nas armas até os corpos de animais mortos na rua. É assim que Crisol nos faz “coçar” em um lugar escondido da mente: no medo do ilógico.

    Ver estátuas, querubins e pinturas ganharem vida dá ao game uma sensação de misticismo única. Com uma atmosfera profunda, vemos diversos aspectos que traçam paralelos entre as religiões retratadas no jogo com as religiões do mundo real. Seja pela penitência constante, ou pelo fato de ser necessário sofrer em vida para merecer algo melhor no que vier depois.

    Gabriel entra na história como um personagem que parece saber pouco do mundo real, mas já parece ter matado muitos em virtude da sua fé cega. Seguindo à risca toda e qualquer doutrina que parece ter sido enfiada por sua goela abaixo, testemunhamos aqui o véu que existe sobre seus olhos se dissipar lentamente.

    Conforme a progressão do game, ou pelo menos até onde eu parei (no início do capítulo 4), Gabriel não é mais o mesmo do início da história. E isso não vem apenas daqueles que ele precisa absorver pelo “bem maior”.

    Funcionando como algo muito além de um jogo de terror ou um simples FPS, Crisol me manteve imerso em sua gameplay por horas seguidas. Enquanto seus gêneros se misturam, o jogo se revela, por fim, uma obra com narrativa profunda e elementos que ultrapassam o que se vê num primeiro momento. Ouso dizer que este pode ser não apenas o primeiro capítulo de Crisol, mas o marco inicial de muitos sucessos que ainda virão para a Vermila Studios.

    Confira o trailer do game:

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    CRÍTICA: ‘Metroid Prime 4 Beyond’ é incrível, mas não é capaz de agradar a todos

    Metroid Prime 4 Beyond traz um recomeço para a saga após 18 anos desde o título anterior, Metroid Prime 3: Corruption, lançado para Nintendo Wii. Esse título chegou para Nintendo Switch e Switch 2 em 4 de dezembro de 2025, carregado de expectativas de fãs novos e antigos após meses em silêncio; já que o seu primeiro trailer de anúncio aconteceu em uma Nintendo Direct em junho de 2024, e só em 2025 voltamos a ter novidades sobre ele.

    O novo jogo da Samus prometia muito.

    Agora, a ideia é um recomeço para a aventura da Samus nas plataformas modernas da Nintendo. Com esse recomeço para a série, você não precisa jogar os demais jogos para começar por ele, e isso é ótimo; porém, provavelmente você vai querer conhecer os outros títulos da saga se gostar desse em si.

    Adianto que Metroid Prime 4 impressiona e acerta em muitas coisas, mas peca em outras; e isso torna difícil desse novo jogo superar os seus antecessores. Claro, ele supera diretamente se falarmos apenas da parte técnica (já que ele está em consoles mais atuais); porém, precisamos levar em consideração mais do que gráficos, controles modernos, resolução e FPS.

    Desempenho e Modos de FPS

    Metroid Prime 4 Beyond

    Inclusive, esse é um jogo que conta com a possibilidade jogarmos no Switch 2 com melhorias de resolução e FPS, além da adição do modo mouse desse novo console; e ele roda sem problemas no Nintendo Switch também. Mas o que surpreende a nós, brasileiros, é que esse é o primeiro Metroid com legendas oficiais em PT-BR.

    Comecei jogando no Modo TV em 4K 60FPS e foi bem legal, fica lindo na TV; mas, como esse é um FPS, foi inevitável a curiosidade de vê-lo rodando em 120FPS. No modo TV é 1080P 120FPS e no portátil é 720P 120FPS; depois que mudei para essa configuração, só joguei dessa forma. É um caminho sem volta.

    Um detalhe é que tenho aquele famoso enjoo (cinetose) jogando alguns jogos, geralmente jogos em primeira pessoa, como é esse; e uma coisa que, por incrível que pareça, me ajudou a reduzir essa sensação foi quando testei esse modo com mais FPS. Então, fica a dica aí também: se você é desses, testa esse modo e veja se fica mais interessante. Pode ser que não dê certo para todos, mas foi o que me salvou por aqui e me ajudou a aproveitar cada segundo de gameplay.

    O modo mouse é divertido; acho que é um dos títulos que melhor aproveita isso, falando dos jogos novos. Eu sei que o Mario Paint no Nintendo Online é uma adição legal para seu uso, mas não foi pensado para o console, sabe? Assim como o jogo Cyberpunk 2077 (que apesar do lançamento conturbado, mora no meu coração e comprei a minha primeira mídia física dele sendo a de Switch 2), ele é um jogo bom para se jogar assim, mas ele nasceu no PC. Agora, Metroid Prime 4 Beyond nasce pensado para essa plataforma e é uma adição legal; porém, eu mesma não me adaptei tão bem ainda: preferi jogar no estilo padrão de controle.

    Minha história com Metroid

    Metroid Prime 4 Beyond

    Eu conheço Metroid há muitos anos, mas demorei a finalmente poder jogar algo da saga; e quando o fiz, me apaixonei pela série 2D e pela série 3D.

    A temática sempre me ganhou: algumas inspirações em Alien para uma fã de Alien já se interessar. Fã essa que ama Metroidvanias, Sci-fi e muito mais; então, acredito que pode chamar a atenção e cativar pessoas com esses mesmos sentimentos.

    Me vi imersa em Zero Mission mais de uma vez; achei uma experiência que vai marcar a minha vida para sempre com um Final Boss em Samus Returns; e me vi em dúvida sobre um Metroidvania em 3D que era em primeira pessoa, mas que, ao jogar, foi impossível parar.

    Metroid Prime 4 Beyond

    Tirei a poeira do meu Nintendo Wii quando soube da trilogia Metroid Prime lançada para esse console; e meu novo sonho é ver um remastered no nível do primeiro título chegando para o segundo e terceiro no Nintendo Switch. Eu duvido que aconteça, mas eu gosto de sonhar.

    Tenho muitos títulos da série para jogar ainda, mas era inevitável a ansiedade por Metroid Prime 4 e comprei a sua mídia física de forma antecipada, sendo claramente irresponsável, mas muito feliz com a decisão. Porém, mesmo adquirindo a minha cópia física, também recebemos uma chave da Nintendo Brasil para Nintendo Switch 2, a quem agradecemos.

    E, durante as minhas folgas de final de ano, esse jogo me capturou por quase 17 horas na primeira gameplay e eu me diverti demais.

    A história do jogo convence?

    Metroid Prime 4 Beyond

    A história de Metroid Prime 4 Beyond convence sim: ela é muito boa, faz sentido com a jornada, nem tudo está nos scanners e temos diversas cutscenes que ajudam na imersão dela; porém, ainda sim, não é tão direta. Então, tem quem não vai gostar da forma que ela é contada e isso é compreensível.

    No começo da história, a base da Federação Galáctica é atacada por Sylux, um antagonista que surgiu a primeira vez no Metroid Hunters de DS, em 2006, depois apareceu em mais alguns jogos e marcou o final do Metroid Prime 3 Corruption ao zerar 100%. Fica aqui o alerta: se você é novo na franquia, zerar com 100% te dará alguma cena extra ou uma visual diferente para Samus nos jogos.

    A Federação estava com um artefato Alien que o Sylux também queria pôr as mãos; mas não só isso: ele vinha perseguindo a nossa protagonista há muito tempo.

    Esse artefato é de uma civilização alien chamada de Lemurianos e, por causa deles, somos lançados ao seu planeta natal, o planeta Viewros: um planeta com biomas bem diversos e geralmente em climas intensos (tempestades carregadas, florestas densas, etc.), mas que também era muito hostil.

    Metroid Prime 4 Beyond

    Os Lemurianos conseguiram viver no planeta, apesar da hostilidade desse ambiente, e se estabeleceram na Árvore Sagrada. E, muito antes de evoluírem tecnologicamente, eles descobriram que podiam se comunicar com a consciência dessa árvore; sendo assim, o início de um novo conhecimento, algo que marcou a raça: a possibilidade de alguns poderem manifestar habilidades psíquicas por meio espiritual.

    Anos e anos se passaram, eles evoluíram muito sua civilização: com tecnologias incríveis, com conhecimento espiritual e com esse poder psíquico fazendo cada vez mais parte do seu legado.

    Ao chegarmos, vemos que tudo estava devidamente planejado para nossa chegada e um Lemuriano fala conosco em formato de holograma. Isso acontece pois eles gravaram toda a sua história e preparam instruções que guiaria um Ser Escolhido em sua jornada para ajudá-los após eles serem extintos.

    Não falarei mais para não dar spoilers, pois, a partir daqui, a nossa jornada está só começando e vamos descobrindo mais e mais conforme avançamos.

    NPCs realmente incomodam?

    Metroid Prime 4 Beyond

    Houveram diversas críticas aos NPCs no início do jogo, especificamente o primeiro: Myles MacKenzie, que é um verdadeiro tagarela e que serve de tutorial para novos jogadores.

    Eu achei esse personagem legal (e os demais no futuro também, que inclusive são poucos); os humanos ficam com a gente por pouco tempo e esse do começo é realmente para introduzir novos jogadores e isso faz a franquia crescer mais, certo? Depois disso, exploraremos por aí apenas com Samus, geralmente.

    Em alguns momentos, esse personagem em si nos chamará pelo rádio e, em outros momentos, não teremos sinal de rádio para comunicação.

    Ele dá algumas dicas se acha que você está perdido às vezes. E aqui é a parte que entendo os fãs mais antigos: acho que poderiam pôr uma função no menu de desligar as dicas do MacKenzie; e isso agradaria fãs veteranos que já conhecem o estilo do jogo.

    Ainda assim, acho esse personagem divertido e os demais também; todos têm boa construção dentro do escopo do jogo e fazem sentido com o rumo da história. Mas o que complica é que Samus não fala; eu entendo que queriam evitar o problema do Metroid Other M, um jogo onde Samus fala demais e tem uma personalidade totalmente diferente do esperado de uma caçadora de recompensas que já passou por muita coisa.

    Ela não precisava ser insegura e tagarela como no Other M, mas podia falar meias palavras como uma pessoa séria. O bom é que ela faz gestos e o ruim é que não tem expressão (afinal, ela usa um capacete, né?).

    No saldo final dessa parte, a história é boa, os personagens são interessantes; apenas poderiam pensar numa forma melhor de interação da personagem principal com os demais e a possibilidade de desativar dicas no menu, para os que não querem nenhuma mensagem de rádio do Mackenzie após o tutorial.

    Metroidvania em 3D ou apenas mais um shooter?

    Aqui o jogo brilha, e brilha muito: ele entrega um combate divertido, consistente e cheio de novidades; afinal, temos controles modernos e eles funcionam muito bem. Eles mantêm o que deu certo em Metroid Prime, o que já faz parte da identidade da franquia, como a Morphball (ou melhor, a Morfosfera, já que o jogo está localizado em Português do Brasil agora).

    É absurdamente legal andar por aí na forma de Morfosfera e, em alguns momentos, é mais interessante; não só para passar por locais, descobrir segredos e realizar puzzles, mas porque esse modo é mais rápido que andar normalmente. E, mais pra frente no jogo, teremos um upgrade que melhora mais isso.

    Devo pontuar que, em primeiro lugar, esse jogo não tem como principal o gênero Shooter em Primeira Pessoa (esse seria o segundo foco). Mesmo que seja automático dizermos que esse é um jogo Shooter e acabou, mas não limite ele a isso; não estamos jogando DOOM e outros títulos conhecidos. Pois o primeiro foco é totalmente Metroidvania 3D em Primeira Pessoa; afinal, esse jogo deu origem a esse gênero (está no nome, não é mesmo?).

    Então, o combate é sim um Shooter maravilhoso; mas, em primeiro plano, o foco é explorar os mapas apresentados, buscar segredos nos locais com puzzles ou passagens secretas, adquirir upgrades e, com eles, fazer o famoso “backtracing” do gênero: voltar tudo e abrir novas áreas. E isso ele faz muito bem. Eu, particularmente, acho recompensador demais explorar, encontrar upgrades, voltar em um local que não podia abrir antes e lá dentro encontrar outro upgrade importante ou um boss super divertido.

    No resumo, funciona muito bem: podemos atirar, pular, carregar tiros, virar uma morfosfera; mas vamos além com tipos de tiro diferentes, upgrades que encontramos ao explorar e novas habilidades (que também seremos recompensadas com elas) ao explorar esse mundo.

    Moto? Metroid mundo aberto?

    Metroid Prime 4 Beyond

    Falando em mundo, temos um mapa semiaberto (não é um mundo aberto), com um deserto que liga as “fases” do jogo e possíveis locais de quest e upgrades. Os upgrades geralmente teremos ao completarmos desafios que estão nesse deserto, e eles lembram os templos de Zelda Breath of The Wild e Tears of The Kingdom.

    Poderia até ter mais deles, viu? Gostei muito e preencheria mais esse deserto. E, como temos essa adição, nós também recebemos uma Moto incrível para explorar por aí numa velocidade mais agradável.

    Essas “fases” funcionam como instalações dessa antiga civilização que estamos tentando ajudar; em todas elas, encontraremos mais de suas histórias e o que aconteceu para chegarem até o ponto da extinção.

    A moto se chama Vi-O-la; essa é uma adição imponente, divertida e eu já tô esperando que coloquem ela no Mario Kart World. Ela até foi bem recebida, mas o que não foi bem recebido foi esse deserto: foi bem criticado e eu entendo o motivo disso.

    No momento em que saí para o deserto pela primeira vez com a moto e vi esses cristais por aí, automaticamente comecei a passar por eles coletando; acho que esse costume de jogar videogame que faz parte de mim hoje em dia. Pensei algo como: “Ué, passei por esses cristais aqui, não sei para o que servem agora, mas é possível coletar? Aí tem coisa. Vou logo pegando tudo que der, porque não duvido que o jogo me peça algo com eles no futuro”.

    Metroid Prime 4 Beyond

    Dito e feito. O deserto do Vale do Sol é bem bonito e rápido de explorar com a moto, mas o que frustra são esses tais cristais verdes que devemos coletar: o jogo te obriga a juntar uma boa parte deles, o que toma tempo. Como eu fiz isso desde o começo do jogo, no final faltava pouca coisa; então deixo de dica para não deixar isso para depois: conforme você explora, pegue muitos cristais no caminho.

    Em um dos vídeos que fiz, uma pessoa disse que não gostou do deserto porque ele é vazio; e, nesse caso, os mapas dos jogos da Ubisoft entregam isso melhor. E eu fiquei bem confusa: Assassin’s Creed, Far Cry, Avatar e afins são ótimos jogos, mas prometem outro estilo de jogo. Não tem motivo para comparar; e ainda mais quando vemos que, há pouco tempo atrás, era uma reclamação os mapas lotados de nada e pontos de interesse desinteressantes desses jogos. Sendo sincera: se ouvir algo assim, não dê ouvidos. São jogos diferentes e com públicos diferentes. Não podemos julgar Mario Kart World como um jogo de luta, pois ele é um jogo de corrida; assim como não devemos julgar Metroid por um gênero que ele não é.

    A parte dos cristais me lembrou jogos antigos. Por exemplo, recém visitei um dos meus favoritos, Rayman 2 The Great Escape, que chegou ao Nintendo Online na seção do Nintendo 64; nele, para avançar, você precisa coletar os Lums e usar para liberar as áreas. Então, às vezes, você coletou tudo e vai precisar voltar em algumas fases, sabe? Esse tipo de mecânica poderia ter ficado lá nos antigos mesmo. Dá um corta-clima na imersão parar o que você está focado para voltar tudo.

    Fora esse ponto, o deserto não é tudo isso de ruim que pintam e bordam; ele é até rápido de explorar e lembre-se que o jogo tem umas 15 horas e não é um jogo longo: você não passará tanto tempo assim por lá.

    Os Bosses são tudo isso?

    Metroid Prime 4 Beyond

    Lembra que falei que nos combates o jogo brilha? Nos bosses principalmente. Eu amei quase todos mesmo. Me diverti no boss do tutorial, me diverti no segundo boss, depois nos outros; descobrir como derrotá-los é sempre muito legal.

    Todos têm seu estilo de combate e design que só tornam toda a experiência melhor; você encontra um e automaticamente já acha que vai ser um dos ápices do jogo. As músicas acompanhando são ótimas e os bosses que têm fases diferentes surpreendem mais ainda.

    Eu só achei dois bosses meio sem graça e não vou dizer como eles são ou como enfrentá-los, mas: um você enfrentará após a coleta de um item e será uma luta que não tem mudanças, é só repetir a mesma coisa; e a outra é a primeira fase de uma luta (pode ser que você identifique jogando ou, se já jogou, pegou a ideia de quais estou falando). O jogo tem diversos bosses e são muito bons; então esses dois aqui não estragam a experiência de jeito nenhum, só não são tudo isso se comparado a outros.

    Então sim, os bosses são tudo isso e valem cada momento. Você precisará de diversas mecânicas; sério, teste de tudo. Me diverti horrores enfrentando os bosses e que, apesar de não curtir uma certa primeira fase de um boss, ao passar dela a sequência seguinte foi tudo muito cinema.

    Os gráficos são melhores, mas no geral o Design e o Som convencem?

    O estilo gráfico combina e é charmoso; é o mais atual da série, então não tem nem como comparar. Mas falando sobre o design de level das instalações em si, são legais; e a progressão da Samus com seus upgrades fazem sentido: explorar e achar um pequeno espacinho para resolver algum puzzle, chegar a algum lugar etc., é tudo bem feito. Dá uma real sensação de progressão, já que explorar recompensa e isso ajuda a Samus a ficar mais forte.

    Falando em ficar mais forte, Samus terá trajes diferentes e isso também recompensa o nosso avanço no jogo, tanto para melhorias de combate como para acompanhar a progressão com o design. Seu traje base é icônico sim, mas os outros são lindos também.

    Os sons ambientes também combinam, mas as instalações têm diferentes estilos: você vai ouvir criaturas andando por aí, mas você também ouvirá a tempestade lá fora, as paredes rangendo em alguns locais, canos estourados etc. A ambientação de cada local é muito impecável.

    E falando de músicas: com exceção a música do deserto (que não agrada muito), as demais músicas são obra-prima, maravilhosas, e acompanham diversos momentos importantes; desde momentos de narrativas, momentos intensos com bosses e até uma exploração silenciosa em um local onde a tempestade não dá trégua lá fora, onde o sinal de rádio se foi e você não sabe o que te espera na próxima porta e que pode te surpreender a qualquer minuto.

    E esse Vilão dos Trailers?

    Precisamos falar de Sylux: ele é interessante e muitos queriam saber como seria sua participação por aqui. Ele apareceu muito nos trailers e isso deixou uma hype grande na galera; os antigos fãs pegaram a referência e os novos fãs ficaram procurando por aqui: “Quem é esse tal Sylux?”.

    Mas eu tenho uma péssima notícia: o Sylux mal aparece. Não é um vilão de fato; seu marketing vendeu outra coisa, pois, no jogo, a jornada da Samus é o principal e Sylux é um antagonista que aparece em alguns momentos. Mesmo que sejam momentos importantes e ele faz parte sim da história, ele não é tão explorado, sabe?

    Então, sinto que ele foi mal aproveitado ou mal apresentado; acredito que poderiam deixar esse personagem como surpresa e não como foco nos trailers. Quem jogasse ia ver ele lá e achar uma surpresa boa, principalmente por quem já o conhecia de outros jogos.

    Então Sylux é legal sim, mas poderia ser algo mais.

    Vale a pena?

    Metroid Prime 4 Beyond é um jogo incrível, muito bom, divertido e que consegue ser uma ótima porta de entrada para novos fãs. Entrega um Metroidvania 3D maravilhoso e que vai valer suas 15 horas ou mais; a busca pelo 100% é recompensadora e pode agradar sim os fãs antigos também, porém ele dificilmente vai superar a trilogia anterior.

    Era esperado demais que um jogo só entregasse um nível que superaria uma trilogia completa, e isso não acontece. Devido ao tempo de desenvolvimento, expectativas e muito mais, é possível entender esse peso colocado nos ombros desse título; então fica de aviso: esse é um bom jogo, mas que não consegue superar sozinho a sua trilogia antecessora.

    Se você não jogou os títulos anteriores, só vai. Essa parte só vai ficar na sua mente se você gostar do quarto jogo e decidir conhecer os demais depois; já adiantando que até vale a pena: se gostar desse, jogue os outros também. E se você jogou os antigos, jogue entendendo que a sua trilogia amada é maravilhosa, você pode jogar ela de novo se sentir saudades (ela estará lá exatamente como você lembra), mas o novo jogo não veio reinventar a roda.

    Ele mantém o que deu certo, aprimora a modernização da franquia e arrisca novidades diferentes, que podem ou não agradar; vai de você. Eu, particularmente, amei minha experiência em Metroid Prime 4 Beyond.

    Agora, o preço. Aqui é complicado; atualmente em toda review eu critico o preço, já que estamos em uma época em que os jogos custam mais de R$ 400. Na eShop a versão de Switch custa R$ 349; de Switch 2 custa R$ 439,90 e o pacote de melhoria por R$ 59,90. Esses preços não são baratos.

    Então vai aqui uma dica que deixei em outros textos também: a mídia física poder ser mais interessante. Comprando em uma loja oficial (que você confia), que tenha cupom ou cashback, é possível economizar encontrando valores entre R$ 210 até R$ 290 para a versão de Switch; e a versão de Switch 2 um pouco mais, porém ainda bem abaixo do valor cobrado no digital.

    Se você concorda com todos os pontos positivos e negativos que viu por aqui, dê uma chance para Metroid Prime 4: jogue e tire suas próprias conclusões. A experiência desse jogo é ótima e divertida. Joguem Metroid!

    Confira o trailer do game:

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