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CRÍTICA | We Are Who We Are: Episódio 5 – Right Here, Right Now V

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CRÍTICA | We Are Who We Are: Episódio 5 - Right Here, Right Now V

We Are Who We Are é uma minissérie original HBO e seu quinto episódio intitulado Right Here, Right Now V foi ar na última segunda-feira (12/10). O episódio tem direção de Lucas Guadagnino.

SINOPSE

A dinâmica entre as famílias Wilson e Poythress aumenta enquanto Caitlin (Jordan Kristine Seamón) e Danny (Spence Moore II) dão passos ousados ​​em suas jornadas para se conhecerem. Fraser (Jack Dylan Grazer) ajuda Caitlin em uma mudança radical. Já Maggie (Alice Braga) e Jenny (Faith Alabi) tem um encontro romântico ao contrário de Sarah (Chloë Sevigny) e Richard (Scott Mescudi).

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ANÁLISE

O quinto episódio de We Are Who We Are focou em mostrar dois mundos: o dos adolescentes e o dos adultos. Se tratando de Fraser e Caitlin é visto a urgência da adolescência com toda liberdade para que se procure por si mesmo. Já no mundo dos adultos é constante a sensação de conflito misturado com manipulação.

Luca Guadagnino é sagaz em contar uma história que não se prende a uma timeline, neste episódio há novamente um salto temporal e agora estamos na meia estação. Logo, os personagens usam roupas mais pesadas e o vento forte é ininterrupto dando a sensação de mal presságio. Dessa forma, o ambiente colabora em muito para os acontecimentos.

Sarah e Caitlin já apresentam um longo relacionamento. A comandante leva a adolescente para atirar e então vemos que Caitlin tem um forte apreço por armas. Sarah é quase uma tutora para Caitlin guiando-lhe sobre o que pode realmente está acontecendo com a garota.

CRÍTICA | We Are Who We Are: Episódio 5 - Right Here, Right Now V

Porém, enquanto ambas parecem bem confortáveis uma com a outra, Richard tem um enorme desprezo por Sarah. Após o festival, Sarah obriga-o a pedir desculpas a um comerciante local pela briga que Richard e seus homens causaram no estabelecimento. Meio contrariado, o soldado pede desculpas, mas se sente humilhado por Sarah.

Nessa cena é visto no fundo um debate presidencial de 2016, onde Donald Trump fala sobre ameaça a democracia. Logo existe um paralelo entre o debate de fundo e Richard se sentir ameaçado por Sarah, já que ela é uma mulher, gay e está no comando. Na cabeça conversadora de Richard é como se Sarah e sua família estivessem difamando a imagem da América e mais do que isso, sua filha Caitlin.

Enquanto Richard e Sarah têm um encontro nada amistoso é visto que Maggie e Jenny estão tendo um caso. O interesse romântico já era perceptível nos episódios anteriores e com o salto temporal vemos que Jenny está aos poucos se desprendendo daquela persona de mulher submissa.

Ainda não houve um cara a cara com Richard, mas Jenny se sente desconfortável com o marido e em um momento de sexo chora quando Richard a chama pelo nome real. Visto que Jenny pode ser uma refugiada, ela deixou tudo para trás, inclusive seu nome para se moldar aos olhos de Richard e da América. Logo, é por isso que ela não se reconhece mais e com Maggie seria sua chance de ter algo somente seu.

CRÍTICA | We Are Who We Are: Episódio 5 - Right Here, Right Now V

Nesse sentido, a trama avança com a confirmação de Danny não sendo filho de Richard e praticamente todos já sabem. Danny ainda não tem uma verdadeira ligação com Richard e seu interesse no islamismo seria uma forma de sentir mais próximo do seu pai biológico que era mulçumano. Nesse sentido, é entendível a revolta e frustração de Danny com o mundo, já que o garoto se sente abandonado.

É parte da natureza humana ser quem você quer ser

A partir dessas duas famílias, We Are Who We Are abre um leque discussões sobre relações e mudanças. Se por um lado Richard sente que está perdendo o controle e autoridade de sua família ao ver Caitlin e Jenny se relacionando com pessoas que ele desaprova por não seguirem um padrão de família, por outro Sarah tem o mesmo aspectos de Richard ao dizer que tirando Caitlin, os Poythress são uma família “sem sal”.

Não há necessariamente um reflexo, mas os personagens se assemelham em alguns estereótipos e maneiras de lidar com o mundo.  Tanto Danny como Richard desprezam os Wilson, mas não conseguem ter uma troca entre si, já Jenny e Caitlin estão envolvidas com a família vizinha, porém não há uma relação de mãe e filha.

Para Maggie é mais fácil ser a parte submissa da relação que acata tudo que Sarah diz dentro de casa, tal como Jenny fazia. É como se We Are Who We Are estivesse sempre nos dizendo que as coisas são mais complicadas do que parecem.

Nesse sentido, a melhor cena do episódio acontece quando Caitlin decide cortar o cabelo. Todos adoram o cabelo dela e Fraser até comenta que Caitlin é o seu cabelo, mas que o caminho que ela quer seguir para se tornar quem ela quer ser não é bem o que ele tinha em mente. Caitlin rebate com uma das frases mais perspicaz do episódio: “Eu existo fora da sua cabeça.”.

CRÍTICA | We Are Who We Are: Episódio 5 - Right Here, Right Now V

Logo, a série nos conduz a uma reflexão de que as representações que os personagens criam uns dos outros não conduz necessariamente com aquela pessoa. Caitlin é mais do que o cabelo dela ou do que Fraser tinha em mente, é aquela velha história de colocar as pessoas em “caixinhas” esperando que elas atendam às expectativas alheias.

Sendo assim, após uma cena divertidíssima onde Caitlin raspa a cabeça e vai ao encontro da garota francesa, temos Fraser no cinema com Jonathan (Tom Mercier). De início é perceptível que existe uma atração entre eles, mas ainda é complicado dizer o que de fato Jonathan quer com a situação.

Ao fim do episódio há uma cena emblemática com Richard confrontando a filha após descobrir que ela cortou o cabelo. Para Richard as atitudes de Caitlin são influências de Sarah e Fraser. É o primeiro momento que vemos Richard realmente explodir e sendo com a filha se torna ainda mais significativo, já que é uma mistura de proteção com preconceito.

De fato, We Are Who We Are mostra a complexidade da forma e da relação humana de uma maneira sensível.

VEREDITO

O episódio tem a ótima direção de Luca Guadagnino. Com ênfase na câmera lenta e no congelamento de cena, o diretor tem o tato para transmitir o que deseja, seja tristeza ou alegria. Contudo, o episódio é mais contido com foco na dinâmica entre as famílias.

Nossa nota

3,5 / 5,0

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