Início FILMES Crítica #52filmsbywomen 8 – Eu Não Sou uma Feiticeira (2017, Rungano Nyoni)

#52filmsbywomen 8 – Eu Não Sou uma Feiticeira (2017, Rungano Nyoni)

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Eu Não Sou uma Feiticeira (I Am Not a Witch) é um filme britânico, da diretora galesa e zambiana Rungano Nyongi. O primeiro longa-metragem da diretora, conta a história de uma jovem acusada de bruxaria e obrigada a viver em uma colônia itinerante de bruxas, prestando serviços ao governo. No elenco temos Margaret Mulubwa e Hery B.J. Phiri.

Rungano Nyoni é uma diretora em alta, já conhecida no Reino Unido por premiados e aclamados curtas-metragens. Eu Não Sou uma Feiticeira é seu primeiro longa-metragem, em que assina direção e roteiro e demonstra uma clara visão própria, uma linguagem bem definida e um ponto de vista único e bem aproveitado. Nascida em Zâmbia e criada no Reino Unido, a diretora consegue aliar aspectos de ambos cinemas em uma fórmula fresca que deve render muitos outros frutos em sua carreira.

O primeiro destaque de Eu Não Sou uma Feiticeira é Margaret Mulubwa como a protagonista Shula. Sua presença é contagiante e a suas expressões carregam a trama de forma bem executada, gerando muita identificação com o espectador e causando momentos de humor desconfortável e intencional, característica sobressalente no longa. Essa dimensão satírica é muito bem trabalhada por Rungano, que se utiliza de planos que se alongam por alguns segundos a mais do que é confortável em cenas potentes, de forma que a absurdidade da situação é trágica e cômica, colaborando para a empatia com a protagonista e para criar a crítica proposta ao sistema estranhamente atual de caça as bruxas no país africano.

Eu Não Sou uma Feiticeira é uma obra repleta de alegorias e metáforas, em especial a relação utilitária das bruxas para o governo, e da posição dessas mulheres na sociedade. A paleta de cores discute esses temas de forma muito inteligente, explorando momentos pontuais de um roxo libertador e um vermelho de confronto e revolta, se opondo a uma paleta naturalmente dessaturada e com poucas cores vivas. A fotografia sempre busca o ponto de vista de Shula e das bruxas, de forma que o espectador descobre alguns eventos junto com a personagem, fortalecendo a identificação.

Como já dito, essa é uma história trágica com toques de humor desconfortável e uma crítica satírica bem construída e clara, por isso podemos dizer que Eu Não Sou uma Feiticeira é uma revelação. Seu sucesso garantiu a diretora um prêmio BAFTA e abre diversos caminhos para a carreira futura de Nyoni.

Confira o trailer oficial de Eu Não Sou uma Feiticeira:

Assim, encerramos o mês especial de diretoras negras. Nesse mês percebemos a imponência e versatilidade dessas diretoras, transitando entre a sátira de Nyoni, o romance de Amma Asante e Ava DuVernay – que também se aventuram em outros gêneros – e o drama utópico de Julie Dash. Notamos também um grande protagonismo negro nas histórias e atuações, mostrando a necessidade e força que a representatividade por trás das câmeras pode oferecer ao cinema.

E você, já iniciou sua lista #52FilmsByWomen? Se ainda não começou, vamos lá, ainda está em tempo! Confira nossas indicações e se quiser, deixe suas sugestões aqui nos comentários e lembre-se de compartilhar essa indicação com seus amigos.

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