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Cinema Nacional: 25 filmes para você assistir e parar de criticar

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Cinema nacional: 25 filmes para você assistir e parar de criticar

Com o lançamento do incrível Bacurau (confira a resenha do filme clicando aqui), fiquei me perguntando como ainda existe um público que critica a produção do Cinema Nacional.

Frequentemente, ouço pessoas dizendo que o cinema nacional é ruim, que só tem obras medíocres, com direção e roteiro fracos – e isso me deixa extremamente irritado. Primeiro, porque é um grande equívoco; segundo, porque quem fala isso são pessoas que só assistem uma obra nacional quando são os longas que “estão na moda”: comédias vazias onde não há desenvolvimento de personagem e os clichês e os estereótipos são os mais óbvios possíveis.

Isso, aliado a ameaça e a censura que o cinema nacional vem sofrendo, influenciando diretamente na crise da indústria audiovisual brasileira, que é uma de nossas principais formas de expressão cultural, e que também é uma maneira de lutar contra a injustiça e a imposição através de textos e narrativas provocativas.

Essa ameaça vem se tornando cada vez mais presente no dia a dia de quem faz cinema no Brasil. Recentemente, o filme Marighella, dirigido por Wagner Moura, teve a estreia cancelada. O longa é uma produção inspirada na biografia de Marighella escrita pelo jornalista Mário Magalhães, que acompanha os últimos cinco anos de vida do guerrilheiro, do golpe militar de 1964 ao seu assassinato, em 1969.

O cancelamento da estreia do filme acontece em meio os movimentos do atual presidente, Jair Bolsonaro, para aumentar o controle sobre a Agência Nacional do Cinema (Ancine) e de críticas explícitas a produções culturais sobre temas que desagradam o Governo ultraconservador. Em julho, Bolsonaro chegou a cogitar a extinção da agência caso não pudesse criar um “filtro de conteúdo”, visto como desejo claro de censura pelo setor audiovisual.

Para saber mais sobre o que vem acontecendo na Ancine e porque ela não pode acabar, recomendo o vídeo do crítico de cinema Tiago Belotti, do canal Meus 2 Centavos.

Dito isto, preparei uma lista com 25 filmes para você assistir e para de criticar o cinema nacional. Se liga!

Só um adendo: a lista não segue nenhuma ordem (de lançamento ou algo do tipo).

BACURAU (2019, Kleber Mendonça Filho)

O longa, que tem direção de Kleber Mendonça Filho e roteiro de Juliano Dornelles, estreou no Brasil no dia 29 de agosto, e arrecadou no primeiro fim de semana R$ 1,5 milhão e foi visto por mais de 86 mil espectadores. Na história, moradores de uma cidade no interior de Pernambuco precisam se defender de invasores violentos.

LEGALIDADE (2019, Zeca Brito)

Este, ao lado de Bacurau, é mais um filme de cinema-resistência do ano. O longa, que mistura ficção e fatos, resgata importantes momentos históricos que aconteceram em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e que repercutiram em âmbito nacional, durante o movimento liderado pelo governador Leonel Brizola, em 1961.

AS BOAS MANEIRAS (2017, Juliana Rojas e Marco Dutra)

Uma fábula de horror que fala sobre um Brasil desigual – isso é o suficiente que você precisa saber antes de assistir ao filme. No elenco temos Marjorie Estiano e Isabél Zuaa.

DIVINO AMOR (2019, Gabriel Macaro)

O longa é ambientado no Brasil em 2027, onde, ao invés do carnaval, comemora-se a festa do Amor Supremo, uma espécie de rave para aguardar a grande volta do Messias.

Nesta distopia encabeçada pelo diretor Gabriel Mascaro, o casamento é mais do que nunca uma instituição sagrada e uma gravidez é motivo claro de alegria – afinal, se está diante de um milagre de Deus. Esses valores são tão fortes que existem até mesmo scanners na porta de cada estabelecimento, revelando o estado civil do cliente e se há ou não um feto no seu ventre.

O ANIMAL CORDIAL (2017, Gabriela Amaral Almeida)

Gabriela Amaral Almeida é mestre em literatura e em cinema de terror e O Animal Cordial é o primeiro longa-metragem dela. A trama se passa em um restaurante meio falido, num local isolado, que recentemente passou por um assalto e agora está vivenciando outro – para azar de clientes, funcionários e dos próprios ladrões. O assalto não sai como se espera, ao longo de uma madrugada sangrenta.

O filme aborda de uma maneira não clichê questões como diferenças de classe e ideológica.



BINGO – O REI DAS MANHÃS (2017, Daniel Rezende)

O filme é uma cinebiografia de Arlindo Barreto (Vladimir Brichta), um dos intérpretes do palhaço Bozo no programa matinal homônimo da televisão brasileira durante a década de 1980. Barreto alcançou a fama graças ao personagem, apesar de jamais ser reconhecido pelas pessoas por sempre estar fantasiado.

Esta frustração o levou a se envolver com drogas, chegando a utilizar cocaína e crack nos bastidores do programa. O longa se saiu bem na crítica e foi cogitada uma indicação ao Oscar, mas, infelizmente, não rolou. Porém, foi o maior vencedor do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro 2018, levando oito troféus, incluindo Melhor Filme de Ficção.

QUE HORAS ELA VOLTA? (2015, Anna Muylaert)

Com Regina Casé no elenco, Que Horas Ela Volta? faz uma crítica à desigualdade social brasileira. Na trama, Val, interpretada por Regina, é uma empregada doméstica que trabalha para uma família de classe média alta de São Paulo. A chegada da filha, Jéssica (Camila Márdila), na casa dos patrões acaba criando um choque de realidade e cultura.

Infelizmente, o filme não concorreu ao Oscar, mas foi premiado no Festival de Sundance em 2015, no Festival Internacional de Berlim.

CIDADE DE DEUS (2000, Fernando Meirelles e Kátia Lund)

Este clássico nacional é uma adaptação do romance homônimo de estreia de Paulo Lins, trata sobre a ascensão do crime na favela Cidade de Deus, que começou sua história como um conjunto habitacional em 1966. O longa recebeu quatro indicações ao Oscar, entre elas Melhor Diretor e Melhor Edição.

CENTRAL DO BRASIL (1998, Walter Salles)

O filme conta a história de Dora (Fernanda Montenegro), uma mulher que ganha dinheiro escrevendo cartas para analfabetos na Central do Brasil. Depois de escritas, as cartas passam pelo crivo da censura de Irene (Marília Pêra) e da própria Dora, que julgam quais deverão ser enviadas ou não. É quando a mulher se vê envolvida com o triste destino de Josué (Vinícius de Oliveira), um garoto de 9 anos cuja mãe é atropelada e morta em frente à estação onde Dora trabalha.

Central do Brasil foi indicado ao Oscar, Globo de Ouro, Festival de Berlim, Cesar Awards e ao Independent Spirit Awards. Além disso, foi a primeira vez que uma artista latino-americana foi indicada ao Oscar na categoria Melhor Atriz Principal, grande feito da Fernanda Montenegro.

TROPA DE ELITE (2007, José Padilha)

Com Wagner Moura no elenco, o filme mostra o dia a dia do grupo de policiais e de um capitão do BOPE, que quer deixar a corporação e tenta encontrar um substituto para seu posto. Paralelamente dois amigos de infância se tornam policiais e se destacam pela honestidade e honra ao realizar suas funções, se indignando com a corrupção existente no batalhão em que atuam.

Recomendo que você veja também a continuação, Tropa de Elite: O Inimigo Agora É Outro, de 2010.



O AUTO DA COMPADECIDA (2000, Guel Arraes)

Considerado o maior clássico da comédia nacional, o filme conta a história de dois amigos que vivem em Cabeceiras, interior da Paraíba, que para sobreviver, eles tiram proveito da “esperteza” de João Grilo (Matheus Nachtergaele), sempre com seus planos arriscados e muita lábia. O longa é uma caricatura das pequenas cidades nordestinas: paupérrima, pacata, seca, com um coronel e uma igreja.

COMO NOSSOS PAIS (2017, Laís Bodanzky)

Certo dia, durante mais um almoço repleto de hostilidade na casa da mãe, Clarice (Clarice Abujamra), Rosa (Maria Ribeiro) ouve uma revelação que serve como a gota d’água em seu cotidiano já exaustivo, atirando-a numa crise que a fará questionar o casamento, o emprego e seu próprio papel como mulher na sociedade.

Como Nossos Pais venceu em duas categorias (Melhor Atriz e Melhor Direção) no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

LAVOURA ARCAICA (2001, Luiz Fernando Carvalho)

Adaptação do livro homônimo do paulista Raduan NassarLavoura Arcaica gira em torno de André (Selton Mello), que, esmagado pelos próprios impulsos sexuais e ambições de liberdade (condenados pela conservadora comunidade em que vive), mergulha em um implacável cotidiano de auto-flagelação espiritual, renegando a própria impureza, mas ciente, de alguma forma, de que tem o direito de exprimir seus desejos – o que o leva a fugir de casa.

O PAGADOR DE PROMESSAS (1962, Anselmo Duarte)

Zé do Burro, interpretado brilhantemente por Leonardo Vilar, é uma pessoa simples que, ao tentar apenas concretizar o cumprimento de uma promessa concebida em um terreiro de candomblé – levar ao longo de um caminho extenso uma cruz de grande peso -, se vê diante da intolerância da Igreja.

BICHO DE SETE CABEÇAS (2001, Laís Bodanzky)

O filme, inspirado no livro autobiográfico de Austregésilo CarranoO Canto dos Malditos, conta a história de Neto (Rodrigo Santoro), um adolescente perfeitamente sadio que é internado em um manicômio por seu pai, que espera, com isso, afastar o filho das drogas.



O SOM AO REDOR (2013, Kleber Mendonça Filho)

Escrito pelo cineasta Kleber Medonça Filho e dividido em três partes, o filme se espalha entre uma dúzia de personagens que, habitando uma rua de Recife, protagonizam pequenos conflitos despertados pela convivência próxima, dão vazão a insatisfações que um velho comunista chamaria de “pequeno-burguesas” e tentam extrair o máximo de felicidade a partir do mínimo possível de estímulo. Neste sentido, O Som ao Redor se revela não um estudo de personagens, mas um autêntico estudo de classe.

AQUARIUS (2016, Kleber Mendonça Filho)

Também dirigido pelo Kleber Mendonça FilhoAquarius segue Clara (Sônia Braga), jornalista e crítica de música, viúva, última moradora do Aquarius, edifício antigo na valorizada orla da praia da Boa Viagem, Recife. Personificada no engenheiro Diego (Humberto Carrão), que quer derrubar o Aquarius, a especulação imobiliária é o pesadelo que assombra os dias e as solitárias noites de Clara.

O filme foi aclamado no Festival de Cannes, foi indicado ao César 2017, o Oscar do cinema francês, e levou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro de 2016 da União Francesa de Críticos de Cinema.

HOJE EU QUERO VOLTAR SOZINHO (2014, Daniel Ribeiro)

O filme retoma os personagens, o elenco e a história do curta Eu Não Quero Voltar Sozinho, de 2010, que ganhou prêmios em festivais e depois repercutiu no YouTube, onde tem quase 3 milhões de visualizações (confira clicando aqui). O longa conta a história de Leonardo (Guilherme Lobo), um adolescente cego, que tenta lidar coma mãe superprotetora ao mesmo tempo em que busca sua independência.

PIXOTE – A LEI DO MAIS FRACO (1981, Héctor Babenco)

O longa mostra a trajetória de um menino abandonado de 11 anos, que vive na rua após a fuga de um reformatório, onde aprendeu bastante sobre o crime ao conviver com todos os tipos de delinquentes. Ele sobrevive no Rio de Janeiro atuando como traficante, assassino e, até, cafetão.

Pixote – A Lei Do Mais Fraco foi indicado ao Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme Estrangeiro.

TERRA EM TRANSE (1967, Glauber Rocha)

Na trama, o senador Porfírio Diaz (Paulo Autran) detesta seu povo e pretende tornar-se imperador de Eldorado, um país localizado na América do Sul. Porém, diversos homens que também querem este poder, resolvem enfrentá-lo. Enquanto isso, o poeta e jornalista Paulo Martins (Jardel Filho), ao perceber as reais intenções de Diaz, muda de lado, abandonando seu antigo protetor.



FAROESTE CABOCLO (2013, René Sampaio)

Adaptação para o cinema da música Faroeste Caboclo de Renato Russo, o longa acompanha a jornada de João (Fabrício Boliveira), que, nascido em Santo Cristo, se muda para Brasília ao tornar-se adulto, tornando-se parceiro do primo Pablo (César Troncoso) e apaixonando-se pela universitária Maria Lúcia (Isis Valverde). Entre pequenos flertes com o crime e muitas tentativas de levar a vida honestamente, João acaba tornando-se inimigo do traficante Jeremias (Felipe Abib), que conta com o brutal policial Marco Aurélio (Antônio Calloni) como seu protetor.

O FILME DA MINHA VIDA (2017, Selton Mello)

Baseado no livro do chileno Antonio Skármeta (que faz uma breve participação na sequência que se passa em um bordel)o filme acompanha Tony (Johnny Massaro), filho de um francês e uma brasileira, que vai estudar na capital e pensa ter a vida perfeita. Mas isso muda quando ele volta para sua cidadezinha e vê seu pai (Vincent Cassel) ir embora para a França sem nenhuma explicação.

CAPITÃES DA AREIA (2011, Cecília Amado e Guy Gonçalves)

Pedro Bala, Professor, Gato, Sem-Pernas, Boa Vida e Dora, personagens imortalizados na obra de Jorge Amado, ganham as telonas no cinema com Capitães da Areia, longa assinado por Cecília Amado, neta do escritor baiano.

Assim como no romance publicado na década de 1930, a narrativa traz a história de um grupo de crianças e adolescentes abandonados por suas famílias e que crescem nas ruas de Salvador, praticando assaltos, e fugindo da polícia enquanto lutam para sobreviver.

O CHEIRO DO RALO (2007, Heitor Dhalia)

Lourenço (Selton Mello), um comprador de objetos usados, vive enfurnado em um galpão, protegido dos fracassados do mundo por uma secretária (Martha Meola) e um segurança (o próprio Mutarelli, divertidíssimo). Os dois cuidam de filtrar os desesperados que podem entrar na sala do chefe e oferecer seus tesouros e tralhas a ele.

NISE – O CORAÇÃO DA LOUCURA (2016, Roberto Berliner)

Com uma embalagem de drama histórico, em sua reconstituição do Rio de Janeiro dos anos 1940, o longa-metragem faz um recorte demarcado na biografia da alagoana Nise da Silveira (1905-1999), médica responsável por uma rediscussão das práticas violentas no atendimento a pacientes com distúrbios mentais.

Com Glória Pires no papel central, o longa se debruça sobre um período estimado em cerca de uma década no qual Dra. Nise é reintegrada ao serviço público e vai cuidar dos internos do Centro Psiquiátrico Pedro II, no Engenho de Dentro.

O longa de Robert Berliner foi premiado no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, entre outros.



Ufa! Bom, agora você tem uma lista completa de filmes nacionais para assistir e parar de criticar o nosso cinema.

É muito importante ressaltar que o cinema produzido aqui no Brasil é forte, relevante e belo. Uma pena ele ser mais valorizado fora do nosso país do que por nós mesmo.

E aí, gostou da lista? Legal para fazer uma maratona, não é mesmo? Deixe aqui embaixo nos comentários quantos desses filmes você já assistiu e o que achou deles.

Texto publicado originalmente no blog JornaLab.

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