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CRÍTICA – Macabro (2020, Marcos Prado)

CRÍTICA - Macabro (2020, Marcos Prado)

O diretor Marcos Prado (Paraísos Artificiais) assumiu uma árdua tarefa para desenvolver seu novo longa-metragem, Macabro.

Criar um filme e adaptá-lo a partir de uma história real é desafiador e exige muita responsabilidade ao redor da trama, especialmente quando se tem como objetivo ser fiel ao material original, fazendo o mínimo de modificações possível.

Quando a produção se propõe a adaptar uma história de violência e sangue, conhecida como um dos acontecimentos mais aterrorizantes do Rio de Janeiro, o desafio é ainda maior. É esse o árduo contexto de Macabro.

SINOPSE

A trama se passa na década de 1990, onde dois irmãos são acusados de assassinarem oito mulheres, um homem e uma criança de forma brutal na região da Serra dos Órgãos. Na cola dos suspeitos, o Sargento Teo (Renato Góes) percebe que o julgamento da imprensa, polícia e sociedade local é fundamentalmente racista, e começa a ter dúvidas sobre a condenação de um deles. Amanda Grimaldi, Guilherme Ferraz, Diego Francisco, Juliana Schalch e Paulo Reis completam o elenco.

ANÁLISE

Dirigido por Marcos Prado, Macabro tem a árdua tarefa de adaptar uma das histórias mais violentas e aterrorizantes do Rio de Janeiro

O diretor Marcos Prado constrói de forma notável o clima sinistro de Macabro, com ângulos e posições de câmera no momento certo. A fotografia, comandada pelo lendário Azul Serra, se torna um dos pontos mais positivos da obra.

A bela paisagem do local, com as serras ao fundo e névoas baixas, é fotografada com aspecto assustador, reforçado pela trilha sonora. As cenas noturnas mantêm aquela tonalidade forte do prólogo na Capital Fluminense, e captam o tom sombrio sem deixar que a sua paleta de cores fique escura demais.

O suspense em relação aos jovens assassinos é sustentado durante todo o filme, porque vemos apenas o seu vulto, e isso estimula a criação de uma imagem animalesca na cabeça do público. Apenas perto da parte final, um dos irmãos é apresentado, e o outro (o mais perigoso) é exibido somente no derradeiro momento, sem que ele pronuncie uma palavra sequer, reforçando a ideia de ele ter se transformado numa criatura bestial.

Há um pouco de fragilidade no modo como o filme parece querer justificar os atos dos irmãos como ações de vingança após anos de maus tratos. Isso é compensado com a construção de uma atmosfera de medo herdada do cinema de horror, como nas cenas de ataque às vítimas, mostradas sempre no escuro e tornando a aparência de um deles próxima de um monstro, a partir do depoimento de uma sobrevivente. Isso ajuda a enriquecer o mistério, ao trazer a feitiçaria para os crimes.

Dirigido por Marcos Prado, Macabro tem a árdua tarefa de adaptar uma das histórias mais violentas e aterrorizantes do Rio de Janeiro

Existe um forte vínculo entre dois personagens em especial: o Sargento Téo e uma ex-namorada da adolescência, Dora (Amanda Grimaldi). Essa relação ajuda a aproximar o público dos personagens e a aumentar a dramaticidade na cena em que Dora é abordada por um dos irmãos. É uma das melhores cenas do filme, ao lado de uma cena de briga de Téo com o coronel da região, realizada com câmera na mão.

Aqui, Prado encontrou dificuldades em relação às inconsistências do roteiro, ou a dupla responsável pelo texto teve o material tragicamente modificado de sua suposta estrutura inicial. Sendo assim, o filme revela o quão a violência potencializa a construção de narrativas ficcionais que nos revelam os lados mais tenebrosos da mente humana. Também permite que expurguemos, do lado de cá da tela, os medos sociais que gravitam em torno de cada um.

Dirigido por Marcos Prado, Macabro tem a árdua tarefa de adaptar uma das histórias mais violentas e aterrorizantes do Rio de Janeiro

VEREDITO

Macabro é um filme que tinha muito potencial para se tornar mais impactante e ainda atrair atenção do público. Tecnicamente é quase impecável nos quesitos som, efeitos, iluminação, fotografia e elenco. Mas a forma como o roteiro não se preocupa muito em conduzir o espectador no entendimento dos detalhes da história, dificulta a somatória e a ausência de uma identidade.

Apesar das falhas, a obra trabalha consistentemente nos acontecimentos e os transforma em um eficiente filme policial com elementos de terror.

Nossa nota

3,0 / 5,0

Assista ao trailer:

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Amante da sétima arte. Fascinada na relação entre cinema, história e filosofia. Devoradora de quadrinhos, aprecia um bom clássico e combate o crime em Gotham City nas horas vagas.