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CRÍTICA | Estranhos no Paraíso: Um Sonho de Você – Vol. 1 (2019, Devir)

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CRÍTICA | Estranhos no Paraíso: Um Sonho de Você - Vol. 1 (2019, Devir)

Uma das histórias em quadrinhos independentes mais aclamadas da década de 90 está de volta, numa belíssima edição de luxo, tão atual e comovente agora no século XXI, quanto foi no passado. Todos os elementos que encontramos sobre a juventude como inadequação à família, o comportamento da sociedade e as escolhas do dia a dia estão presentes nessa obra de Terry Moore.

Estranhos no Paraíso já foi publicado por quatro editoras aqui no Brasil, mas nunca por completo. Em 2017, por fim, foi publicado na íntegra em formato digital pelo Social Comics. Nos EUA, foi publicada de forma independente, pela Abstract Comics, um selo do autor e indicada, mais de uma vez, ao Prêmio Eisner por Melhor Roteiro e Artista Revelação.

O que fazer quando o passado volta para eliminar você? Katchoo é uma jovem que leva uma vida tranquila. Independente e audaciosa, ela ama a sua melhor amiga, Francine, uma menina espontânea e que encanta todos à sua volta. Na trama, David chega para mudar a vida das duas, e nesse mesmo período, pessoas misteriosas surgem à procura de Katchoo. Sendo assim, ela percebe que jamais se livrou do passado e agora ele retorna, pondo em risco a si e àqueles que mais ama.

ANÁLISE

O trio de protagonistas de Estranhos no Paraíso. David, Katchoo e Francine.

O leitor consegue apreciar o traço do Moore de forma muito delicada e leve. Os dramas cotidianos são tão reais e realmente nos identificamos com aquela realidade que somos apresentados. Outra questão é como as personagens não são idealizadas, tanto do aspecto psicológico como físico. São esses detalhes simples que tornam a obra primorosa.

Há também uma página com quadrinhos inteiramente pretos, para ilustrar a desconexão mental de um personagem naquele momento.

O resultado da união de Francine, Katchoo e David — desde o começo, a ideia de triângulo amoroso brilha na mente do leitor, mesmo que não haja nenhuma real indicação disso — nos encanta de um modo que é difícil expressar. Aliás, o roteiro e a arte de Terry Moore adotam a simplicidade como norte e, a partir dela, alçam voos muito altos.

Nas imagens os maiores detalhes são para espaços fortemente humanizados ou para delineação dramática de personalidades, como o quarto absurdamente bagunçado e sujo de Katchoo e o não tão arrumado quarto de Francine.

No texto, a construção dos diálogos, o tipo de imposição, volume de voz (o letramento é outro grande destaque da minissérie), os quadros sem luz… tudo aparentemente muito simples, mas que juntos, formam algo que encanta e nos faz ver esses personagens como indivíduos que conhecemos na vida.

A identificação é o grande trunfo do autor.

VEREDITO

A série é um must-read para qualquer leitor de quadrinhos. A arte, por sua vez, sempre em preto e branco, alterna facilmente do registro mais realista para o puramente cartunesco, nas ocasiões em que a série parte para a comédia rasgada. Terry Moore consegue ao mesmo tempo nos transportar para os dramas de cada personagem de uma forma única e muito poderosa.

Nossa nota

Editora: Devir

Autor: Terry Moore

Páginas: 354

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