Início FILMES Crítica TBT #147 | Pânico (1996, Wes Craven)

TBT #147 | Pânico (1996, Wes Craven)

TBT #147 | Pânico (1996, Wes Craven)

O TBT desta semana permanece no clima de Halloween e lembra um clássico dos anos 90: Pânico, dirigido por Wes Craven (A Hora do Pesadelo) e roteirizado por Kevin Williamson.

No elenco estão Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette. A saga que completa 25 anos lançou recentemente o trailer do quinto filme que deve chegar aos cinemas em 2022.

PUBLICAÇÃO RELACIONADA | Scream (3ª temporada, 2019, VH1)

SINOPSE

Sidney Prescott (Neve Campbell) começa a desconfiar que a morte de dois estudantes está relacionada com o falecimento da sua mãe, há cerca de um ano. Enquanto isso, os jovens da pacata cidadezinha começam a receber ligações de um maníaco que faz perguntas sobre filmes de horror. 

ANÁLISE

A última grande franquia de slasher. Pânico não só reviveu um gênero no cinema de horror, como entregou uma obra que permanece viva até hoje nos corações de amantes de filmes de terror. Há 25 anos, Wes Craven reformulava o gênero que ele próprio ajudou a criar com A Hora do Pesadelo e apresentava uma nova concepção das histórias de assassinos. 

Pânico é um filme de sua época, as referências e o estilo noventista estão presentes no longa de maneira que sem eles não faria sentido. Um exemplo é a cena inicial com Casey Becker interpretada pela já famosa Drew Barrymore, atendendo um telefone de antena e conversando com um estranho sobre filmes de terror, enquanto o som da pipoca estourando mede toda tensão do filme. 

Mais do que estiloso, o longa também é um filme metalinguístico que de maneira sublime faz uma homenagem aos grandes clássicos dos filmes de horror. Mas, precisamente, explica sobre si mesmo em seus diálogos e cenas. Frequentemente, os personagens estão falando sobre filmes de terror ou ditando regras sobre como sobreviver a um assassino em série. É a mais pura e divertida piscadela ao espectador.  

Dessa forma, não estamos falando de um assassino qualquer sem nenhum motivo aparente para a matança (vide Michael Myers), Ghostface é um assassino nada convencional e foge dos estereótipos já existentes no cinema da época. Seu jeito meio atrapalhado, mas extremamente assustador e mortal garante sequências que misturam o cômico com o sanguinário. Essa dualidade encontra muito bem o peso dramático de Sidney como a verdadeira protagonista.

LEIA TAMBÉM:

Noites Sombrias #12 | Os 10 serial killers mais icônicos do cinema

A jovem está passando pelo luto da mãe ao mesmo tempo que precisa lidar com o sacana do Ghostface e a insuportável jornalista Gale Weathers (Courteney Cox). Consequentemente, Sidney também não é uma final girl convencional. Primeiro, que ela constantemente desafia o assassino ao longo do filme, segundo que é ela quem salva os poucos sobreviventes ao seu redor, dando também o tiro final. Logo, Sydney se consagra pela sagacidade em aprender rápido os macetes para derrotar um assassino, sem perder tempo. 

Sidney Prescott (Neve Campbell).

Voltando ao Ghostface, sua verdadeira identidade ou melhor “identidades”, no plural, continua sendo um dos pontos ápices do filme e até hoje causa uma sensação de surpresa. O fato de ser Bill Loomis (Skeet Ulrich), namorado de Sydney, e Stuart Macher (Matthew Lillard), melhor amigo de Bill, rendeu uma das melhores cenas de plot twist da famosa pergunta: “Quem é o assassino?”. 

Até mesmo os coadjuvantes, como Gale, já citada acima, e o Policial Dewey (David Arquette), formam o tipo de background relevante e descontraído para a trama e toda tensão presente. O romance entre ambos que continuou a ser explorado nas sequências, é um ponto chave que mostra a capacidade do filme em sobreviver além da protagonista. 

Sendo assim, em um primeiro momento, a direção de Craven denota a fragilidade dos adolescentes e especialmente de Sydney em viver aquela situação. Por isso, o uso de lugares abertos e casas de vidro para passar a sensação de que estão sendo observados. Os closes dos rostos dos personagens expressam as apreensões momentos antes dos ataques frenéticos de Ghostface que geram boas cenas. 

Ademais, Pânico combina uma ótima direção com um roteiro afiado que sabe que é mais do um filme de subgênero qualquer. O primeiro longa da saga é um marco no cinema de horror e com toda certeza ainda será relembrado por mais 25 anos. 

VEREDITO

Pânico, de 1996, é um filme de liberdade criativa que felizmente nas mãos do diretor Wes Craven e do roteirista  Kevin Williamson teve um enorme sucesso. Dificilmente outra dupla poderia realizar tamanha obra sem cair em galhofa, logo, é nítido que o longa aconteceu na época e no momento certo.

Nossa nota

5,0 / 5,0

Assista ao trailer:

Inscreva-se no YouTube do Feededigno

Assista às nossas análises de filmes, séries, games e livros em nosso canal no YouTubeClique aqui e inscreva-se para acompanhar todas as semanas nossos conteúdos também por lá!

Artigo anteriorCRÍTICA – Duna (2021, Denis Villeneuve)
Próximo artigoCRÍTICA – As Passageiras (2021, Adam Randall)
Jornalista em formação e apaixonada pela sétima arte. Representatividade e movimentos sociais através do cinema é fundamental. Apreciadora de livros, animes e joguinhos de ps4 nas horas vagas. The final girl.