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    League of Legends: Marvel lança nova HQ em parceria com Riot Games

    A Riot Games e a Marvel Entertainment acabam lançar a mais nova coleção de história em quadrinhos chamada League of Legends: Lux. A primeira edição já está disponível na versão em português no site Universo de LoL.

    O desenvolvimento dos quadrinhos da Lux foram liderados por Greg Street, líder de Desenvolvimento Criativo da Riot Games, e pelo roteirista John O’Bryan, que está fazendo sua estréia na Marvel Comics após uma extensa experiência escrevendo para programas de TV, incluindo Avatar: The Last Airbender.

    Com lançamentos mensais, a série terá com cinco edições e vai contar a história de Luxanna Crownguard, personagem de LoL mais conhecida como “Lux“, que luta para controlar as habilidades mágicas que possui, já que em Demacia, reino onde vive, a magia é proibida.

    O quadrinho também irá explorar as relações de com seu irmão, o Campeão Garen, e Sylas, Campeão mago de Demacia que passou 15 anos na prisão até conseguir se libertar.

    Essa é a segunda coleção da parceria entre a Riot Games e a Marvel, seguindo o sucesso da série League of Legends – Ashe: Mãe de Guerra, disponível nas plataformas do Universo LoL desde dezembro de 2018.

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    A Riot Games foi fundada em 2006 por Brandon Beck e Marc Merrill com a intenção de mudar a forma com que vídeo games são feitos e apoiados por jogadores. Em 2009, a Riot lançou seu título de estreia, League of Legends, para imediata consagração mundial. Desde então, o jogo se tornou o game de PC mais jogado do mundo e um dos principais fomentadores do crescimento explosivo dos esports.

    A Riot Games é sediada em Los Angeles, Califórnia, e tem 23 escritórios em todo o mundo.

    Capitã Marvel: Codinome da personagem finalmente é usado no UCM

    Com tantas coisas incríveis acontecendo em Vingadores: Ultimato, é compreensível que alguns momentos menores possam escapar do olhar dos fãs. Por exemplo, muitas aparições surpreendentes de antigos atores do Universo Cinematográfico Marvel, assim como o criador do Thanos durante a cena da reunião de Steve Rogers. Entretanto, algo que devia ter sido considerado bem maior pela  Marvel Studios, principalmente por envolver a mais nova adição ao seu grupo de heróis: a Capitã Marvel.

    ALERTA DE SPOILERS DE VINGADORES: ULTIMADO!

    Carol Danvers aparece no começo de Ultimato para resgatar Tony Stark no espaço e levá-lo junto de Nebulosa até a Terra. Ela então se reúne aos membros remanescentes dos VingadoresRocket Raccoon e Nebulosa para lutar contra Thanos em sua fazenda, depois de se aposentar. Quando pulamos cinco anos no futuro, Carol então aparece mais duas vezes: via holograma, e durante uma batalha climática final entre todos os heróis revividos, e a Ordem Negra de Thanos.

    Por mais incrível que seja essa cena, cada um deles se refere à personagem de Brie Larson como Carol ou Danvers, nunca usando seu codinome Capitã Marvel. Vale apontar que Vingadores: Ultimato foi lançado após o filme solo da personagem, e nem em seu próprio filme, ela foi chamada por seu codinome dos quadrinhos.

    As palavras Capitã Marvel não são faladas no UCM até a metade do segundo trailer de Homem-Aranha: Longe de Casa, que foi lançado no começo dessa semana.

    Assista ao trailer legendado abaixo:

    Um exemplo de como a Marvel Studios saiu de seu caminho para não chamar Carol Danvers de Capitã Marvel foi mostrado em um clipe lançado antes de Vingadores: Ultimato, quando os sobreviventes do estalar de dedos decidem levar a luta até Thanos. Após Bruce Banner imaginar como seu confronto sairia melhor do que o primeiro, Carol diz que agora eles tem ela a seu lado. Não impressionado, Rhodey diz “Ei, garota nova. Todos nessa sala sabe o que é ser super-herói.“.

    E também quando a Capitã Marvel destrói a enorme nave de Thanos, o Capitão América diz, “Danvers, precisamos de ajuda aqui.“, o que logo levaria a reunião das personagens femininas do UCM, em uma referência clara à contraparte daquele grupo dos quadrinhos, a A-Force.

    Muitos acreditaram que Vingadores: Ultimato coroaria Carol Danvers como a Capitã Marvel, mas isso acabou não acontecendo, nem no filme solo da personagem, nem em Ultimato.

    Já o filme Capitã Marvel certamente cita o codinome, com Annette Bening vivendo a mentora da Força Aérea de Carol e espiã Kree, Dr. Wendy Lawson/Mar-Vell, e a menção do grupo de Motown composto por mulheres chamado, The Marvelettes. Entretanto, a honra de dar o codinome à Carol Danvers parece que vai mesmo para o Homem-Aranha, quando ele se refere à ela como Capitã Marvel em seu próximo filme: Homem-Aranha Longe de Casa, que até o momento está levando todos a acreditarem que não contará com a personagem.

    Aproveite e ouça o Martelada 5, o podcast do Feededigno, onde falamos sobre sobre o filme solo de Carol Danvers.

    E aí, o que você acha da estratégia da Marvel Studios em colocar o codinome da super-heroína em uso? Deixe seus comentários e lembre-se de compartilhar essa publicação com seus amigos!

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    Monster Hunter World: Iceborne | Expansão chega dia 6 de setembro

    Ontem, durante a transmissão do Programa Especial de Monster Hunter World: Iceborne, a Capcom anunciou os detalhes da aguardadíssima expansão gigantesca de Monster Hunter: World, o jogo da companhia que é o mais vendido de todos os tempos com 12 milhões de unidades distribuídas mundialmente, levando as vendas totais da série a mais de 53 milhões de unidades até hoje.

    Esta continuação colossal rivaliza com o volume de conteúdo do jogo-base, e estará disponível para o PlayStation 4 e para a família de dispositivos Xbox One, incluindo o Xbox One X, com lançamento mundial previsto para 6 de setembro de 2019. A versão PC chegará em seguida neste verão brasileiro.

    Vários detalhes foram revelados durante a transmissão, incluindo a primeira amostra de Monster Hunter World: Iceborne, com informações sobre o novo ambiente gelado e novos monstros e recursos de jogabilidade, opções de compra para os consoles, além das mais recentes novidades para o jogo-base Monster Hunter: World.

    A REGIÃO

    A expansão Iceborne amplifica Monster Hunter: World em todos os aspectos, começando pela história inédita que dá continuidade aos acontecimentos do jogo principal, levando os jogadores a um local gélido recém-descoberto chamado Fronteira Glacial. Esse lugar coberto de neve oferece um ecossistema que contrasta com as áreas conhecidas no jogo principal e que expande gradualmente a história. Iceborne irá apresentar a maior região no jogo até agora, oferecendo aos jogadores uma profusão de conteúdo com ainda mais missões para encarar do que o jogo original.

    CRIATURAS

    Iceborne ainda introduz a dificuldade elevada Ranque Mestre, um novo nível de missões que traz monstros conhecidos e inéditos em forma ainda mais feroz. O frio extremo é também o habitat de novas criaturas adaptadas ao clima, como o chifrudo Banbaro e o gigante que nada pela neve, Beotodus. Essas novas ameaças se misturam a monstros já populares, como o ágil Nargacuga, que introduz movimentos inéditos ao seu conhecido repertório para a sua estreia no elenco de Monster Hunter: World. E encabeçando essas adições em Iceborne está o misterioso novo monstro principal, Velkhana, um dragão ancião com poderosos ataques de gelo e que representa uma grave ameaça na nova história.

    Para ajudar os jogadores nas brutais caçadas da expansão, vários novos recursos de jogabilidade foram adicionados ao repertório de combate dos caçadores, abrindo possibilidade para novas e empolgantes estratégias de caça.

    A Atiradeira agora pode ser usada mesmo quando a arma principal está empunhada, independente do tipo de arma. Novos recursos também foram adicionados à Atiradeira, como a Prendedora, usada para se prender aos monstros e ter um controle mais direto, e o Disparo de Recuo, que descarrega toda a munição da Atiradeira de uma vez para atordoar os monstros. Cada um dos 14 tipos de armas receberá também novos combos e novos elementos, oferecendo ainda mais profundidade para o combate.

    O jogo-base Monster Hunter: World é necessário para jogar a expansão, e embora os jogadores de Iceborne possam aproveitar logo de cara algumas das novidades de jogabilidade, como a Atiradeira expandida e as atualizações de armas, será preciso completar a história principal até o Ranque de Caçador 16 para poder acessar a nova história e novas missões de Iceborne.

    Diferentes opções de compra estão disponíveis para novos jogadores ou veteranos do título original. Para quem já tem o jogo-base, a expansão Monster Hunter World: Iceborne está disponível em pré-venda em formato digital via DLC, além da versão digital de luxo que inclui a expansão e um pacote de itens cosméticos chamada Monster Hunter World: Iceborne Digital Deluxe, e quem adquirir a expansão na pré-venda digital receberá a exclusiva armadura em camadas Yukumo.

    Para quem está começando agora, Monster Hunter World: Iceborne Edição Mestre contém o jogo principal e a expansão Iceborne e estará disponível em edições física e digital no Brasil no lançamento da expansão a partir de 6 de setembro.

    VERSÃO GRATUITA

    Para aqueles que ainda não experimentaram Monster Hunter: World, agora é a oportunidade perfeita para mergulhar no jogo antes da expansão Iceborne. Uma versão de teste gratuita está disponível no PS4 de hoje até 20 de maio de 2019.

    Esse teste oferece muitas oportunidades para conhecer o jogo, com uma variedade de missões, criação de itens e melhorias de equipamentos, além da possibilidade de se juntar a jogadores atuais do jogo completo no já famoso componente multiplayer.

    Todo o progresso feito na versão de teste é transferido para o jogo principal, então os novos jogadores podem já começar a sua jornada de caça em preparação para a expansão que está por vir.

    Enquanto isso, para os jogadores atuais de Monster Hunter: World nos consoles, a última atualização de conteúdo para o jogo-base irá celebrar o agressivo monstro principal Nergigante, que finalmente irá aparecer na temível forma Arquiaguerrida por um tempo limitado a partir de 11 de maio.

    Superar esse desafio supremo irá conceder a poderosa armadura Nergigante γ (gamma). Além disso, um tema dinâmico para PS4 destacando o letal Nergigante, incluindo ícones de sistema arranhados e música de fundo com o tema do jogo “Stars at Our Backs“, já está disponível para venda.

    A Capcom terá mais novidades sobre Monster Hunter World: Iceborne na E3 em junho, então acompanhe. E, como sempre, boa caçada!

    Assista ao novo trailer gameplay de Monster Hunter World: Iceborne em português:

    A transmissão do Programa Especial – em português – pode ser conferida na íntegra em no perfil Twitch da Capcom

    https://www.twitch.tv/capcombrasil.

    Super-heroínas: 5 filmes em 50 anos e a representatividade boicotada nos cinemas

    É inegável dizer que o Universo Cinematográfico Marvel reinventou a produção de filmes de super-heróis nos últimos tempos. Neste ano, estreou o primeiro filme de super-herói liderado por uma mulher do estúdio —  até então, outros 20 filmes foram lançados em 11 anos. Isso não acontece só com a Marvel Studios: hoje, no geral, são contabilizados somente cinco filmes de super-heroínas em 53 anos do gênero.

    São elas Supergirl (1984), Mulher-Gato (2004), Elektra (2005), Mulher-Maravilha (2017) e Capitã Marvel (2019).

    Apesar da categoria “super-herói” já existir nos cinemas desde 1966 com a estreia de Batman, estrelado por Adam West, apenas 18 anos depois surgiu o primeiro filme solo de uma super-heroína, com Supergirl  — em todos os outros casos, as personagens com superpoderes participavam em segundo plano ou faziam uma ponta em filmes com protagonistas masculinos.

    Super-heroínas: 5 filmes em 50 anos e a representatividade boicotada nos cinemasSupergirl (Helen Slater) estreou como uma produção spin-off (obra narrativa originada a partir de uma ou mais obras já existentes) da prima do “verdadeiro” super-herói, Superman. Christopher Reeve foi o intérprete do personagem que teve seu primeiro filme lançado em 1978 e contou com mais três continuações. Isabel Wittmann, líder do coletivo Feito Por Elas, salienta que tanto Supergirl, Mulher-Gato e Elektra foram um fracasso devido à perspectiva da indústria cinematográfica que ainda vê a realização de um filme de super-heroína como um risco. Um longa ruim protagonizado por uma mulher pode invalidar, durante anos, diversos projetos com temas similares  —  o que não acontece quando homens são as estrelas de filmes fracos.

    Wittmann comenta:

    “Filmes ruins adaptados de quadrinhos, protagonizados por homens, também existiram nesse período do recorte. O fato de um filme com homem protagonista ser ruim ou ter um desempenho ruim seja na crítica, seja na bilheteria, nunca impediu os estúdios de continuarem fazendo esses filmes. Isso porque um protagonista masculino é encerrado em si mesmo, enquanto uma mulher precisa representar todas as mulheres.”

    Super-heroínas: 5 filmes em 50 anos e a representatividade boicotada nos cinemasApós um hiato de duas décadas, em 2004, estreou o longa Mulher-Gato, protagonizado por Halle Berry, em uma personagem hipersexualizada  —  a anti-heroína Selina Kyle dos quadrinhos, na produção, dá lugar a uma mulher com calças de couro rasgada e o cós a um fio de mostrar mais do que deveria, barriga totalmente exposta e seios avolumados pelo sutiã também de couro.

    Na época, Berry era um dos maiores ícones sensuais do cinema e também tinha faturado uma estatueta de Melhor Atriz no Oscar de 2002 com o filme A Última Ceia. Neste sentido, não se vê apenas o machismo, mas também o racismo em hipersexualizar não apenas o corpo de uma mulher, mas, principalmente, o corpo de uma mulher negra.

    Mulher-Gato foi um dos filmes mais fracassados de toda a história do cinema, além de ter sido massacrado pela crítica. Entretanto, também foi um dos primeiros longas de super-heróis a ser liderado por uma estrela negra e feminina.

    Recentemente, a representatividade começou a ser pauta forte na indústria cinematográfica, principalmente após a avassaladora estreia do premiado Pantera Negra (2018).

    Durante seu discurso no GLAAD Media Awards de 2018, Halle Berry brincou:

    Cada história semeia para a próxima. É como diz o velho ditado: por trás de cada Pantera Negra existe uma grande Mulher-Gato negra.

    Adriana Amaral, mestre em Comunicação na Unisinos com formação enfatizada em Cultura Digital, destaca:

    “Quanto mais diversidade entre as personagens, melhor. Tanto em termos de desenvolvimento do caráter e personalidade, como em termos de cor da pele, tamanho, idade, entre outros. A julgar por Mulher-Maravilha e Capitã Marvel, a resposta parece ser boa. Contudo, é preciso lembrar que esses filmes estão dentro de universos compartilhados e expandidos nos quais os personagens precisam funcionar.”

    Enquanto o longa Mulher-Gato atuou como a reinvenção da personagem associada ao Batman, Elektra adquiriu o direito a sua própria história no ano seguinte, após aparecer como namorada de um super-herói em Demolidor – O Homem sem Medo, de 2003. Interpretada por Jennifer Garner, foi o primeiro filme de uma protagonista feminina da Marvel.

    Na época, beirando a falência, a marca vendeu os direitos para o cinema de alguns dos seus personagens, como Homem-Aranha, X-Men e Blade. Naquele período, a Marvel Entertainment produziu Elektra  — três anos antes do lançamento de Homem de Ferro (2008), produção pioneira independente da Marvel Studios, que iniciou, assim, o seu Universo Cinematográfico.

    Apesar de Elektra ter uma estética um pouco melhor e menos mal feita que Mulher-Gato, ela entrega apenas um filme de ação sem um enredo interessante, além de uma heroína tão “gostosa” quanto Halle Berry. A líder do coletivo Feito Por Elas, Isabel Wittmann questiona:

    “A maioria das super-heroínas, por exemplo, são mulheres brancas, heterossexuais, cisgênero e com corpos normativos. Não que elas não possam ser protagonistas, mas quando todas as personagens têm essas mesmas configuração, então, que mulheres estão sendo representadas nessas narrativas?”

    O Women in Film é uma organização norte americana dedicada a promover a igualdade de oportunidades para mulheres. A instituição foi a responsável pela criação do desafio #52FilmsByWomen com o objetivo de comprometer o público a assistir toda semana um filme dirigido por uma mulher.

    Isabel Wittmann é membro da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) e pontua que o fato da representatividade feminina ser pequena no gênero é apenas um dos problemas, pois, apesar de ser um alívio a possibilidade de poder ver um filme protagonizado por mulheres, a mera presença feminina não deveria bastar quando pensamos em termos interseccionais.

    Foi então que, em 2017, foi lançado um grande divisor de águas para o que tange à qualidade de um filme de super-herói com uma protagonista feminina. Mulher-Maravilha faz parte da icônica trindade de heróis da DC, junto ao Batman e Superman.

    Em décadas de produções cinematográficas do Homem-Morcego e o Homem de Aço, a Princesa das Amazonas possuía apenas a série televisiva estrelada por Lynda Carter, na década de 1970. Até então, os filmes de super-heroínas não tinham relevância para as produtoras.

    Não apenas estrelado, mas também dirigido por uma mulher (Patty Jenkins), o filme Mulher Maravilha, de 2017, trouxe um novo tom ao gênero no cinema, tratando-se de representatividade. A atriz Gal Gadot, intérprete da Princesa Diana, recebeu olhares de desconfiança antes da sua estreia em Batman Vs Superman: A Origem da Justiça, longa que conta com a primeira aparição da personagem.

    O corpo esguio de ex-miss era totalmente diferente daqueles corpos voluptuosos de mulheres hipersexualizadas   tanto nos quadrinhos, quanto nos últimos filmes do gênero. Apesar disso e da falta de experiência no cinema, Gadot conseguiu entregar uma personagem forte, feminina e cativante.

    Isabel enfatiza que a mudança do cenário político em relação ao feminismo em Hollywood, com o movimentos de mulheres profissionais através do Me Too (2017) e Time’s Up (2018) (ambos sobre luta contra assédio sexual e agressão sexual, principalmente no local de trabalho), pode ter contribuído para a valorização e investimento na grande produção de filmes de super-heroínas, como foi o caso de Mulher-Maravilha, em 2017 e Capitã Marvel, em 2019.

    Após quase uma década investindo na mesma fórmula de filmes de super-heróis, a Marvel Studios recentemente lançou Capitã Marvel como a grande promessa de super-heroína para o final da sua Fase 3 —  essa mulher sobre-humana seria a esperança de derrotar o inevitável Thanos, interpretado por Josh Brolin, em Vingadores: Ultimato. O filme de origem da personagem teve uma grande aceitação da crítica.

    A história bem desenvolvida e a produção de qualidade, características dos filmes de origem da Marvel, encontram um ambiente e personagem capazes de tratar sobre questões pertinentes ao feminismo, mesmo que sem abraçar o movimento. Situações machistas são demonstradas em cenas corriqueiras da personagem  — com as quais qualquer mulher poderia se identificar —, o que garante uma aproximação intensa do público. O tom de humor que filme utiliza nestas situações delicadas é o que o torna leve e admirável: são ideias totalmente ultrapassadas.

    Apesar do crescimento do movimento feminista, a referência na área de super-heróis, Isabel Wittmann, ressalta que a misoginia ainda está presente no meio do próprio universo geek, como foi visto após boicote dos fãs ao filme Capitã Marvel.

    “Um pequeno grupo de homens nerds se mostra insatisfeito se todos os filmes não forem protagonizados por pessoas como eles. Felizmente, o bom desempenho econômico de Capitã Marvel, assim como de Pantera Negra e Mulher-Maravilha, mostra que, no geral, as pessoas querem ver outras narrativas, com outras pessoas liderando-as.”

    Apesar de também criticar a falta de representatividade em outros aspectos identitários, a pesquisadora com interesse no universo geek Adriana Amaral acredita que não houve boicote ao filme Capitã Marvel, mas, sim, mobilizações feitas por um pequeno grupo extremista.

    “No caso de Capitã Marvel, cuja bilheteria está aí para provar que essa mobilização de anti-fãs não deu certo, acredito que o filme esteja capturando o zeitgeist (espírito de época, espírito do tempo ou sinal dos tempos) do momento que precisava de uma figura como Carol Denvers como protagonista.”

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    Adriana Amaral também é positiva em relação ao futuro da participação feminina nos filmes do gênero, afirmando acreditar que essa tendência faz parte também dos planos das produtoras:

    “Teremos um bom número de heroínas e também de vilãs dos mais diversos tipos e representações assim como temos os personagens masculinos.”

    Com estreia marcada para o dia 7 de fevereiro de 2020, Aves de Rapina será o primeiro filme com protagonismo 100% feminino de uma liga da DC. Nesta história, a atriz Margot Robbie reassume seu papel como Arlequina, que teve a primeira aparição em Esquadrão Suicida (2016), após a separação do seu amado Coringa (Jared Leto).

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    O longa já tem seu primeiro trailer e conta com uma produção majoritariamente feminina também: a direção é de Cathy Yan e o roteiro fica a cargo de Christina Hodson.

    Para o primeiro trimestre de 2020, a Marvel Studios já tem confirmado o filme solo da Viúva Negra, personagem que atua junto aos Vingadores e teve a sua primeira aparição em Homem de Ferro 2, lançado em 2010  —  só aí, levaram 10 anos para que lançassem o solo da personagem interpretada pela atriz Scarlett Johansson, que já apareceu em outros sete filmes do universo.

    Outro filme com data de lançamento marcada para 5 de junho de 2020 é Mulher-Maravilha 1984. A nova história da Princesa das Amazonas ainda não teve maiores detalhes revelados, mas é possível imaginar que, através do título, a continuação mostrará Diana nos Estados Unidos de 1984, durante o fim da Guerra Fria.

    Além desses, uma continuação de Capitã Marvel também está prevista, mas sem ideia de lançamento. Outras histórias com mulheres protagonistas também são especuladas pelo público, como A-Force, Kamala Khan, Supergirl e Batgirl.

    A expectativa é que as questões pertinentes a representatividade  —  não apenas de gênero, mas também de outras características que busquem aproximar as pessoas “reais” dos seus personagens  —  sejam abordadas no universo cinematográfico.

    O ambiente mainstream (cultura de massa difundida pelos meios de comunicação de massa) tem poder de atingir e impactar o grande público e, assim, realizar um trabalho crescente de conscientização.

    Texto colaborativo com Juliane Kerschner publicado originalmente em Beta Redação.

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    TBT #19 | Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008, Christopher Nolan)

    Ou você morre como herói, ou vive o bastante para ver você mesmo se tornar vilão.” É com essa premissa que a obra-prima da trilogia de Christopher Nolan permeia toda a jornada do Batman contra seu principal arqui-inimigo: o Coringa.

    A história se passa depois de dois anos do primeiro longa, Batman Begins, mostrando um herói mais consolidado em Gotham City. Ao mesmo tempo que Batman (Christian Bale) e Gordon (Gary Oldman) tentam acabar com os esquemas da máfia, um novo rosto surge como esperança: o promotor de justiça, Harvey Dent (Aaron Eckhart). Em paralelo a isso, no lado dos vilões, um homem sádico entra para equilibrar a balança. Denominado Coringa (Heath Ledger), vem com a premissa de derrotar os protagonistas e ser uma resposta à altura.

    O primeiro ato já evidencia a qualidade do longa com a cena de assalto a banco. Nolan trabalha muito bem a questão de apresentação da nova ameaça de Gotham, pois brinca a todo o momento com a identidade do Coringa nos primeiros cinco minutos de filme, além de demonstrar a genialidade do vilão já nas primeiras cenas. O momento mais icônico vem com a frase “o que não nos mata, só no deixa mais estranhos.”.

    TBT #19 | Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008, Christopher Nolan)O desenvolvimento tanto de Coringa, quanto o de Harvey Dent, sem dúvidas é o ponto mais alto do filme, uma vez que os personagens mostram diversas facetas, com atuações brilhantes, principalmente de Ledger que se entregou tanto ao vilão que acabou tragicamente se suicidando alguns dias antes da estreia. Coringa é um vilão sem origem, sem família, sem identidade e com apenas uma causa: ser o agente do caos de Gotham, tornando-se o vilão mais perigoso que qualquer herói poderia ter, pois não tem nada a perder com seus atos.

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    Virtude é a grande palavra que desenvolve a história. A todo o momento vemos os personagens em dilemas morais, sendo levados ao limite da corrupção de seus valores, mostrando o quão difícil é ser um herói em momentos de anarquia e extremismo. Até onde vamos para obter justiça? Até que ponto lutamos contra nossas virtudes em prol de um bem maior? Essa questão é muito evidenciada no segundo ato do longa, pois o vilão já está consolidado como real ameaça e faz com que Batman e os demais personagens tenham que ir ao limite para derrotá-lo.

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    O ponto alto é a cena de ação no viaduto da cidade, com muitos efeitos práticos, uma assinatura do diretor em todos os seus filmes, que tiram o fôlego do espectador; além da épica cena do interrogatório entre Batman e Coringa, que evidencia a insanidade e a genialidade do vilão.

    TBT #19 | Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008, Christopher Nolan)Curiosidade: Heath Ledger pediu para Christian Bale agredi-lo de verdade para dar mais veracidade ao momento.

    A cereja do bolo vem no terceiro ato do longa: a ascensão de Duas Caras. Aaron Eckhart brilhantemente entrega um vilão que poderia ter facilmente um filme solo, mostrando sua consolidação no crime. Depois de perder Rachel (Maggie Gyllenhaal) e ter metade do corpo queimado, ele vai atrás de vingança e a insanidade do personagem, uma vez íntegro, é o que o destaca. Cris Nolan mostra que no final de tudo, mesmo com a prisão do Coringa, o palhaço do crime venceu, pois atingiu seu objetivo de desvirtuar o trio de heróis e tornar o Batman um pária da sociedade, dando um duro golpe em Bruce Wayne.

    Nolan acerta demais no cast, principalmente ao escalar Heath Ledger, que foi contestado pelos fãs, mas que nos entregou um dos maiores vilões do cinema. O diretor conseguiu fazer um filme que até hoje é referência no gênero de super heróis.

    Não é à toa que até quem não gosta desse estilo aprecie o filme, uma vez que ele vai além de um homem fantasiado que tenta apenas salvar o dia. O filme aborda questões éticas, morais e sociais, nos mostrando que todos temos um lado sombrio dentro nós e que uma hora ele pode aparecer. Batman: o Cavaleiro das Trevas é sem dúvida um daqueles poucos filmes que está muito a frente do seu tempo.


    Confira o trailer:

    E aí, já assistiu esse filmão do Christopher Nolan? Provavelmente sim, mas nunca é tarde para revê-lo. Aproveite para conferir as indicações anteriores do TBT do Feededigno, deixe seus comentários e também sua avaliação de Batman: O Cavaleiro das Trevas.


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    CRÍTICA – Incorruptível: Justiça a Qualquer Preço (2019, Devir)

    O renomado autor Mark Waid criou um universo onde tudo o que estamos acostumados a ver torna-se algo desconstruído a partir da sua visão subversiva dos termos relacionados ao heroísmo. O premiado autor de O Reino do Amanhã realizou o trabalho de apresentar uma linhagem familiar ao leitor para explicar a sua premissa sobre a moral e ética em cada um de nós. Também apresenta uma trama chamativa e já nos prepara para uma sequência que não parece ser tão simples de solucionar. É recomendado ao leitor que, antes de iniciar Incorruptível, já ter lido Imperdoável antes, pois ambos fazem parte do mesmo universo, ou seja, uma história complementa a outra para a sua evolução. Sendo assim, faremos uma breve introdução à obra anterior de Waid.

    Normalmente os super-heróis são seres que representam aquilo que há de mais nobre em nós. Mas será possível existir alguém tão perfeito assim? Na trama de Imperdoável: O Poder do Medo, quando o Plutoniano, o maior super-herói da Terra, enlouquece e se torna o pior vilão do planeta, apenas os seus ex-aliados de combate ao crime tem uma chance de deter a sua onda de violência.

    Lembrando que Mark Waid ganhou o prêmio Eisner de Melhor Roteirista em 2012 por esse trabalho, sua visão dá ao leitor o senso de urgência própria do foco da história e uma atmosfera de desconfiança, pois desconstrói o estereótipo de super-heróis que formam um grupo coeso, de grandes amizades e que se unem apenas para o bem da humanidade. Sem falar que uma porcentagem da sua história é inspirada em Miracleman, de Alan Moore.

    A arte de Peter Krause é formidável, com uma boa colorização e um padrão de desenhos que segue o que há de mais moderno nos quadrinhos americanos. Ele cria cenas ótimas com uma narrativa gráfica que consegue prender o leitor com o objetivo bastante satisfatório ao decorrer da obra.

    Em Incorruptível, somos introduzidos por Max Destrutor, o vilão mais famoso do mundo. Célebre por crimes que vão de homicídio à terrorismo, ele jamais teve seu desejo por caos superado por ninguém. Porém, isso foi antes do Plutoniano (acontecimento em Imperdoável), o maior herói do planeta, dar as costas à humanidade e matar milhões. Agora, enquanto tudo está desmoronando, Max abraça a missão de aplicar a lei em sua plenitude. Quando há tantos que precisam da sua ajuda, conseguirá o novo justiceiro proteger os poucos que dependem dele, ou ele será forçado a descobrir o alto preço da justiça?

    Aparentemente a origem específica de Max não é apresentada, deixando isso a cargo para uma possível sequência, e a sua motivação ainda não apresenta o significado explícito do porquê ele decidiu mudar a sua ética, mas ao mesmo tempo, ele persiste nos mesmos atos do seu passado, pois a questão filosófica colocada como as barbáries são justificadas por um bem maior.

    Durante a leitura da obra, podemos notar facilmente homenagens à editora DC Comics recheado de inspirações. Porém, ao final desse primeiro volume da Devir, quem está acompanhando a trama percebe que aquele universo funciona por si, tendo toda a sua dinâmica. Todo personagem tem suas características e sua personalidade própria. Os coadjuvantes são bem conduzidos durante toda a narrativa com boas escolhas na forma de criar o sarcasmo e humor na trama.  

    Nesta edição, a arte fica responsável por Jean Diaz,  que não compromete ou atrapalha, evocando o traço bem habitual do gênero, incluindo erros anatômicos ou de perspectivas e proporções. Em poucos momentos de virada, ele brilha. A arte da capa fica a critério de Horacio Dominguez que utiliza os tons mais escuros e quentes de forma notável.

    Título: Incorruptível: Justiça a Qualquer Preço
    Autores: Mark Waid, Jean Diaz e Horacio Dominguez
    Editora: Devir
    Ano de Publicação: 2019
    Páginas: 232


    Com um bom gancho, que mantém o interesse para os próximos volumes, Incorruptível é um experimento moral e intelectual interessante. Contando com um roteiro inspirado e que faz o leitor acompanhar atentamente uma história com questionamentos e dúvidas sobre as ações do seu protagonista e com a esperança de uma redenção na sua trajetória.

    E você, já leu a mais nova HQ da Devir? Se ainda não, corra e garanta seu exemplar de Incorruptível: Justiça a Qualquer Preço e se já leu, deixe seus comentários e sua avaliação.