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Drácula: Dissecando a criatura mais popular da cultura pop

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Drácula

A minissérie foi ao ar nesta semana pela BBC One, recebendo elogios dos críticos; mas Drácula também será lançada na Netflix no sábado (04).

Com produção executiva de Mark Gatiss, Steven Moffat, Sue Vertue e Ben Irving; o elenco principal é formado por John Heffernan, Dolly Wells, Joanna Scanlan, Sacha Dhawan, Jonathan Aris, Morfydd Clark, Nathan Stewart-Jarrett e Claes Bang como Conde Drácula.

Em 2019 a figura do vampiro completou 200 anos, já o Drácula, personagem criado por Bram Stoker completou 122. E em homenagem ao “Lorde das Trevas” – não é o Voldemort – iremos destrinchar sua origem, suas referências e principais adaptações nas principais mídias e também conhecer o Drácula da vida real!

ORIGEM DO DRÁCULA DA FICÇÃO

Em 26 de Maio de 1897, o irlandês Bram Stoker lançou seu romance, porém seu sucesso começou nos palcos do teatro graças a uma treta sobre direitos autorais.

Em 1922 foi lançado na Alemanha, o filme Nosferatu; que contava a história do Conde Orlok (vivido por Max Schrec), porém mesmo com o filme se passando em outra localidade e contando com outros personagens, a esposa do já finado Bram, Florence Balcombe, processou os responsáveis pela produção alemã por violação de direitos autorais. Trazendo então o Drácula de volta aos holofotes britânicos. Em 1924 surgiram as primeiras peças teatrais em Londres e três anos depois, estreou a primeira peça na Broadway, nos EUA.



QUADRINHOS

Por incrível que pareça, o Drácula já figurou nas páginas da Marvel Comics. O personagem estreou em The Tomb of the Dracula #1 (1972). Onde o vampiro encarou os X-Men, o Homem-Aranha e até mesmo o Apocalipse.

E das páginas dessa série surgiu um personagem muito querido pelos fãs: o Blade. Que já tem confirmada a sua estreia no Universo Cinematográfico Marvel.

GAMES

Quem viveu a época do incrível PlayStation 1 certamente perdeu horas se divertindo ao jogar Castlevania Symphony of the Night e também é muito provável que se irritou muito com a pegadinha do final fake (eu fui um desses).

Já na geração seguinte, tivemos para o PlayStation 3 Xbox 360 os Castlevania: Lords of Shadow 2, que infelizmente não teve uma continuação tão boa quanto o primeiro.

ANIMAÇÕES

Também da Netflix temos a adaptação da franquia de games, Castlevania, que conta com duas excelentes temporadas e já tem a terceira confirmada.

E para a molecada temos a franquia de animações para a tela grande, Hotel Transilvânia; que conta com três filmes.



CINEMA

É aqui que o bicho pega!

O Drácula já deu as caras em mais de 272 filmes e foi interpretado por mais de 40 atores; no Guiness Book – O Livro dos Recordes o personagem detêm dois importantes recordes:

  • Personagem Literário Mais Adaptado para o Cinema
  • Personagem de Horror Mais Adaptado para o Cinema

Desses muitos filmes, alguns são de extrema importância; entre eles:

Drácula (1931, Tod Browning)

Foi a primeira adaptação cinematográfica e trouxe o ator Bela Lugosi dos palcos da Broadway. O roteiro adaptou a peça de teatro homônima de Hamilton Deane e John L. Balderston que adaptava o livro de Bram Stoker

O Vampiro da Noite (1958, Terence Fisher)

Uma franquia com oito filmes, onde tivemos o querido Christopher Lee (o nosso eterno Saruman da trilogia O Senhor dos Anéis) que estrelou seis deles.

Drácula de Bram Stoker (1992, Francis Ford Coppola)

TBT #17 | Drácula de Bram Stoker (1992, Francis Ford Coppola)Considerado por muitos estudiosos de Drácula como a adaptação mais próxima dos romances de Bram (mesmo com algumas liberdades criativas), o longa de Coppola conta com grande elenco: Gary Oldman (Vlad Tepes/Drácula), Winona Ryder (Elisabetha/Mina Harker), Keanu Reeves (Jonathan Harker), Anthony Hopkins (Professor Abraham Van Helsing).

Curiosidade: Anthony Hopkins atua como dois personagens diferentes, um religioso cristão que amaldiçoa Vlad nos minutos iniciais do filme e Van Helsing.

PUBLICAÇÃO RELACIONADA | TBT #17 – Drácula de Bram Stoker (1992, Francis Ford Coppola)

Drácula: A História Nunca Contada (2014, Gary Shore)

O longa de Gary Shore, assim como a maioria das últimas adaptações apresenta como Vlad Tepes se tornou o conde chupador de sangue mundialmente conhecido.

Trata-se de um típico filme de origem (mesmo que essa origem não seja a mais aceitável pelos “BramStokianos” e muito menos pelos romenos) com uma “pegada” super-heroica.

O elenco conta com Luke Evans ‎como Vlad III/Drácula, ‎Dominic Copper (da série Preacher) como Mehmed II e Charles Dance (o mestre das filhadaputagens, Lorde Tywin Lannister na série Game of Thrones) como Mestre Vampiro.

Curiosidade 1: O personagem Vampiro Mestre de Charles Dance é o lendário imperador romano Caio Júlio César (juro que também não entendi a referência kkkk). 

Curiosidade 2: O filme apesar de não ser dos melhores e muito menos fiel, foi um sucesso de bilheteria. Tendo uma receita de US $ 215 milhões, sobre um orçamento de apenas US $ 70 milhões. Fazendo com que a Universal Pictures investisse em um Universo de Monstros Compartilhado, lançando então em 2017 o filme A Múmia, estrelado por Tom Cruise. Que foi um fiasco de bilheteria, engavetando a ideia do “UMC” do estúdio.



O DRÁCULA DA VIDA REAL

Vlad III, também conhecido em romeno como Vlad Tepes (Vlad – O Empalador, em português) viveu no século XV e gostava de ser conhecido como Vlad Draculea que significava “filho do dragão”, já que seu pai (Vlad II) se auto intitulou Vlad Dracul após ingressar na Ordem do Dragão – uma espécie de Templários – que era responsável por proteger a cristandade na Europa Oriental combatendo os turcos e a invasão do Império Otomano.

Vlad Draculea era voivoda (príncipe) da Valáquia – atualmente território da Romênia – e junto com seu irmão mais novo, Radu, foram reféns do Império Otomano em 1442, como garantia a lealdade do pai ao sultão Murad II.

Mesmo vivendo entre os turcos, Vlad nunca abandonou sua fé cristã e muito menos seu sonho de retornar à sua terra natal e libertá-la das garras do Império Otomano.

Após a morte de Murad II, Vlad já estava de volta à Valáquia e reinava quando Maomé II, o mais novo sultão otomano (filho de Murad II), enviou seus mensageiros para lembrar Vlad de sua vassalagem para com o Império Otomano. E Vlad ao melhor estilo Rei Leônidas, Vlad gritou: “Isso aqui é Valáquia!” (me empolguei; essa parte é puro fan service kkkkk). Na verdade, Vlad empalou* todos.

*Empalamento ou empalação é um método de tortura e execução que consistia na inserção de uma estaca que atravessasse o corpo do torturado; normalmente entrando pelo ânus até sair na clavícula, pescoço ou boca. A vítima, atravessada pela estaca, era deixada para morrer sentindo dores terríveis.

Depois de muitos anos de seguidas guerras, pequenas vitórias, traições, muitas empalações e derrotas, Vlad III/Draculea/Tepes/Empalador se recolheu no Castelo Poenari, em Arges, na Romênia e não no Castelo de Bran, entre a Transilvânia e a Valáquia, que atualmente é um ponto turístico muito famoso por associar Vlad Tepes ao Drácula de Bram Stoker.

Curiosidade 1: Dracul, em romeno, além de significar dragão, também podia significar diabo. E muito provavelmente a superstição da população da época somado aos métodos nada convencionais de tortura de Vlad Tepes contribuíram para a lenda de que ele era “filho do demônio”.

Curiosidade 2: Mesmo com toda a crueldade em suas punições, Vlad III é considerado um herói romeno e diversas praças e museus do país exibem seu busto.

Indicação: Se você curte leitura de ficção-histórica no melhor estilo Bernard Cornwell (O Último Reino) e Conn Iggulden (Os Portões de Roma), recomendo muito a leitura do livro Vlad: A Última Confissão, do autor britânico C.C. Humphreys.



REFERÊNCIAS

Como dito no início dessa publicação, o vampiro completou recentemente 200 anos e Bram Stoker teve muito material para utilizar como referência para a criação de seu Drácula. E não posso deixar de citar pelo menos três grandes influências que vieram da literatura britânica:

The Vampyre: A Tale (1819, John William Polidori)

Em tradução direta, O Vampiro: Um Conto, foi a primeira aparição do mítico personagem.

Curiosidade: Durante uma noite de tempestade, quatro amigos decidiram ver quem contaria a história mais horripilante, entre eles estavam o médico John Polidori que apostou na brincadeira e lançou seu conto, como também Mary Shelley que veio a lançar outro icônico personagem: Frankenstein.

Varney the Vampire or the Feast of Blood (1847, James Malcolm Rymer)

Na metade do século XIX eram famosos os penny dreadfuls, que eram contos muito baratos voltados para as massas, principalmente a classe trabalhadora. E mesmo não sendo focado em cronologia e histórias sequenciais, em 1847 foi lançado um volume único com todos os contos de Varney, que conta com mais de 800 páginas e mais de 200 capítulos.

Carmilla: A Vampira de Karnstein (1872, Joseph Sheridan Le Fanu)

Já no final do século XIX tivemos a primeira vampira, e assim com H.P. LovecraftLe Fanu também é reconhecido como um gênio do horror e da literatura gótica.

Indicação: Em 2017 a Darkside Books lançou dois belíssimos exemplares de DráculaFirst Edition que recria a capa original do romance quando lançado em 1897 e o Dark Edition que simula uma capa de couro preto.

Ambas as edições são de capa dura, a primeira com as bordas das páginas com um vermelho vivo, lembrando a cor de sangue. Já o segundo, com bordas de páginas douradas que contrastam muito bem com a capa “decrépita”. Porém além da obra de Bram Stoker o incrível trabalho de pesquisa ao final do romance é digno de colecionadores. Uma rica pesquisa que trás rascunhos, matérias de jornais da época do lançamento, cartas de pessoas próximas de Bram e muitas informações que tornam as edições um item extremamente especial.

A minissérie Drácula estreou na BBC One em 1º de Janeiro e chegará à Netflix em 4 de Janeiro. A primeira temporada será composta por três episódios de 90 minutos cada.

Assista ao trailer final:

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