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CRÍTICA – O Escândalo (2019, Jay Roach)

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CRÍTICA – O Escândalo (2019, Jay Roach)

Homens poderosos e repugnantes não são novidade na história do mundo. Quando alguém possui o poder em suas mãos é quando percebemos quem ela realmente é. O Escândalo (Bombshell) é um filme que retrata o poder soberano do magnata Roger Ailes e como duas de suas funcionárias mais prestigiadas o fizeram cair de seu pedestal sagrado.

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O Escândalo conta a história real de Megyn Kelly (Charlize Theron) e Gretchen Carlson (Nicole Kidman), duas âncoras da emissora Fox que expuseram a cultura de assédio imposta por Roger Ailes (John Lithgow) dentro do conglomerado. Durante seus 109 minutos de duração, o diretor Jay Roach nos apresenta a estrutura da empresa, com seus andares e importâncias, e a realidade conservadora – e hipócrita – de uma das maiores emissoras americanas.

Durante os primeiros 40 minutos de filme, somos conduzidos na narrativa por Kelly e Carlson, que rompem a quarta parede para nos dar dicas sobre o que está por vir. É nesse momento que entendemos em qual período de tempo o longa está situado e o que está acontecendo na vida dessas mulheres. Paralelamente, somos apresentados a personagem fictícia Kayla Pospisil (Margot Robbie), uma produtora nascida em uma família conservadora e que tem como sonho ser âncora em algum programa da Fox.

É durante essa condução que aprendemos sobre como Ailes criou o molde jornalístico de uma das maiores emissoras americanas e, basicamente, criou o marketing político eleitoral da forma que existe hoje. Aprendemos, também, como ele tinha câmeras no set apenas para filmar as pernas das jornalistas e como elas eram proibidas de irem trabalhar de calça, por exemplo.

CRÍTICA – O Escândalo (2019, Jay Roach)

O roteiro de Charles Randolph, apesar de ambicioso, é superficial. Mesmo com a coragem de expor um dos maiores escândalos de assédio da televisão – antes da explosão do movimento #MeToo – Randolph não se aprofunda nas consequências que essas ações tiveram na vida das mulheres envolvidas na situação.

O longa foca muito mais nos bastidores dessas denúncias e suas motivações do que, de fato, em se aprofundar em quão inerente e impregnada a cultura do machismo está nesse meio. Talvez o contrato de confidencialidade que envolve a rescisão de Gretchen Carlson, por exemplo, tenha sido um empecilho na hora de retratar com mais profundamente os traumas e dificuldades que uma situação do tipo pode gerar.

CRÍTICA – O Escândalo (2019, Jay Roach)

Fica nas mãos de Margot Robbie a incumbência de carregar o lado mais emocional da trama. Sua atuação está excelente, conseguindo entregar toda a angústia e sofrimento que uma situação de assédio em ambiente de trabalho pode trazer. É por meio da personagem que a solidão que as mulheres passam, em uma situação com essa, fica evidente. É de Margot, também, uma das cenas mais desconfortáveis da produção, executada magistralmente pela atriz.

A atuação de Charlize Theron também merece destaque. Sua indicação ao Oscar desse ano não poderia ser mais acertada. Toda a maquiagem envolvida em sua transformação – que a deixou idêntica a Kelly -, não atrapalham em nada a sua atuação, que envolve mudança de voz e até de trejeitos para ficar extremamente parecida com a âncora mais sensacionalista da televisão.

CRÍTICA – O Escândalo (2019, Jay Roach)

O Escândalo é um filme ambicioso que traz luz novamente a acontecimentos que, pouco a pouco, parecem ser esquecidos por Hollywood e pela sociedade. Após o enfraquecimento do #MeToo, as rodas da indústria seguiram girando e tudo aparenta estar no mesmo lugar de sempre. Que mais filmes do tipo ganhem destaque nas premiações – mas que estes sejam executados por mulheres.

Nossa nota

Assista ao trailer

O Escândalo estreia no dia 16 de Janeiro nos cinemas de todo Brasil! Não esqueça deixar a sua nota!

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