OPINIÃO – DC Studios: O que sobrou para live action?

    A editora DC Comics possui uma rica história de live action nos cinemas e em diversas outras mídias, além das tão marcantes animações que a estabeleceram em uma patamar de qualidade proporcional a exigência dos filmes.

    Não quer dizer que não houveram produções ruins no caminho, porém até elas acabaram, de uma forma ou outra, se tornando queridas por aqueles que acompanham a editora azul ou, como eu, cresceram com suas produções ao longo da vida.

    O tão falado declínio que tanto se fala pela internet surge na Era dos Filmes de Super-heróis, com o surgimento do Universo Cinematográfico Marvel e a necessidade de se realizar filmes conectados.

    E na era que todos os filmes possuíam uma estética igual, a Warner Bros. e DC surgem com o polêmico “Snyderverso” com O Homem de Aço (2013) e seus longas mais realistas; surgindo então o famoso jargão “DC é sombria”… o que foi a maior falácia já criada pois as produções mais antigas da editora são as mais leves.

    O RECOMEÇO

    James Gunn (esquerda) e Peter Safran (direita).

    Após tantas coisas ruins que aconteceram simbolizadas nos bastidores de gravação de Liga da Justiça (2017), a Warner tenta um recomeço com a DC Studios liderada criativamente por James Gunn e comercialmente por Peter Safran, mas nem tudo são flores.

    Filmes cancelados, diretora saindo de projeto e atores dispensados são a marca do início desta era da DC Studios, não sendo diferente do que aconteceu em outro universo que se consolidou.

    Geralmente sou otimista em relação à DC, que sempre me apresentou coisas muito boas, mas este ano no universo de live action existe uma grande incógnita que até o momento não foi resolvida: quem fica; ou melhor, alguém fica?

    Mesmo neste universo que foi conturbado pela própria gestão da Warner ao longo deste processo, surgiram filmes de sucesso como Aquaman (2018) e os dois filmes de Mulher-Maravilha apesar das críticas ao seu segundo longa: Mulher-Maravilha 1984 (2020).

    Além do premiado Coringa (2019) que ganhou uma sequência, O Esquadrão Suicida (2021) e a série de TV Pacificador (2022) que, sem sombra de duvidas, credenciaram Gunn a se tornar presidente da DC Studios. Sem esquecer de Batman (2022) de Matt Reeves que particularmente foi o melhor filme do gênero no ano passado.

    O PRESENTE E EXPECTAVITAS

    Refletindo sinceramente a respeito de tudo o que aconteceu se tratando deste universo de filmes, não acredito que exista um caminho fácil para as decisões que os co-presidentes irão tomar seja criativamente ou comercialmente.

    Criativamente eu não creio que exista uma decisão errada seja na reformulação parcial, total ou até mesmo ao manter as coisas como estão, porém tudo indica que possa haver um reboot parcial do universo que conhecemos; porém, haverá muita pressão com as decisões tomadas.

    A respeito do que virá à seguir e o que será descontinuado neste universo: as mudanças são desde o elenco, com a confirmação das saídas de Henry Cavill e Dwayne Johnson, até quais narrativas serão mantidas e o que será encerrado durante o filme do Flash que passou a se tornar imprescindível para o que virá a seguir.

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    Comercialmente não serei especulativo ou vou tentar dar uma aula de Economia sobre qual a solução mágica para este gênero que graças ao UCM saturou, seja pela sua fórmula repetida à exaustão ou o lançamento de uma grande quantidade de filmes anualmente.

    Neste aspecto, seguir o exemplo muito bem dado por Batman seja um caminho para o futuro, pois sua estética consegue ter um equilíbrio entre o realismo que se tornou a tendência após a trilogia de Christopher Nolan sem deixar de ter elementos quadrinescos abraçando um publico mais massivo.

    Talvez algumas destas questões sejam respondidas já neste primeiro mês de 2023, pois o presidente criativo se comprometeu a realizar alguns anúncios referentes aos próximos três anos da DC. Será que vem o famoso “Power Point” que deixava os fãs empolgados?

    Enquanto ainda esperamos a chegada – ou não – deste grande pronunciamento, o presente já nos deixa garantido quatro filmes, que acredito estarem sendo o primeiro momento desta reformulação que são:

    • Shazam: Fúria dos Deuses;
    • Aquaman: Reino Perdido;
    • Besouro Azul e
    • Flash.

    Quando penso nestas quatro produções, pelo menos se tratando deste universo conectado, creio que possam ser os únicos núcleos que serão mantidos sendo Shazam como o “ultimo” filme desta fase e Flash realizando a mudança cronológica que permitirá trazer outras versões dos personagens que estarão envolvidos no filme.

    Uma das razões que acredito que estes universos como de Aquaman e Shazam sejam mantidos, está conectado ao seu sucesso com seus longas de estreia, sendo o primeiro a maior bilheteria de toda a fase do Universo Estendido DC e o segundo ter se saído bem financeiramente mesmo sendo lançado entre dois filmes significativos da Marvel Studios; além da boa recepção da crítica em ambos os casos.

    PUBLICAÇÕES RELACIONADAS:

    CRÍTICA – Aquaman (2018, James Wan)

    CRÍTICA – Shazam! (2019, David Sandberg)

    O FUTURO

    Com o filme solo do Flash se tornando o ponto de ignição deste novo universo pode-se abrir espaço para outras narrativas, assim justificando a permanência do Besouro Azul, preparando o terreno para esta nova versão do Superman que o próprio James Gunn se responsabilizou pelo roteiro.

    Não seria um fim glorioso, mas algo esperado dado os percalços desde O Homem de Aço e tantas mudanças também no corpo diretivo da Warner, tornando o direcionamento do universo um elemento desorganizador na empresa.

    A postura na gestão de Gunn mostra algumas melhorias que para o futuro são significativas, como sempre estar ativo nas redes sociais e estancar a sangria de rumores que se tornou rotina em torno da DC. Além de ter informações mais concretas sobre o que esta sendo planejado, sendo paralelamente um caminho para acalmar os ânimos dos fãs mais exaltados com as saídas.

    Mesmo não sendo tão otimista com o futuro, pelo menos parece que a Warner se prepara para trilhar um caminho próprio, pois além do seu universo compartilhado as produções “elseworld” serão mantidas: como a produção de Joker: Folie à Deux (sequência de Coringa, ainda sem título nacional) e o filme do Superman Negro de J.J. Abrams que continua nos planos.

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    Confesso que não é algo empolgante devido a tudo o que foi deixado para trás, mas para os fãs da DC, sejam de longa data ou não, será necessário ter paciência para se compreender o momento, além de coração e uma mente aberta para poder aproveitar o que será entregue no futuro pela DC Studios.


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