Início Site Página 348

    CRÍTICA – Metroid Dread (2021, Nintendo)

    Um jogo repleto de rumores desde 2005 e que poderia ser percebido como lenda urbana finalmente se tornou realidade. Metroid Dread foi oficialmente lançado para o Nintendo Switch na sexta-feira, 08 de outubro de 2021.

    Na ocasião, a Nintendo também lançou o Nintendo Switch OLED, novo modelo do console híbrido da Big N, cujas principais novidades dizem respeito à experiência portátil: melhorias visuais trazidas pela tela OLED e melhor ajuste para jogar no modo Tabletop. Em relação à jogatina no dock, a porta para cabo LAN (internet) é o grande upgrade.

    16° jogo da franquia, a história de Metroid Dread é uma sequência direta de Metroid Fusion, lançado originalmente em 2002 para Game Boy Advance.

    SINOPSE

    Junte-se à caçadora de recompensas Samus Aran enquanto ela tenta escapar de um mundo alienígena mortal atormentado por uma ameaça mecânica

    Ao investigar uma transmissão misteriosa no planeta ZDR, Samus enfrenta um inimigo misterioso que a aprisiona neste mundo perigoso. O planeta remoto foi invadido por cruéis formas de vida alienígenas e robôs assassinos chamados E.M.M.I.

    Cace ou seja caçado enquanto abre caminho através de um labirinto de inimigos na aventura de deslocamento lateral mais intensa de Samus.

    ANÁLISE DE METROID DREAD

    Sim, Metroid Dread é tudo o que está sendo dito desde que os primeiros veículos tiveram acesso antecipado ao combo Metroid Dread + Nintendo Switch OLED.

    Desde 15 de junho deste ano, quando a Nintendo fez sua apresentação na E3, a gigante dos games não errou nas ações de marketing de Metroid. Era sabido que havia um vácuo de títulos da história principal, espaço preenchido com diversos spin-off. Mas o vazio também se devia ao fato de que ainda não havia nenhum jogo exclusivo para o Nintendo Switch.

    Bem, a pressão era grande, mas a Nintendo e a desenvolvedora MercurySteam dominaram a situação e fizeram do limão uma limonada.

    A euforia em torno do título, anunciado pouco mais de três meses antes do lançamento, foi bem alimentada e cativou desde os fãs mais ávidos da franquia, até os novos Switch Owners, que adquiriram o console durante a pandemia e o retorno da Big N ao Brasil. Esse é o caso deste que vos escreve.

    Essa foi a primeira vez que eu joguei um Metroid. Sinto um misto de felicidade, realização e desejo de correr atrás do tempo perdido, motivado a conhecer os demais títulos, especialmente os que compõem o cânone.

    Antes de avançar na análise do jogo propriamente dito, preciso destacar que a Nintendo também acertou na dobradinha Metroid Dread + Nintendo Switch OLED.

    A capacidade gráfica do jogo é brilhantemente potencializada pela tela OLED, fazendo com que o lançamento de ambos na mesma data seja um ingrediente para catapultar as vendas do novo modelo do Switch, especialmente para aqueles que pensam em adquirir o console pela primeira vez.

    Metroid Dread é uma experiência visual incrível

    Como dizem, há males que vêm para o bem. Se quase 20 anos sem uma sequência da história principal de Samus Aran pareceram insuportáveis, pode ter certeza de que a espera valeu a pena.

    Nintendo e MercurySteam potencializaram o que tornou Metroid um sucesso (a ponto do nome ser identificado como um subgênero de gamesMetroidvania) e aproveitaram ao máximo os recursos do Nintendo Switch. Chega a ser surpreendente ver um jogo publicado após quatro anos de lançamento do console mostrar que havia um potencial gráfico inexplorado.

    O planeta ZDR é repleto de detalhes coloridos vivos e encantadores.

    Seja na TV ou no modo portátil com o Nintendo Switch tradicional (o que eu usei para jogar) ou no OLED (o que eu pude conferir em reviews), sua experiência será com 60 FPS praticamente constante, sem blurs excessivos e nenhum serrilhado. Em algumas partes do jogo há muita animação ocorrendo em tela, especialmente quando há labaredas de fogo, e você sente a satisfação de experienciar tudo isso sem uma renderização travada.

    Metroid Dread é repleto de cutscenes lindas, bem trabalhadas e que dão vontade de assistir

    Pense num jogo que você gosta muito de assistir às cutscenes. Metroid Dread cativa da mesma forma, pois é rico em detalhes perfeitamente lapidados.

    A fluência é um ponto forte de toda a gameplay. Os movimentos de Samus são muito fluidos. Chega a dar uma satisfação pular por aí e adquirir gradualmente as habilidades da caçadora de recompensas.

    Um ponto que considero especial é o combo rasteira + corrida. É difícil achar um jogo em que após o slide o personagem não dê uma travada, mesmo que de leve.

    Em Metroid Dread isso não acontece. Então se você quiser passar por um mapa com agilidade, terá ainda mais satisfação de fazer isso usando a rasteira mesmo que não haja um obstáculo que exija tal movimento.

    PUBLICAÇÃO RELACIONADA | Metroid Dread: Veja o que fazer se você ficou preso em Artaria

    Agilidade é uma marca de Metroid Dread. O jogo é objetivo desde que você o abre em seu Nintendo Switch, pois você já dá de cara com as opções de início. Sem trailers, sem firulas.

    As telas de carregamento também são ágeis, assim como as cutscenes, que mostram apenas o que precisa ser mostrado. Os momentos de loading não informam que o jogo está sendo carregado, pois são transições suaves, bonitas e objetivas, sempre colocadas em situações oportunas.

    Jogabilidade simples, experiência desafiadora

    A não ser pela Morph Ball, eu enquanto jogador de primeira viagem não sabia o que esperar das habilidades de Samus Aran que não sejam relacionadas a atirar.

    Os tutoriais são muito efetivos e em alguns momentos apresentados no rodapé da tela de modo sutil. As instruções funcionam muito bem para quem tem sua primeira experiência com a franquia, e acredito que também não são chatos e repetitivos para quem já a conhece bem.

    Um dos jogos mais esperados de 2021, Metroid Dread foi lançado em 08 de outubro de 2021, exclusivo para Nintendo Switch

    Um outro ponto positivo é a possibilidade de acessar no menu de mapa, a qualquer tempo, as informações sobre movimentos, equipamentos e informações recebidas pelo centro de comando Adam.

    Embora seja simples de jogar, Metroid Dread é bastante desafiador. Os minibosses impõem certa dificuldade que garante doses de satisfação a cada vitória, ao mesmo tempo em que servem como um bom teste de habilidades com os recursos que você dispõe no momento.

    Por sua vez, os robôs Extraplanetary Multiform Mobile Identifier (E.M.M.I.) são os grandes desafios de Metroid Dread. É preciso fugir deles nas áreas do mapa chamadas de E.M.M.I. Zones e, caso chegue perto deles, você passa a ser caçado de modo insano.

    Samus Aran invísivel aos sensores do E.M.M.I. por estar com a habilidade Phantom Cloak ativa
    Samus Aran invísivel aos sensores do E.M.M.I. por estar com a habilidade Phantom Cloak ativa

    As mecânicas dos E.M.M.I. tornam os encontros temidos, pois a chance de Game Over é gigante se você encostar em um deles. Entretanto, de certa forma esses momentos também são prazerosos. Afinal, quando você acerta o timing durante a cutscene para se defender e contra-atacar, a satisfação impera. O contra-ataque é uma forma de deixar o inimigo “tonto” por alguns segundos, possibilitando que você volte a fugir.

    Mas nem só de fuga vive Samus Aran. O enfrentamento dos E.M.M.I. explora o que há de melhor na artilharia da caçadora de recompensas sem facilitar a experiência. Prepare-se para treinar sua mira na cabeça dos E.M.M.I. em duas formas para, então, sentir o alívio de saber que venceu um dos sete presentes em Metroid Dread.

    Por falar nos E.M.M.I., vale destacar que são nesses encontros em que a ambientação sonora se destaca, pois é fundamental para tornar os momentos mais tensos. No geral a trilha sonora é também bastante agradável e combina com as diferentes áreas do planeta ZDR. Ao jogar no modo portátil, opte por usar fones de ouvido para aproveitar melhor a experiência.

    Metroid Dread também é nostalgia

    Os mapas de Metroid Dread (da área em que você está e do planeta ZDR) mostram que serão precisas dezenas de horas para zerar o jogo completamente. Apesar de ser um game para o console mais atual da Nintendo, o mapa é um recurso visual com gráficos mais simples, que remetem aos clássicos em 16 bits.

    Mapas de Metroid Dread são simples de usar e facilitam o ir e vir típico de um Metroidvania

    Não se engane: mesmo sem ser “de última geração”, o mapa é simples de usar e oferece uma boa navegação. Isso facilita muito para se adaptar ao constante ir e vir típico dos Metroidvania.

    Clique aqui e assista à live que fizemos durante o lançamento de Metroid Dread, com a primeira hora do jogo.

    VEREDITO

    Mesmo com o hype lá em cima por conta do hiato na franquia, é seguro dizer que Metroid Dread é um dos melhores jogos de 2021. Não será nenhuma surpresa se o título figurar entre os indicados aos prêmios de melhores games do ano.

    Com um visual incrível e uma gameplay prazerosa, Metroid Dread é um jogo que merece ser jogado por todos os fãs de videogames – mesmo que o estilo Metroidvania não seja o seu forte.

    Nossa nota

    5,0 / 5,0

    Confira o trailer de Metroid Dread:

    Acompanhe as lives do Feededigno na Twitch

    Estamos na Twitch transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    Curte os conteúdos e lives do Feededigno? Então considere ser um sub na nossa Twitch sem pagar nada por isso. Clique aqui e saiba como.

    Noites Sombrias #34 | Halloween e as representações femininas

    0

    Mais um Halloween se aproxima e mais uma vez Michael Myers volta para assombrar Laurie Strode. Em Halloween Kills: O Terror Continua, que chega no dia 15 de outubro nos cinemas, Laurie não está mais sozinha. Agora, a final girl conta com o apoio de sua filha e neta para dar fim de uma vez por todas ao bicho papão. 

    Mas, nem sempre foi assim. O Halloween de John Carpenter e Debra Hill, lançado em 25 de outubro de 1978, trazia uma Laurie completamente diferente da mulher de semblante fechado que vemos nos filmes atuais. A jovem Laurie de mais de 40 anos atrás também enfrentou Michael Myers, mas foi graças a sua ingenuidade e bons costumes que ela pode sobreviver. 

    Antes de qualquer coisa, é preciso saber que Halloween de 1978 é fruto de sua época e como tal, se tornou um clássico por trazer novos conceitos para os filmes de terror. Porém, o cinema nunca foi neutro e Halloween carrega um forte discurso contra a liberdade sexual das mulheres. 

    Basta observarmos a figura de Laurie: uma jovem estudiosa, virgem e religiosa. Nunca usa roupas que mostrem seu corpo, tem receio de falar com os rapazes e é a típica babá que se importa com as crianças. Totalmente ao contrário de suas amigas, essas têm relações sexuais com seus namorados, vestem roupas “provocativas” e usam drogas. 

    Nesse cenário de adolescentes, a figura de Michael Myers aparece como a punição pela liberdade sexual das amigas de Laurie. Visto que, todas morrem, inclusive seus namorados também. Michael é visto como a encarnação do mal, mas pode ser associado à repressão da sociedade perante os adolescentes, já que, como os pais estão ausentes, cabe ao assassino reprimir qualquer desejo sexual. 

    Logo, apenas Laurie sobrevive por ser uma representação do feminino puritano que preza pela “integridade feminina”. Esse viés da representação feminina está presente na maioria dos filmes de horror, ainda mais nos slashers, que carregam um conceito de vigiar e punir os jovens. Ainda que não pareça, a criação de Halloween sobre essas representações femininas está ligada a uma América que no final dos anos 70 queria que sua sociedade voltasse aos bons costumes, depois de uma década regada de luta e movimentos sociais. 

    Por isso, o cinema como aliado de uma política patriarcal construiu e perpetuou representações femininas estereotipadas. Se não eram “santas”, eram “putas” e por isso mereciam morrer. Mas, após décadas, o retorno de Halloween implica que o cinema evoluiu e de certa forma, aprende com seus erros.  

    Quem é a Laurie do Halloween de 2018? 

    A primeira franquia de Halloween teve cerca de dez filmes até o reboot do universo em 2018, por conta dos massivos e desnecessários filmes muitos se perguntaram se era realmente necessário mais um longa sobre Laurie Strode e Michael Myers. A resposta não é simples, mas é fato que Halloween 2018 mudou a visão do espectador sobre a figura de Laurie.

    A imagem de jovem ingênua dá lugar a uma mulher que fez do seu trauma sua fortaleza. Laurie se tornou uma pessoa desconfiada e distante de sua família, passando os anos se preparando para a volta de Michael Myers. Dessa forma, os novos longas deixam para trás a perspectiva de punir os jovens por sua liberdade sexual e adere uma visão mais dramática e íntima. 

    Por isso, a nova trilogia de Halloween tem a chance de fazer o que qualquer franquia de slasher gostaria: retratar os estereótipos de gênero e apresentar uma visão mais realista das mulheres nos filmes de terror. Logo, com o segundo filme nas portas do cinema, Halloween deve mais uma vez trazer novos reflexos para o meio cinematográfico e quem, se redimir por suas trágicas representações femininas. 

    Referência: O Corpo Feminino No Cinema De Horror: Representações De Gênero E Sexualidades Nos Filmes Carrie, Halloween E Sexta-Feira 13 (Gabriela Larocca) 

    Acompanhe as lives do Feededigno na Twitch

    Estamos na Twitch transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    Curte os conteúdos e lives do Feededigno? Então considere ser um sub na nossa Twitch sem pagar nada por isso. Clique aqui e saiba como.

    CRÍTICA – O Homem que Vendeu sua Pele (2021, Kaouther Ben Hania)

    O Homem que Vendeu sua Pele (The Man Who Sold his Skin) concorreu ao Oscar 2021 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Representante da Tunísia, a produção é dirigida e roteirizada por Kaouther Ben Hania, e traz Yahya Mahayni no papel principal. O ator foi agraciado com o Prêmio Orizzonti de Melhor Ator no Festival de Veneza de 2020.

    Distribuído pela Pandora Filmes, o longa chegou aos cinemas do Brasil no dia 7 de outubro de 2021.

    SINOPSE

    O filme acompanha Sam Ali (Yahya Mahayni), um jovem sírio sensível e impulsivo que trocou seu país pelo Líbano para escapar da guerra. Para poder viajar para a Europa e recuperar o amor de sua vida, ele aceita ter suas costas tatuadas por um dos artistas contemporâneos mais cultuados do mundo. Transformando seu próprio corpo em uma obra de arte de prestígio, Sam perceberá, entretanto, que sua decisão pode significar qualquer coisa, menos liberdade.

    ANÁLISE

    O Homem que Vendeu sua Pele possui um elenco incrível. Yahya Mahayni, Monica Bellucci, Dea Liane e Koen de Bouw desempenham ótimos papéis sob a direção de Kaouther Ben Hania. A ideia instigante e provocativa do filme de Kaouther coloca o espectador em uma posição de desconforto do início ao fim.

    Ao contar a história de Sam Ali, um homem que foge da Síria por medo de se tornar prisioneiro, O Homem que Vendeu sua Pele perpassa diversos assuntos importantes e desafiadores. Graças à direção sólida e ao roteiro bem estruturado, o longa evita que suas ideias se tornem críticas rasas ou clichês.

    Sam, que se torna refugiado no Líbano, está impedido de circular para qualquer outro país por não possuir um visto. O cerceamento de sua liberdade se deve ao fato dele ter fugido de sua terra natal, onde ele seria preso injustamente e perderia (ironicamente) a sua liberdade.

    Em meio ao paradoxo de sua realidade, Sam esbarra em Jeffrey Godefroi (Koen De Bouw), um dos maiores artistas plásticos do mundo. Reconhecido e requisitado por todos os grandes museus, Jeffrey é uma referência em sua área, sempre transformando “algo inútil em arte”.

    No alto de seu elitismo e arrogância, Jeffrey propõe para Sam um esquema de tráfico humano envelopado em forma de arte: Sam se torna um objeto ao ser tatuado por Jeffrey e, em troca, ganha acesso a qualquer lugar do mundo.

    CRÍTICA - O Homem que Vendeu sua Pele (2021, Kaouther Ben Hania)

    Toda a dinâmica tem como “propósito” mostrar como favorecemos mercadorias em detrimento de pessoas. Um ser humano, que foge de um país para sobreviver, se torna persona non grata em outros lugares do mundo. Ao passo que uma mercadoria, que gera lucro, pode circular sem problemas.

    Ao aceitar o acordo, Sam ganha a sua liberdade e o dinheiro que tanto sonhava. Entretanto, o roteiro de Kaouther nos conduz pelas diversas nuances dessa escolha, abordando temas como a exploração dos refugiados, do corpo humano como mercadoria e dos limites entre a inovação e o crime.

    Toda a ideia distópica de O Homem que Vendeu sua Pele, que nos dias de hoje já não é tão absurda assim, traz um confronto direto para o espectador, que navega com Sam pelas diversas consequências de sua escolha.

    A atuação de Yahya Mahayni é incrível, pois ao mesmo tempo que dá vida a um personagem que vive um grande dilema, o ator consegue trabalhar sua simpatia e gentileza em boa parte das situações. Uma pessoa simples, vivendo em uma situação complexa, abdicando de seu lar em busca de liberdade, mas que acaba por ser explorado e humilhado constantemente.

    CRÍTICA - O Homem que Vendeu sua Pele (2021, Kaouther Ben Hania)

    O elenco de apoio também se sai bem, apesar de seus personagens não serem tão marcantes quanto o de Yahya. Monica Bellucci e Koen De Bouw são blasé e irritantes o tempo todo, ao passo que Dea Liane conduz toda a carga emocional da relação entre sua personagem e Sam.

    Apesar do ótimo plot e conceito da história, seu terceiro ato é a parte mais fraca da produção. A forma como Kaouther opta por finalizar a obra deriva para o surreal, de uma maneira que se desconecta um pouco do que foi construído ao longo da história.

    VEREDITO

    O Homem que Vendeu sua Pele possui um ótimo conceito e se destaca pela atuação marcante de Yahya Mahayni. Seu roteiro é bem construído, apesar de ter um último arco que, na minha opinião, destoa do desenvolvimento da trama até aquele momento.

    Entretanto, devido à sua premissa, aos temas provocativos e às boas atuações, o filme merece o destaque que recebeu na temporada de premiações.

    Nossa nota

    3,8/5,0

    Inscreva-se no YouTube do Feededigno

    Assista às nossas análises de filmes, séries, games e livros em nosso canal no YouTubeClique aqui e inscreva-se para acompanhar todas as semanas nossos conteúdos também por lá!

    TBT #145 | Batman: Ataque ao Arkham (2014, Jay Oliva, Ethan Spaulding)

    Batman: Ataque ao Arkham é uma animação da DC Comics dirigida por Jay Oliva e Ethan Spaulding, dois nomes conhecidos dentro da gigante dos quadrinhos por seus longas animados de qualidade.

    SINOPSE

    Amanda Waller, uma mulher poderosa e sem escrúpulos, reúne um grupo de criminosos formado por Arlequina, Aranha-Negra, Tubarão-Rei, Nevasca, Pistoleiro e Capitão Bumerangue, que buscam diminuir suas penas.

    Entretanto, para que isso ocorra, eles devem fazer uma missão suicida, eliminando um inimigo em comum do Batman: o Charada. Caso eles não consigam, serão mortos por um dispositivo explosivo colocado em suas cabeças.

    ANÁLISE

    Batman Ataque ao Arkham

    As animações da DC possuem uma qualidade inegável, uma vez que fazem arcos muito fechados de sucessos de vendas de hqs. além de histórias originais cativantes.

    Batman: Ataque ao Arkham felizmente é uma delas, pois é eletrizante e tem diversas reviravoltas dignas de filmes de assalto famosos. 

    Ao tratar de um grupo de vilões descartáveis, temos aqui uma ótima oportunidade de termos um senso maior de urgência, uma vez que há uma chance grande de personagens importantes morrerem a qualquer momento. A escolha de contar a história pela visão dos antagonistas também é algo muito bom, visto que muda a perspectiva do espectador que torce por eles, mesmo que as cenas em que o Batman aparece sejam incríveis e nesse filme especificamente vemos o porquê do Homem-Morcego ser tão temido por seus inimigos. 

    A estética é exagerada, mas funciona, além da boa escolha de personagens que se complementam em habilidades e possuem um carisma que nos faz torcer por eles. As cenas de ação são excelentes e o roteiro é muito bem amarrado, entregando uma das melhores animações do selo DC.

    VEREDITO

    Batman: Ataque ao Arkham é uma animação com uma proposta excelente e bons momentos. Com personagens de personalidade, o longa é uma pedida de respeito aos fãs do gênero de super-heróis.

    Nossa nota

    5,0 / 5,0

    Confira o trailer de Batman: Ataque ao Arkham:

    Acompanhe as lives do Feededigno na Twitch

    Estamos na Twitch transmitindo gameplays semanais de jogos para os principais consoles e PC. Por lá, você confere conteúdos sobre lançamentos, jogos populares e games clássicos todas as semanas.

    Curte os conteúdos e lives do Feededigno? Então considere ser um sub na nossa Twitch sem pagar nada por isso. Clique aqui e saiba como.

    CRÍTICA – Colônia Dignidade: Uma Seita Nazista no Chile (2021, Netflix)

    Colônia Dignidade: Uma Seita Nazista no Chile é uma produção documental da Netflix divida em seis episódios e foi realizada em conjunto com a Alemanha.

    Dirigida por Wilfried Huismann e Annette Baumeister, produzida por Gunnar Debio, Regina Bouchehri e Daniela Bunster.

    SINOPSE

    Uma colônia de alemães cristãos comandada por um líder carismático e manipulador se estabelece no Chile e se torna cúmplice da ditadura no país.

    ANÁLISE

    É extremamente difícil acreditar em todas as atrocidades que aconteceram na Colônia Dignidade. A história de um vilarejo de colonos alemães perto das Cordilheiras dos Andes, no Chile, que operava como uma seita nazista parece até uma história de ficção, mas foi real para os alemães e até mesmo chilenos que conheceram Paul Schäfer.

    Nesse sentido, o documentário da Netflix traz momentos inéditos da história por trás da Colônia Dignidade ao contextualizar a vida de Schäfer e como o mesmo foi parar no Chile com dezenas de imigrantes alemães. Ao final da Segunda Guerra Mundial e com a derrota do nazismo, Paul Schäfer chegou a construir um lar para jovens na Alemanha, mas foi acusado de violência sexual e em 1961 fugiu para outros países até chegar no Chile, onde foi recebido de braços apertos pelo governo chileno.

    Logo, ele fundou a Colônia Dignidade, uma comunidade agrária utópica que mantinha seus membros em constante vigilância e disciplina. Schäfer era extremamente religioso e constantemente pregava com um megafone em cima de seu cavalo para os colonos, enquanto estes trabalhavam na terra.

    Como essa população decidiu por seguir esse homem ainda é um mistério, mas é preciso levar em conta o cenário político social que Alemanha passava no pós guerra, com muitas famílias ficaram sem nenhum dinheiro ou até mesmo casa. A imigração era a única solução e assim o nazismo correu para a América Latina, infiltrado nessas famílias de imigrantes.

    Dessa forma, o documentário da Netflix expõe de forma nua e crua todo o processo horrendo que essas pessoas passaram com Paul Schäfer. Quando chegavam à colônia, as famílias eram separadas, bem como meninos e meninas também. Assim, Schäfer pôde submeter os colonos a alienação parental, lobotomia, manipulação psicológica, trabalho escravo e especificamente com as crianças, houve tortura, sequestros e estupros. Segundo uma das vítimas, o líder da colônia queria criar um “paraíso pedófilo”.

    Para contar essa trágica história, Colônia Dignidade: Uma Seita Nazista no Chile utiliza de um extenso arquivo em vídeo e fotos da colônia, mesclando com entrevistas e algumas cenas simuladas. Desde o início da colônia, um cineasta a documentou mostrando uma visão feliz das pessoas, uma fachada que foi transformada em propaganda para atrair mais participantes. Paul Schäfer chegou a construir um hospital comunitário para a população chilena que desconfiava de suas ações e dessa forma, também sequestrou dezenas de crianças chilenas.

    O documentário relata com uma riqueza de detalhes o início e fim da Colônia Dignidade, ao passo que entrevista vítimas dos processos de desumanização cometidos pelo líder Schäfer. É uma história surreal e trágica, mas que finalmente chega à tona como uma forma de expor as atrocidades cometidas em Colônia Dignidade e honrar a memória daqueles que sofreram nas mãos de Paul Schäfer.

    VEREDITO

    Colônia Dignidade: Uma Seita Nazista no Chile relata em mínimos detalhes as atrocidades da seita nazista comandada pelo alemão Paul Schäfer. O documentário tem um grande material em vídeo e fotos que dão luz aos acontecimentos, mas são as entrevistas das vítimas que enfatizam os traumáticos acontecimentos.

    Após fugir, Schäfer foi preso em 2005 na Argentina, julgado e condenado; e morreu em uma prisão chilena em 2010.

    Nossa nota

    4,0 / 5,0

    Inscreva-se no YouTube do Feededigno

    Assista às nossas análises de filmes, séries, games e livros em nosso canal no YouTubeClique aqui e inscreva-se para acompanhar todas as semanas nossos conteúdos também por lá!

    CRÍTICA – Diana: O Musical (2021, Christopher Ashley)

    Diana: O Musical é uma peça teatral filmada na Broadway que relata a turbulenta vida de Diana Frances Spence, conhecida como Princesa Diana na corte da família real britânica. Diana tem música e letra de David Bryan e Joe DiPietro e é dirigido pelo vencedor de um Tony, Christopher Ashley. No elenco estão Jeanna de Waal, Erin Davie e Roe Hartrampf.

    SINOPSE

    O  musical feito em homenagem a Diana (Jeanna de Waal), Princesa de Gales conta a história de sua breve e fascinante vida. Filmado antes da estreia original na Broadway, a produção foi gravada no Longacre Theatre em Nova York durante a pandemia COVID-19.

    ANÁLISE

    O musical da Broadway em homenagem a Princesa Diana reafirma a incrível mulher que Diana foi ao relatar toda sua tragédia e também alegrias dentro da família real. De certa forma, a produção também relembra seu legado e impacto no mundo, ao mesmo tempo que deixa evidente que Diana foi muito mais que um “rosto bonito” na corte.

    Nesse sentido, o musical busca retratar todo o assédio, pressão e injustiças cometidas contra a princesa e o quanto Diana precisou ser forte para sempre dar a volta por cima. Por se tratar de um musical em formato de peça é inegável o poder de síntese da atriz e cantora Jeanna de Waal que dá vida a Diana. Suas expressões, gestos e mudanças de comportamento quando uma cena acaba e outra começa demonstram seu talento e uma exímia representação de Diana.

    Diana O Musical

    Da mesma forma que Roe Hartrampf assume perfeitamente todas as características do Príncipe Charles. Logo, a dinâmica conflituosa entre Diana e Charles é exposta de maneira crua e nua no musical e somados a Erin Davie como Camilla Sand (amante e atual esposa de Charles) configuram uma trama regada a traições e desgosto. Dessa forma, o musical dirigido por Christopher Ashley compreende seu potencial, ainda que nunca o explore totalmente.

    Visto que, por mais que o espectador saiba que Charles, Camilla e a família real são culpados pelos abusos cometidos em Diana, o show nunca assume essa questão. Todavia, preferindo por uma abordagem mais cínica e cria um amor incondicional entre Charles e Camilla. Ainda que o musical não coloque Diana como uma pedra no caminho é evidente que a mesma estava atrapalhando o casal.

    Por isso, ao invés de levantar teorias a peça opta por tratar o acidente de Diana como uma fatalidade e enfatizar que a princesa estava livre de suas funções na corte e também como esposa. É uma visão mais racional que deixa a figura de Diana em vida brilhar mais que sua morte. Dessa forma, todas as ações realizadas por Diana mostram o quanto ela era inteligente e sagaz, a mulher que enfrentou a família real britânica e será para sempre amada por todos.

    Acerca da peça teatral é evidente que pandemia pois em cheque as apresentações na Broadway, ao mesmo tempo que abriu margem para que esse tipo de produção fosse explorado em outros formatos e chegassem a outros públicos. O impacto que Hamilton teve na Disney é também um dos responsáveis por Diana: O Musical chegar tão bem na Netflix.

    Logo, o musical abusa de lindos figurinos e um cenário interativo que muda de forma a cada ato. Ainda que as músicas sejam imemoriais, há um tom dramático e verdadeiro em cada canção que a sua maneira expressa cada sentimento e intenção dos personagens.

    VEREDITO

    Diana: O Musical tem potencial, mas este não é completamente explorado. As músicas situam o espectador no momento da cena, mas logo se tornam cansativas. Para além, a atuação de Jeanna de Waal e Roe Hartrampf são o que verdadeiramente dá o tom certo ao filme.

    Nossa nota

    3,0 / 5,0

    Confira o trailer do musical:

    Inscreva-se no YouTube do Feededigno

    Assista às nossas análises de filmes, séries, games e livros em nosso canal no YouTube. Clique aqui e inscreva-se para acompanhar todas as semanas nossos conteúdos também por lá!