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    CRÍTICA – The Crown (5ª temporada, 2022, Netflix)

    Uma das séries mais aclamadas pelo público e pela crítica, The Crown retornou em seu quinto ano com um elenco estelar. Contando os altos e baixos vividos pela família real britânica nos anos 1990, o seriado traz em seu time de protagonistas os multi premiados Imelda Staunton (Rainha Elizabeth II), Jonathan Pryce (Príncipe Philip) e Lesley Manville (Princesa Margaret), além de Dominic West e Elizabeth Debicki como o casal Charles e Diana.

    Confira abaixo a nossa crítica sobre a série

    SINOPSE DE THE CROWN

    Inspirada em acontecimentos reais, esta série de ficção dramatiza a vida da Rainha Elizabeth II e os eventos políticos e pessoais que moldaram seu reinado. Na quinta temporada, parece que a década de 1990 trará desafios para a Rainha Elizabeth.

    ANÁLISE

    O quarto ano de The Crown foi um ponto fora da curva na popularidade do seriado. Extremamente prestigiada desde o seu primeiro ano, a produção da Netflix sempre rendeu assunto nas redes sociais, mas nada comparado com o seu quarto ano.

    A inserção da Princesa Diana e o início da ruína de Príncipe Charles perante a opinião pública levou a história para mais perto de uma geração que não havia conhecido os dramas da Princesa do Povo. Desta forma, a popularidade de The Crown cresceu entre os mais jovens, inundando o Instagram e TikTok com edits de Diana.

    A quinta temporada, por outro lado, aborda os anos anteriores à morte da princesa e todo o drama envolvendo seu divórcio de Charles. É algo bem mais próximo do conhecimento público, sendo essa uma temporada de transição, onde o ápice será alcançado em seu sexto ano.

    A morte da Rainha Elizabeth II, ocorrida meses antes da estreia deste novo ano, tornou o cenário pouco amistoso para a produção de Peter Morgan. Afinal, mesmo que ele afirme que o seriado é uma carta de amor à rainha (o que, muitas vezes, é notório), é de conhecimento geral que os anos 1990 foram particularmente ruins para a imagem da monarquia.

    Desta forma, uma temporada que foca em sentimentos e acontecimentos privados, que necessitam de uma grande novelização para se sustentarem, pode ser considerada por muitos uma insensibilidade neste momento. Junte isso ao fato de que Charles é, agora, o novo rei da Inglaterra, e você encontrará comentários insatisfeitos sobre a abordagem um tanto branda feita por Morgan em relação ao rei.

    De fato, se tem uma coisa que Peter Morgan sempre fez, em todas as temporadas, é apresentar os dois lados de uma mesma figura da monarquia. Em sua romantização dessas figuras públicas, sempre houve espaço para que todos errassem e, em algum momento, mostrassem um lado mais receptivo, ou amoroso. Foi assim com Margaret, Philip e também com Charles (inúmeras vezes).

    CRÍTICA - The Crown (5ª Temporada, 2022, Netflix)

    Nessa temporada, no entanto, por se passar em um momento extremamente complicado, Morgan parece tentar frear, em diversos momentos, o potencial incendiário da narrativa. Com a falta de acontecimentos externos, sobre a política nacional e internacional, a temporada tenta dividir a atenção entre seu catálogo de estrelas, dedicando episódios específicos para Philip e sua contribuição na vida da Rainha, e mantendo a tradição de ter um episódio específico para Margaret.

    Porém, a grande estrela da temporada é Diana, interpretada de forma feroz e fiel por Elizabeth Debicki. Nos momentos em que ela não está em cena, poucos são os episódios que realmente empolgam a audiência. A sensação é de que, quando o episódio não trata sobre ela (ou sobre as vergonhas que Charles passou na época), as outras histórias parecem um pouco vazias.

    Apesar dos altos e baixos, este ainda é um ótimo ano para o seriado. Imelda Staunton está incrível em seu papel e substitui Olivia Colman com perfeição. Já Jonathan Pryce é um excelente ator, sendo sempre uma ótima escalação em qualquer produção.

    Dominic West se sai bem como Charles, mas é difícil desapegar de Josh O’connor nesse papel. O mesmo podemos dizer de Claudia Harrison como a Princesa Anne: apesar dela estar super bem, sinto falta de Erin Doherty e sua personalidade única.

    Um dos episódios mais interessantes da temporada, e que provavelmente será ame ou odeie, é aquele focado em Mohammed Al-Fayed e seu filho Dodi. Interpretados respectivamente por Salim Daw e Khalid Abdalla, o episódio pavimenta o caminho para os acontecimentos devastadores da próxima temporada. Uma ótima escolha criativa do seriado e que certamente será melhor apreciada após o sexto ano.

    Falar da parte técnica de The Crown é chover no molhado, pois a produção segue sendo uma das mais bem construídas da atualidade. Desde o design de produção até a construção dos episódios, The Crown se atém aos mínimos detalhes para entregar um grande resultado para o público.

    VEREDITO

    A quinta temporada de The Crown não é tão boa quanto as anteriores, mas segue sendo uma ótima produção. Com um excelente casting, a série da Netflix tem tudo para encerrar em grande estilo em seu sexto ano.

    4,0/5,0

    Assista ao trailer:

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    CRÍTICA – Bala Perdida (2020, Guillaume Pierret)

    O longa francês Bala Perdida no ano de seu lançamento rapidamente se tornou adorado pelos fãs de Velozes e Furiosos e com toda a razão. Estrelado por Alban Lenoir, Stéfi Celma e Ramzy Bedia, o filme nos apresenta a história de Lino, um presidiário que atua como mecânico para a polícia em troca pela redução de sua pena.

    Mas quando eventos inesperados começam a se desenrolar, Lino precisará provar sua inocência para cumprir sua sentença até o fim e não levar a culpa pela morte do policial Charas, seu amigo.

    SINOPSE

    Um mecânico acusado de assassinato precisa encontrar o carro que contém a única prova de sua inocência: a bala do crime.

    ANÁLISE

    Bala Perdida

    O longa francês nos lança desde seus primeiros minutos por sequências de ação incessante. Enquanto o mecânico Lino usa suas habilidades de modificar carros para roubar joalherias, ele é pego pela polícia. Enquanto passa parte do seu tempo ajudando a polícia na oficina em troca da redução de sua pena, ele é convidado para participar da divisão de elite da polícia francesa, modificando carros para perseguição.

    Quando nossos personagens se veem engendrados em tramas que vão além do seu controle, Lino fará de tudo para se provar inocente. As sequências de ação do filme é incrível e permitirá que nosso personagem junto de seus aliados o auxiliem a provar sua inocência. Um elemento que Bala Perdida me lembrou a todo o tempo, é a franquia francesa Taxi, lançada originalmente em 1998 e que era dirigida por Luc Besson.

    Um aspecto parecido com o de Taxi, é que Bala Perdida ganhou uma continuação, e pelo simples fato da trama possuir muitos aspectos simples em seu primeiro filme, é crível que a Netflix venha a produzir uma franquia baseada nessa trama com o intuito de aprofundar a história de Lino e do mundo ao que somos apresentados.

    Enquanto tenta provar sua inocência, o filme acaba subitamente. Mostrando que ainda há muito a ser mostrado e desenvolvido.

    VEREDITO

    Bala Perdida funciona muito bem como um longa de ação e suspense. Enquanto adentramos a história de Lino, e o personagem tenta provar sua inocência, o longa deixa de basear-se apenas em um mote e aprofunda a nossa história de maneira compassada, nos fazendo testemunhar diversos arcos se desenrolando e se desenvolvendo ao mesmo tempo.

    Desta maneira quando vemos desenrolar acontecimentos que desconhecemos, o longa nos faz entender que aquele mundo é mais denso e mais repleto de elementos do que o que vemos em tela. Ainda que o primeiro filme possua uma história que se inicie e chegue ao fim nela mesma, ela ainda precisa de um desfecho, desfecho esse que veremos em Bala Perdida 2.

    3,5 / 5,0

    Confira o trailer do filme:

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    CRÍTICA | Ataque dos Titãs – Volume 6 (2021, Panini)

    Enquanto o Esquadrão Especial de Reconhecimento e o 104º Esquadrão de Recrutas colocam em curso um plano idealizado por Erwin Smith, um inimigo inesperado surge entre as fileiras para colocar em risco o que parece ser um avanço. Ao longo do Volume 6 de Ataque dos Titãs, muitas coisas mudam quando um novo inimigo aparece.

    A compartimentalização das informações é uma técnica de guerra antiga, criada a fim de fazer com que nenhum indivíduo da equipe saiba todos os planos, do início ao fim caso sejam capturados. Quando indivíduos sabem apenas os elementos do plano que desempenharão, um inimigo que se esconde em meio dos aliados não conseguirá descobrir o que a Equipe de Reconhecimento planeja.

    SINOPSE

    Em sua primeira missão na Divisão de Reconhecimento, Armin se depara com uma titã fêmea diferente de todos os outros. Ela é mais rápida, forte e inteligente, e parece estar à procura de alguém. Agora, o Esquadrão Levi precisa proteger Eren, mesmo que custe suas vidas!

    ANÁLISE

    Volume 6

    Enquanto as fileiras da Unidade Especial de Reconhecimento parecem ser destruídas aos poucos, o que parece ser um titã errante, anômalo destruiu grande parte da unidade – e impediu que a informação chegasse às fileiras mais distante. A aparição desse titã, considerado como anômalo muda quando ele se muda ágil e inteligente. A Titã Fêmea coloca a prova o que todos da Unidade de Reconhecimento temia, existe um inimigo escondido dentro do 104º Esquadrão.

    Com o fim do Volume 5 mostrando que Armin agora tem um papel importante dentro da Unidade de Reconhecimento, o jovem medroso do passado começa a se mostrar como um brilhante estrategista quando começa a entender o plano pensado por Erwin e Levi.

    E enquanto essa nova titã parece colocar em risco os planos, Eren passa a questionar sua liberdade e o quanto a humanidade está disposta a arriscar a fim de garanti-lo como seu protetor e futuro salvador. O desenvolvimento da trama mostra o quão importante Eren, Armin e Levi são, e esse volume os dá destaque, enquanto permite aos leitores entender que precisamos ficar de olho neles, e esses personagens ainda tem muito a crescer.

    A forma como o roteiro dá espaço para Armin, Erwin e muitos outros personagens crescer, nós conseguimos entender que essas histórias são definidas por muito mais do que o mangá mostra, e assim como o presente, o passado e o futuro influenciam diretamente esses personagens, principalmente, Eren.

    VEREDITO

    O fim do Volume 6 traz brilhantes surpresas e mostra que o cuidado que o mangá criado por Hajime Isayama tem ao desenrolar sua história. Tudo isso enquanto Erwin se mostra como um brilhante estrategista, que parece ver o futuro, e os planos da Equipe Especial merecem destaque, pois tudo leva os leitores por um brilhante desfecho, digno de um fim de capítulo. Enquanto funciona como uma barriga, o Volume 6 nos apresenta importantes detalhes dos nossos personagens, e guarda o ápice do volume para o último capítulo da edição, o 26.

    Ainda que uma nova ameaça surja, o Volume 6 se mostra como o mais fraco até aqui. Mas fique de olho, pois ainda temos muitos volumes para frente.

    3,0 / 5,0

    Volume 6

    Autor: Hajime Isayama, Ryo Suzukaze, Satoshi Shiki, Thores Shibamoto

    Páginas: 192

    Ano de Publicação: 2021

    Editora: Panini

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    CRÍTICA – Warrior Nun (2ª temporada, 2022, Netflix)

    Warrior Nun é uma série baseada no quadrinho lançado em 1997, intitulado Warrior Nun Areala, o quadrinho que era o puro suco dos quadrinhos daquela década, nos apresentava personagens hiperssexualizados e submissos à vontade da Igreja Católica. Colocando as personagens que dão nome à série, as Warrior Nuns quase sempre em papéis degradantes e visuais que não condizem nada com o papel das personagens, elas acabam por atuar como eye candy para os leitores, o que é horrível.

    PUBLICAÇÃO RELACIONADA | Warrior Nun: Diferenças entre a HQ e a série

    A arte de Ben Dunn acaba por atuar como um desserviço a série da Netflix, que acaba por adaptar completamente os arcos dos quadrinhos, deixando de lado o papel dos “padres mágicos” e dando um maior destaque às personagens centrais da trama, as “Warrior Nun”.

    A série, que ao longo de sua primeira temporada, lançada em 2020 encantou seus fãs, e gerou muito buzz, em sua segunda temporada atraiu os olhares dos fãs que esperavam que em seu segundo ano ela fosse revelar mistérios da primeira, mas a levou para um rumo completamente diferente.

    SINOPSE

    Ava e as Irmãs Guerreiras da OCS devem encontrar uma maneira de derrotar o anjo, Adriel, enquanto ele tenta construir seus seguidores na religião dominante no planeta.

    ANÁLISE

    Warrior Nun

    A série que tem início de maneira promissora ao longo de seu primeiro ano, degringola por completo. Com tramas confusas e arcos que não levam nossos personagens à lugar nenhum, o roteiro dessa temporada parece ter sido escrito como uma continuação solta da primeira temporada, que se desenvolveu de maneira tão fluida. A segunda procura inserir sentido em absurdos lançados por uma trama cujo único aspecto relevante é o medo que os personagens tem do fim do mundo, que pode chegar a qualquer momento pelo “falso messias”.

    Ainda que muito convincente, os personagens da série tem muitos problemas para enfrentar as dificuldades daquele mundo. Após a revelação de que o que estava escondido abaixo do Vaticano não era o anjo que deu sua auréola à Primeira Warrior Nun, mas sim um anjo caído, tudo muda.

    Os perigos se mostram muito mais urgentes e a necessidade da trama a faz ser muito mais dinâmica do que a forma como ela se mostra. Com arcos arrastados, vemos a aparição de personagens tristes e desnecessários, enquanto a série nos causa incômodos perpetrados pelo que a única explicação é: dar um fim à série.

    A atuação de Alba Baptista, que dá vida à nossa protagonista Ava Silva e de Kristina Tonteri-Young que dá vida à Beatrice merecem destaque, mas mesmo as atrizes não podem dar à série um sentido cujo roteiro parece ignorar.

    VEREDITO

    Warrior Nun

    Ao longo dos 8 episódios da segunda temporada da série, Warrior Nun se mostra como uma tentativa falha de adaptar uma história fraca dos quadrinhos, cuja origem foi baseada em misoginia e objetificação. Ainda que a construção de mundo se dê no mesmo universo dos quadrinhos, a adaptação da Netflix tenta criar uma mitologia própria se afastando de sua contraparte – o que é compreensível, já que o quadrinho teve apenas 6 edições lançadas.

    A 2ª temporada de Warrior Nun é triste, sem graça e sem razão de existir. Ainda que a atuação de Alba e seu elenco de apoio seja interessante, os motivos do roteiro são desinsteressantes e rasos.

    1,0 / 5,0

    Confira o trailer da 2ª temporada da série:

    As duas temporadas de Warrior Nun estão disponíveis na Netflix.

    LEIA TAMBÉM:

    CRÍTICA – Warrior Nun (1ª temporada, 2020, Netflix)

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    Conheça Muzzafar Lambert, o Sarraceno

    Muzzafar Lambert, mais conhecido como Sarraceno, é um personagem vampírico da Marvel Comics e foi criado por Mike Baron e Erik Larsen, sua primeira aparição foi na HQ Punisher #22, publicada em agosto de 1989.

    ORIGEM

    Sarraceno era um mercenário e assassino itinerante cujas ações, como saquear navios de cruzeiro e explodir aviões, resultaram em ele ser considerado terrorista. A história de Muzzafar Lambert não é tão clara, mas sabemos que ele vem de um país árabe não revelado e diz-se que é casado e feliz.

    Apesar disso não ser confirmado, ele é considerado um membro dos Antigos, um grupo de vampiros que são considerados alguns dos mais antigos sugadores de sangue conhecidos. Ele se escondeu debaixo do Vaticano por muitos anos antes de ser acordado para invocar o demônio Reaper.

    PODERES E HABILIDADES

    A sua versão vampírica só teve brilho na série de TV Mulher-Hulk: Defensora de Heróis, já que nas HQs o personagem é mostrado e reconhecido como um mercenário de guerra. Ele não possui poderes, mas tem grande habilidade com armas brancas da região como cimitarras, adagas e armas de fogo variadas, incluindo rifles e fuzis.

    Sarraceno é um grande mercenário e dentre suas habilidades podemos destacar que ele é um ótimo combatente corpo-a-corpo e tem vasto conhecimento em infiltração e espionagem.

    EQUIPES

    Sarraceno encontrou Frank Castle, o Justiceiro pela primeira vez quando os dois se infiltraram no mesmo campo de treinamento ninja administrado por vigaristas no Kansas. Quando os funcionários do acampamento começam a assassinar os alunos, percebendo que há sabotadores entre eles, Sarraceno e o Justiceiro trabalham juntos para sobreviver, com Sarraceno explicando que ele se matriculou no acampamento para discernir quem entre seus ex-alunos foi o responsável pelo envenenamento de um dos líderes do Exército Armênio. Depois que os instrutores do acampamento são mortos, o Justiceiro salva Sarraceno de uma explosão que incinera o vilão, dono do estabelecimento.

    CURIOSIDADES

    A contraparte de Saraceno na Terra-1009 é um super-herói e membro dos Vingadores Reais. Ele e seus companheiros de equipe, Iron Lord e Garoto Americano, tentam prender a versão da Vampira desta Terra, mas ela é salva pelo membro dos Exilados, Morph.

    OUTRAS MÍDIAS

    Infelizmente o personagem só teve uma única aparição que foi na série Mulher-Hulk: Defensora de Heróis para o Disney+, em sua versão live action o personagem é interpretado pelo ator Terrence Clowe, conhecido por atuar em As Vidas de Glória (2020) e Vingança e Castigo (2021).

    Alguns fãs especulam que o personagem irá retornar no reboot de Blade.

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    Marvel Comics: Conheça outros personagens da editora


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    Noites Sombrias #91 | 30 anos de Spawn

    Chegamos ao mês de novembro, um mês de grande importância para a cultura negra no geral e para celebrar este tão precioso momento, trazemos um personagem de quadrinhos que não é do eixo comum Marvel e DC mas sua existência é um marco no universo da nona arte: Spawn.

    Neste ano o anti-herói criado por Todd McFarlane chega ao seu 30º aniversário, um marco importante para um personagem que não é do eixo mais conhecido do grande publico, porém tem uma base tanto editorial quanto de fãs bem fiel.

    Spawn o melhor personagem negro dos quadrinhos sim ou claro?

    Spawn: O Soldado do Inferno é uma HQ lançada no formato mensal publicada pela editora Image Comics e criado pelo roteirista Todd McFarlane no ano de 1992 e, desde então, vem sendo publicado sem nenhum hiato desde a sua criação, sendo um dos poucos personagens negros, se não o único, a não ter a sua revista pausada ou interrompida.

    No início de seu lançamento Todd era o único responsável por toda a parte criativa relacionada ao personagem, mas posteriormente outros artistas passaram a contribuir no processo tendo a participação de artistas notáveis como Greg Capullo, Angel Medina, Frank Miller, Alan Moore e Neil Gaiman.

    ORIGEM

    Noites Sombrias #91 | 30 anos de Spawn

    A história é sobre Al Simons, um soldado que cumpriu serviço militar para o governo norte-americano realizando todo o tipo de tarefa incluindo muitos assassinados.

    Simons se torna um problema para os seus superiores, principalmente Jason Wynn, ao questionar a natureza de suas missões que então é assassinado por um mercenário chamado Capela.

    A alma do soldado é condenada ao Inferno por seus pecados, especificamente ao oitavo circulo, dominado por Malebolgia, que oferece um acordo para o ex-soldado liderar seus exércitos como uma Cria do Inferno em troca de seu retorno ao mundo dos vivos e para a sua esposa Wanda.

    Al aceita, porém retorna em um cenário completamente diferente com sua esposa, até então viúva, casada com seu melhor amigo Terry Fitzgerald e com uma filha chamada Cyan e, além de tantas decepções, tem no seu encalço a Cria do Inferno Violador para garantir que ele cumpra a sua parte do acordo.

    Assim a criatura do Inferno vive em uma parte da cidade de Nova York chamada de Beco dos Ratos e se tornando amigos dos mendigos, entre eles Botas, que posteriormente seria revelado ser um anjo.

    Apesar de todo o sofrimento ao seu retorno ao mundo dos vivos, Al Simons tem um vinculo com Cyan que o chama de “o homem triste” e carregou consigo por muito tempo um cadarço de tênis contendo a energia demoníaca de Spawn.

    PODERES

    Noites Sombrias #91 | 30 anos de Spawn

    Os poderes de Spawn são quase ilimitados como Cria do Inferno, porém enquanto ainda estava sobre o domínio de Malebolgia a cada luta havia um gasto de energia simbolizado em um cronômetro demoníaco em contagem regressiva que inicia-se em 9:9:9:9 que se encerrou no arco “Armageddon” na luta contra os doze apóstolos.

    Dentre as inúmeras habilidades que o Soldado do Inferno possui, podendo englobar tanto rajadas de energia quanto as habilidade paramilitares de Simons, a capa do seu uniforme sempre foi um destaque: tanto pelo seu tamanho quanto pela capacidade que seu usuário tem de transforma-la no que desejar.

    O uniforme utilizado por Spawn ao se tornar um Hellspawn é um simbionte (curiosamente Todd foi criador de um simbionte bem conhecido: Venom) que se aloja ao soldado como um parasita/arma sendo denominada como K7-Leetha. Este fato sobre o personagem foi descoberto na minissérie “Feudo de Sangue”, porém o conceito foi criado pelo escritor Alan Moore.

    EQUIPES E AFILIAÇÕES

    Noites Sombrias #91 | 30 anos de Spawn

    Apesar de viver constantemente em ameaça e olhando por cima de seu ombro, Spawn tem alguns poucos aliados como Cyan e Botas citados anteriormente; a dupla de policiais Sam e Twitch e a Vovó Blake responsável por diálogos excelentes com Simons em suas participações.

    Durantes os seus arcos o Soldado do Inferno passou por diversas atribulações: desde ameaças mortais como a máfia que desenvolve o ciborgue Overkill, caçadores angelicais como o Redentor e Angela e até mesmo o próprio apocalipse.

    CURIOSIDADES

    Noites Sombrias #91 | 30 anos de Spawn

    Spawn é um personagem que carrega diversos simbolismos pela sua construção narrativa como um homem gerado através de violência e, por entender desta forma o mundo, se torna um reprodutor de violência. Desta forma posteriormente aceita que o seu destino como Cria do Inferno não é apenas o desejo de retornar para sua esposa, mas uma punição pelos seus erros e falhas.

    Outro detalhe que torna o personagem tão simbólico está relacionado a ser um homem negro que luta pela sua existência contra um sistema, no seu caso é o universo que sempre está contra ele e, refletindo sobre a realidade, podemos pensar na luta das pautas raciais contra o racismo estrutural.

    A edição comemorativa de 30 anos da HQ teve uma capa em branco, com apenas o título e o símbolo da editora para que cada fã desenhasse sua própria capa #1.

    SPAWN UNIVERSE

    Noites Sombrias #91 | 30 anos de Spawn

    Na atual fase do anti-herói, Spawn conseguiu selar as portas do Céu e do Inferno, assim impossibilitando a entrada de novos seres espirituais, assim como aqueles que habitavam o mundo humano não poderiam retornar e este evento resultou na história de expansão da linha editorial denominado “Spawn Universe”.

    A linha editorial do Universo Spawn atualmente conta, além da mensal título do personagem, com três histórias: 

    • King Spawn;
    • Gunslinger Spawn e
    • The Scorched.

    Sendo esta última a primeira história de equipe unindo o Soldado do Inferno a outros personagens icônicos deste universo como Redentor e Jessica Priest velha conhecida de Simons, que agora tornou-se a She-Spawn.

    Este marco é muito importante tanto para a existência do personagem quanto para o seu criador que abre mão do total controle criativo do personagem após 30 anos sendo o único responsável pelos rumos da mensal.

    OUTRAS MÍDIAS

    Spawn é um personagem que foi adaptado em diversas mídias, sendo bem difundido na cultura pop ao longo dos seus 30 anos de existência na forma de jogos de videogame, animações e até ganhando uma adaptação para o cinema em live action.

    GAME

    Noites Sombrias #91 | 30 anos de Spawn

    No universo de games, Spawn surge pela primeira vez no jogo side scrolling beat’ em up Todd McFarlane’s Spawn: The Video Game lançado em 1995 para o Super Nintendo, que foi produzido pela Ukiyotei e distribuído pela Acclaim Entertainment; e contava com a presença de duas versões do Spawn: Al Simons e Jim Downing.

    Em 1997 chega Spawn: Eternal para o PlayStation que recebeu muitas críticas negativas por não buscar seguir o próprio caminho, repetindo fórmulas de jogos como Tomb Raider. O jogo tinha um detalhe especial que, ao ser tocado em um CD Player, era reproduzia uma entrevista com Todd McFarlane.

    Ainda na década de noventa foram lançados mais dois títulos do personagem Spawn: Ultimate, ainda em 1997, também para o PlayStation e Spawn para Gameboy Color em 1999.

    Na passagem de década foi lançado o jogo Spawn: In the Demons Hand desenvolvido pela Capcom para o Dreamcast e foi considerado o melhor jogo do personagem; tendo três modos de jogo e 37 personagens além de ter uma cutscene de abertura empolgante com a banda Crankshaft  tocando a sua música “Rip It up!“.

    O ultimo titulo do personagem até o momento foi Spawn: Armageddon lançado em 2003 para PlayStation 2, Xbox e Game Cube; que contando com a participação de Marilyn Manson na abertura do jogo com a sua música “Use Your Fist and Not Your Mouth” do álbum The Golden Age of Grotesque. Um destaque para este jogo é que sua narrativa adapta as edições #1 até #99 dos quadrinhos.

    Além de jogos próprios, o personagem Spawn de Al Simons também aparece em outras franquias como Soul Calibur ll de 2003 e como um lutador adicional Mortal Kombat 11.

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    TV

    Apesar dos altos e baixos nos jogos a presença mais marcante foi no universo de animações com o título Spawn: The Animated Series  lançado entre 1997 e 1999 produzido pela HBO. Ao todo foram três temporadas, contendo seis episódios cada. Além da sua exibição no canal HBO foi reexibido na versão japonesa do canal Cartoon Network e distribuído em um DVD no formato de longa metragem de 180 minutos.

    No elenco de vozes Keith David interpretou Al Simons/Spawn, Richard Dysart como Cogliostro e Dominique Jennings deu voz a eterna amada do Soldado do Inferno, Wanda. A animação foi indicada para Emmy de 1999.

    CINEMA

    Noites Sombrias #91 | 30 anos de Spawn

    A única adaptação em live action para o cinema até o momento foi Spawn, lançado em 1997 e distribuído pela New Line Cinema e a Todd McFarlane Entertainment, com um orçamento de US$ 40 milhões, o longa arrecadou US$ 87 milhões de bilheteria o que para época era considerado um valor aceitável.

    A direção ficou por conta de Mark A.Z. Dippé que também participou ao lado de Alan B. McElrooy, a produção tem a proposta de ser um filme de origem do personagem, apesar de não seguir tão fielmente o material original.

    O elenco conta com nomes como Michael Jai White como Al Simons/Spawn, Martin Sheen como Jason Wynn, Thereza Randle como Wanda Blake, Melinda Clarke como Jessica Priest, John Leguizano como Violador e Nicol Williamson como Cogliostro.

    Apesar do whitewashing em um personagem importante como Terry Fitzgerald cuja a sua versão dos quadrinhos é um homem negro, o filme não se torna tão decepcionante como adaptação se pensar que naquela década o universo de filmes de quadrinhos não tinha o mesmo apelo que possui atualmente e segue alguns padrões muito comuns de uma narrativa de Spawn como a violência e o conflito de Simons.

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    O FUTURO

    Para o futuro o criador do personagem, Todd McFarlane, anunciou em 2001 a produção de um novo filme do Soldado do Inferno, porém muito lentamente a produção finalmente está em seu processo iniciai e já conta com a presença Jamie Foxx (Power e Dupla Jornada) como o protagonista e com os roteiristas Scott Silver (Coringa) e Malcolm Spellman (do vindouro Capitão América: Nova Ordem Mundial).

    Com a expansão de universo editorial, um filme novo em produção e um personagem que chega aos seus 30 anos de existência bem estabelecido, Spawn é um personagem negro que merece ser celebrado e que venham muito mais personagens negros e mais versões adaptadas de outros já conhecidos para formar um universo ficcional capaz de representar a nós negros e toda a nossa luta.


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